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Postado em 19-01-2011
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 19-01-2011 11:02


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Texto publicado ontem (18), no blog Tribuna Livre

Artigo/Elis

Na memória feito tatuagem

Viviane Moreno

Amanhã (hoje, 19/1) faz 25 anos que Elis Regina, uma das maiores intérpretes da música brasileira (para muitos, a maior), se foi, aos 36 anos, supostamente por complicações que envolveram overdose de cocaína e abuso de álcool. Vários relançamentos e merecidas homenagens não deixam a data passar em branco.

Encerrada prematuramente, a trajetória da cantora começou cedo. Elis nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945. Com apenas 11 anos, cantava na Rádio Farroupilha. Assinou o primeiro contrato profissional, na Rádio Gaúcha, em 1959, e no ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro compacto, pela Continental.

Com a missão fazer frente a Celly Campello, da concorrente Odeon, Elis estreou em LP em 1961, aos 16 anos. «Viva a Brotolândia», assim como «Poema de Amor», de 1962, trazia calipsos, rocks e boleros. A vida toda, Elis rejeitou esses dois discos, agora relançados pela Som Livre.

Em 1964, foi cantar no Beco das Garrafas, reduto da bossa nova, onde aprendeu com o bailarino americano Lennie Dale a célebre coreografia que lhe valeu o apelido de «Hélice Regina». Contratada pela TV Rio, passou a trabalhar ao lado de Jorge Ben e Wilson Simonal, mas foi em 1965 que tornou-se conhecida nacionalmente, ao vencer o I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, defendendo a música «Arrastão», de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.

Foi ao lado de Jair Rodrigues, com quem gravou três volumes de «Dois na Bossa», que Elis apresentou um dos programas musicais mais importantes da música brasileira, «O Fino da Bossa», que estreou em 1965, na TV Record.

A carreira solo da Pimentinha decolou com o disco «Elis», de 1966. Em 1969, intensificou sua carreira no exterior, fazendo shows nas principais capitais européias e latino-americanas. Em 1974, gravou, nos Estados Unidos, um de seus discos mais marcantes, «Elis e Tom». Curioso que, dez anos antes, atuando como diretor musical da gravação de «Pobre Menina Rica», peça de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, o maestro vetou a cantora, então com 19 anos, para o papel principal. «Essa gaúcha é uma caipira, ainda cheira a churrasco!», teria dito, sumariamente.

Entre 1973 e 1978, Elis teve em sua companhia o que seu filho João Marcello Bôscoli (músico, assim como os irmãos Pedro Camargo Mariano e Maria Rita) chamou de «quarteto mágico»: César Camargo Mariano (piano, teclados, arranjos e direção musical), com quem foi casada, Luizão Maia (baixo), Paulinho Braga (bateria, às vezes trocando baquetas com Chico Batera) e Hélio Delmiro (guitarra). Foi com esse elenco de craques que Elis realizou o grande show de sua carreira, durante 17 meses, entre 1975 e 1976, no Teatro Bandeirantes: «Falso Brilhante», relançado agora pela EMI, em DVD, junto de «Na Batucada da Vida» e «Doce de Pimenta».
Em 1979, participou do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e gravou um de seus maiores sucessos, «O Bêbado e a Equilibrista», de Aldir Blanc e João Bosco, dupla que lhe forneceria inúmeros sucessos, como «Caçador de Esmeraldas», «Mestre-sala dos Mares», «Dois pra Lá, Dois pra Cá».

Uma intérprete completa e excepcional

Viviane Moreno é jornalista

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