Enigmas:Macron recebe Trump com pompas na França…


…Lula faz comício e pleiteia candidatura depois de condenado;

ARTIGO DA SEMANA

Julho avança desembestado para o fim de sua primeira quinzena. Os dias transmitem, no Brasil e em várias partes do planeta (incluindo as geleiras da Antártida), sinais estranhos e temerários de seus confusos labirintos. Coisas tais que mais parecem enigmas, a exigirem rápidos e indispensáveis desvendamentos – no tempo eletrônico e digital que corre – à maneira clássica do “decifra-me ou te devoro” dos antigos egípcios, para alertar os saqueadores sobre os sérios perigos que corriam se entrassem na Esfinge. Em Paris, por exemplo, neste 14 de Julho em que escrevo este artigo semanal de informação e opinião, o truculento republicano que manda e desmanda atualmente nos Estados Unidos, Donald Trump, aparece – entre abraços, beijinhos, sorrisos e amistosas saudações – ao lado de Emmanuel Macron (e sua Brigitte), aparentemente afável e progressista esfinge política recém eleita para comandar a França do histórico lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que os orgulhosos franceses festejam nesta data, apesar de desconfiados e visivelmente ressabiados com a presença do incômodo visitante convidado oficial.

Observo meio cabreiro, de Salvador, o bailado de signos no jogo de poder dos novos mandatários. Misturado com as imagens majestosas do desfile e dos festejos nas ruas em pleno verão parisiense e europeu, transmitidas do Champes Elisées, do Arco do Triunfo e do Trocadero (nas imediações da Torre Eiffel). Enquanto o jornal espanhol El Pais, em reportagem destacada pontua, certeiro, sobre o encontro Trump-Macron na data comemorativa da Queda da Bastilha: “Duas faces diferentes da política internacional voltam a se medir, lado a lado, em público. Convidado pelo mandatário francês, o presidente dos Estados Unidos chegou à capital francesa a fim de diminuir a tensão com a nova estrela do firmamento europeu. Tal como fez em maio, ao se reunir com o dirigente russo Vladimir Putin, em Versalhes, Macron quer seduzir e impressionar seu convidado, que assistirá nesta sexta-feira ao desfile militar de 14 de Julho, festa nacional da França”.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, deve ter balbuciado ou imaginado algum irônico passante parisiense, na Rue Rivoli, próximo ao Museu do Louvre, ou lá para as bandas do Centre Pompidou. Um espécime, provavelmente, da velha guarda da época das largas e memoráveis discussões intelectuais, sobre esquerda e direita na política e nos governos, que muitas vezes redundavam em polêmicas internacionais, capazes de causar reboliços e até incendiários e revolucionários protestos nas ruas. Travadas, em seu início, com denodo e ênfase, nos famosos cafés e restaurantes, ou nas românticas mesinhas nas margens do Sena, de todos os sonhos românticos e dos amores mais impensáveis, ao longo de séculos.

Na vizinhança de Sartre, Simone de Beauvoir, Goddard, entre tantos outros, dos livros, da música, do cinema e da psicanálise; ou à sombra das frondosas castanheiras em flor, de que falam os versos da formidável canção “April in Paris” (principalmente na interpretação de Ella Fitzgerald e Armstrong, que recebi em gravação especial para presente de fim de ano, há mais de um década, do amigo Ricardo Noblat, logo depois que ele deixou a capital baiana (pela segunda vez, em longo convívio pessoal e profissional), para fundar, em Brasília, o seu polêmico e efervescente blog político.

De Paris para São Paulo, neste julho enigmático do inverno brasileiro de 2017, de frio inusitado na intensidade e ventos amedrontadores à beira da baia famosa da cidade de todos os santos e de quase todos os pecados.

Na quinta-feira para não esquecer, um dia depois de ser condenado a 9 anos e seis meses de prisão, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), e até bem pouco tempo tido como o maior e mais acatado líder na América Latina, – reúne em sua volta, na sede do instituto, cercado de suspeitas, que leva o seu nome, não mais de 300 pessoas. Chefes de facções de seu partido, parlamentares, dirigentes sindicais, (ainda tontos com a reforma trabalhista aprovada na véspera, pela tropa de choque de Temer, PMDB e aliados no Congresso), além de integrantes de outras agremiações de esquerda (PC do B à frente), para promover o que mais gosta e sabe fazer: comício em palanque político e eleitoral. Mesmo usando, falsamente, o pretexto de uma entrevista coletiva ,na convocação da imprensa para o local da manifestação, como se revelaria desde o início, quando o ex-presidente condenado informou que não iria falar, nem responder a nenhuma questão sobre a alentada (e juridicamente substanciosa) sentença do juiz Sérgio Moro, no primeiro dos cinco processos aos quais o ex-mandatário responde na Lava Jato, no escândalo do Petrolão.

Lula resumiu quase tudo ao que considera uma trama política ardilosa contra ele, seu partido e o povo trabalhador do Brasil. Criticou duramente, mais uma vez, o juiz federal de Curitiba, a quem parece ter escolhido, definitivamente, como seu inimigo preferencial de agora em diante. Anunciou que vai recorrer da decisão de Moro, que, segundo seu pensamento majestático, “deve prestar contas com a história”. E chegou ao ponto efetivamente motivador da manifestação, o “pedido de desculpas aos companheiros dos demais partidos de esquerda, para reivindicar preferência na colocação do meu nome como postulante a candidato presidencial (outra vez) nas eleições diretas de 2018”. E, para terminar, uma bravata de praxe em palanques eleitorais: “Se alguém pensa que a sentença me tira do jogo, pode saber que estou no jogo”, disse o postulante, condenado pelo caso do triplex do Guarujá.

O resto, a conferir. Brevemente, espera a sociedade. Assim como se aguarda solução rápida para crises por falta das tornozeleiras eletrônicas, para detentos em prisão domiciliar, como ocorreu, por exemplo, com o homem da mala, ex-deputado Rocha Loures, criticado por furar a fila para conseguir a sua, em Mato Grosso, antes de ir para casa. E com Geddel Vieira Lima, ex -ministro de Lula e de Temer, ex-diretor de carteira importante da Caixa, no Governo Dilma, que deixou a Papuda, no DF, sem a tornozeleira exigida, para a prisão domiciliar no seu apartamento em Salvador. Ufa, que semana!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Comentários

Vanderlei on 16 julho, 2017 at 0:03 #

Daqui até 2018 ecoarão somente notícias ruins e péssimas sobre Lula. Uma atrás da outra. Não existirá “marqueteiros” que façam com que o candidato Lula cheque novamente à presidência do país.Para felicidade geral da Nação!


regina on 16 julho, 2017 at 23:35 #

O esperto e inteligente Monsieur Macron usou seu charme para dobrar o abestalhado e idiota Mister Trump e aprisiona-lo em sua mão, literalmente!!!


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