Do garimpo musical de Gilson Nogueira.

BOA TARDE!!!

nov
08


Segóvia, novo diretor da PF

DO JORNAL DO BRASIL (ONLINE)

O presidente Michel Temer oficializou na tarde desta quarta-feira (8) o delegado Fernando Segóvia como novo diretor-geral da Polícia Federal, em substituição ao também delegado Leandro Daiello. A definição foi feita em conjunto com o ministro da Justiça, Torquato Jardim.

Segóvia foi superintendente regional da PF no Maranhão, é formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e tem mais de 20 anos de carreira.

Nos últimos meses, o ministro da Justiça, a quem a corporação é subordinada, vinha manifestando publicamente a intenção de fazer a troca no comando da PF. A possível troca, no entanto, sofreu críticas de órgãos e entidades, que demonstraram receio de que o governo estivesse interferindo na Operação Lava Jato, que tem no alvo diversos quadros do PMDB e do governo Temer.

Em junho, ao ser questionado sobre a saída de Daiello, Torquato Jardim chegou a a afirmar, ao lado do então diretor-geral da PF, que a especulação era uma “pós-verdade”. Contudo, o ministro não havia feito qualquer afirmação assegurando que o delegado permaneceria no cargo.
Novo diretor-geral da PF foi escolhido pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim

A notícia da troca no comando da PF foi confirmada pelo Ministério da Justiça por meio de nota:

NOTA OFICIAL

O Ministério da Justiça comunica que o senhor Presidente da República escolheu nomear o Delegado Fernando Segóvia como novo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal.

Nesta mesma oportunidade, o ministro da Justiça expressa ao Delegado Leandro Daiello seu agradecimento pessoal e institucional pela competente e admirável administração da Polícia Federal nos últimos seis anos e dez meses.

O Delegado Fernando Segóvia é advogado formado pela Universidade de Brasília, com experiência de 22 anos na carreira. Foi superintendente regional da PF no Maranhão e adido policial na República da África do Sul, tendo exercido parcela importante de sua carreira em diferentes funções de inteligência nas fronteiras do Brasil.

DO PORTAL G1/ ÉPOCA

AGUIRRE TALENTO E MATEUS COUTINHO

Ex-assessor parlamentar do deputado peemedebista Lúcio Vieira Lima e do seu irmão Geddel, Job Ribeiro Brandão apresentou uma nova e grave acusação contra seus ex-chefes: afirmou que tinha um acordo para devolver 80% do seu salário aos peemedebistas, o que daria aproximadamente R$ 8 mil mensais. Os recursos eram entregues em dinheiro vivo por Job, segundo seu relato inédito, obtido com exclusividade por ÉPOCA, que indica um desvio dos recursos públicos usados para pagar o salário do assessor.

Atualmente preso em regime domiciliar após ter suas digitais encontradas em notas de dinheiro que faziam parte dos R$ 51 milhões no bunker que seria de Geddel Vieira Lima em Salvador, o ex-assessor apresentou uma nova petição ao Supremo Tribunal Federal na noite desta terça-feira (7), obtida por ÉPOCA, na qual faz essa nova acusação. No documento, a defesa pede que seja reduzida o valor da fiança porque o salário real de Job seria muito menor do que os R$ 14,3 mil brutos que constam no site da Câmara dos Deputados.

“Mesmo ciente das consequências da formalização de suas declarações, inclusive para a própria vida, mas convicto da necessidade de expor a verdade dos fatos, a fim de viabilizar o atendimento do que aqui se pleiteia, o investigado declarou a este causídico que, conforme acordado com os parlamentares, sempre devolveu, em dinheiro, cerca de 80% de sua renda”, diz a petição, assinada pelos advogados Marcelo Ferreira e Felipe Dalleprane.
Trecho de manifestação do ex-assessor Job Brandão ao STF (Foto: Reprodução)
Trecho de manifestação do ex-assessor Job Brandão ao STF (Foto: Reprodução)

Job esclareceu ainda que, quando ganhou uma função extra, sua remuneração aumentou. Isso porque ele passou a cuidar do pai dos peemedebistas, Afrísio Vieira Lima –uma função particular paga com recursos públicos. “Quando o pai do deputado adoeceu, em 2015, passou a devolver 70%, porque, além de suas tarefas habituais, passou a ajudá-lo nos cuidados com a saúde”, diz a petição.

Os advogados juntaram uma declaração escrita assinada por Job, sobre a qual se baseou a petição, e fotos mostrando que o ex-assessor é responsável por cuidar dos pais idosos, que dependem financeiramente dele. Juntaram ainda documentos comprovando os rendimentos líquidos, que, após os descontos obrigatórios, era de R$ 10,8 mil. Na prática, porém, como devolvia parte do salário, sua renda líquida estava em R$ 3,7 mil mensais. Job foi exonerado do cargo ocupado no gabinete de Lúcio Vieira Lima após ser alvo das medidas cautelares do STF.

O ministro do STF Edson Fachin havia reduzido de 100 salários mínimos para 50 salários mínimos (aproximadamente R$ 46 mil) a fiança estipulada para Job, mas ainda assim sua defesa argumenta que ele não tem condições de pagar.
Trecho de manifestação do ex-assessor Job Brandão ao STF (Foto: Reprodução)
Trecho de manifestação do ex-assessor Job Brandão ao STF (Foto: Reprodução)

“É exatamente por essas razões que o investigado não acumulou patrimônio, daí porque não procede a assertiva da PGR no sentido de sugerir ‘a probabilidade de que Job Ribeiro Brandão oculte patrimônio pessoal dos órgãos oficiais’ (fls. 1.429-1.434). Ao contrário, sua situação financeira é muito precária, ao ponto de estar efetivamente sujeito à prisão preventiva, porque, qualquer que seja a decisão de vossa excelência, não terá condições de pagar qualquer fiança”, afirmou a defesa.

Procurada, a defesa de Lúcio e Geddel informou que só irá se manifestar após ter acesso ao teor do documento.

Vai em homenagem à vitória jornalística do El Pais.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Redação de EL PAÍS. samuel sÁnchez


DO EL PAÍS

O jornal mais lido em espanhol no mundo chegou aos 100 milhões de leitores mensais. Esse é o número de usuários únicos que o EL PAÍS conquistou. Exatamente 100,3 milhões é o recorde absoluto marcado pelo jornal em outubro, de acordo com dados internos. Desse número, metade dos usuários vem de fora da Espanha, especialmente da América Latina. Com esse dado o EL PAÍS entra no top 10 mundial dos veículos de comunicação mais lidos do mundo na Internet, liderado pelo chinês Xinhua e no qual estão o The New York Times (2º) e o The Washington Post (6º).

No espaço de três anos, o EL PAÍS triplicou sua audiência digital, conquistando a liderança informativa na Espanha. Realizou esse feito após uma profunda transformação que o consolida como o líder mundial de referência da informação em idioma espanhol. Infográficos, programas de televisão e uma grande oferta de artigos de opinião e análise permitiram aos leitores do jornal abordar, entre outras coisas, a crise catalã de muitos ângulos.

A informação elaborada pelos jornalistas do EL PAÍS foi fundamental para esse sucesso, adaptada agora aos formatos e aos ritmos do produto digital: da seção de última hora, encarregada de registrar, comprovar e redigir as notícias ao mesmo tempo em que ocorrem as grandes coberturas em tempo real, os chamados “ao vivo”, que requerem o trabalho de uma equipe inteira de jornalistas, tanto na rua como na redação. É preciso acrescentar a repercussão em ascensão de reportagens, matérias investigativas e artigos exclusivos, que, com a colaboração das redes sociais, se transformam em conteúdos virais.

Neste cenário, é destacável também o progresso da edição brasileira do EL PAÍS. Prestes a completar quatro anos de existência no próximo dia 26, a versão em português se transformou numa referência jornalística no Brasil. Segundo os últimos dados oferecidos pela ComScore, o EL PAÍS Brasil somou, somente pelo indicador de audiência digital ComScore, 6,5 milhões de leitores no mês de setembro, um crescimento de 24% em relação a maio deste ano, e de 72% em comparação com setembro do ano passado. O número de páginas vistas chegou a 23 milhões em setembro, uma alta de 22% em relação ao ano passado.

A edição brasileira, que está entre os seis jornais mais lidos do Brasil, nasceu um ano depois do EL PAÍS América, elaborado na Cidade do México sob o comando de Luis Prados, que também alcançou cifras recordes, e contribuiu para os dados globais. No México, pelo terceiro mês consecutivo, superou-se o teto de leitores. O crescimento dos EUA também foi significativo: no mês passado, foram atingidos 3,9 milhões de usuários únicos, ou 117% mais que em outubro de 2016.

Também foi crucial nesse crescimento a aposta do jornal em blogs nos quais aborda a atualidade com uma perspectiva livre e facilmente distribuível em redes sociais, como o Mundo Global e o Diário da Espanha.

Outra das bases do crescimento foi a seção de vídeo. Em 1º. de outubro, o EL PAÍS vídeo, a parte televisiva do jornal, acompanhou detalhadamente o dia de votação na Catalunha com um programa ao vivo da Sagrada Família, dirigido por Carlos de Vega – subdiretor de Vídeo e Fotografia do EL PAÍS – e que significou o retorno de Marta Fernández como apresentadora. Entre os vídeos mais seguidos está La Voz de Iñaki, uma seção em que o jornalista Iñaki Gabilondo dedica alguns minutos a opinar sobre a atualidade. Assinaturas de destaque do jornal como Juan Cruz e José Ignacio Torreblanca participam dos espaços de vídeo.

“Uma das chaves do crescimento do vídeo é a distribuição multiplataforma. O EL PAÍS não está só na web, mas em todas as redes sociais, o que nos aproxima de outro tipo de audiência”, afirma De Vega, que destaca também a importância de plataformas tecnológicas como o YouTube: “A transformação digital desse ano trouxe uma grande novidade para nós com a incorporação do player do YouTube. Nosso vídeos estão bem melhores e podem ser vistos em todas as qualidades”.
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Outro motivo para as audiências expressivas de outubro foram os artigos de opinião, cuja leitura teve um crescimento superior ao das demais seções. O aumento dos usuários únicos de opinião é de 200% em um ano. Dos 10 conteúdos mais lidos durante o mês de outubro, 7 são editoriais e artigos opinativos. A seção recebe quase metade de seus leitores de fora da Espanha, com especial impacto dos artigos e colunas de Mario Vargas Llosa, Moisés Naím e Antonio Navalón.
Buscadores e redes

As redes sociais também alcançaram uma cifra histórica no mês passado. O EL PAÍS acumula 20 milhões de seguidores nas redes sociais, entre Facebook (11,4 milhões), Twitter (8,1 milhões) e Instagram (495.054). Não há outro jornal em espanhol no mundo com um volume tão grande de seguidores nas redes. Há anos, o EL PAÍS mantém uma estreita colaboração com empresas digitais como Facebook e Twitter, através das quais distribui sua informação.

Do mesmo modo, o EL PAÍS foi pioneiro, junto com o Google e os meios fundadores da Digital News Initiative (DNI), no desenvolvimento de formatos de publicação que facilitem a leitura de notícias em celulares. Recentemente, o EL PAÍS reforçou a segurança de seu ambiente na Internet para garantir uma maior privacidade aos leitores.
RANKING MUNDIAL DE VEÍCULOS

1. xinhuanet.com

2. nytimes.com

3. people.com.cn

4.theguardian.com

5.dailymail.co.uk

6.washingtonpost.com

7.telegraph.co.uk

8.express.co.uk

9.independent.co.uk

10.elpais.com

nov
08

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Em depoimento à Polícia Federal, obtido por O Antagonista, o ex-assessor parlamentar Job Brandão disse que recebia dinheiro vivo de Geddel Vieira Lima na casa de sua mãe.

Ele afirmou desconhecer o ‘bunker’ com os R$ 51 milhões e não soube explicar suas digitais no local.

“O dinheiro era apresentado, em regra, em envelopes pardos e as somas giravam em torno de R$ 50.000,00 e R$ 100.000,00. A contagem era feita em sala reservada que funcionava como gabinete.”

Job disse ter recebido dinheiro também num posto de gasolina em salvador, no bairro Stella Maris, fechado há mais de um ano para reformas. “Nesse caso, os valores giravam em torno de R$ 10.000,00 e R$ 15.000,00.”

Segundo o assessor, as somas eram recolhidas, às vezes, por um motorista ou por familiares de Geddel. O dinheiro era então depositado numa conta vinculada ao próprio posto no banco Bradesco.

Ele disse desconhecer a origem e o destino da bufunfa que manuseava.

nov
08
Posted on 08-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-11-2017


Mario, no jornal Tribuna de Minas (MG)

DO EL PAÍS

Pablo Guimón
Pablo Guimón
Londres

A política britânica desencadeou um processo de realização de uma profunda faxina na cultura de abuso sexual que vem sujando os seus corredores há vários anos. Vários deputados estão sendo investigados após uma avalanche de acusações de assédio que já provocou a queda de um ministro e acertou um novo golpe contra o Governo de Theresa May. A primeira-ministra se reuniu na tarde desta segunda-feira com os demais líderes de partidos para definir mecanismos de denúncia mais eficazes e cobrou que haja “uma nova cultura de respeito”.
Líderes dos partidos britânicos se reúnem para discutir o escândalo de assédio sexual em Wesminster
Líderes dos partidos britânicos se reúnem para discutir o escândalo de assédio sexual em Wesminster Dan Kitwood Getty Images

Um mundo dominado por homens poderosos. Um fluxo constante de jovens idealistas que sonham em chegar ao topo. Longas jornada que tornam fluidas as fronteiras entre vida pessoal e vida profissional. Relações trabalhistas frágeis, critérios de contratação nebulosos. Viagens, hotéis, segredos, festas, bebida. Hollywood? Sim, mas também Westminster. A onda expansiva do escândalo protagonizado pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, que supostamente usou sua posição de poder para abusar sistematicamente de atrizes, atingiu o centro do poder político britânico.

Na semana passada, o ministro da defesa, Michael Fallon, pediu demissão. Seu comportamento no passado, admitiu, esteve “abaixo dos elevados padrões exigidos”. Outros sete deputados conservadores estão sendo investigados pelo partido. Entre eles, Damian Green, na prática o número dois de May e um de seus mais antigos aliados políticos. O Partido Trabalhista também investiga acusações contra quatro de seus parlamentares.

“Precisamos instituir uma nova cultura de respeito no centro de nossa vida pública. Uma cultura sob a qual todos possam ter a certeza de trabalhar em um ambiente seguro, onde as queixas possam ser feitas sem preconceitos e as vítimas saibam que os casos serão investigados adequadamente”, disse a primeira-ministra nesta segunda-feira antes de se reunir no final da tarde com os líderes dos demais partidos para definir uma resposta conjunta para a questão.

Tudo começou com uma lista de 40 nomes que circulou na semana passada nos círculos políticos de Wesminster, produzida de forma anônima e sem verificações, que mistura rumores de comportamentos inadequados e acusações de agressões sexuais graves. O fato provocou a abertura de um debate pertinente a respeito de como as mulheres são tratadas no mundo político britânico. “O dique foi rompido”, comentou Ruth Davidson, a jovem líder do Partido Conservador escocês. Com efeito, começam a vir à tona as ruínas de uma cultura sexual abusiva que reinou ao longo de décadas nos corredores do poder.

Mulheres trabalhistas anônimas criaram um site, chamado LabourToo, para que suas companheiras possam “compartilhar confidencialmente as suas queixas de abusos sexuais, assédio e discriminação dentro do partido”. Conforme explicou uma de suas responsáveis ao EL PAÍS, o objetivo é “fazer uma compilação dos tipos de abusos sofridos pelas mulheres”. “É uma coisa que acontece em toda a sociedade”, acrescenta. “Mas o problema, aqui, é que o mecanismo de denúncia não funciona. O relato é feito a alguém dentro do partido que não é independente e que tampouco teve treinamento nessa área”.

Os líderes dos partidos decidiram conjuntamente nesta segunda-feira criar um novo órgão, independente e sem ligação com as máquinas partidárias, para receber as denúncias. Estudam também uma proposta de que as equipes dos deputados não sejam contratadas diretamente por eles mesmos, mas que isso seja feito por meio do Parlamento. O trabalhista Jeremy Corbyn propôs, ainda, que os deputados recebam uma formação sobre como lidar com seus funcionários e que os sindicatos sejam envolvidos na luta contra o assédio.

Os parlamentares têm hoje em dia total liberdade para contratar ou demitir os membros de sua equipe. Estes funcionam em termos legais como autônomos: se uma assessora de um deputado se sente maltratada, não tem, em princípio, a quem se queixar além do seu superior hierárquico imediato, que é o próprio parlamentar. Se ela consegue avançar para além disso, o mais provável é que se tente silenciá-la apelando à lealdade para com o partido. Diferentemente do que ocorre em Hollywood, todos em Westminster pertencem a alguma equipe. E os escândalos varridos para debaixo do tapete constituem uma verdadeira munição nas mãos dos responsáveis pela disciplina partidária para conter qualquer esboço de rebelião.

O escândalo tem o potencial de minar ainda mais a reputação dos deputados, que já registram índices de confiança abaixo dos banqueiros, jornalistas ou corretores imobiliários. Ao mesmo tempo, já gerou uma saudável mudança cultural. Para cada deputado veterano que se inquieta perguntando a si mesmo se passou dos limites em algum momento de sua carreira há uma funcionária jovem para demonstrar que esses comportamentos não devem ficar impunes.
Os deputados investigados

No Partidos Conservador, além de Michael Fallon, ministro da Defesa que renunciou ao posto, e Damian Green, número dois de May, são investigados os deputados Stephen Crabb, Charlie Elphicke, Chris Pincher, Dan Poulter e Daniel Kawczynski. Também integra a lista o secretário de Estado Mark Garnier, que mandou uma funcionária, a quem chamava de “seios de açúcar”, lhe comprar brinquedos sexuais. Nas fileiras do trabalhismo, são investigados os deputadosKelvin Hopkins, Clive Lewis, Ivan Lewis e Jared O’Mara. Além disso, uma jovem ativista afirmou ter sido estuprada durante um evento do partido em 2011 e que um alto dirigente do mesmo a aconselhou a não tornar público o caso.
Novo golpe contra um Governo fragilizado

Um ministro demitido, um deputado expulso do partido e outros seis sob investigação sob acusação de assédio. Entre eles, Damian Green, o número dois de May. O escândalo dos abusos sexuais em Westminster acertou, desde já, um forte golpe contra o frágil Governo de Theresa May, e o caso ainda está longe de ter sido encerrado.

Green é uma peça-chave do Governo. Uma figura discreta que costuma desfazer as tensões constantes e serve como ponte, assim como Michael Fallon, o ministro da Defesa demitido, entre as duas facções que se confrontam em relação ao Brexit. Uma jornalista o acusa de tê-la tocado no joelho e enviado mensagens insinuantes pelo telefone. Um ex-dirigente da Scotland Yard afirma que a polícia encontrou material pornográfico em seu computador de trabalho. Green, que nega as acusações, foi interrogado nesta segunda-feira nos marcos de uma investigação interna de que é objeto. Duas deputadas conservadoras pediram que ele seja afastado do cargo durante a investigação.

O futuro de Green está em questão, e sua eventual queda seria difícil de suportar por um Governo extremamente fragilizado. May perdeu boa parte de sua autoridade em junho passado, quando perdeu a maioria absoluta nas eleições que ela mesma havia antecipado acreditando poder, com elas, reforçar o seu poder em meio às negociações para o rompimento com a União Europeia. Essas negociações estão atualmente travadas, e a primeira-ministra, longe de se recuperar, viu a sua margem de manobra ainda mais reduzida, prensada entre os dois grupos que travam uma guerra, dentro do Governo, em relação ao Brexit.

May reagiu à saída de Fallon substituindo-o pela responsável pela disciplina do partido, o que provocou críticas entre os próprios deputados conservadores, alguns dos quais avaliam que somente a fragilidade paralisante de May é que a impediu de promover uma mudança de maior alcance. Caso Green caia, a pressão poderá aumentar até se tornar insustentável.

Os conservadores, além disso, já se preparam para eventuais eleições parciais que seriam convocadas caso as acusações provoquem a demissão de algum deputado. Com uma maioria de apenas 12 cadeiras, da qual dispõe graças a um acordo com os unionistas da Irlanda do Norte, qualquer perda seria muito grave.

O efeito bola-de-neve já leva muitos a lembrarem do escândalo de abusos em gastos oficiais que abalou a política britânica em 2009. Como ocorreu no caso do primeiro-ministro trabalhista da época, Gordon Brown, muitos criticam May por ter limitado sua reação, em um primeiro momento, a um ajuste burocrático. Para a segunda mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro, que sempre lutou pelos direitos das mulheres na política e que colocou no centro de seu mandato o combate contra as injustiças, o que se vê agora é uma crise que lhe caberia sob medida para operar a guinada de que ela necessita. No entanto, como denuncia uma deputada trabalhista que prefere se manter anônima, “no final das contas, ela prefere pisar em ovos, apresentando, mais uma vez, a imagem de um Governo que está à mercê dos acontecimentos”