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OPINIÃO POLÍTICA
Lula e a campanha

Ivan de Carvalho


O candidato a prefeito Nelson Pelegrino, segundo anuncia o seu site de campanha eleitoral na Internet, espera a presença de Lula em Salvador neste mês de agosto para pedir ao eleitorado que vote no candidato do PT. Um vídeo rápido, de seis segundos, já está sendo exibido no You Tube. Nele, o ex-presidente da República e mais forte cabo eleitoral de seu partido aparece sozinho, sorridente, e pronuncia a frase: “Eu não só vou pedir para o Nelson Pelegrino, como se eu morasse em Salvador votaria nele”.

Bem, o ex-presidente, que já se qualificou como uma “metamorfose ambulante” sem pedir licença e nem pagar direitos autorais aos sucessores de Raul Seixas, está procurando manter a coerência, pelo menos no vídeo gravado para a campanha do candidato. Ambos são do PT e Lula atualmente não é presidente da República e, portanto, está absolutamente desembaraçado – ressalvados esforços demasiados por conta de sua recuperação do tratamento de um câncer na laringe – para atuar em favor dos candidatos de seu partido. Entre eles, Pelegrino, que durante um certo período do primeiro mandato de Lula teve o destaque de líder do PT na Câmara dos Deputados.

Há coerência em Lula também quando diz que não só vai pedir votos para Pelegrino como, se votassem em Salvador, votaria nele. Seria espantosamente surpreendente se, votando aqui, pedisse votos para Pelegrino e votasse em algum outro candidato a prefeito. O vídeo é um primor de redundância. Provavelmente, nunca antes neste país se “redundou” tanto em tão pouco tempo numa frase tão curta.

Mas não importa isso ao candidato da coligação liderada pelo PT. Importa que Lula falou e Lula programa a vinda, que até pode não ser a única da campanha, pois nos bastidores comenta-se que ele virá à capital baiana duas vezes durante a campanha eleitoral. Além de ajudar seu partido e o respectivo candidato, Lula ao mesmo tempo atende à conveniência política e eleitoral do governador Jaques Wagner, que luta pelo PT e aliados na capital – considerada fundamental – e no interior.

O governador, diferentemente de outras fases do seu período no governo, que acaba de completar cinco anos e sete meses, está, assim como a campanha de Pelegrino, precisando de ajuda. Houve desgastes do governo estadual e um desgaste popular acentuado do próprio governador, se valerem os dados publicados esta semana pelo Correio da Bahia, dando conta da pesquisa que o jornal encomendou à empresa Futura.

A greve da Polícia Militar, a greve dos professores, o aumento da criminalidade e da violência mostrada amplamente pelos programas policiais de várias emissoras de televisão – reforçando continuadamente a sensação de insegurança da população baiana e especialmente da Região Metropolitana de Salvador; uma retração da economia nacional (diferentemente do que aconteceu durante o primeiro mandato do governador Wagner e segundo mandato de Lula), que levou a restrições orçamentárias sérias no Estado, dificultando o investimento em obras e serviços públicos, desgastaram o popularmente o governador e seu governo, que em termos de marketing político talvez não tenha muito a oferecer ao candidato a prefeito de Salvador.

Assim, a participação de Lula (e eventualmente de Dilma, com quem Wagner tem amizade consolidada, mas tem um problema na existência de um candidato de partido aliado em Salvador, Mário Kertész, do PMDB) vem mesmo a calhar para a campanha de Pelegrino. E para o governador, que depende muito das eleições deste ano para preparar as de 2014.

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