Rio – Salvador: delícias do caqui, (más) surpresas de Itapuã

O último caqui que comi não lembro quando e onde. Recordo, mesmo, de vê-lo nos cestos dos vendedores ambulantes que se espalham pela Cidade da Bahia, junto a outros frutos criados pela Mãe Natureza. Acabo de saber que o caqui foi criado pelos japoneses, misturando sapoti com tomate. Seja como for, não faço questão de mordê-lo. Dizem, por ai,independentemente do que garantem os googles da vida, que o caqui é dez em Vitamina C.

Aqui, no Rio de todos os encantos e espantos, como, por exemplo, os preços dos alimentos e a violência no trânsito – é a capital mundial da buzina – , o que não falta são locais para se comprar caqui e beber água de coco verde. De preferência, aberto na hora ou em garrafas plásticas de tamanhos variados. Ao lado do Biscoito Globo, é um saudável hábito do carioca, principalmente para driblar o calor de mais de 30 graus, em um dia sim e o outro também, e a fome.

Por falar em coco, bate uma saudade sem igual de minha terra natal. Ela vem voando na lembrança, por ter eu avistado, na última chegada a ela, em fevereiro último, o Farol de Itapuã, lá longe, pequenino, em vermelho e branco, na ponta de uma praia cercada muito mais por casas e edificios de concreto do que por coqueiros que balançavam ao vento na época em que tomar uma cerveja, num sábado qualquer, era uma viagem ao paraiso. Tudo mudou! Para Pior! que pena!

Um dos maiores cartões postais da terra do Seo Dorival pareceu-me colocado para escanteio no jogo bruto da especulação imobiliária e na área do descaso com o patrimônio cultural da primeira capital do Brasil. O Farol, de longe, pareceu-me um filho abandonado à própria sorte. E o que dizer, para citar, apenas, um simples exemplo, da porta principal do Palácio da Aclamação, no Campo Grande, pichada pelos ignorantes de plantão e pela inércia de quem tem o dever de conservá-la?

No silêncio do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde, anteontem, só havia disponível uma cadeira de rodas para pessoas necessitadas, e o sol impiedoso deixava sua marca na vegetação, lembrei do conselho de um amigo que encaixa-se como uma luva no do que ouvi, hoje,pela manhã, de Ana Maria Braga, na TV Globo. Algo mais ou menos assim: Antes o silêncio certo do que a palavra errada.

Gilson Nogueira é jornalista.

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