CRÔNICA

Luislinda, hiperplasia e a chuva de araque

Janio Ferreira Soares

Quando os assuntos abundam, mas você não consegue pegar nenhum que renda um bom caldo até o final, reza o manual do pânico da folha em branco que o melhor a fazer é juntar uns três ou quatro ingredientes e aí misturá-los num bom mexido de letrinhas, pra ver que gosto vai dar. É exatamente o que farei agora. Simbora.

Começo por nossa Luislinda Valois, que pretendia receber o dobro do salário de ministra para, segundo ela mesma insinuou, de vez em quando ter o poder de substituir suas sandalinhas de baiana despojada do Pelô por um sapatinho Louboutin das quebradas parisienses, quando nada pra combinar com a origem do seu nome. A propósito, fico aqui pensando o que ela não deve ter passado na infância, não por ser negra, que isso na Bahia é benfazejo. Falo é da provável confusão gerada por alguns professores não habituados com a sexy fonética francesa (onde o “oi” tem som de “ua”) na hora da chamada. Será que ela se chateava quando lhe chamavam como se estivessem mandando seu colega Luís para algum lugar, tipo: “Valuís”, ou nem ligava e ia cantar Escrava de Jó com suas amiguinhas no recreio?

Outro assunto meio batido, mas que não tive o prazer de comentar, foi o procedimento nas partes íntimas – e, dizem, azuladas – do nosso brioso presidente, que recentemente teve uma sonda introduzida na uretra para que sua urina retomasse a enxurrada de outrora e deixasse de gotejar nas pantufas bordadas com as letras M (que tanto pode ser de Michel, quanto de Marcela ou, ainda, de Mozinho) e T (de Temer ou, me sopra o diabinho aqui do lado, de Taradão, Tesão, Tesudo…). Mas o que talvez você não saiba, pois essa história ainda está guardada a sete chaves na sala dos médicos do Sírio-Libanês, é que, se observada na penumbra, de cabeça pra baixo e ao som de Pinga Ni Mim tocando ao contrário, a tomografia computadorizada de sua pélvis mostra exatamente o rosto sorridente do deputado Marum no formato de uma próstata hiperplásica, festejando o arquivamento da segunda denúncia.

Mudando de papo, sexta passada a moça do Jornal Nacional causou a maior confusão por essas bandas. É que depois de falar do aguaceiro que caía em Salvador, ela apontou para o mapa e quando disse o nome de Paulo Afonso, a imagem de algumas parabólicas deu uma travada. Alvoroço geral nas roças, telefonemas desesperados (“ela falou em chuva, foi?”), uma loucura.

Madrugo no sábado e o céu está limpo. No rio, canoas passam tranquilas, enquanto urubus curveteiam nos alísios. Um espirituoso vizinho, que viu a previsão, passa numa carroça de burro e puxo o assunto. Ele para, olha o horizonte e provoca: “se você tá falando da chuva, parece que vem mesmo, só que no ônibus da Regional. Mas a moça disse que ela desce lá em Alagoinhas.” O verão promete.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na ribeira baiana do Rio São Francisco.

Gil e Torquato em mais que perfeita combinação tropicalista.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)



Bahia em Pauta reproduz neste domingo, 12 de novembro, em seu espaço principal de informação e opinião, a mensagem postada ontem na área de comentários pela escritora Lucia Jacobina, colaboradora deste site blog, de pesar e tributo, diante da morte repentina do escritor e cientista político baiano, de referência internacional, Luiz Alberto Moniz Bandeira, aos 81 anos, na sexta-feira, na Alemanha.

BP subscreve cada palavra da mensagem de Lucia: na surpresa, na dor, no sentimento de ausência e enorme vazio intelectual, cultural e afetivo, que se abre como buraco sem fundo, nesta hora da irremediável partida de Moniz Bandeira. A Bahia, o Brasil e o mundo inteligente seguramente opreservarão na memória. Isso reconforta nesta hora triste. Morre Moniz Bandeira, Viva Moniz Bandeira!!! (Vitor Hugo Soares, pelo Bahia em Pauta).
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Moniz Bandeira, em memória

Lucia Jacobina

Prezado Vitor,

É com profundo pesar que leio a notícia do desaparecimento de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

A Bahia, terra onde ele nasceu e amava profundamente, e o Brasil perdem uma das expressões de sua intelectualidade, um pensador atuante e plenamente lúcido aos 81 anos, às vésperas de completar 82 anos em dezembro próximo.

Escreveu uma obra extensa onde se dedicou a analisar e interpretar a situação política e econômica principalmente enfocando o Brasil e o continente americano.

Dedicou todo este ano de 2017 para atualizar e reeditar dois de seus livros “Lenin – Vida e Obra” e “O Ano Vermelho” que a Editora Civilização Brasileira acaba de disponibilizar nas livrarias. “O Ano Vermelho”, que traz como subtítulo “”A Revolução Russa e seus reflexos no Brasil”, possui o duplo significado de rememorar o centenário da revolução russa e comemorar para o autor o cinquentenário de lançamento da primeira edição.

Infelizmente, extinguiu-se ontem a existência de um homem valoroso que lutou com desassombro por seus ideais.

LUCIA JACOBINA

E tudo o que fez permanecerá como exemplo.


Torquato Neto no filme “Nosferato no Brasil”


DA UOL/FOLHA/ILUSTRADA

CLAUDIO LEAL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Atropelado na avenida Ipiranga, em São Paulo, Tom Zé não encontrou em Torquato bons ouvidos para queixas. “Seus sapatos voaram longe?”, perguntou-lhe o poeta. “Estou com uma dor enorme nas costas e você me pergunta pelos sapatos?”. Sim, insistiu: “Os sapatos de todos os atropelados voam longe. E os seus?”. Tom Zé admitiu: “Não é que voaram longe?”.

Em frente ao TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), no bairro da Bela Vista, porque eram “nordestinos ou tropicalistas”, Torquato afligiu-se com o carro veloz: “Vamos rápido! Aquele ali já nos viu”. Na ressaca do tropicalismo, um ficou em São Paulo, o outro, no Rio. Nunca mais atravessaram juntos a rua.

No final de 1968, passada uma tentativa de suicídio, o poeta pediu à figurinista Regina Boni, numa clínica em São Paulo: “Fique comigo”. Regina viveria encontros mais doces com Torquato e sua mulher, Ana –nenhum deles com jeito de despedida.

No elevador da avenida Rio Branco, 14, onde trabalhava numa empresa de navegação, o poeta e produtor Hermínio Bello de Carvalho dividia sempre segundos com Torquato, que seguia para a gravadora Mocambo. Chocado com a morte do vizinho de repartição, Hermínio descreveu num poema “sua boca larga, cheia de dentes e poesia”.

No Quartier Latin, em Paris, o letrista Ronaldo Bastos morou na mesma pensão de Torquato. Em 1969, flanavam, bebiam e pensavam no Brasil. O teto do quarto de Ronaldo era forrado de poemas. Torquato dizia que o poeta beat Allen Ginsberg havia morado ali. Nasceram versos: “Saiba, Ronaldo, acontece/ uma vez em qualquer vida:/ as teias que a gente tece/ abrem sempre uma ferida”. No Brasil, se viam menos. O último encontro foi num show de Milton Nascimento.

“NAVILOUCA”

Torquato levou ao porto o artista plástico Luciano Figueiredo, que embarcaria para Londres, onde era esperado por Óscar Ramos. A amizade nasceu após a tropicália, em 1970. Nunca tiveram um papo íntimo. Luciano e Óscar criaram o projeto gráfico da “Navilouca”, revista vanguardista liderada por Torquato e Waly Salomão, inimigos das caretices panfletárias. Luciano despediu-se de um homem “amável e essencialmente calado”, que morreria 20 dias mais tarde.

“A transa da ‘Flor do Mal’ é simples como uma fórmula mágica.” Em 1971, na coluna “Geléia Geral” (“Última Hora”), Torquato festejava o jornalista Luiz Carlos Maciel por levar às bancas o nanico “Flor do Mal” e a versão brasileira da revista “Rolling Stone”. Ana Duarte trabalhava com Maciel no “Pasquim”, que editava o tabloide “Flor do Mal”. Maciel viu o tropicalista pela última vez na porta do jornal, à espera de Ana, com quem foi de mãos dadas para casa.

Um desencontro na contracultura. Exilado entre 1965 e 1972, o compositor Jorge Mautner não ficou amigo de Torquato. De volta ao Brasil, apenas o cumprimentou duas vezes em festas cariocas. Entristeceu-se com a morte prematura do “homem que levava tudo aos extremos”.

O cineasta Ivan Cardoso, autor das célebres imagens de Torquato em “Nosferato no Brasil” (1970), diz que não conheceu o “dark side” do poeta. Ele se considera lançado pelo amigo como diretor e fotógrafo. “Nunca o dirigi. Ele tinha dentro dele o personagem do vampiro. Torquato é o Nosferato que está na tela.” Cardoso levou o tropicalista ao Carnaval da Bahia, em 1972. Minutos após a exibição de um filme de Rogério Sganzerla, no MAM (RJ), convidou Torquato para ir ao casamento de Graça, irmã de Nelson Motta. Torquato preferia festejar o próprio aniversário num bar na Usina. Era a noite de 9 de novembro de 1972.

CAJUÍNA

No Carnaval de Salvador, reencontrou Caetano Veloso e Gilberto Gil, recém-chegados do exílio em Londres. Ele e Ana apareceram na casa de Caetano e Dedé. Torquato percorreu as ruas do centro para conferir a Caetanave, trio em homenagem ao compositor baiano. Celebraria a folia em sua coluna na “Última Hora”: “Quem não foi perdeu. E não está com nada, por enquanto”. Gil viajava ao Rio com mais frequência e ainda reviu o parceiro. Caetano, que se despediu de Torquato no Carnaval, comporia “Cajuína” em 1979, impactado pela visita a Heli, o pai do amigo, em Teresina: “Existirmos: a que será que se destina?”.

Deste Carnaval restou uma cena definitiva para a atriz Helena Ignez. “Louca de paixão” pelo cineasta Rogério Sganzerla, apoiado pelo poeta na artilharia contra o cinema novo, ela não via nada à sua frente. Guardou a lembrança de “encontros demolidores”. O mais claro: Torquato atrás de um trio elétrico, espremido pela multidão da Praça Castro Alves.

Ao poeta e tradutor Duda Machado, seu amigo desde 1961, na Bahia, revelou um projeto novo, pouco antes de morrer: um livro de poemas.

Nas Dunas do Barato, em Ipanema, o poeta Jorge Salomão dividia a areia com seu irmão, Waly, e com Torquato. Antes da estreia do show “Luiz Gonzaga Volta para Curtir”, dirigido por Jorge, Torquato dava pulos de alegria com o Rei do Baião. No Café Lamas, perto do fim, parecia ter uma chama intensa e enigmática. Mas divertia-se. Na manhã de 10 de novembro de 1972, um telefonema acordou Jorge em seu quarto no Vidigal. Aos 28 anos, o chapa Torquato se suicidara na madrugada, abrindo o gás do aquecedor do chuveiro.


DEU NO G1/ JORNAL NACIONAL

Por G1, Brasília

Aécio Neves diz que PSDB sairá do governo Temer ‘pela porta da frente’

O senador Aécio Neves (MG), presidente afastado do PSDB, afirmou neste sábado (11), durante convenção em Belo Horizonte, que o partido deverá, em breve, sair do governo Michel Temer. Ele defendeu, porém, que a sigla defina o momento certo para o desembarque.

A declaração de Aécio vem em um momento de turbulência interna no PSDB. Na última quinta-feira (9), o senador tucano destituiu da presidência interina do partido o colega parlamentar Tasso Jereissati (CE). Horas depois, Tasso afirmou que os dois têm diferenças “muito profundas”, entre elas o “comportamento político, comportamento ético, visão de governo, fisiologismo”.

Ao comentar a fala de Tasso, Aécio Neves refutou o que chamou de “pecha” que, segundo ele, querem colocar no PSDB, de que a permanência no governo Temer se dá por fisiologismo.

“Vejo também uma falsa discussão nesse momento como se a questão central para o PSDB fosse sai ou não sai do governo, sai amanhã ou sai depois de amanhã do governo. Essa é uma falsa questão que só serve, na verdade, a interesses de uma eleição interna [para presidente do partido]“, disse Aécio.

“Há um convencimento de todos nós que está chegando o momento de realmente da saída. E quero aqui sugerir, [...] aos dois candidatos colocados, o governador Marconi Perillo e o senador Tasso Jereissati, que convoquem os ministros do PSDB para uma reunião e definam com eles, de forma clara, o momento desta saída. Vamos sair pela porta da frente. Da mesma forma que entramos”, pediu o senador.

Aécio estava licenciado da presidência do PSDB desde maio e, nesse período, Tasso comandou a legenda de maneira interina.

De lá para cá, os grupos dos dois senadores se distanciaram, principalmente porque Aécio defende a permanência do partido no governo do presidente Michel Temer, e Tasso, o desembarque.

Ao destituir Tasso do comando da legenda, Aécio indicou para a presidência interina o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. A justificativa foi a de que Tasso, ao se lançar como candidato, não poderia permanecer no comando do PSDB para não desequilibrar a disputa.

Durante a entrevista deste sábado, Aécio afirmou que o apoio ao governo Temer se deu não pelo “fisiologismo”, e sim “por responsabilidade”. Ele defendeu a aliança, justificando que o apoio ao Planalto foi fechado em torno de uma agenda reformista par ao país.

“Não posso aceitar agora esta pecha que alguns queiram colocar que a presença do PSDB é fisiológica. Ela não é”, afirmou Aécio, que também criticou a ala jovem do partido, os chamados “cabeças pretas”.

Segundo o senador tucano, essa ala da legenda não defende a agenda de reformas “com o mesmo ímpeto” que defende a saída “abrupta, pirotécnica” do governo.

nov
12
Posted on 12-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-11-2017


Gabriel Renner, no jornal Zero Hora (RS)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Ecclestone sugere Putin para governar o Brasil

A complacência nacional com bandidos é tamanha que Bernie Ecclestone sugere alguém como Vladimir Putin para governar o Brasil.

O Antagonista reproduz abaixo um trecho da entrevista concedida à Folha pelo empresário inglês que vendeu a FOM (Formula One Management), dona da Fórmula-1, por US$ 8 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) para a Liberty Media, dos EUA, e cuja sogra brasileira foi sequestrada em 2006 em nosso país.

Leiam, por favor:

“Casado com uma brasileira, o senhor acompanha as notícias sobre o país?
É difícil acompanhar. Todo dia acontece alguma coisa. Parece que todo mundo no Brasil é corrupto. Pela imprensa, passa a ideia de que a briga é política.

Do que o Brasil precisa?
O Brasil precisa absolutamente de alguém como [Vladimir] Putin [presidente da Rússia]. Ele resolveria tudo.

Putin é um líder muito controvertido.
Mas ele funciona. Ele lidaria com as pessoas que fazem mal ao país de uma forma que elas não ficariam tão felizes.

Faz um ano e meio que aconteceu o sequestro da mãe de sua mulher.
A pena de 14 anos de prisão que os sequestradores tiveram mostra que o sequestro não é um mau negócio no Brasil. Esperávamos 20 anos.

Como o sequestro mudou a vida de vocês?
Mudou por causa da família de Fabiana. Os pais dela passaram uma temporada em Londres. Agora voltaram. O juiz tomou a decisão com base nas informações do processo. Imagine que eles mandaram um e-mail para Fabiana dizendo: ‘Escolha a música que você quer que toquemos para sua mãe. Vamos matá-la agora.’

[A mulher de Ecclestone, Fabiana, interrompe o marido e afirma: ‘É difícil para o juiz avaliar essa tortura. Ele leu um e-mail. Mas imagina o que sentimos com minha mãe desaparecida por oito dias, lendo e-mails como esse e assistindo a um vídeo de uma pessoa sendo decapitada? Eu estava do outro lado do mundo, com instruções para não vir para o Brasil, porque poderia ser uma quadrilha internacional e eu poderia ser sequestrada também.’]”