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Orlando Silva (PC do B):elogios a Fufuca e pau na imprensa.

CRÔNICA
Cada região tem seus fufucas e manias

Janio Ferreira Soares

Janio Ferreira Soares

Declaro aqui minha total ignorância sobre o assunto e me penitencio num autoflagelo praticado com um chicote de lascas de babaçu por nunca ter ouvido falar da existência do nobre deputado André Fufuca, esse simpático e jovem maranhense com um penteado estilo Chitãozinho (ou Chororó, nunca os sei ao certo), que esta semana assumiu provisoriamente a presidência da Câmara dos Deputados e tem no sobrenome um peculiar vocábulo que me despertou imensa curiosidade. Assim, fui correndo ao Google e, talqualmente um Odorico Paraguaçu diante da falta de defunto para inaugurar seu cemitério, fiquei deverasmente decepcionado com o que li, já que na minha poluída imaginação a fonética da palavra remetia (minha querida professora Nilda vai me matar) a um verbo que, se nunca foi conjugado nas zonas dos baixos meretrícios ao som de um bolero de Waldick (do tipo: “esta noite eu quero fufucar com minha amada, por toda a madrugada, até o sol raiar”), foi por um descuido dos deuses do Tabariz ou dos frequentadores do saudoso Roda Viva, nome do lupanar que minha amiga Dulce colocou em seu estabelecimento numa homenagem à canção de Chico Buarque, que, a propósito, está com um novo e excelente CD na praça e tem tudo a ver com este assunto. Explico.

Nosso velho Brasil, com sua gigantesca dimensão continental, abriga em cada região particularidades e manias tanto no sotaque, quanto na gastronomia, na música e por aí vai. Nos apelidos, é claro, não poderia ser diferente e aí, talvez para pegar carona no inexplicável Bill que nomeia nossos severinos, os maranhenses resolveram chamar Francisco de Fufuca, nome que, convenhamos, soa bastante estranho à primeira audição, além de expor seu portador a certas brincadeiras de mau gosto, a exemplo do que faz agora este despudorado e politicamente incorreto escriba. Em frente.

Numa boa, ainda bem que essa derivação de Francisco ficou restrita apenas a terras maranhenses. Caso contrário, não iria soar nada bem quando, por exemplo, nosso Cid Moreira encerrasse o Jornal Nacional com aquela voz de apocalipse, anunciando: “e agora, fiquem com o próximo capítulo da novela Selva de Pedra, estrelada por Regina Duarte e Fufuca Cuoco”. Ou então uma chamada do Globo Repórter, com Sérgio Chapelin dizendo: “não perca; você vai viajar nas aventuras do jornalista Fufuca José percorrendo as belezas do Rio São Fufuca, da nascente até Paulo Afonso”. Ou ainda: “vocês acabaram de ouvir, na voz de Fufuca Buarque de Holanda, Olhos nos Olhos”.

Me desculpem Alcione e Zeca Baleiro, mas prefiro continuar imaginando-o verbo – eu fufuco, tu fufucas, ele fufuca. O diabo é que, como diria um amigo gago, com esse Congresso, mais Gilmar, Temer e afins, estamos todos é fufufufu…., calma, gaguinho!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 2 setembro, 2017 at 15:49 #

Como bem alguém registrou no WhatsApp, sobre o presidente em exercício da Câmara dos Deputados:

“A gente tenta ser sério no Brasil. Aí vem o presidente da Câmara com a cara do Nhonho (da série mexicana Chaves) e nome Fufuca. Assim fica difícil!”

E bota difícil nisso!


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