Janio Ferreira Soares
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E se o disjuntor da usina da Chesf desligar?

CRÔNISTA

O dia em que Wagner tremeu

Janio Ferreira Soares

Cena 01 – Junho de 2014, Arena Fonte Nova lotada para o primeiro jogo da Copa. Na tribuna de honra o governador Jaques Wagner, em plena campanha para eleger seu sucessor, vibra com a festa e com o som dos tambores do Olodum, que reverbera pelas arquibancadas antes de desaparecer pela nesga que revela o Dique e aborta o anel. Do lado direito das cabines a torcida grita “bahêêêa!”, para surpresa dos estrangeiros que pensam tratar-se de um ritual. Acertaram. A resposta vem em forma de vaias, o que faz com que alguns políticos tremam na base, como se dissessem: “pronto, me descobriram”. Mas é apenas a torcida do Vitória dando o troco.

Cena 2 – Final do primeiro tempo, Wagner e comitiva sorriem aliviados. Agora é esperar os 45 minutos finais e comemorar. Os jogadores retornam ao gramado já iluminado por modernos refletores de led, que em contraste com o Sol que se põe por trás do Farol proporcionam imagens aéreas indescritíveis. Mas eis que, quando tudo se encaminha para os tradicionais tapinhas nas costas seguidos de “parabéns, governador!”, apagam-se os refletores e o verde vira breu.

Cena 3 – Enquanto as luzes de emergência são acesas (para alívio de muitos que já tinham colocado suas carteiras no bolso da frente) Wagner e Leonelli disparam telefonemas aflitos, até que o locutor avisa que o problema é numa usina de Paulo Afonso e que os jogos de Recife, Natal e Fortaleza também foram interrompidos. Imediatamente os turistas e jornalistas procuram nos panfletos distribuídos pela Embratur alguma informação sobre essa estratégica cidade que pode parar uma Copa. Espanto. A Bahiatursa sequer a colocou entre os destinos baianos indicados para visitação durante a competição. O bem informado locutor da Globo estranha e comenta que Paulo Afonso, com seus cânions e cachoeiras, é uma das cidades mais bonitas e importantes do País, já que é de lá que sai toda a energia que abastece o Nordeste. Em meio às vaias, alguém liga: “operadores da Chesf? Acho que dessa vez o governo aprendeu a lição. Religuem o disjuntor”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, cidade da margem baiana do Rio São Francisco, mas que a administração estadual quase nem liga, a não ser quando alguma pane desliga as usinas da CHESF

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