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15

Gibbs: saia justa com russo na Casa Branca

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Perguntar Não Ofende

Regina Soares (De Belmont – EUA)

O Secretário de Imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, discute diariamente vários aspectos e tópicos ligados a administração do Presidente Obama, economia e o progresso, ou falta de, nas guerras lideradas pelos Estados Unidos. Ontem, 14 , Gibbs, que deixará o posto no próximo mês, se viu envolto em outro tipo de discussão:

“Foi o ataque perpetrado em Arizona um inevitável produto do “excesso de liberdade” na América do Norte?” Pergunta do jornalista russo na audiência, Andrei Sitov.

O argumento do jornalista russo era de que o jovem atirador, perturbado mentalmente, de acordo com as investigações até aqui, ao reagir violentamente, abrindo fogo contra um grupo que se reunia em frente a um supermercado, matando 6 e ferindo gravemente 14 dos presentes, incluindo a representante do Congresso, Cabrielle Griffords, do partido Democrata, suposto alvo imediato do atirador, o Juiz Federal John M. Roll e uma criança de apenas 9 anos, Christina Taylor Green, um ataque sangrento, despertando raiva, choque e dor de Tucson a Washington, seria um ato derivado da tão propagada “liberdade americana”.

Surpreso e a contragosto, Gibbs discordou veemente, “Não, isso não é América”. Veja vídeo(nota BP:edição do vídeo não está autorizada para o Brasil)

Aparentemente não convenceu Sitov, cujo país é conhecido pelos atos de restrições as tais liberdades individuais que América considera um valor seu, já que foi ouvido dizendo em resposta: “se se quer parar com esse tipo de manifestação, deve-se estar disposto a fazer certas restrições a liberdade”…

Regina Soares, advogada em eleições nos Estados Unidos, mora em Belmont, área da baia de San Francisco, Califórnia.

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 15 janeiro, 2011 at 11:44 #

Coisas de afeitos ao autoritarismo

Essa pergunta só poderia ter vindo de quem nasceu, viveu, e ainda vive sob o tacão autoritário.

Credite-se o “constrangimento” ao “momento” de amadorismo de Gibbs


regina on 15 janeiro, 2011 at 13:53 #

Cada estória como essa, e elas tem se repetido com insuportável frequência, é um novo choque, um horror que tentamos, na medida do possível, entender. Que acontece na mente de um jovem, descrito por amigos como “um como tantos, com momentos de alegria, como quando tocava o sax, brilhante, as vezes, nada semelhante a este das ultimas fotos” em uma maquina de matar, capaz de apertar o gatilho e cuspir balas, não só contra o seu alvo, mas contra estranhos cujas idades oscilam entre 70 e 9?

Sociedade tem sua parte de responsabilidade, principalmente num país considerado o mais rico e poderoso do mundo, sem medicina publica, que faça possível aos doentes mentais, por consequência, desempregados, e suas familias, arcar com os gastos do tratamento. Ficando a deriva, desamparados e abandonados a sua sorte, estes seres seguem alimentando fantasias no silêncio dos porões, até que um dia o monstro se mostra e choca os considerados “normais”….

Até quando???????????????


regina on 15 janeiro, 2011 at 14:24 #

Correção:

o nome da representante do congresso americano, baleada no evento e que ainda luta por sua recuperacao é Gabrielle Giffords (D) do Arizona.

o vídeo da conferência de imprensa a que se refere minha nota está no YouTube :

http://www.youtube.com/watch?v=_iAUFCOr2Xo


Ivan de Carvalho on 15 janeiro, 2011 at 15:03 #

Ou o jornalista russo Andrei Sitov é um escravo cultural – da cultura centenariamente autoritária de seu país – ou é um bobo. Se os EUA ou quaisquer ouros países resolverem fazer “alguns restrições à liberdade”, não haverá um ou outro louco atirando em pessoas. Logo haverá grupos muito bem treinados pelo Estado para fazer a mesma coisa. Como já houve (e me parece que voltará a haver) na Rússia.


Ivan de Carvalho on 15 janeiro, 2011 at 15:05 #

Corrigindo: “outros” ao invés de “ouros” e “algumas” ao invés de “alguns”. Mas acho que deu para entender.


luiz alfredo motta fontana on 15 janeiro, 2011 at 15:15 #

Incrível como a utilização de comportamentos anômalos, para dizer o mínimo, são caldo de cultura para velhas defesas do autoritarismo.

Para alguns, a sensação de aparente segurança só é possível sob o tacão dos tiranetes.

Marcham em ordem unida em nome de uma liberdade jamais experimentada.


Marco Lino on 15 janeiro, 2011 at 16:28 #

Choca ou não, Regina.

Um perturbado mental não tem direito a saúde pública, mas pode portar uma arma.

Os barões da indústria bélica agradecem, enquanto financiam os Bush mundo afora.

Aliás, em 2006 um professor norte-americano que andava pela UFBA (ainda anda) disse em sala de aula que os EUA (a “América”) eram tão livres que até um doente mental (ele ironizava o Bush) podia ser presidente.

Ora bolas, se pode até ser presidente, por que não portar um rifle?! Claro!

Viva a liberdade – que alcançou o Iraque, Afeganistão e chegará, com fé nos deuses do petróleo, ao Irã.

Parabéns, Regina!


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regina on 15 janeiro, 2011 at 18:06 #

Para o jornalista russo, a ação do degenerado jovem atirador era/é também TÃO AMERICANA QUANTO as outras liberdades de que nos vangloriamos: a democracia, a liberdade de reunião, a liberdade de expressão, a liberdade de demandar o governo, etc… estaria ele (Sitov) tão longe da verdade?
A resposta de Gibbs “Violence is never? the answer”, estaria ele (Gibbs) tão perto da verdade? (Um comentarista do YouTube nos lembra: “Occasionally the tree of Liberty must? be watered with the blood? of Patriots and Tyrants.” — Thomas Jefferson)
Afinal, estamos no momento envoltos em pelo menos duas guerras fora do território nacional. América e Rússia, não estariam, nesse exemplo, mais semelhantes do que dessemelhantes? Onde aprendem estes jovens, mesmo com distúrbios mentais, que eliminar o indesejado é a forma mais certa de lidar com os problemas?


regina on 15 janeiro, 2011 at 18:12 #

nota_ não sei donde vem as interrogações (?) que aparecem no meu comentário acima… ignorem…rs


Ivan de Carvalho on 16 janeiro, 2011 at 18:09 #

Olha, gente, creio que a saia justa, no caso, vai é para o jornalista russo e seu governante Vladimir Putin e não para o secretário de Imprensa da Casa Branca.


regina on 16 janeiro, 2011 at 20:45 #

Recomendo a leitura do artigo publicado em http://www.cartamaior.com.br em 10/01/11 de autoria da Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Cristina Soreanu Pecequilo, Tragédias Americanas. Um outro ângulo do tema aqui debatido. RS


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