Raul Castro recebe Jaque Wagner e Rui Costa em Havana…


…Maia, em Israel, brinda colega do parlamento com
camisa do Botafogo.

ARTIGO DA SEMANA

Trupe de Maia (DEM) no Oriente, nostalgia de Wagner e Rui (PT) em Cuba

Vitor Hugo Soares

A transição para novembro do ano de 2017 – acelerado e mais enigmático à medida que se aproxima do fim -, revela o espaço aéreo repleto de aviões de carreira e boeings em “voos camaradas” com bandeira da Força Aérea Brasileira, conduzindo figurões do parlamento, da justiça e dos governos federal e estaduais. São repentinas, longas, caras e estranhas travessias internacionais de autoridades públicas do país em crise, que cobram mais sacrifícios e aperto do cinto de seus cidadãos comuns, enquanto eles passeiam a tripa forra, boa parte às custas dos cofres da “viúva”.

“Ora essa, alguém me despertou!”, como avisa ao folião, “no melhor da festa”, o frevo “Sonhei que estava em Pernambuco”, que anualmente estremece o chão das ruas de Recife e Olinda durante o carnaval. Vejam só, para começo de conversa, o (mau) exemplo do presidente da Câmara dos Deputados: Rodrigo Maia (DEM) pegou a esposa, formou uma trupe suprapartidária com mais 9 colegas (de Orlando Silva, do PC do B- SP, a Benito Gama (PTB-BA), requisitou um avião da FAB e saiu zanzando pelo mundo. Começando pelo Oriente Médio – Israel e Palestina, principalmente -, com paradas europeias na Itália e Portugal. A agenda extemporânea é confusa e incerta. Pouco ou nada de relevante se sabe sobre esta “Caravana Rollidei” do “Bye Bye, Brasil” dos dias que correm, comandada pelo deputado do Rio (três baianos no meio).

Que pegou a pista logo em seguida à recusa, pela segunda vez, de denúncia feita pela Procuradoria Geral da República contra o mandatário Michel Temer e dois de seus ministros de ponta (Eliseu Padilha, Casa Civil, e Moreira Franco, (Secretaria Geral da Presidência), por malfeitos cometidos no exercício do mandato. No caso, organização criminosa e tentativa de obstrução de justiça e tentativa de obstrução da justiça. A parada européia, diz-se, é para reabastecimento da aeronave oficial e alguma atividade de relaxamento da trupe parlamentar, “que ninquém é de ferro”, como rezam versos mag istrais da poesia de Ascenso Ferreira. “Olhando direitinho” (a expressão é de uma curiosa irmã também jornalista de atuante presença nas redes sociais), também embarcou para Lisboa o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, mal o País acabara de ficar sabendo de sua decisão, em desacordo com o juiz federal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que determinou a transferência do ex-governador Sérgio Cabral, das regalias que vem recebendo em Bangu, para um presídio da União em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mas viagem do ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral a Portugal já virou “arroz de festa”. Além disso, informa-se desta vez, que Gilmar foi participar de um evento para discutir leis trabalhistas no Brasil, promovido, entre outras entidades, pelo IDP, escola de Direito do polêmico integrante do pleno do STF. Na mesa do debate (informa O Antagonista), Rodrigo Maia, Ronaldo Nogueira (ministro do Trabalho) e Ives Gandra Martins Filho ( presidente do TST).

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas”, diriam irônicos franceses, se informados sobre estes dias brasileiros de quase final de ano, que parecem sinal de era.

Mas, surpresa mesmo, para este jornalista, foi a notícia estampada segunda-feira, no notório jornal cubano Gramma, com repercussão em Salvador, do encontro, em Havana, do governador da Bahia, Rui Costa, acompanhado de seu secretário estadual de Desenvolvimento Econômico (e padrinho político), Jaques Wagner, com o manda chuva da vez na Ilha, Raul Castro. Nostalgia cubana e petista é pouco, em face do que vejo e leio no noticiário baiano sobre o fato, mesmo que filtrado nos releases da Secretaria de Comunicação do Governo do Estad o, ou das notas espalhadas aqui e ali nos jornais e blogs locais.

O assunto passou praticamente batido, no plano nacional, em razão, talvez, da irrelevância jornalística do encontro cubano, frente a outras viagens de novos poderosos da República, nestes dias incríveis de transição, que seguem aos solavancos de notícias tremendas, do tipo do relatório sobre assassinatos violentos nos estados (Bahia first, em números absolutos), divulgado também na segunda-feira.

Mas se falamos de nostalgia, não custa recordar: Rui Costa e Jaques Wagner se reuniram com Raul Castro logo após participarem da 35ª edição da Feira Internacional de Havana (FIHAV). O encontro se deu na sede do Conselho de Estado, no ambiente solene onde se destaca a emblemática e nostálgica foto do falecido comandante Fidel Castro, pregada na parede, dentre as principais imagens distribuídas do encontro. É visível também o encanto, que beira ao deslumbramento, do governador baiano em visita à Ilha de Cuba: “Acabo de me encontrar com o presidente Raul Castro. Aos 86 anos, tem um espírito jovem e uma inteligência memorável. O que era para ser um encontro de 30 minutos durou duas horas. Independente de posição política, eu acredito que o país tem muito a ensinar ao mundo sobre o direito à educação”, assinala o petista ao falar sobre a conversa.

Macaco velho de outras conversas e encontros em Havana, principalmente ao lado de Lula e Dilma, na fase das negociações pouco republicanas, para a construção do Porto de Mariel, pela empreiteira Odebrecht, o ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner, também fez salamaleques desta vez. “Ele (o irmão de Fidel) ainda vê desafios na área econômica. Percebemos que Raul Castro pode até vir a deixar o Governo, mas nunca a revolução. Esse é o motivo dele de viver. Foi um encontro fantástico, ele nos recebeu super bem e foi muito atencioso”, disse o ex-chefe da Casa Civil de Dilma. Não é de admirar, portanto, o baixo interesse da mídia nacional pelo encontro à beira do Malecom.

Na quarta-feira, na companhia do afilhado governador, Wagner já estava de volta a Salvador, para recepcionar o ex-colega (de governo estadual e de ministério petista), Ciro Gomes, postulante presidencial do PDT em 2018, em caravana pré-eleitoral na Bahia. Depois da conversa, Wagner jogou mais dúvidas e confusão no ambiente: “Fiquei contente com a visita e com o nosso encontro. Ciro é grande quadro da política nacional e um bom candidato, que pensa o Brasil a partir de um projeto nacional. A ele pude dizer isso tudo e mais: que a nossa tarefa principal é construir pontes que possibilitem a maior unidade do campo progressista”. Pontes, oh São João Ubaldo, proteja-nos do mal. Amém!!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!


DO G1/JORNAL NACIONAL

Assembleias estaduais e Câmaras municipais do Brasil estão usando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STFo do Superior Tribunal Federal (STF) para soltar parlamentares presos por suspeita de corrupção. O ato é criticado por juristas que classificam as ações como abusivas. Recentemente, em Mato Grosso o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) foi solto depois que Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) votou pela soltura dele.

Como mostra reportagem publicada nesta sexta-feira (3) pelo jornal “O Globo”, deputados e vereadores têm se beneficiado pelas medidas.

A decisão do STF diz que as medidas cautelares aplicadas contra os parlamentares presos podem ser derrubadas pelos legislativos estaduais e municipais. A determinação gerou consequências logo em seguida.

O caso mais emblemático é do senador Aécio Neves (PSDB). O STF decidiu que as punições impostas contra ele, como a obrigatoriedade de ficar em casa à noite e a perda do mandado, teriam que ser autorizadas pelo próprio Senado.

O resultado: o Senado rejeitou as punições e Aécio voltou a exercer livremente as funções dele.

Os parlamentares de todo o país têm sido beneficiados com a revogação de prisões contrárias a eles. Para a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a decisão do STF coloca em xeque a atuação da Justiça no país.

Em Mato Grosso, o deputado estadual Gilmar Fabris voltou a execer a função na ALMT depois que os colegas votaram pela soltura dele. Fabris foi preso no dia 15 de setembro e passou 40 dias na prisão por suspeita de obstrução à Justiça.

Fabris também é citado na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Ele aparece em um vídeo reclamando do valor de uma suposta propina que recebia do governo. No dia da prisão, ele foi filmado saindo da casa dele momentos antes da Polícia Federal chegar no local.

No Rio Grande do Norte, outras duas decisões baseadas no entendimento do STF beneficiaram parlamentares. O deputado estadual Ricardo Mota foi afastado por seis meses pelo Tribunal de Justiça daquele estado. Ele é suspeito de participar de um esquema criminoso que desviou R$ 19 millhões do Instituto de Desenvolvimento Sustentável (Idema).

Já a Câmara Municipal de Natal, aprovou no fim do mês passado o retorno do vereador Raniere Barbosa (PDT), que está afastado desde julho.

Para o jurista, Oscar Vilhena Vieira, professor de Direito Constitucional da FGV, os estados e municípios deveria aguardar a publicação dos acórdãos para a liberação dos parlamentares. “Eles estão agindo dentro dessa janela de oportunidade. […] Isto sem dúvida nenhuma enfraquece a aplicação da lei no Brasil pliam-se as esferas de exceção. Me parece que houve uma expansão dos privilégios parlamentares, isto é ruim para a democracia, isto é ruim para o devido processo legal”, declarou.

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Posted on 04-11-2017
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Nicolaielo, no Jornal de Bauru (SP)

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Posted on 04-11-2017
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Depois de morder, Rodrigo Maia assopra Torquato

Depois de chamar de “infantil e irresponsável” a entrevista de Torquato Jardim sobre as ligações entre PM e crime organizado no Rio, Rodrigo Maia afirmou que “tem muita verdade” nas declarações do ministro da Justiça.

“Se Torquato fosse analista, se ele fosse professor da PUC ou da UFRJ, seria uma ótima entrevista. Um diagnóstico até com muitos acertos. Mas, quando vai para a imprensa, pode prejudicar os órgãos de inteligência que estão trabalhando nesta linha”, declarou o presidente da Câmara em Lisboa.

Maia também disse que não pediu a cabeça do titular da Justiça.