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DO EL PAÍS

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira, o presidente da JBS, Wesley Batista, em São Paulo, três dias depois que seu irmão, Joesley, se entregou à polícia para cumprir ordem de prisão temporária expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O mandado de prisão preventiva de Wesley e dois mandados de busca foram cumpridos no âmbito da 2ª fase da operação Tendão de Aquiles. Há também um mandado de prisão contra Joesley.

Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, depois que a Polícia Federal apurou o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio de 2017, data de divulgação de informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado por ambos os presos e a Procuradoria Geral da República.

Em nota, o advogado dos empresários, Pierpaolo Cruz Bottini, disse considerar injustas as prisões: “Sobre a prisão dos irmãos Batista no inquérito de insider information, é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”, diz.

Um dia antes do escândalo que atingiu diretamente o presidente Michel Temer, os irmãos Batista teriam comprado dólares e vendido uma grande quantidade de ações da empresa, sabendo, segundo as autoridades, do caos que seria instalado no mercado.

De fato, um dia após a divulgação do áudio que Joesley gravou durante uma conversa com Temer, as negociações na Bolsa foram interrompidas por meia hora. O mecanismo, chamado de circuit breaker, utilizado para evitar maiores perdas no mercado de ações, não era acionado desde 2008. O valor do Real teve queda de mais de 8% e as ações da JBS recuaram 10% no dia.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado financeiro no Brasil, vem investigando há meses se a empresa cometeu o crime de insider trading, o uso de informações privilegiadas para negociar documentos.

Os irmãos Batista assinaram um histórico acordo de delação premiada, o que lhes havia rendido imunidade jurídica em troca dos detalhes de uma rede de corrupção que envolveu cerca de mil políticos. Os benefícios do acordo, no entanto, foram suspensos depois que a Procuradoria teve acesso à gravação de uma conversa entre Joesley e um executivo da JBS, Ricardo Saud, no qual eles afirmam que omitiram informações durante sua delação.

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