“Minha”, primorosa composição de Francis Hime e Ruy Guerra segue empolgando na tarde do BP. E Bennett é o dono da voz, na preciosidade de gravação garimpada por Gilson Nogueira.

BOA TARDE

(Vitor Hugo)

EM TEMPO: Quem escuta o velho Tony exclama, no ato, Minha!!! Sem trocadilho.
(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

PT vai para o ataque contra o neto de ACM na Bahia

Pelo menos dez prefeitos de capital são cotados para concorrer em 2018 a outros cargos, como registramos aqui.

Um deles é o prefeito de Salvador, ACM Neto, que nesse vaivém para compor as chapas presidenciais chegou a ser citado em uma possível aliança com João Doria no chamado “novo DEM”, partido em (re) construção.

Na Bahia, porém, seus interlocutores dizem a O Antagonista que sua candidatura ao governo está praticamente certa. A estratégia de seus assessores é convencê-lo a se assumir logo como postulante ao Palácio de Ondina.

Enquanto isso, os ataques petistas, do atual governador Rui Costa — que, óbvio, tentará a reeleição — e de Jaques Wagner — que, por enquanto, é o candidato do PT ao Senado — só aumentam, à medida que pesquisas locais mostram o neto de Antônio Carlos Magalhães bem colocado.



Mulheres, mulheres ( crônica que abre o livro A Mulher necessária).Bahia em Pauta recomenda. Vivamente. (Vitor Hugo Soares).

CRÔNICA
Um amigo me disse que gostaria de ter todas as mulheres do mundo. Tentei compreender. Um sonho masculino de possessividade ou um desejo consumista ou até um impulso incontrolável, pensei. Mas, sabendo que é um homem maduro, quarentão, concluí, talvez precipitadamente, que é uma atitude adolescente, de buscar , conquistar, obter, caçar, ou seria um atributo biológico do macho procriador a tentar garantir a prole, perpetuar a espécie, ainda que inconscientemente?

Mulheres, somos de tantas espécies, e acabamos metidas num mesmo caldeirão cultural, submetidas em histórias de machismo e opressão, mas não é verdade que isso nos aconteça a todas. Há as modernas, avançadas nos séculos, independentes financeiramente e com emoções racionalizadas. As que aprenderam a comportar-se como eles, e também querem ter todos os homens do mundo. Como os predadores, elas conquistam e abandonam, escolhem, usam e largam no meio do caminho os tais homens que ainda pensam que todas são iguais.

Mulheres, somos de tantas origens, e entrelaçadas em costumes ou medievais ou estritamente sensuais, ultrapassando as barreiras das religiões ou códigos de costumes. As que se libertaram dos próprios medos e perseguiram o sucesso profissional, que abriram mão da maternidade, que dispensaram o casamento.

Mulheres, somos de tantas loucuras e tantos amores, de tantos ideais e de tantos preconceitos, somos tão diferentes, e no entanto, nos parecemos tão iguais, aos olhos dos homens desavisados.

Um homem que deseja ter todas as mulheres do mundo, as têm no sonho, evidentemente, e nem sempre as consegue ter, nem uma parcela delas, de verdade. Porque se as conseguem atrair para a cama, nem sempre levam junto suas almas, e na maioria das vezes, conhecem seus corpos e sexualidade. Mulheres enganam demais os homens, fingem se submeter enquanto dominam, dissimulam desproteção ao passo que se garantem na sobrevivência e ainda, lhes somam as estatísticas, com um tempo de vida média mais extensa que a dos homens, que parecem cuidar-se menos fisicamente ou desgastarem-se mais rapidamente.

Mulheres, somos de tanta viuvez, de tantos abandonos, de tantas solidões, mas somos um bando que atravessa o tempo, e carregamos tal mistério de bruxas, ou no coração, ou no entre-pernas, ou nos olhos, nas bocas e nos braços, que nem mensuramos o quanto somos diversas e tão parecidas, sejamos jovens ou senhoras, gordas ou magricelas, altas ou baixotinhas, há em nós uma aura de impressionante expressão.

Meu amigo tem razão. É preciso desejar todas e tentar ter algumas, talvez conseguir uma em profundidade, para perder-se dentro dela, e conhecer uma de nós, verdadeiramente.

Aparecida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida.

———————-

Incrível maneira de amar e de fazer canção apaixonada de Fracis Hime (com Ruy Guerra, na letra). Confira em duas versões.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Olivia e Francis Hime no dia de seu casamento, em 1969 com o padrinho Dori Caymmi (de bigode)

DA FOLHA DE S. PAULO/UOL

FRANCIS HIME

“Porque o samba nasceu lá na Bahia,/e se hoje ele é branco na poesia,/ele é negro demais no coração”. Estes versos de Vinicius de Moraes talvez sejam os que mais me transportam para ares baianos, provocando em mim uma sensação de ligação com a “boa terra”.

O amor pela Bahia vem de longe, passando por tantos de seus personagens, a começar por Dorival Caymmi —de quem, desde criança, ouvia aquela bolacha maravilhosa de suas canções praieiras, só voz e violão. Melodias primorosas, de uma beleza realçada pela simplicidade tão comovente. E aquela voz que nos levava para um mundo de sonhos.

Reencontrei a música de Caymmi quando, anos mais tarde, minha mulher, Olivia, gravou o disco “Mar de Algodão” (uma referência à vasta cabeleira branca de Dorival), formado de três suítes sinfônicas sobre aquelas canções que tanto me tomavam. Emocionou-me muito quando li, em um songbook meu, um depoimento de Stella, mulher de Dorival:

“Francis nem sabe disso, mas ele marcou a minha vida e a de Dorival. Foi dia 30 de abril de 1965, no show no Beco das Garrafas [no Rio]. Fui assistir ao meu filho Dori e lá o encontrei fazendo parceria com Francis. Dorival estava em Los Angeles, e era nosso aniversário de casamento. Quando ele cantou ‘Minha’, fui inundada de amor. Ele nem sabe disso, mas adotei-o como filho, desde esse dia”.

Na verdade, quem cantava a música, minha com letra de Ruy Guerra, era Dori, meu querido amigo e padrinho de casamento. Stella se refere ao primeiro show que fiz em minha carreira artística, nós dois cantando e tocando músicas nossas e de outros colegas, no templo da bossa nova.

Eu seguiria cruzando com outros baianos nas minhas andanças musicais. Como na ocasião em que fiz a direção do show “Pois É”, que reunia Vinicius de Moraes, Maria Bethânia e Gilberto Gil.

Gil tinha aqueles sambas sensacionais da fase pré-tropicalista: “Roda”, “Louvação”, “Ensaio Geral”. E Vinicius, maravilhado, dizia: “Pessoal, tem que prender este baiano, que ele é bom demais!”. De quebra, Gil ainda cantava um samba meu e do poetinha, “Tereza Sabe Sambar”, com ginga e balanço tão envolventes que parecia música dele mesmo.

Nesta época, fiquei muito próximo de Caetano Veloso, para quem já havia feito três arranjos no seu antológico disco “Domingo”, com outra baiana, Gal Costa, que na época ainda se chamava Gracinha.

Eram tempos que prenunciavam o movimento tropicalista, que surpreenderia o mundo musical e às vezes sofria rejeição de músicos mais tradicionais. Eu, apesar de ser de certa maneira “cria” da bossa nova, achava que a diversidade musical era bem-vinda e sentia —como hoje— que esta pluralidade é o nosso maior tesouro.

Certa noite, fui assistir ao show que Caetano fazia na Sucata, uma casa noturna no Rio, onde ele apresentava muitas de suas composições na nova linha tropicalista.

Gostei muito do espetáculo e, ao final, fui ao camarim para parabenizá-lo. Ao me avistar, Caetano foi logo dizendo: “Que bom que você veio nos ver, até agora foi o único músico que apareceu por aqui”.

Algum tempo depois, Olivia e eu fomos passar nossa lua de mel em Salvador. Não gostávamos muito de avião (Tom Jobim dizia que o problema do avião é que a oficina fica lá embaixo). Assim, pegamos um navio que ia até Manaus e saltamos na capital baiana.

Lá, nossos cicerones eram Caetano e Dedé (com quem ele era casado), que nos levaram para conhecer os belos recantos daquela adorável metrópole. Carregaram-nos para comer um maravilhoso efó, que dona Canô, sua mãe, preparou em nossa homenagem.

Há pouco tempo, participei das comemorações do centenário dela, em Santo Amaro da Purificação. Olivia e eu fomos cumprimentá-la. Ao seu lado, Maria Bethânia indicava quem eram as pessoas que vinham lhe saudar.

Quando chegou a nossa vez, ela disse a dona Canô: “Estes aqui são Olivia e Francis Hime, para quem a senhora fez um grande almoço quando vieram para cá em 1969″.

Ela respondeu: “Claro, minha filha, imagine você se eu não me lembro que preparei um efó especialmente para eles, abençoando o casamento”. A bênção funcionou, pois até hoje estamos juntinhos, caminhando pela vida afora.

São estas algumas lembranças que tenho da Bahia, e assim como comecei estas divagações com aqueles versos de Vinicius, arremato agora com um poeminha dele, “O Pique”, feito para o mictório do bar de Gesse (sua sétima mulher), com quem morou em Itapuã. Encontrei o manuscrito assinado por ele num velho baú de partituras e bilhetes. Diz assim:

No mundo vale ter pique
É da vida o que nos fica
Mas não há nada que fique
Sem o pique de uma pica

FRANCIS HIME, 78, é compositor, pianista e cantor. Lança o livro “Trocando em Miúdos as Minhas Canções” (Terceiro Nome), sobre seu processo de criação.

nov
06
Posted on 06-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-11-2017


Ykenga, no portal de huhor gráfico A Charge Online

nov
06

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O Antagonista obteve e reproduz abaixo um vídeo que mostra membros do MST destruindo instalações da produtora de alimentos Igarashi, no município de Correntina, na Bahia, na quinta-feira (2).

A empresa divulgou nota que também reproduzimos em seguida.

“Nota de esclarecimento:

A Lavoura e Pecuária Igarashi vem esclarecer que suas instalações no município de Correntina, estado da Bahia, foram ilegal e arbitrariamente invadidas por indivíduos que, arrebentando cercas, ateando fogo nas instalações, destruindo maquinários, todo sistema de energia, tratores, ameaçando seus colaboradores, promoveram um ato de vandalismo injustificável e criminoso, ferindo, inclusive, um de seus colaboradores.

A Igarashi ressalta que todas as atividades desenvolvidas possuem as autorizações ambientais, que por sua vez percorreram toda tramitação perante aos órgãos ambientais competentes, sendo que somente foram iniciadas as atividades após a regular conclusão de todos os processos de autorizações e licenças com seus estudos, inspeções, vistorias e conclusões.

Atuando na produção de alimentos consumidos diretamente pela população do estado da Bahia e região nordeste, com papel fundamental para a mesa da família brasileira – produzindo e fornecendo batata, cenoura, feijão, tomate, alho, cebola e outros, tudo para consumo interno, sob rigorosos padrões de conservação ambiental e forte investimento em tecnologia, que possibilita o uso sustentável dos recursos naturais.

A Igarashi repudia, veementemente, todos os atos criminosos de vandalismo praticados, dos quais foi vítima. Ato que não tem qualquer legitimidade ou justificativa ambiental, ao tempo em que adotará todas as medidas legais para defesa dos seus direitos e responsabilização dos indivíduos que cometeram referidos atos de vandalismo.

A Igarashi reforça seu compromisso permanente com o desenvolvimento sustentável, preservação da integridade física das pessoas, garantia da ordem e segurança, ao tempo em que continuará sua missão de produzir alimentos para a mesa da família brasileira.”


Agentes isolaram o local do incidente. AP


DO EL PAÍS

Nicolás Alonso

A polícia do Texas está investigando um tiroteio ocorrido neste domingo em uma igreja de San Antonio que provocou a morte de diversas pessoas, segundo as primeiras informações locais. O atacante morreu a tiros disparados pelos agentes que contra-atacaram. Segundo informou a rede NBC, até 24 pessoas podem ter morrido, além de diversos feridos, mas ainda não está claro o número exato de vítimas. O motivo do ataque, até o momento, é desconhecido.

Segundo informou a CNN, um homem entrou no templo, a primeira igreja batista da localidade de Sutherland Springs, por volta do meio dia (horário local), durante a celebração da missa. Foram ouvidos ao menos 20 disparos. O FBI já se encontra no local do incidente para auxiliar na investigação.

O tiroteio ocorre apenas um mês depois do pior tiroteio da história dos Estados Unidos, em Nevada, que resultou na morte de 60 pessoas e mais de 500 feridos. Durante um show, um homem branco de 64 anos disparou contra milhares de pessoas em Las Vegas.