Maria Olívia recomenda:

“Canções de Exílio – A Labareda que Lambeu Tudo”, série em três capítulos, escrita e dirigida pelo jornalista Geneton Moraes Neto, estréia nesta terça, 8, segue amanhã e termina na quinta-feira, no Canal Brasil (privado), às 22horas.

Os episódios giram em torno de depoimentos do período da prisão, exílio e a volta de Caetano Veloso e Gilberto Gil ao Brasil e Jards Macalé e Jorge Mautner, que chegaram a Londres em seguida. De posse dos depoimentos, Geneton intercalou entrevistas antigas, realizadas por ele em áudio e vídeo desde 1970. O ator Paulo César Pereio faz a locução, imperdível!

Maria Olívia é jornalista

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Geneton(com Gil):rompimento
amigável com o jornalismo

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Matéria de divulgação sobre a série de Genetton no Canal Brasil:

RIO – Duas semanas depois da decretação do AI-5 e dois dias depois do Natal de 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos por oficiais do 2 Exército. Como jamais souberam o motivo, admite-se que possa ter sido pela participação em passeatas, ou em movimentos estudantis, ou por suas nada convencionais performances em festivais, ou ainda por suas atitudes de rebeldes tropicalistas, que tanto incomodavam civis e militares. Os dois passaram por celas de vários quartéis do Rio, depois ficaram em prisão domiciliar em Salvador, e só em julho de 69, com uma advertência de três estrelas — “Só voltem quando forem autorizados” —, partiram para um exílio forçado que se estenderia por dois anos e meio, até janeiro de 1972.

Mautner e Macalé participam

Os detalhes dessa história, contados pelos dois personagens, já seriam motivo para Geneton Moraes Neto realizar “As canções do exílio — Uma labareda que lambeu tudo”, documentário em três partes de 50 minutos cada, que o Canal Brasil exibirá amanhã, quarta e quinta-feira, às 22h. Mas há pelo menos mais um motivo: Geneton inspirou-se na foto em que, aos 15 anos, aparece entrevistando Caetano para o “Diário de Pernambuco”, e a partir dela se entregou ao que considera uma guinada profissional. Tendo começado a vida como jornalista e caído na TV quase por acaso, esses anos todos ele deixou de lado o que realmente queria fazer: cinema documental.

— Este é o meu rompimento amigável com o jornalismo e a retomada da carreira de cineasta interrompida pela TV — diz Geneton, antecipando que os 150 minutos da série serão reduzidos a 120 para os cinemas.

Na produção, e também na edição do filme, ele contou com a parceria de Jorge Mansur, cujos modernos recursos tecnológicos viabilizaram uma empreitada que, na era pré-digital, seria financeiramente inviável.
Caetano e Gil — mais Jorge Mautner e Jards Macalé, que, por diversos caminhos, foram se encontrar com os amigos no exílio — contam a história cronologicamente. A detenção, o ano-novo passado atrás das grades, os tempos de prisão domiciliar, a proibição de fazer shows e gravar discos, a vinda ao Rio de um chefe de polícia de Salvador para mostrar aos superiores o absurdo da situação. Graças a isso, foi dada autorização (ou ordem) para que saíssem do país. A fim de que os dois conseguissem dinheiro para a viagem, os militares permitiram que fizessem dois shows em Salvador.
Permissões como esta, em tom de favor, fazem da história um retrato do Brasil da época, mistura surrealista de brutalidade com cordialidade. Um episódio narrado por Gil é exemplar: os mesmos homens que o prendiam sem motivo arranjaram-lhe um violão e ainda pediram que fizesse um show para os soldados do quartel. Outro oficial, generosamente, ajudou-o em sua dieta vegetariana.

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