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CRÔNICA/NATAL

Três bilhetes para Papai Noel

Janio Ferreira Soares

“Prezado Noel, antes de tudo quero lhe dizer que eu só comecei a acreditar no senhor depois que outro barbudo (este sim, o meu eterno Papai Noel) me deu de presente mais de 50 milhões de votos e me colocou aqui onde estou. Até então – apesar de sua roupa vermelha e da barba parecida com as de velhos companheiros -, eu o via apenas como uma abstração mantida pelos reacionários para iludir a juventude oprimida. Mas agora, até eu vou me transformar em você para surpreender o fofo do meu netinho Gabriel na noite de Natal. A propósito, espero não receber nenhum telefonema do Gilbertinho contando novas denúncias sobre algum ministro, pois meu saco já está literalmente cheio”.

“Companheiro Noel, lembro que lá em Caités (PE) nem sapato eu tinha pra colocar na janela. Uma vez eu inventei de botar minha japonesa no terreiro e no outro dia só tinha um pé, pois um desgraçado de um vira-lata levou o outro pro meio do mato. Resultado: perdi o chinelo e ainda levei uns petelecos de mãe Lindu no meu pé-de-ouvido. Mas o motivo dessas mal traçadas é para agradecer as recompensas que o senhor me proporcionou. Todavia (gostou da evolução?), ainda quero lhe fazer um baita de um pedido, esse sim, o mais importante da minha vida. Não vou nem dizer o nome pra não dar azar, mas espero que no próximo ano eu esteja barbudo, cabeludo e joiado pra pegar minha galega e fazer uma farra daquelas por aí”.

“Noel, meu rei, sabias que por causa da minha barba branca muitas crianças me confundem com o senhor? Quem dera fosse verdade, pois aí eu pediria a mim mesmo que desse um jeito na Cidade da Bahia, pois a sujeira, a violência e o caos no trânsito tomaram conta das ruas, mangues e Pelourinho, tudo ao som de uma trilha sonora de dar saudade do negão da Baixa do Tubo. Ainda bem que nosso povo é manso e festeiro, prefere ouvir Chiclete à ler Risério e já é quase fevereiro. Aí vem o Carnaval, oclão escuro na cara…O baiano é massa. Axé, Papai!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, lado baiano do vale do Rio São Francisco

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