Texto da autora teatral e cronista Aninha Franco, publicado em sua coluna “Trilhas”, no Correio da Bahia.
================================================

‘Nós não vai ser preso!’

Aninha Franco

“Nós não vai ser preso!”:
confesso que tenho preconceito contra corruptos. E quando o corrupto saqueia o Patrimônio.BR e estraçalha seu idioma, meu preconceito é feroz. Permita-me, ministro Fux, acrescentar: o “Joesley deveria sair do exílio estadunidense para o exílio da Papuda”, e só sair da Papuda quando respeitar o idioma! O “nós vai” ou o “nós não vai” no áudio alcoolizado pra boi dormir de Joesley deveria ser punido com prisão perpétua.

Geddel já foi!
Se havia um Brasil enlouquecido com os R$ 51 milhões do bunker de Geddel, sua prisão na madrugada de ontem acalmou os indignados. Há outro Brasil pós-Lava Jato. Querem ver o anterior? Espiem a cara de riqueza do país ostentação. As fotos de Dilma, Lula, Palocci e cia. lambuzados do petróleo do pré-sal. Os encontros ritualizados do petismo muito parecidos com os que Hitler, Mussolini e Stálin produziam. As fotos de Eike Batista dando nosso dinheiro a Madonna. As imagens dos artistas que rodeavam o poder, moscas azuis deslumbradas com o dinheiro fácil da corrupção. E pensem no Brasil de agora. Dispondo de R$ 51 milhões numa “propinniere”, Geddel voltou a ocupar um espaço menor que ela por causa dela.

Há uma crise enorme e ela é responsável pela cara de pobreza do Brasil, mas há, também, um medo geral e irrestrito de demonstrar a riqueza amealhada com a corrupção. Porque inexiste explicação lógica para os R$ 51 milhões, a sétima apreensão do Planeta, a que substituiu a expressão “dinheiro pra dedéu” para “dinheiro pra Geddel” dentro de um apartamento!

Até agora não li nada sobre há quanto tempo a “propinniere” de Sílvio estava ocupada por Geddel. Sei que Silvio Antonio Cabral da Silveira, o proprietário do bunker monetário, é acusado de desmontar a Ebal entre 2002 e 2006, provocando um prejuízo de mais de R$ 620 milhões à empresa. Houve processo? Em que fase está? Ou a sociedade baiana bancou as “propinnieres” adquiridas por Silvio com a destruição da Ebal?

Overdose de corrupção:
ainda não assisti ao depoimento de Palocci. É muita corrupção para uma vida só. Se nós ouvirmos todos os áudios – com o “brasileiro sertanejo” de Joesley -, assistirmos a todos os depoimentos e a todas as delações que emergem da Era de Ouro Roubado do Lulopetismo, corremos o risco de sofrer uma overdose de corrupção.

Mas desconfio que Lula se ferrou porque Palocci era um dos poucos petistas capazes de pensar. O lulopetismo teve dinheiro, teve poder, e teve pensadores. Perdeu a maioria dos pensadores antes de perder o poder e agora perdeu Palocci. Mas só o pensamento é capaz de reverter o apodrecimento do partido porque dinheiro sem pensamento – Joesley que o diga! – não serve pra nada.

O Cabaré de Edy Star:
a Bahia sempre manda ver. Como está difícil produzir cultura, ela está produzindo corrupção como só nos séculos XVI, XVII e XVIII, quando produzia corrupção sozinha. Mas há uma exceção nessa tragédia de corrupção compulsiva da Bahia, há o rock-and-roll brasileiríssimo de Edy Star, baiano de Juazeiro, republicano da República_Af e colega de trabalho de Raul Seixas, o mais espetacular rock-and-roll.BR ainda hoje. Confiram e se orgulhem do Cabaré Star de Edy. É bom pra dedéu!

Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments: