Homem cobre sua casa com placas de metal no estado da Flórida.
SPENCER PLATT AFP

DO EL PAÍS

Pablo de Llano

Nicolás Alonso

Miami

A Flórida iniciou a contagem regressiva para o choque do furacão Irma, o maior já registrado no oceano Atlântico, que, conforme tudo indica, deverá provocar uma catástrofe de dimensão inédita. “Vai devastar os Estados Unidos”, afirmou nesta sexta-feira o diretor nacional de emergências, Brock Long. O presidente Donald Trump advertiu de que será um furacão de “proporções épicas” e pediu à população – cerca de seis milhões de pessoas em perigo extremo na costa leste da Flórida, com Miami como potencial zona zero, e um risco crescente para o conjunto dos 21 milhões de habitantes do Estado – que “se afastem do caminho” do Irma.

A tempestade perdeu força na manhã de sexta-feira, sendo reduzida à categoria 4 da escala Saffir-Simpson, mas à noite as previsões indicavam que o Irma chegará ao sul da Flórida da pior maneira possível, voltando à categoria 5 e com ventos regulares de 250 quilômetros por hora. Na noite de sexta-feira, as autoridades da Flórida determinaram a retirada imediata de 6,3 milhões de pessoas de áreas costeiras. “Vivo aqui há 60 anos e nunca tinha visto nada parecido”, reconheceu, consternado, o prefeito de Miami-Dade, Carlos Giménez, que, por ter sido chefe de bombeiros da maior cidade do Estado, está habituado a situações extremas.

Era previsto que os primeiros ventos fortes do Irma chegariam ao território norte-americano nesta manhã de sábado, engolindo os arrecifes, para então se lançar ao norte, até golpear de frente Miami ao anoitecer – e transformando a madrugada do sábado para domingo em um interminável pesadelo sem luz elétrica, que poderia se prolongar até a noite seguinte, destruindo infraestruturas e moradias e causando inundações de até quatro metros em algumas áreas de Miami, e de até cinco metros na costa sudoeste da Flórida. Mais do que os ventos impetuosos, a grande preocupação, o que poderia ser fatídico, é a elevação extraordinária do mar em uma planície como o sul da Flórida – apenas 10 metros de altitude média. Inúmeras casas poderiam ficar literalmente inundadas sob o mar transbordado terra adentro.

Tampa, a principal cidade da costa oeste da Flórida, está igualmente ameaçada. O Irma poderia passar com seu selvagem vórtice por Tampa ou por Miami. Isso dependerá da sua evolução nas próximas horas. Mas, por uma rota ou por outra, os dois grandes centros urbanos se verão atingidos simultaneamente por sua violência. Nem um só ponto do canto sul da península, de leste a oeste, pode evitar a derrota anunciada.

O governo federal voltou-se à Flórida diante do Irma. Com o país traumatizado pelas inundações do furacão Harvey, no Texas, no final do mês passado, a Casa Branca aprovou a declaração de emergência na Flórida, liberou todos os fundos necessários e ativou um deslocamento militar. O Exército mantém quatro navios em alerta, dois deles junto à costa da Flórida, com centenas de soldados prontos para desembarcar. A Guarda Nacional tem 7.000 efetivos preparados. As Forças Aéreas deslocaram um esquadrão de aviões caça-furacões para monitorar a evolução do Irma. Os helicópteros da Guarda Costeira também se mobilizaram para os resgates. O governador da Flórida, o republicano Rick Scott, anunciou que contava com 7.000 voluntários, mas afirmou que precisava de outros 10.000. O político pediu que a população obedecesse às ordens de evacuação. “Não podemos salvá-los em meio à tormenta”, alertou. A tempestade liberada pelo olho do furacão durará aproximadamente 12 horas, deixando a metrópole inundada, sem eletricidade e sem água corrente. Na última sexta-feira, já foi evacuado, entre outros locais, o luxuoso complexo Mar-a-Lago, a chamada Casa Branca de inverno do presidente Trump, ao lado do rico condado de Palm Beach (sudeste da Flórida).

O Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) prevê grandes quantidades de chuva acumulada até terça-feira também nos estados da Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul.
Duas vezes Andrew

Nas ruas de Miami, reinava a confusão. Era fácil encontrar pessoas que não davam a devida importância ao furacão e que não haviam planejado evacuar suas casas. Na manhã de quinta-feira, a garçonete Azucena Mayorga dizia com fé: “Eu, em nome de Deus, espero que seja apenas uma chuva forte”. No entanto, o potencial de destruição do Irma supera o do furacão Andrew, de 1992, que matou 65 pessoas, destruiu 65.000 casas e custou 26.500 milhões de dólares (equivalente a 81 milhões de reais). Nos mapas comparativos, o Irma é um monstro duas vezes maior que o Andrew.

Na sua passagem pelo Caribe, o Irma semeou a destruição. Na última sexta-feira, contavam-se aproximadamente 20 mortos, a maioria nas Pequenas Antilhas e três em Porto Rico. Saint Martin e Barbuda foram 95% arrasadas, segundo as autoridades. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, enviou soldados à parte holandesa de Saint Martin para conter a pilhagem de um grupo de saqueadores armados com pistolas e machetes. Na sexta-feira, o Irma já havia golpeado Cuba e as Bahamas. O tufão do século encontrava-se, no anoitecer de sexta, a 555 quilômetros de Miami, mas as palmeiras da grande metrópole da Flórida já haviam começado a balançar com força.
Geórgia ordena a evacuação de suas costas

O governador da Geórgia, Nathan Deal, ordenou, na quinta-feira, a evacuação obrigatória da cidade de Savannah e outras zonas costeiras do estado do sul dos Estados Unidos, a partir da manhã, diante da chegada do poderoso furacão Irma.

Deal anunciou, além disso, o deslocamento de 5.000 efetivos da Guarda Nacional. Estima-se que haverá convocações similares na Carolina do Sul e na Carolina do Norte nas próximas horas.

O titular da Agência Federal para a Gestão de Emergências (Fema), Brock Long, pediu que os moradores dos estados no sudeste do país obedecessem as ordens de evacuação, diante da aproximação deste furacão de categoria 5, que já causou mortes e destruições no Caribe e se espera que atinja a Flórida neste fim de semana. “Este é um furacão [de proporção] nuclear, devem sair da praia, devem sair da praia”, insistiu Long.

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