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Postado em 21-10-2011
Arquivado em (Artigos, Claudio) por vitor em 21-10-2011 17:41


Prefeito João Henrique à cavalo no carnaval de Salvador

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Nos últimos anos, Terra Magazine vem realizando um longo debate sobre a democratização do Carnaval de Salvador, com as opiniões de artistas e intelectuais.

Em carta, o secretário de comunicação da Prefeitura de Salvador, Diogo Tavares, contestou uma das questões feitas em entrevista com o prefeito João Henrique Carneiro (PP), sobre o descontentamento de “blocos populares” com a estrutura empresarial da folia. Tavares criticou o termo “genérico”.

Cerca de 130 entidades carnavalescas e blocos populares (com adesão crescente) questionam, em debates no Legislativo e em ação judicial, a estrutura do Carnaval de Salvador. Em 2011, elas entraram com um processo, no Tribunal de Justiça da Bahia, pedindo 30% do faturamento dos camarotes e arquibancadas. A Câmara Municipal realizou uma audiência pública.

A Prefeitura de Salvador afirma que a aferição da popularidade de João Henrique, realizada em 2010, é “antiga”. Consultado por Terra Magazine, o instituto de pesquisas Datafolha, um dos mais conceituados do País, afirma que o “ranking de prefeitos” é realizado, anualmente, no mês de dezembro. Como as eleições municipais ocorrem em 2012, uma nova sondagem deve ser repetida este ano nas dez principais capitais brasileiras, inclusive Salvador, para avaliar o desempenho dos gestores.

Em 23 de dezembro de 2010, o jornal Folha de S.Paulo divulgou o resultado da Datafolha, apontando o prefeito soteropolitano como o segundo pior do País: “João Henrique Carneiro (PMDB), de Salvador, recebeu nota 4,5 dos moradores da cidade. Ele é aprovado por apenas 18% e tem taxa de reprovação de 50%”.

Terra Magazine ouve opiniões plurais sobre o Carnaval de Salvador, como comprova o painel abaixo, com alguns dos críticos e defensores do modelo da festa:

“Você tem um modelo que precisa ser revisto urgentemente, precisa ser democratizado. Você tem coisas ali… A questão dos horários (dos blocos e trios) precisa ser democratizado, não pode ser da maneira que é, hoje. Mas aí o nosso nível de intervenção é muito limitado” (Albino Rubim, secretário estadual da Cultura, 20 de junho de 2011)

(http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5192153-EI6581,00-Carnaval+de+Salvador+precisa+ser+democratizado+diz+Rubim.html)

“Isso (violência) só vai se acabar quando tiver bloco de graça pro povo, quando a polícia for menos violenta no carnaval e a gente tiver um sistema de reeducação durante o ano todo, que já se comece agora um sistema de educação governamental para que as pessoas percam a coisa de ir pra rua brigar, bater, que é cultural. Eu lhe digo porque, quando era pequeno, era guri, ia pra rua também fazer isso (…) Isso sempre foi assim. Não sei se vai acabar, não” (Márcio Victor, compositor, da banda de pagode Psirico, 11 de março de 2011)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4983812-EI6581,00-Marcio+Victor+Quem+vai+preso+e+preto+pobre+e+fodido.html

“E quando alguém diz assim: ‘ah, mas está ficando muito elitizado!’ Elitizado, como? Qual é a prova que você me dá de que hoje o Carnaval da Bahia é mais elitizado do que ele foi em qualquer momento do passado? Não vejo (…) E você vem sempre alegar: ‘mas tem os desvios…’ Sempre tem. Não estou falando de sociedade de situações ideais, onde tudo está perfeito. Tô falando de processos onde as dificuldades também caminham juntas. Se você vai pra questão da renda, setores enormes de baixa renda foram incluídos, vem pra festa, estão nas ruas, cantam, defendem, escolhem aquela música do Psirico, aquela outra do (Carlinhos) Brown… O que há vinte ou trinta anos atrás era mais democrático? Como era mais democrático? Primeiro, se o próprio acesso ao conjunto e à produção carnavalesca, aos vários produtos criados pelo Carnaval, era um acesso muito menor?” (Gilberto Gil, compositor, 2 de março de 2009)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3605440-EI6581,00-Gil+O+mundo+me+tirou+a+regua+e+o+compasso.html)

“O Conselho Municipal do Carnaval – COMCAR foi criado em 1990, no âmbito da Lei Orgânica do Município, com o objetivo de “definir critérios e regras de apresentação, seleção e composição dos participantes do Carnaval” e de “fiscalizar” a gestão da festa. Duas décadas depois de criado, o COMCAR continua devendo, e muito, à comunidade carnavalesca, à cidade do Salvador (…) Com tal composição, e ainda por cima sem poderes para impor decisões que impliquem despesas já que depende,sempre, da vontade da Prefeitura em acatar ou não suas deliberações, tornou-se, assim, ao longo destas duas décadas, refém da administração municipal. Pior ainda, tornou-se refém do mercado da festa. (…) Daí que nem delibere nem fiscalize, ou melhor, que só delibere e fiscalize em favor dos interesses dos grandes grupos empresariais que, controlando o Conselho, controlam os milionários negócios do carnaval.” (Paulo Miguez, ex-secretário nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura na gestão de Gilberto Gil, 12 de maio de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5124308-EI17867,00-Carnaval+urgente.html )

“(…) nós não vamos intervir, a festa é espontânea, a festa acontece por si só. Ela aconteceria sozinha, sem o poder público. Agora, na medida que o poder público pode ofertar um transporte coletivo melhor, segurança pública melhor, iluminação pública melhor, ordenamento de ambulantes melhor, saúde pública melhor, claro que isso vai vender melhor a imagem da cidade, pra que no próximo ano a gente possa atrair mais pessoas, aumentar a geração de empregos, aumentar a renda da cidade… Mas que a festa é espontânea, é. Que ela tem as suas características próprias, tem. Seria inimaginável nós fazermos uma intervenção mudando o modelo do carnaval.” (João Henrique Carneiro (PP), prefeito de Salvador, em 20 de outubro de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5423975-EI6578,00-Prefeito+diz+que+e+inimaginavel+mudar+carnaval+de+Salvador.html )

“Na contracorrente, uma pesquisa da Secretaria de Cultura (Secult) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan) ajuda a medir o grau de envolvimento dos soteropolitanos e a esvaziar os clichês midiáticos sobre a festividade dos baianos. (…) Realizada em maio, junho e julho de 2009, a sondagem coletou informações da folia daquele ano, com entrevistados de 14 anos ou mais. Foram aplicados 6.677 questionários. De início, identifica-se um baixo de grau de envolvimento: 77% dos soteropolitanos (1,93 milhão) não comparecem a nenhum dos seis dias do evento; desses resistentes, 62,7% ficaram em casa e 14,3% viajaram. Isso não significa que tenham se livrado totalmente do impacto do Carnaval – seja pela montagem (e transtornos) da estrutura, seja pelas transmissões das TVs (7,3% assistem à cobertura)” (“Pesquisa: 77% dos moradores de Salvador fogem do carnaval”, Terra Magazine, 9 de março de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4979467-EI6581,00-Pesquisa+dos+moradores+de+Salvador+fogem+do+carnaval.html )

“Em 2007, nós fizemos uma pesquisa em todos os meios de hospedagem de Salvador e constatamos alguma coisa como 350 mil turistas, sendo que 115 mil ficavam em meios de hospedagem formais (hotéis, pousadas). Isso representa mais ou menos 30% do total de turistas. Essa relação deve permanecer mais ou menos a mesma: apenas 30% dos turistas que vêm pra Salvador ficam em hotéis. Esse número aumentou bastante. Na última pesquisa que fizemos, constatou-se 490 mil turistas.” ( Domingos Leonelli, secretário de Turismo da Bahia), em entrevista a Terra Magazine, 3 de março de 2011)
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