David Rockefeller, em uma foto de 1981
D. Pickoff AP


DO EL PAÍS

Sandro Pozzi

Nova York

É impossível entender o poderio econômico dos Estados Unidos sem a contribuição dos Rockefellers. A influente dinastia nova-iorquina faz parte da nobreza de um país em que o rei é o capitalismo. Nesta segunda-feira morreu o financista e filantropo David Rockefeller, o último membro vivo do clã entre os de sua geração. O neto de John Rockefeller estava à frente da gestão de todos os interesses da família. É difícil que seus sucessores cheguem à sua altura.

David Rockefeller faleceu de causas naturais aos 101 anos de idade em sua residência em Pocantico Hills, uma mansão voltada para o rio Hudson no norte do Estado de Nova York. Era o mais jovem dos seis filhos de John D. Rockefeller Junior e foi fundador da Comissão Trilateral, uma das organizações privadas mais influentes do mundo. Também presidiu o Chase Manhattan Bank, embrião do JP Morgan Chase, o maior grupo financeiro do país.

Era o único neto vivo do legendário fundador da petroleira Standard Oil. O herdeiro nasceu em Manhattan em 12 de junho de 1915. Doutorou-se em economia pela Universidade de Chicago, embora tenha estudado também em Harvard e Londres. Amava a arte. Na sua coleção privada tinha trabalhos de Picasso, Monet, Matisse e Rothko. Ao longo da vida doou 150 milhões de dólares (460 milhões de reais) ao Museu de Arte Moderna, que cofundou com sua mãe, Abby.

A revista Forbes calculou nesta segunda-feira sua fortuna pessoal em 3,3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais). Antes de se dedicar ao mundo das finanças, participou como voluntário no exército durante a Segunda Guerra Mundial e foi funcionário de inteligência na Argélia. No retorno da Europa, começou a trabalhar para o Chase Manhattan Bank no departamento internacional. Assumiria a presidência da instituição em 1961, cargo que conservou durante duas décadas.

John D. Rockefeller continua sendo considerado a pessoa mais abastada da história moderna dos EUA. A petroleira que está na origem da fortuna da influente saga familiar foi dividida e dela emergiu, entre outras companhias, a gigante ExxonMobil. David Rockefeller preferiu a banca. Os presidentes Jimmy Carter, democrata, e Richard Nixon, republicano, o sondaram para o cargo de secretário do Tesouro, que declinou.

Os Rockefellers se guiavam pelo princípio de que é preciso devolver à sociedade tudo o que lhes havia dado. Há dois anos festejou seu 100º aniversário doando um terreno da família a um parque nacional no Maine. A ação filantrópica do clã abarca desde iniciativas para a promoção da arte até ações para a conservação do meio ambiente.
O banqueiro norte-americano David Rockefeller, quando apresentou suas memórias na Espanha em 2004.
O banqueiro norte-americano David Rockefeller, quando apresentou suas memórias na Espanha em 2004. EFE

David Rockefeller era considerado um republicano moderado. Seu nome é associado à construção do World Trade Center no baixo Manhattan e outras iniciativas, como a Universidade Rockefeller. Poucos entre os de sua geração tiveram um envolvimento pessoal tão forte com a promoção da democracia nas Américas quanto o magnata, que presidiu o Conselho das Américas. Bill Clinton lhe outorgou a Medalha Presidencial da Liberdade, em 1998, o maior reconhecimento civil.

David Rockefeller, que continuou viajando, apesar da idade avançada, chegou durante sua vida a entrar em contato direto com mais de 200 chefes de Estado, de uma centena de países. Isso o transformou em um dos grandes representantes dos EUA no exterior. Por isso, não foi por acaso que o Chase Manhattan foi o primeiro grupo financeiro a abrir agências na Rússia e na China. O banco lhe deu um status internacional que nunca teria conseguido trabalhando para o Governo.

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