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OPINIÃO POLÍTICA

Fernando Wilson

Ivan de Carvalho

Realizou-se a partir das 16 horas de ontem, no cemitério Jardim da Saudade, a cerimônia de cremação do corpo de Fernando Wilson Magalhães. Estava bem de saúde, mas há poucos dias tomou uma queda e, como é comum acontecer nesses casos com pessoas de sua idade – ele ia fazer 88 anos em setembro – quebrou um osso. Uma costela. Teria superado o tombo se a costela não lhe houvesse perfurado um pulmão. Isto causou a morte, ocorrida no sábado.

Foi uma vida longa e bem vivida, grande parte dela ao lado de sua querida esposa Sônia, que agora deixou. Deu certo como pai de muitos filhos.
Advogado, foi como pecuarista, político e pessoa do bem que atuou na sociedade. Quem o conheceu sabe que, diferente de muitos que operam na área política, era um homem sem ódios, rancores, mágoas ou preconceitos, de coração leve. Mas conceitos os tinha. Gostava de conversar e era muito tranquilo – ou “trankilo”, como insistia em pronunciar, talvez em protesto porque a palavra não tinha o trema que sua pronúncia sugeria. Tenho certeza de que, na Casa do Pai, foi recebido, “trankilamente”, numa boa morada.

Político, prefeito do município de Castro Alves, obteve em seguida vários mandatos parlamentares. De deputado estadual e deputado federal. Exerceu sempre a função pública com honestidade, seriedade e evidente espírito público. Disto posso dar testemunho pessoal, pois trabalhei com ele como “secretário extraordinário” de Informação e Divulgação durante o período (1 de abril de 1977 a 15 de agosto de 1978, portanto, 16 meses e meio) em que foi prefeito de Salvador.

Foi escolhido prefeito segundo o processo da época, por indicação do governador Roberto Santos e aprovação da Assembléia Legislativa, para suceder na prefeitura a Jorge Hage. E deixou o cargo em agosto do ano seguinte (foi sucedido por Edvaldo Brito) para ter condições legais de renovar seu mandato de deputado federal.

Mal acabara de assumir o cargo, chuvas torrenciais como há vários anos não ocorriam quase destruíram a cidade. Ele a reparou. Em alguns lugares, com muito trabalho, como na reconstrução reforçada do cais de Amaralina destruído por ondas poderosas e na substituição da insuficiente macrodrenagem da Avenida Magalhães Neto.

Deixou muitas outras coisas para a cidade. Cito algumas, mas outras certamente estão escondidas em arquivos secretos da gasta memória do jornalista:

1. Substituição da drenagem e urbanização da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha, que inundavam a cada chuva forte. Obra demorada, política e materialmente difícil, complexa, exigiu uma forte campanha publicitária, não para propaganda da obra, evitar o colapso do intenso e tradicional comércio local.

2. Construção da Avenida Orlando Gomes, ligando a Paralela à Orla.

3. Criação, por decreto municipal, do Parque Metropolitano de Pituaçu (implantação dos equipamentos pelo governo Roberto Santos, por intermédio da Conder, presidida então pelo economista Osmar Sepúlveda).

4. Criação da Limpurb e consequente extinção do antigo DLP – Departamento de Limpeza Pública, cuja estrutura superada impedia um serviço de limpeza decente.

5. Pavimentação da segunda pista da Av. Juracy Magalhães Jr.

6. Drenagem e urbanização em áreas paupérrimas da periferia da cidade.

Muito mais haveria a dizer. Sobre obras, ações de governo e pessoas. Por exemplo, que a cidade deve bastante, e especialmente, a Luiz Braga, então secretário de Obras, ex-deputado e engenheiro. À diretora do Oceplan (Órgão Central de Planejamento), Maria Auxiliadora e ao economista e assessor especial Antonio Alberto Valença. E, claro, ao prefeito, sob cujo comando eles e outros serviram.

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