Tite: a emoção de um líder exaltado no jogo da classificação…


…enquanto Salvador(que viu a seleção renascer) celebra 468 anos.

ARTIGO DA SEMANA

Cidade da Bahia e Tite: 468 anos e a seleção que renasceu em Salvador

Vitor Hugo Soares

Terça-Feira, 28 de março de 2017: William Bonner e Renata Vasconcelos encerram a edição do Jornal Nacional, repleta de escaldantes notícias, deixando no ar uma noite ainda cheia de expectativas, na política e no futebol. É véspera da celebração dos 468 anos da fundação de Salvador, a Cidade da Bahia – de todos os santos e de quase todos os pecados — nas sátiras de Gregório de Mattos, nos romances de Jorge Amado, e das crônicas de Raimundo Reis e de Nelson Gallo.

A urbe “de São Salvador”, criada ainda nos primórdios do descobrimento do Brasil, já nasceu cidade, capital, sem jamais ter sido província, segundo seus mais orgulhosos historiadores. Surgiu para ser “a rainha do Atlântico Sul”, mas se desguiou, provavelmente, em uma encruzilhada fechada qualquer, do tortuoso caminho no passado (ou em vários, no presente). Agora, no meio da crise geral, e de seus próprios descaminhos, tenta achar o rumo do reencontro com o destino que lhe foi traçado na origem.

Que siga adiante, mesmo precisando enfrentar tormentas naturais de meter medo e de elevado poder de devastação e de transtornos para todos. Mas, principalmente, para os mais pobres, excluídos, obrigados a habitar ao pé das inseguras e abandonadas encostas das suas montanhas. Quase sempre a um pingo de água dos desabamentos, das inundações e da tragédia. Coisas comuns em fases de tempestades, à exemplo do temporal – em seguida à maior e mais intensa saraivada de relâmpagos e trovões de que se tem notícia, mais recente, em um começo de outono baiano – que alagou a capital na quinta-feira, 30, dia seguinte às comemorações do seu aniversário.

Isso sem falar, evidentemente, do imemorial desleixo, incompetência e mãos de gato de seus inumeráveis gestores, políticos e empresários, da terra de tantos negócios e tantos negociantes, desde que em sua larga costa aportou a “máquina mercante”. Neste aspecto, em especial, merece citação e destaque a emblemática crônica escrita pelo jornalista político Sebastião Nery, e lida brilhantemente por ele na Rádio Metrópole FM – Salvador, no programa especial comemorativo da data de fundação da tão amada quanto achacada Cidade da Bahia, de decantadas e aparentemente inesgotáveis fartas tetas, desde a sua fundação.

Meio embananado (para usar a soteropolitana expressão dos loucos anos 60/70) diante dos fatos e dos embates diários da política e da ética, que o JN anuncia – cada vez mais espantosamente velozes e mutantes na gravidade, na extensão e no conteúdo – reflito sobre estas coisas. Ao tempo em que troco de canal e mantenho a televisão ligada, agora no Sport TV que transmite, pela voz e irresistíveis tiradas de bom humor de Milton Leite, a partida entre Brasil e Paraguai. Jogo que, horas depois, confirmada a vitória do Peru sobre o Uruguai, se transformou em partida histórica: a seleção brasileira é a primeira classificada para a Copa do Mundo de futebol na Rússia. E a Cidade da Bahia e o país explodem em contentamento, quem diria!

No meio de tantos escândalos e desencantos que ferem e amargam, transversalmente, o Brasil na sua vida política, econômica, moral e governamental, eis, enfim, uma data para sentir orgulho e não esquecer. Que vem proporcionada por uma referência nacional responsável por imensas alegrias e monumentais decepções: o futebol.

O Estádio do Corinthians, em Sampa, explode aos gritos uníssonos: “Olê, Olê, Olê, Titêee, Titêee”. A euforia atravessa a tela e cobre, também, a Cidade da Bahia, já àquela hora em plena comemoração de seus 468 anos. Impossível não recordar de que foi na Fonte Nova, que esta seleção, quase à beira da desclassificação dos Jogos Olímpicos do Rio, renasceu como uma Fenix. Sob o comando do soteropolitano Micale, mas com o gaúcho Tite presente o tempo inteiro nos treinamentos em Salvador (principalmente de combate ao abatimento moral dos jogadores), a seleção goleou a Dinamarca por 4 a 0 e seguiu imbatível até conquistar o primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro, no Maracanã.

Salvador vibra na quinta-feira. Da sala, sentada diante do computador, Margarida, a jornalista e companheira de vida, manda também o seu grito para o quarto, onde assisto a festa depois do jogo: “Bem que eu sempre disse: Tite é o cara. Mais que ele só o juiz Sérgio Moro. Talvez!”
Bato palmas também para Tite. E para Salvador. E, se a questão é de mérito, aprovo também, sem contestação, a referência ao juiz de Curitiba.Viva!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Comentários

Gilson Nogueira on 1 abril, 2017 at 11:23 #

Viva a Brahia!!!


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