“A Bahia sempre foi vanguarda!”


CRÔNICA

Ideias para as próximas manifestações

Janio Soares

Em junho de 2013, bem no começo dos protestos que terminaram por trocar mandioca por aipim, escrevi um texto onde citava algumas frases que empunharia se deles participasse, quando nada para servir de contraponto aos “Fora Dilma!” e “Viva Moro!” que imperavam pelo país, mesmo sabendo do risco de ser atingido por um pato atirado por alguém que nem desconfiava que estava ali justamente fazendo papel de um paturi bem amarelinho, tipo o quarto sobrinho do tio Donald (Huguinho, Zezinho, Luisinho e…Michelzinho).

Assim, na contramão da mesmice, me imaginei numa fictícia viagem por algumas capitais do país a exemplo de São Paulo, onde, aproveitando a época junina, levantaria uma faixa pedindo a morte do Forró Universitário e suas vertentes, fato que me faria correr feito um doido pelo vão do Masp para não levar uns tapas dos fãs do Fala Mansa.

Em seguida chegaria ao Farol, onde aproveitaria o casamento de Daniela Mercury com sua querida Malu para fazer uma montagem num papel couché, que teria fotos de Bell Marques dando uma bitoca em Durval Lelys, e de Jaques Wagner dando um selinho em ACM Neto, acompanhada da frase: “A Bahia sempre foi vanguarda!”.

No final passaria por Recife onde, de mãos dadas com uma moça bonita na praia de Boa Viagem, mandaria um: “da manga rosa quero o gosto e o sumo e do Galo da Madrugada o sobrecu assado”. Coitado de mim.

Pois muito bem, retorno ao assunto porque as imagens do minguado protesto do último domingo em terras de São Salvador mexeram de tal maneira comigo que me senti na obrigação de aproveitar este nobre espaço que há anos permite minhas abobrinhas quinzenais, para pedir aos organizadores algumas mudanças visando as próximas manifestações. Do contrário, este velho ribeirinho nunca mais terá o prazer de ver nas manhãs soteropolitanas aquela galera quase nórdica a deslizar seus Nikes Air Max 90 Ultra com meinhas brancas pelo asfalto da Barra, cujo fluxo foi invertido.

Agora, em vez de neguinho caminhar até o Cristo bradando palavras de ordem por um Brasil mais justo, parte direto para o Veleiro traçar um belo risoto de frutos do mar com uma taça de Chablis, tendo de lambuja a incrível vista que o Yatch proporciona a certos comensais que costumam filtrar a Bahia através das lentes de um Ray-Ban Clubmaster Wood Polarizado.

Mas é chegada a hora de botar a cabeça pra pensar e partir em busca de alternativas que mudem o quadro. Ideias não faltam, como a de colocar Safadão e Preta Gil na sacada do Oceania mandando ver sofrências e funks, com um caminhão de latão grátis em frente.

Mas aí, teríamos um sério problema: como manter o mesmo padrão dinamarquês com a turma da pochete invadindo todo espaço dos súditos de Louis Vuitton? Vamo

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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