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Temer e ministros em reunião neste domingo.
Eraldo Peres AP

DO EL PAIS

Brasília

O presidente Michel Temer tentou tranquilizar países importadores da carne brasileira neste domingo após o escândalo do esquema de propina e fraudes em frigoríficos tornado público na sexta-feira pela Polícia Federal e que afetou até gigantes do setor, como a JBS e a BRF. Em reunião com embaixadores e representantes da indústria da carne, Temer afirmou que se trata de “desvios pontuais” no sistema de vigilância sanitária. Ele prometeu acelerar as auditorias nos estabelecimentos sob suspeita, 21 até agora, entre eles três já interditados, e encerrou convidando os representantes diplomáticos para uma churrascaria em Brasília.

O presidente, no encontro de emergência que reuniu representantes de 33 países segundo o Governo, respondia a cobranças de informação da União Europeia, EUA e outros importadores que se seguiram às notícias do escândalo que afeta um setor que movimenta 12 bilhões de dólares anualmente. Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, prometeram divulgar no mais tardar nesta segunda-feira uma lista de todos os carregamentos exportados por seis das 29 empresas sob suspeita nos últimos 60 dias. “Ressalte-se: o objeto de apuração não é o sistema de defesa agropecuária, cujo rigor é reconhecido, mas alguns poucos desvios de conduta”, leu o presidente. “Somente em 2016, foram expedidas 853 mil partidas de produtos de origem animal do Brasil para o exterior e apenas 184 foram consideradas, pelos importadores, fora de conformidade, muitas vezes por causa de temas não sanitários, como rotulagem e preenchimento de certificados”, seguiu.

Se Temer foi mais formal, lendo um documento preparado para a ocasião, o ministro Maggi fez um apelo. Ele lembrou as dimensões do setor de carnes do Brasil e afirmou que a interrupção das compras internacionais poderia causar um colapso do sistema e pediu aos representantes diplomáticos que ajudem a esclarecer as dimensões do escândalo.

Consumidor interno

A investigação da Polícia Federal aponta irregularidades como o uso de carne proibida, como a de cabeça de porco, em embutidos, e uso de substâncias para mascarar o estado dos produtos. A apuração também cita um carregamento de carne barrado na Itália por suspeita de samonela, uma bactéria que causa diarreia e vômitos.

Na sexta, o Ministério da Agricultura prometeu divulgar até esta segunda-feira uma lista dos lotes de produtos potencialmente afetados pelo esquema de fraudes no Brasil. A JBS, o maior produtor de carnes do mundo, e a BRF, negam as irregularidades e dizem que vão colaborar com as autoridades. Fazem também uma ofensiva de propaganda nos jornais e na Internet para mitigar os danos do escândalo.

A operação da PF, batizada com o nome de Carne Fraca, contribui para mais agitação em Brasília já afetada pela Operação Lava Jato. De acordo com o investigadores, parte da propina paga abastecia partidos, como o PMDB, de Temer, e o PP, de Blairo Maggi. Nos últimos anos, a JBS ganhou espaço como contribuidora de campanhas políticas, inclusive presidenciais, ultrapassando em 2014 até construtoras.

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