ARTIGO/MÚSICA

Neojiba a Villa-Lobos no TCA: o compositor, o maestro e o educador

Lúcia Jacobina

O Neojiba estreou no Teatro Castro Alves a Série de Concertos 2017, na noite de 23 de março, com o tema “Alma Brasileira”, em homenagem aos 130 anos de nascimento de Heitor Villa-Lobos, aquele que é considerado o nosso maior compositor e cujo aniversário está sendo celebrado nesta oportunidade por orquestras e instituições com audições e projetos em todo o território nacional.

O fundador do programa, o famoso pianista e também maestro Ricardo Castro fez questão de citar a experiência de Villa-Lobos como educador, além de compositor e maestro, faceta pouco conhecida do público, pois os comentários que lhe são dedicados não fazem referência a essa importante função que lhe foi confiada por Anísio Teixeira e que constituiu uma das maiores iniciativas na área de educação musical da história do Brasil. Foi durante as décadas de trinta e quarenta do século passado, que Villa-Lobos ocupou o cargo de diretor da SEMA (Superintendência de Educação Musical e Artística) na qual implantou com grande sucesso um programa de canto coral em escolas com base em canções folclóricas brasileiras.

Como pianista convidado, apresentou-se Marcelo Bratke, que gravou na integralidade as peças de Villa-Lobos para piano e acabou de dirigir um documentário sobre sua vida e obra. Coincidentemente, Bratke criou a Camerata Brasil, formada porjovens músicos populares e eruditos oriundos de áreas sociais desfavorecidas para realizar projetos que homenageiam compositores brasileiros demonstrando a influência que a cultura brasileira exerceu sobre seus trabalhos. Tanto a Camerata Brasil como o Neojiba foram fundados em 2007 e, portanto, estão festejando dez anos de existência.

O concerto apresentou várias formações corais e instrumentais do Neojiba: os coros infantil e juvenil, um duo de flauta e fagote, um quinteto de cordas dedilhadas e as orquestras Juvenil da Bahia e Castro Alves, além dos regentes Moisés Honto e Eduardo Torres. Mestres e aprendizes reunidos no palco, com seus respectivos instrumentos para proporcionar música da melhor qualidade a uma plateia cativa que aplaudiu emocionada, principalmente as execuções dos “Choros nº 10” e “Bachianas nº 4”, feitas em conjunto pelas duas orquestras sob a batuta de Ligia Amadio, numa arrebatadora performance de uma das mais destacadas regentes brasileiras que dirige atualmente a Orquestra Filarmônica de Montevidéu.

A reunião desses músicos excepcionais, tanto por seus talentos individuais como pela mesma convergência de ideais e o mesmo objetivo de transformar a realidade social através da música, possibilitou um concerto em grande estilo, ao mesmo tempo diverso e fascinante, com música genuinamente brasileira que incluiu peças inspiradas em nosso folclore, passeou pela música popular ao ritmo de choros e culminou com as “Bachianas Brasileiras”, reputadas por vários estudiosos como a maior realização de Villa-Lobos, sob a inspiração daquele que é considerado o pai da música, Johann Sebastian Bach.

Lúcia Jacobina é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.

Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments: