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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Quem pariu Kannario que balance

Dotado de qualidades de bom administrador, o prefeito ACM Neto terá de administrar o que por enquanto é apenas um problema: as declarações do cantor-vereador Ygor Kannario, para quem “o crime organizado tá lá dentro” – da Câmara Municipal, esclareça-se.

Sem entrar no mérito da questão, porque todos os brasileiros têm pelo menos uma noção de como são de fato suas respeitáveis instituições, o fato veio a calhar para a oposição, cujo líder, o velho inimigo de Neto José Trindade, é também procurador da Câmara e já adiantou que representará contra Kannario.

Veja-se, em rápida digressão, que Trindade critica a fala de Kannario sob o aspecto ético e dos altos valores “da Casa”, mas no primeiro momento seu impulso foi de confrontar o ataque à Câmara com o suposto cachê de R$ 120 mil despendido pela Prefeitura para o vereador cantar no Carnaval.

A indignação de Trindade, portanto, resumiu-se ao entendimento reprovável de que artistas eventualmente contratados para um espetáculo, como no presente caso, têm de abrir mão da sua liberdade de expressão porque estariam sendo pagos também para isso.

Mas, voltando ao veio principal, o vereador Trindade não poderia ter achado melhor motivo, porque é Neto o responsável pela cooptação de Kannario para o “sistema”, o que lhe rendeu, e ao dito Príncipe do Gueto, muitos votos. Uns chamam isso de talento político, outros, de oportunismo.

O ato demagógico na política, porém, tende a claudicar, mais cedo ou mais tarde. Sem ofensa, Kannario era uma personalidade marginal, que foi trazida artificialmente para um palco no qual, possivelmente, jamais tenha sonhado atuar.

Repetiu, ao longo da folia, diatribes raivosas, atacando nominalmente “a burguesia”, discutindo com pessoas no circuito, garantindo que é independente. Isso levou até o vice-prefeito Bruno Reis a liderar uma seleta turma do deixa-disso, de eficácia ainda sem comprovação.

A questão é se o cara que acha que “na favela tem mais homem do que lá” [na Câmara] tiver concluído que sua liberdade é mais valiosa que os ditames externos que lhe querem impor a política e os costumes.

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