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Postado em 10-11-2011
Arquivado em (Aparecida, Artigos) por vitor em 10-11-2011 23:27

SAMBA DA BENÇÃO – SARAVÁ!!!

============================================================== Semaninha braba

Cida Torneros

Pois é. O Sol da sexta invadiu o Rio nesta manhã de primavera, pegaram o “Nem”, tentando escapar da Rocinha. Segue o julgamento dos que assassinaram a Juíza. O ministro do Trabalho tá dando trabalho ao Governo, com seu jeito de cowboy mexicano, e, caramba, hoje, finalmente, irei ver o show do neto do Silvio Santos, que encarna o Tim Maia, todos que viram me disseram que é impressionante o talento do rapaz e a presença do Síndico, saudoso intérprete, cuja história é contada no espetáculo. Ontem à noite, ouvi minha vizinhança gritando Vascoooooooooo, deduzi que o time venceu… E a madrugada insone me fez assistir o Observatório da Imprensa… o assunto era essa coisa “barra pesada” de limite para o trabalho da imprensa na linha de fogo, da guerra urbana. Há muito a discutir e conquistar em termos de segurança para os profissionais e para a população em geral. Há um ciclo viciado, digamos, se há demanda e consumo, há tráfico e vice-versa. Gostei porque os convidados, entre os quais o jornalista Aziz Filho, ex presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio e atual diretor da TV Brasil, um dos lugares onde o cinegrafista assassinado também trabalhava, além da rede Bandeirantes, apontaram a necessidade de tornar constante a discussão, como um fórum permanente mesmo. É preciso acordar para a competição desalmada do tal “furo” ou o sonho da “exclusiva” que é um “dream” para garantir audiência, ou seja, “grana” para os donos da “mídia livre”. Será?

E o ministro, dizem as notícias matinais, se acalmou, mudou o tom desafiador ao Planalto, e se sair, será com bala de borracha, certamente. O nosso “coleguinha” Gelson, além de deixar saudades, marcou a história do jornalismo carioca, no que tange a essa exposição diária, maciça, quase inconsequente, dos profissionais, no campo de batalha, arena de guerra, usando mal e porcamente uns coletes à prova de spray, sem capacetes, sentindo-se pseudo-heróis, enquanto os policiais avançam, com presença teatral, nos becos infestados de desigualdade, medo, submissão, chefes de quadrilha, soldados do tráfico, população calada, autoridades muitas vezes coniventes, e noutras bem intencionadas, mas, ao fim e ao cabo, uma Babel transmitida ao vivo e a cores, num compasso aflito e auto-destrutivo.

Eta semaninha, vejamos o que o feriadão nos reserva, em termos de noticiário, que vou acompanhar durante passeio a Minas Gerais, passando pela terra de Tiradentes, onde tentarei me imbuir de maior espírito nacionalista, por conta do sangue derramado pelos heróis da Inconfidência Mineira. O mesmo sangue do herói cinegrafista, dos heróis policiais, da heroína Juíza abatida com 21 tiros, o mesmo sangue que o ministro do Trabalho sinalizou que não iria jorrar à custa de denuncismo articulado, politiqueiro ou fofoqueiro, mesmo que haja vídeos como no caso do Agnelo, aquele que foi da Anvisa, dos Esportes e agora dirige o Distrito Federal.

Um espaço de horror, de decepção, a Saúde questionada, a presidenta falou em rede nacional, aceitou o desafio, vamos ver no que vai dar, pois é doido o tal do SUS, enquanto gestão amontoada, linha de pipa enrolada, difícil de segurar no céu dos inocentes, dos dependentes das emergências públicas, um número avassalador, que precisa atenção, respeito, cuidado, etc. etc.

Mas a semana passou do meio, em quinta categoria, deve estar algum concorrente a um cargo de confiança nas esferas, e o jeitinho brasileiro, quer seja municipal, estadual ou federal, certamente, se encarregará de diluir escândalos, espairecer dores, arregimentar “jogos amistosos”, ensolarar praias e praças, empurrar senões, razões, questões, e até, sepultar os heróis de uma sociedade que fabrica Tropa de Elite, em filme, em regimento, em crescente aumento. Vide o caso da USP, como a nossa juventude ficou assim , de repente, sem voz, ou com voz sumida, defendendo droga, depredando, alvo de massacre como se fosse bandida, quando, de fato, é tão vítima de um modelo que “vende” alienação em lugar de conscientização, o que é uma lástima.

Pra fechar a quinta, tem a passeata dos Royalts, em defesa do dinheiro do Rio de Janeiro, metrô de graça, funcionalismo dispensado, pra engrossar o movimento, afinal, salve-se quem puder, salve-se o Rio de Janeiro, que continua lindo, a despeito dos dramas e das tramas novelescas, quixotescas, dantescas, nababescas, e amorais.
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Stanislau:está faltando ele
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Bem pra salvar o Rio mesmo, só rimando e relendo Vinícius de Morais, o branco mais preto do Brasil, o carioquinha poeta, Saravah! ou “A demain”, no estilo Ibrahim Sued…este era uma figuraça. E tem um que é unanimidade da carioquice explícita, o nosso Sergio Porto, saudoso, atualíssimo, vejamos:

No FEBEAPÁ, festival de besteiras que assola o país, ele enumerou algumas:
“O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros” (Deputado Índio do Brasil, Assembléia do Rio).

O cidadão Aírton Gomes de Araújo, natural de Brejo Santo, no Ceará, era preso pelo 23.º Batalhão de Caçadores, acusado de ter ofendido “um símbolo nacional”, só porque disse que o pescoço do Marechal Castelo Branco parecia pescoço de tartaruga e logo depois desagravava o dito símbolo, quando declarava que não era o pescoço de S. Exa. que parecia com o da tartaruga: o da tartaruga é que parecia com o de S. Exa.

Cerca de 51 bandeiras dos países que mantêm relação com o Brasil foram colocadas no Aeroporto de Congonhas. O Secretário de Turismo de São Paulo — Deputado Orlando Zancaner — quando inaugurou a ala das bandeiras, disse que “era para incrementar o turismo externo”.

Quando a Censura Federal proibiu em Brasília a encenação da peça Um Bonde Chamado Desejo, a atriz Maria Fernanda foi procurar o Deputado Ernani Sátiro para que o mesmo agisse em defesa da classe teatral. Lá pelas tantas, a atriz deu um grito de “viva a Democracia”. O senhor Ernani Sátiro na mesma hora retrucou: “Insulto eu não tolero”.

O Diário Oficial publica “Disposições de Seguros Privados” e mete lá: “O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (…), “Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário”.

Em Niterói o professor Carlos Roberto Borba iniciou ação de desquite contra a professora Eneida Borba, alegando que sua esposa não lhe dá a menor atenção e recebe mal seus carinhos quando é hora de programas de Roberto Carlos na televisão. A professora vai aprender que mais vale um Carlos Roberto ao vivo que um Roberto Carlos no vídeo.

Colhemos num coleguinha do Jornal do Brasil:
“O General José Horácio da Cunha Garcia fez uma firme apologia da Revolução e manifestou-se contrariamente às teses de pacificação, bem como condenou o abrandamento da ação revolucionária. O conferencista foi aplaudido de pé”. O distraído Rosamundo leu e, na sua proverbial vaguidão, comentou: “Não seria mais distinto se aplaudissem com as mãos?”.

Tá faltando o Stanislaw Ponte Preta pra me ajudar a descrever esta semana, que se estica por mais uns dois ou três dias, haja Axé!!!

Cida Torneros , jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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