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Postado em 10-01-2011
Arquivado em (Artigos, Regina) por vitor em 10-01-2011 00:09


Mick Jagger, Keith Rchards, Charlie Watts, Ronnie Wood
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ARTIGO/ UM LIVRO

The Rolling Stones

Regina Soares

Se você viveu a década de 60 e além, com certeza já se perguntou, ou foi perguntado: Beatles ou Rolling Stones? Naqueles anos em que os Ingleses invadiram o mundo, e não só musicalmente, não era aceitável uma opinião neutra… Mesmo porque seus estilos e imagens cultivadas por brilhantes gerentes, “managers”, tão jovens quanto os integrantes de suas bandas, (Brian Epstein para the Beatles, Andrew Oldham para os Rolling Stones) foram direcionados e apresentados como dois extremos da mesma revolução. Os Beatles como os cara limpas, bem comportados garotos que queriam segurar nossas mãos, e os Stones, como os deliquentes, afim de sujar nossas cidades. Uma coisa, no entanto, eles tinham em comum, a habilidade de escrever e gravar extraordinárias músicas que formaram os pilares da tão badalada “Musical Revolution of the 60s”.

Ainda que os Beatles tenham iniciado o movimento, e ele não haveria sido sem eles, tudo que se seguiu depois deles foi imitação, até os Stones, mesmo que seus mais “religiosos” fãs argumentem o fato de que eles nada tinham a ver com os meninos de Liverpool, já que eram uma banda R&B do circuito de clubes de Londres. The Stones eram realmente o grupo ROCK dos dois.

Enquanto os Beatles açucaravam eles agitavam, tocando somente rock e blues, sem se preocuparem em uniformes roupas e cabeleiras, viviam na beira do abismo… Os compositores principais das duas bandas tocaram o nervo e exploraram conflitos pessoais e sociais da nossa geração, John Lennon and Paul McCartney evoluiram com o tempo, talvez de uma maneira mais abrangente do que os “sex-obsessed” Jagger e Richards.Um ponto a ser feito e defendido é que temas como os abordados em “Mother’s Little Helper”, “19th Nervous Breakdown”, e “Street Fighting Man” tocaram mais diretamente os problemas vividos naqueles turbulentos anos do que o adoçado canto do “All You Need Is Love”.

Podemos seguir discutindo as diferenças, mas, a historia está escrita e segue sendo reescrita embora os Beatles já se tenham desfeito e os Rolling Stones ainda sigam, como quatro loucos desafiando o tempo.

Desde o dia em que os Rolling Stones se denominaram “The World Greatest Rock & Roll Band” nos fins dos anos 60s, eles já tinham adquirido uma fama impressionante que lhes garantia o premio. Como consciente e perigosa alternativa, eles eram pioneiros do grão de areia, com raízes nos dolorosos ritmos do blues.

Keith define em seu livro com maestria:

“Mike e eu tinhamos idênticos gostos musicais. Nunca tinhamos que questionar ou explicar. Tudo estava claro. A gente ouvia alguma coisa e olhávamos um para o outro ao mesmo tempo: “that’s wrong, that’s faking, that’s real”. Embora quiséssemos sempre explorar mais, aprender mais, desmembrar dos “rhytm” e “blues”, explorar o “pop”, éramos muito estritos, no momento de pisar o palco era “Go to the broom closet”.

Procurando sempre o âmago, a expressão verdadeira, e ela não residia nas suas origens celticas, debaixo das botas Romanas, e sim na miséria da escravidão, não só das Américas, a dor passada para descendentes, além da cabeça e do coração, elementar, algo que vem das entranhas. Este som que se reflete além da musicalidade do Jazz, e até ele, não existiria sem blues e escravidão.

Há muitas formas de blues, maior influência dos Stones, tem os leves e suaves sons, tem os inundados como pântanos e tem o poder profundo da voz, como Muddy, John Lee, Bo Diddley, não necessariamente alta, mas que vem de um lugar lá dentro, profundo, envolvendo todo o corpo, vindo não só do coração mas dos intestinos. Rhythm and Blues foram a porta de entrada e muito importante distinção nos anos 60. Ou você era blues e Jazz or era rock and roll, que estava muito mais para o pop.

No principio, tudo que ouviam era “Chuck”, “Reed”, “Diddley”, “American Blues” cada momento acordado e mesmo quando adormeciam, muitas vezes abraçados com as guitarras. “Chicago blues nos atingiu bem no meio dos olhos” diz Keith, “Nós todos crescemos com tudo que os outros cresceram naqueles anos, rock and roll, mas preferimos nos focar nos blues, e, enquanto estivemos juntos, podíamos acreditar que éramos negros. Nós absorvemos a música, mas não mudou a cor da nossa pele. Por que não? Por que podíamos vir de qualquer parte e ser de qualquer cor, descobrimos isto mais tarde.” E segue “Nós desprezavamos o dinheiro, nós desprezavamos a “limpeza”, nós só queríamos ser “Black Motherfuckers”, felizmente fomos arrancados do sonho, mas, essa foi a escola, assim a banda foi formada.”
Desde o primeiro “gig” (trabalho), quando ainda não tinhamos nome, recorda Keith:

“Nós temos um trabalho em…… “Como vamos nos chamar?”, olhamos uns aos outros, Muddy Waters nos salvou, “The Best of Muddy Waters” álbum no chão e a primeira musica “Rollin’ Stone”, Desesperados, eu, Mike, Brian, concordamos: “The Rolling Stones”.
Até os nossos dias, a pedra rola e não cria limo, e, embora seja só Rock and Roll, tem nos dado muita Satisfação, and I LIKE IT!!!!!!!!!!!!!

Regina Soares, advogada, especialista em eleições nos Estados Unidos, fissurada em música, mora em Belmont, na área da baia de San Francisco (CA-EUA)
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Nota: dedico esse artigo a um menino que um dia vendeu sua bicicleta para comprar o disco dos Rolling Stones favorito (RS)

Comentários

rosane santana on 10 janeiro, 2011 at 10:35 #

Cara Regina,
Sempre bem informada, você escreve textos muitos interessantes sobre cinema e música, maravilhosos de se ler. Passou da hora de assumir uma coluna frequente no BP.


Marco Lino on 10 janeiro, 2011 at 11:23 #

Bom, sempre bom, muito bom!


luiz alfredo motta fontana on 10 janeiro, 2011 at 13:56 #

Essa série sobre os Rolling Stones confirmaram o que era tão cristalino.

Regina soares tem o condão da cronista, o olhar que mescla a acuidade para os detalhes e o respeito pelo entorno. soube como poucos refletir o movimento dissonante das pedras, que rolaram descuidadas em seus textos.

Que outras apareçam traduzindo a sensibilidade a intensidade da autora que encontra no BP o ambiente perfeito.

Tim Tim!


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