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Postado em 26-02-2011
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 26-02-2011 14:11


Juazeiro(BA) e Petrolina(PE): vizinhas
e irmãs às margens do Velho Chico
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Ponto de Vista /Tribuna da Bahia

Voltando a Juazeiro e Petrolina

Consuelo Pondé de Sena

Nenhum lugar permanece inalterado senão na lembrança de quem o recorda ou revê. Tudo muda e, às vezes, é doloroso observar que não se tem controle sobre essas transformações.

Fazia muito tempo que não visitava as duas cidades vizinhas e irmãs, Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), localizadas no semi-árido brasileiro, às margens do “Rio da unidade nacional”.

Por sempre desejar rever o já visto, arrisquei-me na aventura de ir ao encalço do passado, no pressuposto de que conseguiria situar-me tranquilamente nos espaços preservados na memória. Ledo engano. “Nada do que foi será do mesmo jeito em que foi um dia”.

Mas, essa busca compulsiva e infrene sempre me conduz ao retorno, como se fosse possível deter o tempo rever as coisas do mesmo jeito.

Refletir nada custa, daí as considerações que se seguem. Embora situadas em estados diversos, as duas cidades banhadas pelo São Francisco são solidárias e cúmplices. Muitas pessoas vivem de um lado e trabalham no outro. Talvez, pelo destino comum, que as identifica, pelo rio majestoso que as separa e, ao mesmo tempo, as une, não se percebe as dissensões comuns às cidades vizinhas ou avizinhadas.

Certo é que, os naturais de cada cidade consideram sua terra natal melhor do que a outra, o que não é de estranhar, porque o sentimento de naturalidade impõe a defesa de cada território por parte dos seus respectivos habitantes.

Bem, para fazer essa visita, programada por minha prima Lígia, carioca, com alma de cigana, resolvemos fazer o trajeto pelo ar. Em confortável e novíssima aeronave, viajamos para Petrolina, na manhã do dia 24 de janeiro, alcançando-a pouco tempo depois.

Viagem agradável, céu azul, sem as terríveis turbulências que amedrontam a todos, inclusive os mais afeitos às viagens aéreas, desembarcamos leves e lépidas no aeroporto da cidade pernambucana, demandando para o Petrolina Pálace Hotel, onde ficamos hospedadas.

A última vez que havia estado em Juazeiro foi em 1992, quando do lançamento do livro “Juazeiro-trajetória histórica”, de minha autoria e de Angelina Garcez, editado pela Prefeitura Municipal daquela cidade, na gestão Joseph Wallace Bandeira, político e intelectual de rara sensibilidade. Prefaciou a obra o saudoso Professor José Calasans.

Àquela altura, para levar a efeito essa tarefa, nós, as autoras do trabalho, fomos inúmeras vezes à cidade de Juazeiro, fazendo o longo trajeto em ônibus de carreira. Na extensa estrada que conduz ao local, que desejaríamos pesquisar, íamos conhecendo vários lugares.

Podemos verificar, in loco, as agruras do meio ambiente, as dificuldades para alcançar a região, sentindo na pele o calor escaldante do semi-árido e imaginando o que é viver sob o sol causticante da região. Naquelas visitas freqüentes passamos a conviver mais de perto com pessoas acolhedoras, dentre quais destaco o casal Neide e Humberto Pereira, ele conceituado médico, colega e amigo de meu marido, Plínio Garcez de Sena.

Que saudades senti desta vez, das ocasiões em que lá estive, quando se realizavam concorridas jornadas médicas. Plínio, eufórico, reencontrava os colegas e todos nos divertíamos com as histórias do passado. Eram momentos de muita alegria e perfeita confraternização.

Não reencontrá-los, não mais estar com os amigos queridos, na acolhedora casa da Praça da Bandeira, ver vazia a morada de Neide e Humberto foi uma tristeza para mim. Para consolar-me, passei alguns minutos na Igreja de Nossa Senhora de Grotas, padroeira local, tendo a sorte de conhecer Maria Senhora, pessoa lhana e simpática, que me pôs a par dos últimos acontecimentos da velha urbe sanfranciscana.

Minha impressão foi a de que Juazeiro tem crescido desordenadamente, enquanto Petrolina vai ganhando foros de progressista cidade.

Não posso deixar de fazer referência aos bons restaurantes de Petrolina, especialmente o Maria do Peixe, o Capivara, Dona Emília e o Isaías, este último no Bodódromo, curioso e atrativo conjunto de casas de pasto, onde os pratos preferidos são o bode e o carneiro.

Depois de idas e vindas de um lado para outro, fomos conhecer a Ilha do Rodeadouro – lugar aprazível onde os moradores de ambas as margens curtem o fim de semana.

Consuelo Pondé de Sena, historiadora, escritora, cronista, dirige o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Comentários

Luiz on 17 novembro, 2016 at 15:37 #

São muito lindas Juazeiro BA E Petrolina Pe né


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