abr
21
Postado em 21-04-2011
Arquivado em (Artigos, Gilson) por vitor em 21-04-2011 22:33


===============================================
ARTIGO/Desilusões
Em plena madrugada, sonhei estar pintando com as palavras, no lugar de pincéis e tintas. Um foguete bêbado fez-me acordar. Levantei da cama e fui saber o resultado do jogo entre o Bahia e o Atlético do Paraná, no computador que não dorme. Deu o que eu imaginava, ao desligar a TV, com o Bahia levando dois gols do chamado “Furacão”, logo no início da partida. Pintei, na imaginação, uma natureza morta, traduzindo os cinco a zero que o Tricolor de Aço trouxe na bagagem para Salvador.

UM DRIBLE NA SAUDADE

Gilson Nogueira

Hoje, pela manhã, no Largo da Graça, ao encontrar o amigo Luís, cineasta de visão crítica aguçada, autor de curtas e longas metragens papo cabeça, ouvi do vizinho de bairro, intelectual da pesada, que está a produzir mais um longa, centrado no período da Ditadura, que o Bahia é uma piada.

Sem querer discutir futebol, o que já não faço desde o dia em que o Estádio da Fonte Nova virou poeira na estrada do tempo, concordei com Luís, torcedor do Vitória, o do lendário dirigente Raimundo Rocha Pires, o Pirinho.

“O Bahia é uma piada, de péssimo gosto, caro Lula. Pior que isso, um palavrão. Não é mais o time que fazia o povo sorrir em azul, vermelho e branco. Antes, durante e depois da qualquer partida de futebol. Fosse contra quem fosse. Era uma chama de entusiasmo que saia da boca do túnel da velha Fonte e incendiava de paixão o estádio inteiro, fazendo com que até os inimigos se confraternizassem, em plena arquibancada. Não era um time, como já disse, parecia coisa de Deus, misteriosamente inexplicável. Creio que, no fundo, bem no fundo, a razão para essa descaracterização total do Tricolor de Aço, aquele que, um dia, Nasceu para Vencer, como dizia seu slogan, atualmente esquecido, o que está faltando ao time é fé no santo, além de brio, matéria-prima básica para levar qualquer competidor ao triunfo.”

Levado pela emoção, ao ser cumprimentado efusivamente por outro amigo, que acabara de estacionar sua camionete preta no passeio do mercadinho, bem próximo ao antigo Campo da Graça, driblei uma lágrima que se formava, na transparência do inesperado,com um belo sorriso e um pensamento:“ Senhor do Bonfim continua sendo Bahia! Ele haverá de dar cartão vermelho a essa cambada de enganadores da torcida!”

E voltei para casa, com o leite de côco que havia faltado para a moqueca de badejo, pensando no Bahia, o que conquistou a Taça Brasil. Que saudade da p…, meu rei!”

Gilson Nogueira é jornalista

Comentários

Graça Azevedo on 24 abril, 2011 at 18:51 #

Faço minhas as suas tristes e verdadeiras palavras.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments: