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09


DO PORTAL G1

Por TV Globo

A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida.

Nele, minutos antes de ir ao ar num vivo durante a cobertura das eleições americanas do ano passado, alguém na rua dispara a buzina e, Waack, contrariado, faz comentários, ao que tudo indica, de cunho racista. Waack afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza, mas pede sinceras desculpas àqueles que se sentiram ultrajados pela situação.

William Waack é um dos mais respeitados profissionais brasileiros, com um extenso currículo de serviços ao jornalismo. A Globo, a partir de amanhã, iniciará conversas com ele para decidir como se desenrolarão os próximos passos.

BOM DIA!!!


FERNANDO VICENTE

DO EL PAÍS

OPINIÃO

Entre os monges

Mario Vargas Llosa

O mosteiro está cercado de montanhas e florestas que, neste pleno outono, exibem com orgulho suas cores acobreadas e douradas. A parte mais antiga do lugar, o altar, é românica, do século XI, e o resto da igreja é de estilo gótico do século XVI. O enorme edifício foi desfeito e refeito várias vezes, mas as antiquíssimas pedras estão sempre lá, enormes, imortais, preservando o silêncio.

É o que mais me impressiona, fora da regra de São Bento, escrita no século VI, que continua regulando o funcionamento deste e de todos os mosteiros beneditinos no mundo; com algumas adaptações à época, é claro, como a supressão dos castigos corporais e a exclusão das crianças abandonadas que, pelo visto, eram acolhidas pelas comunidades medievais. Há vinte e um monges, três deles noviços, neste onde passo quatro dias, uma experiência que desejava ter desde que li A Montanha dos Sete Círculos, de Thomas Merton, há muitos anos. O abade está feliz porque há três outros possíveis noviços em perspectiva. A continuidade do mosteiro parece, portanto, assegurada.

O silêncio é tão intenso que é possível ouvi-lo e, quando alguém fala dentro do recinto, apenas sussurra e sintetiza, com a má consciência de estar cometendo uma falta. Que os monges quase não falem entre eles não significa que estejam calados. É exatamente o contrário. Das seis da manhã às dez da noite eles cantam sem cessar, em latim, vigílias, laudes, terça, sexta e nona, vésperas e completas, além das missas diárias, todas cantadas, e os rosários vespertinos. Mas, nas tardes de quinta-feira, eles têm uma recreação; podem sair para passear no campo, sempre em grupo, e conversar entre eles. O silêncio é rigoroso no refeitório na hora das refeições, durante as quais um monge lê sempre em voz alta textos piedosos, vidas de santos ou informações religiosas.

A televisão e o rádio são proibidos, mas o mosteiro recebe dois jornais – não pude averiguar quais –, de modo que os monges não estão totalmente desinformados do que acontece do outro lado destas altas muralhas entre as quais escolheram passar o resto de suas vidas. No entanto, tive a impressão de que o que acontece longe, no século, não lhes interessa muito. Se eles se interessassem, talvez lhes fosse mais difícil aceitar essa existência feita de silêncio, pobreza e solidão, de rituais e orações sem fim, de tempo que não flui, mas que gira sobre si mesmo. São dias muito graves para a Espanha, talvez os piores de sua história, quando uma conjuração separatista parece estar prestes a provocar uma catástrofe sem precedentes no reino mais antigo da Europa; e, no entanto, aqui, ao meu redor, ninguém parece se alterar com essa perspectiva. Somente na missa de domingo o abade, com austeras palavras, pede orações pela Espanha e pela Catalunha.

Ninguém parece triste aqui e muito menos desesperado; é contagioso o entusiasmo e a alegria com que os monges entoam os salmos na igreja

Ninguém parece triste aqui e muito menos desesperado; é contagioso o entusiasmo e a alegria com que os monges entoam os salmos na igreja, as belas vozes que se distinguem durante a rica liturgia. Há alguns velhinhos entre eles – e um que “já perdeu a cabeça” –, mas a maioria está na flor da idade, como o bibliotecário que na biblioteca do claustro me mostra, feliz, dois incunábulos e uma primeira edição de San Juan de la Cruz. E como o abade, homem sábio, muito culto, o único com quem chego a ter uma ameaça de conversa. Na ordem, de acordo com ele, funciona uma genuína democracia; os monges escolhem seu abade e também podem depô-lo quando pensam que não está à altura de suas funções. Dentro da regra de São Bento, cada comunidade é organizada como melhor lhe convier, tomando as maiores liberdades, sem se sujeitar a um único modelo. Nesta, por exemplo, tanto para aceitar um noviço quanto para admiti-lo no mosteiro depois de dois anos de noviciado, é necessário que pelo menos três quartos dos monges o aprovem. Nem todos os monges são sacerdotes; aqueles que o são tiveram de seguir, depois do noviciado, um mínimo de seis anos de estudo de teologia, sempre longe do lugar aonde mais tarde irão se enclausurar.

Muitos desistem? Pouquíssimos. A razão, segundo o meu interlocutor, é que não é nada fácil ser admitido na comunidade; esta deve estar convencida de que existe uma verdadeira vocação no aspirante, uma consciência clara do que perderá e do que ganhará. Quando fica mais ou menos evidente que ele não está em condições de continuar, a comunidade se adianta para persuadi-lo a desistir, pois existem outras maneiras de buscar a Deus e servi-lo.

Um agnóstico como eu pode apreciar totalmente o que significa a entrega desses homens (e as mulheres, porque a regra de São Bento também regula muitos mosteiros de freiras de clausura) a sua fé? Certamente não. É provável que só se possa entender que existem aqueles que escolhem um destino de isolamento, frugalidade, rotina e espiritualidade tão extremos caso se acredite que há outra vida depois desta, na qual um ser supremo sanciona o mal e recompensa o bem, e que esse é o melhor caminho do aperfeiçoamento e da saúde.

Eles nos defendem da desintegração política e moral, do retorno à selvageria primitiva, a esse mundo de instintos em liberdade

O que um agnóstico pode entender e admirar neste lugar e nessas pessoas é o que T.S. Eliot chamou de continuidade da cultura e da importância que as formas têm para a civilização. São Bento não foi apenas o expoente maior de uma crença religiosa, mas o precursor de uma forma de ser, de crer e agir que mudaria a história do mundo, lançando as bases de uma sociedade mais livre e mais justa do que a humanidade havia conhecido até então, de uma cultura que deixaria uma marca transcendente na história. Ela estava carregada de violência, é claro, e também de injustiças, como todas as histórias. Mas evoluiu, foi deixando para trás o pior que havia nela, o fanatismo, a intolerância, os preconceitos, foi aprendendo a coexistir com aqueles que a criticavam e negavam e, ao mesmo tempo, deixando testemunhos nas artes, na literatura, na filosofia, nos costumes, de algumas formas que distinguiam o belo do feio e do horrível, o mau do bom, o aceitável do inaceitável. Essa cultura tornou o mundo mais fácil de viver para milhões de milhões de pessoas. Por isso é necessária a sobrevivência de tal passado em um presente tão confuso como o nosso; é uma maneira de evitar retroceder de novo à barbárie. Isso não é impossível. A Espanha esteve na iminência de viver nestes dias essa regressão à pura barbárie que é o nacionalismo, um retrocesso a tempos que pareciam superados e que, no entanto, continuaram sempre aí, ameaçando das sombras ressuscitar ódios e inimizades, o velho fanatismo que está por trás de todas as matanças.

Estes monges talvez não saibam, mas, fazendo o que fazem, mantêm vivas as raízes da nossa civilização, nos defendem da desintegração política e moral, do retorno à selvageria primitiva, a esse mundo de instintos em liberdade no qual, segundo a metáfora de Georges Bataille, na jaula em que vivemos, todos os anjos poderiam ser devorados pelos demônios.

O apito soou. Dentro de cinco minutos, exatamente, o órgão começará a tocar, e os cantos gregorianos explodirão.

nov
09
Posted on 09-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-11-2017

DO BLOG O ANTAGONISTA

Dodge defende transferência de Sérgio Cabral

Em parecer enviado ao Supremo, Raquel Dodge defendeu a transferência de Sérgio Cabral para um presídio federal, barrada por Gilmar Mendes.

“A transferência atende aos requisitos legais e deve ser mantida, como forma de evitar que Cabral exerça sua condição de líder de organização criminosa, com força política e poder de influência no Rio, para obter e gozar de benefícios indevidos e receber informações privilegiadas aptas a causar embaraço ou ameaça às autoridades”, disse a assessoria da procuradora-geral.

nov
09
Posted on 09-11-2017
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Samuca, no Diário de Pernambuco

nov
09
Posted on 09-11-2017
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Tréllez sai para comemorar seu gol, o segundo do Vitória contra o Palmeiras (Betto Jr./CORREIO)

DO CORREIO DA BAHIA

Enfim, acabou. “Ôoooô, o Barradão voltou!” era o grito que ecoava nas arquibancadas do Manoel Barradas após o Vitória bater o Palmeiras, nesta quarta (8), por 3×1. Depois de 10 jogos, três meses, o Leão voltou a vencer em sua casa. De quebra, chegou a 38 pontos e deixou a zona de rebaixamento da Série A.

O jogo começou a mil. Aos 3, Fernando Prass disputou com Trellez e afastou mal. A bola sobrou pra Patric, que finalizou forte, mas o chute passou ao lado da trave direita palmeirense. Na segunda oportunidade do lateral-direito, ele fez certinho. Aos 6, Patric recebeu pela direita e achou Tréllez. O colombiano fez bem a parede para Yago, que limpou o zagueiro e bateu sem chance para Prass.

O Palmeiras tentou reagir com Keno, que fez um Carnaval na defesa rubro-negro mas não conseguir nem passar e nem finalizar. No contra-ataque, sua principal arma, o Leão ampliou. Tréllez foi lançado, ganhou de Juninho no corpo, arrancou e bateu por baixo de Prass. Aos 14, Vitória 2×0 Palmeiras.

O alviverde foi pro tudo ou nada e, cinco minutos depois, diminuiu. Keno cruzou e Dudu, de cabeça, fez 2×1. Logo depois, Keno achou Erik, que bateu cruzado e quase empata. Fernando Miguel salvou.

Mas o ímpeto paulista diminuiu e, mais uma vez no contra-ataque, o Leão ampliou. David recebeu lançamento e tocou errado. A bola ricocheteou em dois palmeirenses e sobrou pra Yago bater na saída de Prass, fazendo o segundo dele e o terceiro do Vitória.

O Palmeiras voltou com mais um atacante em campo, com inteções claras de partir pra cima, o que seria bom para o Leão encaixar um contra-ataque. Mas a primeira chance rubro-negra veio na bola parada. Yago cobrou falta lateral e Tréllez cabeceou para boa defesa de Prass.

O Palmeiras tinha a posse e tentava furar o bloqueio rubro-negro. Mas a melhor chance acabou sendo quando Wallace quase marca contra, mas Fernando Miguel salvou de ponta de dedo. No rebote, Wallace se redimiu e bloqueou chute de Moisés.

O jogo seguiu equilibrado, mas o Leão perdeu Uillian Correia, aos 18, expulso, após receber o segundo amarelo. O técnico Vagner Mancini preferiu resguardar sua defesa e tirou Fillipe Soutto, surpresa da escalação inicial, e Yago para as entradas de Ramon e Renê Santos.

O alviverde seguia tentando criar mas esbarrava no bom posicionamento do Leão na defesa e não conseguia entrar na área. Enquanto isso, o rubro-negro encontrava espaço no contra-ataque, mas, desgastado, errava demais nos passes.

Sem conseguir entrar, restava tentar de longe aos palmeirenses. Tchê Tchê bateu da intermediária e Fernando Miguel espalmou. No finalzinho, Róger Guedes bateu no alto, a bola pegou no travessão, na mão de Miguel e saiu. Era dia mesmo do Leão.