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Postado em 14-01-2011
Arquivado em (Crônica, Gilson) por vitor em 14-01-2011 22:11


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CRÔNICA/TEMPESTADES
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CHOVA OU FAÇA SOL

Gilson Nogueira (Do Rio de Janeiro

Ao ouvir o trovão, imaginei um raio cortando ao meio o Cristo Redentor. Chovia forte no Rio de Janeiro. O aparelho de TV já havia sido desligado. Era dia de Lua Crescente, tempo de novos começos, como afirmam os que acreditam no que dizem as fases da Lua. Logo, pegaria no sono, para mente e corpo relaxarem. Dormi direto.

Ao acordar, no dia 13, estupefação, angústia diante da tragédia na região serrana do estado fluminense relatada no jornal. Faltaram palavras para traduzir o que lia. A dor não permitia que elas formassem uma frase. Uma dor aguda, profunda, sem tradução alguma, que dói diferente da dor comum, até agora. E que vai doer bastante em todo mundo para sempre.

Que absurdo, meu Deus, a morte de mais de 500 pessoas, por causa dos problemas provocados pelas chuvas! Como pôde acontecer uma coisa assim, meu Pai, em pleno verão, época de férias e de festa de sol, de uma hora para outra, com aquela gente toda, em Nova Friburgo, Petrópolis,Teresópolis e em cidades de menor tamanho do Rio???!!!

Não há palavras que definam o sofrimento dos que perderam seus parentes e amigos, nesta hora. Há, sim, uma certeza. Enquanto os interesses políticos de homens públicos que só querem o “vem a nós e ao vosso reino nada”, como diz o ditado, sobrepuserem-se aos interesses do povo, tragédias como a que faz o Brasil sofrer agora voltarão a acontecer.Chova ou faça sol.

Gilson Nogueira é jornalista

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