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Postado em 23-11-2010
Arquivado em (Crônica, Gilson) por vitor em 23-11-2010 23:42


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CRÔNICA/ANOTAÇÕES

APARECER, JAMAIS!

Gilson Nogueira

“ Balanço da bossa – antologia crítica da moderna música popular brasileira”, livro escrito por Augusto de Campos, que, agora, releio, provoca-me vontade de ouvir “sucessos musicais”, em discos de vinil, com aquele som puro, e de listar, no sentido de exercitar a memória, cantores e cantoras nacionais que conheci como repórter de rádio e de jornal, nas décadas de 1960 e 1970 do século passado, em Salvador
A lembrança de anotar nomes como Cauby Peixoto, Miltinho, Dick Farney, Luizinho Eça, Tim Maia, Rita Lee, Nelson Ned, Caetano Veloso, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Wilson Simonal, e outras feras da música, nesta crônica, não tem nada a ver com o interesse em “ aparecer”, coisa, aliás, que não faz parte, convictamente, da minha maneira de ser. “Aparecer” jamais, assim como desesperar, nunca, gente boa, que me honra com a leitura destas linhas !
“ Repórter não aparece”, foi uma das primeiras verdades que escutei ,na velha Universidade Federal da Bahia, a Ufba, onde graduei-me, em Jornalismo, no ano de 1971. Sinto-me, até hoje, apaixonado pela profissão de jornalista. Busco, com a mesma intensidade, transmitir, aos mais jovens, principalmente, o conselho ouvido no primeiro dia de aula.
Alguns amigos, dos velhos tempos de baba, no meio da rua, em Nazaré, dizem que, desde o dia em que minha mãe vestiu-me a primeira fralda, atuo na área. “ E se derrubar é pênalti”, garantem eles.Talvez, por saberem que, bebezinho, no berço, eu queria trocar a chupeta por um microfone, a fim de anunciar a chegada da querida Bebé, de Pojuca ou, quem sabe, cantar, igual a Nélson Gonçalves, a “Deusa da Minha Rua”.
Verdade, ou não, parentes mais próximos entendiam que o fato de gostar de brincar, aos oito anos, de fazer jornal, em papel de desenho, e multiplicá-lo, em casa, utilizando folhas de carbono, aquele menino de olhar invocado teria que, um dia, vir a ser jornalista. O que pode acontecer hoje, também, com as crianças que não movimentam mais o chocalho e, sim, o mouse do computador. Estas, no ritmo em que o mundo dança, onde tudo se cria e se transforma, quase nada se perde, e a vida surpreende, no rol de acontecimentos inimagináveis, que causam múltiplas reações, em idade adulta, lá na frente, poderão lembrar de nomes de gente famosa que conheceram e anotar, no papel, seus nomes, como faço, para matar o tempo e ativar a cuca.
Agora, para que algum neurônio sacana não se apague, por pirraça, puxo a fita do passado e lembro o dia em que o “furioso” Tim Maia, no Hotel Acácia, ao chegar do Aeroporto Dois de Julho, onde fui apanhá-lo, com um amigo meu – e dele-, no curto período em que atuei em rádio, ofereceu-me, ao abrir a janela do seu apartamento, que dava para a Rua Carlos Gomes, uma “nuvem” que acabara de criar. “ Obrigado, velho Tim!” E lá fui eu, para casa, sorrindo muitooooooo, com aquela vozeirão ecoando nos meus ouvidos : “ Vaaaaaiiiii?”

Gilson Nogueira é jornalista e uma das melhores crias do radio baiano

Comentários

silvana on 4 maio, 2015 at 21:37 #

Adoro ler sobre as suas memórias, continue!
Escreva seu livro.


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