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Postado em 19-03-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-03-2017 00:12

DO EL PAÍS

Gil Alessi
Brasília

Em meio ao clima de incerteza que se abateu sobre o Ministério da Agricultura e o mercado após a divulgação de informações da Operação Carne Fraca sobre fraudes no setor de carnes, o presidente Michel Temer marcou para o domingo uma reunião com o titular da pasta, Blairo Maggi (PP-MT). O ministro estava em Cuiabá quando o escândalo de adulteração de carnes que contava com a participação de ao menos 33 fiscais ligados à Agricultura veio à tona. Ele cancelou viagem para o Canadá que estava prevista para o início da semana para coordenar uma força-tarefa para analisar a dimensão do problema. O foco do encontro entre Temer e Maggi é criar uma estratégia para lidar com as eventuais fraudes, bem como o impacto delas no comércio internacional – o Brasil é o maior exportador de proteína animal do mundo.

Neste sábado Maggi passou o dia se reunindo com embaixadores de países da União Europeia, dos Estados Unidos e de outras nações que importam carne brasileira. De acordo com dados da Agricultura, 150 países compram os produtos do setor. Apesar dos receios de parte da população e autoridades estrangeiras, Maggi e o secretario executivo da pasta, Eumar Novicki, fizeram questão de tranquilizar o mercado e os consumidores internos. “A população brasileira pode ficar tranquila, não há risco para a saúde pública”, afirmou o secretário. Ele insistiu que trata-se de um problema pontual, envolvendo “33 fiscais dentro de um universo de 11.000 funcionários do Ministério”.

O Governo quer ter acesso aos laudos e provas periciais da Carne Fraca. Fiscais e técnicos do Ministério devem ir até Curitiba, onde correm as investigações, para analisar o material coletado pela Polícia Federal.
Ofensiva de propaganda e prisão

Depois da reunião com Maggi, Temer deve receber associações de exportadores para discutir os impactos do caso nos negócios do setor. As ações das gigantes JBS e BRF, que segundo as investigações estariam envolvidas no esquema, caíram 10% e 7% respectivamente na sexta-feira na Bolsa de São Paulo.

Em uma ofensiva para reduzir os danos à sua imagem, as duas empresas publicaram anúncios de página inteira nos principais jornais do país, reafirmando a colaboração com a Polícia Federal e dizendo cumprir elevados padrões de qualidade e fiscalização de seus produtos. Também houve uma ofensiva digital, com os posicionamentos oficiais da empresa aparecendo como anúncios no alto das buscas sobre o tema no principal dos buscadores, o Google.

A BRF também afirmou que houve um “mal-entendido” em um dos áudios divulgados pela PF, na qual um dos funcionários falava sobre “papelão”. Na interpretação das autoridades, o grampo revela a adulteração da carne com papelão. A empresa, no entanto, afirma que está sendo discutido o tipo de embalagem a ser utilizado – plástico ou papelão.

Na madrugada deste sábado o gerente de Relações Institucionais e Governamentais da BRF, Roney Nogueira dos Santos, foi preso pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos. Ele é um dos investigados por suposta tentativa de pagar propina para conseguir pareceres favoráveis de fiscais sanitários.

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