Judith Butler (à esq.) e Clara, personagem vivido por Bianca Bin na novela ‘O Outro Lado do Paraíso’. Divulgação / R. Cunha / Globo

DO EL PAÍS

Marina Rossi

A violência contra a mulher virou pauta no horário nobre da televisão brasileira. Estreou na semana passada O Outro Lado do Paraíso, a nova novela das 21h da rede Globo, cujo enredo aborda, na principal emissora do Brasil, a violência doméstica. A protagonista da trama, Clara (Bianca Bin), sofre agressões do marido, Gael (Sérgio Guizé), pressionado pela mãe, vivida por Marieta Severo, que quer sua autorização para explorar esmeraldas nas terras da família. A mãe faz vista grossa para as investidas do filho agressor. Junto a isso, a área de responsabilidade social da emissora gravou os depoimentos de dez mulheres sobre o tema para veicular na internet e dar mais visibilidade ao assunto. Vem mais por aí na novela. A violência contra mulheres caiu de vez para dentro do folhetim televisivo que alcança os mais precários rincões do Brasil. Antes velado, o tema começou a entrar na casa de milhões de brasileiros. Na última segunda-feira, só na grande São Paulo, quase 2,5 milhões de televisores estavam ligados na trama, segundo números do Ibope.

Em abril deste ano, esta mesma emissora foi alvo de uma campanha contra o assédio sexual a partir da denúncia de um caso que ocorreu ali nos bastidores, quando a figurinista Susllem Tonani denunciou, em carta aberta, uma das grandes estrelas da casa, o ator José Mayer, por um desbocado assédio. “Você nunca vai dar pra mim?”, ouviu a figurinista, que também teve as partes íntimas tocadas por Mayer, conforme relato divulgado em um carta publicada no jornal Folha de São Paulo. A Globo rebolou para lidar com o assunto. Mayer, por exemplo, está na geladeira. Mas a emissora precisou encarar ca reação da própria equipe de funcionárias, que assumiram uma onda de solidariedade feminina, sob o lema Mexeu com uma, mexeu com todas. A ficha da rede Globo parece ter caído. Não dá mais para acreditar no silêncio feminino diante de casos como esses.

Essa catarse brasileira também está sendo vivida nos Estados Unidos, em grandes proporções. Em menos de um mês, um inferno baixou em Hollywood. Ali, as mulheres estão destapando os bueiros e denunciando casos de assédio por parte do produtor norte-americano Harvey Weinstein. Kevin Spacey e Dustin Hoffmann também estão sendo acusados pelo mesmo crime. Isso sem falar no diretor James Toback, acusado de assédio sexual por nada menos que 38 mulheres. Com tantos casos pipocando no mundo da fama, foi criada a campanha global #MeToo, para encorajar mulheres a relatarem suas experiências como vítimas de assédio sexual. A publicidade está tendo que repensar seu papel. A Feira Literária Internacional de Parati (Flip) deste ano se posicionou e incluiu mais mulheres que homens na sua programação pela primeira vez em 15 anos. Nos Estados Unidos, foram as mulheres que saíram as ruas para protestar contra o presidente Donald Trump, no início de 2017. Se em 2015, a primavera feminista levou milhares de mulheres brasileiras às ruas para dizer basta aos retrocessos que se personificavam na figura do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, neste ano o inverno feminista dizia não a Trump nos Estados Unidos.

Mas este despertar feminista não é tão simples quanto parece. Ao mesmo tempo em que ele avança neste século XXI, vive uma opressão mais ostensiva, num movimento de ação e reação. Ao mesmo tempo em que tenta avançar na conquista de direitos, luta diariamente para não perder terreno naquilo que já foi conquistado. No ano passado, quando a celebrada Lei Maria da Penha completava dez anos desde que entrou em vigor, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no Brasil, resultando na morte de 4.657 mulheres. Desses casos, porém, somente 533 foram classificados como feminicídios – quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino – de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta semana. Além das mortes, foram registrados quase 50.000 casos de estupros em todo o país, 4% a mais que em 2015.

O que os números não mostram é que, por trás deles, está a naturalização de certos comportamentos cerceadores, como o medo de entrar sozinha em um táxi ou de usar um aplicativo de carona. Em agosto deste ano, a escritora Clara Averbuk foi estuprada, voltando para sua casa, pelo motorista da Uber. Na época, a companhia repudiou o ocorrido. Já ela, escreveu uma publicação em sua página no Facebook para incentivar que outras mulheres compartilhem seus relatos de assédio ou estupro sofridos em táxis ou carros de aplicativos de carona. Um homem não imagina que dentro de um táxi ele pode correr risco. Já uma mulher precisa pensar duas vezes antes de sair de casa sozinha.

Com o tema em voga, companhias correram para criar aplicativos ou programas atendidos somente por motoristas mulheres. Qualquer semelhança com o polêmico vagão rosa nos trens e metrôs não é mera coincidência. O transporte público e coletivo – onde poderia se deduzir que a presença de mais pessoas poderia inibir algum ato – também entra na conta de lugares com potencial risco para mulheres. Para ficar no caso mais recente, no início de setembro, um homem foi condenado a dois anos de prisão por ter tocado as partes íntimas de uma mulher dentro de um ônibus na avenida Paulista. A condenação ocorreu depois de ele ter praticado crimes contra as mulheres – incluindo ter ejaculado em algumas vítimas, sempre dentro de ônibus – pela 17ª vez. Só houve a detenção pelo protesto contínuo das mulheres para chamar a atenção sobre o assunto.

Ao mesmo tempo em que a violência de gênero está pautando novelas, estes registros não param de crescer. Ativistas feministas são perseguidas e ameaçadas. De morte, inclusive. Gabriela Manssur, promotora que atua no Ministério Público de São Paulo em defesa dos direitos das mulheres, diz que os casos de perseguições a mulheres estão aumentando. “Mas nunca foi feita esta estatística”, diz ela. “Tem uma ativista que está inclusive indo embora do país por causa da perseguição”.

Um dos casos mais emblemáticos é de Lola Aronovich, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e autora do blog Escreva, Lola, escreva. Ela já sofreu diversas ameaças de morte e de estupro simplesmente por ser feminista. Em cinco anos, já registrou 11 boletins de ocorrência, o último, em abril deste ano.”As ameaças saem de uma quadrilha organizada”, diz ela. “Eles perseguem não só a mim, mas a minhas leitoras e até as minhas advogadas”, conta. No ano passado, Lola conta que o reitor da universidade onde ela trabalha recebeu um e-mail com uma ameaça: se não a exonerasse, haveria um atentado na UFC. “No texto diziam que ou ele despedia esta ‘porca imunda’, se referindo a mim, ou passaria uma semana recolhendo corpos de 300 cadáveres”, conta ela. A Polícia Federal entrou na jogada. Até o momento nada foi descoberto.
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Para Gabriela Manssur, apesar das tentativas de censura, o movimento feminista não tem volta. “As mulheres não estão mais aceitando a diminuição dos direitos por elas conquistados e que são fruto de uma luta feminista de muito tempo”, diz. Ela acredita, porém, que os movimentos retrógrados e o movimento feminista se retroalimentam. “Estamos vivendo sim uma onda de retrocesso em que há um conservadorismo muito grande, talvez até em resposta a esta autonomia que as mulheres conquistaram”. Lola Aronovich concorda. “Os ataques pioraram”, diz. “Depois da eleição de Trump e agora com a consolidação da candidatura de Bolsonaro, as coisas tendem a piorar ainda mais”.

Um exemplo de ação do conservadorismo é o movimento em torno da vinda de Judith Butler ao Brasil. A filósofa norte-americana é um dos símbolos do feminismo e da teoria queer, que expande os estudos sobre gênero e identidade sexual. Assim que sua vinda foi anunciada, para um evento que acontecerá no Sesc Pompeia nos dias 06 e 07 de novembro, foram criadas petições online pedindo o cancelamento do evento e o Sesc passou a sofrer ataques online por meio da sua página no Facebook. Os ingressos para o evento, porém, se esgotaram me menos de duas horas.
Sororidade x rivalidade

Para Gabriela Manssur, embora a luta feminista tenha avançado nos últimos anos em todo o mundo, ainda estamos atrasadas quando o assunto é sororidade. A palavra, nova para o vocabulário brasileiro, significa a união e o companheirismo entre mulheres, baseados na empatia. Segundo Manssur, é o ato de pegarem nas mãos umas das outras e brigarem, juntas, por novas conquistas. “A teoria é linda”, diz ela. “Mas na prática, não é bem assim”.

Ela explica que ainda existe um grande estereótipo que rotula mulheres como rivais, competitivas e perversas umas com as outras. A televisão, que no início deste texto fez o papel de mocinha, também é vilã quando veicula novelas em que mulheres disputam entre si – muitas vezes incluindo cenas de violência – um homem ou um cargo em um trabalho, por exemplo. “Sororidade significa a gente se unir e não julgar ou puxar o tapete uma da outra”, explica Manssur. “Precisamos romper os estereótipos. O feminismo avançou, mas a sororidade ainda não”.

Linda canção italiana! Fabuloso músico de Cuba e artista do mundo!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
03

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Meirelles, o presidenciável ‘pouco conhecido’: “A situação econômica é o ativo”

Na entrevista à Veja, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comenta o fato de ser “pouco conhecido entre o eleitorado”.

Ele respondeu a essa questão da seguinte forma:

“A lembrança que a população tem do candidato, que os marqueteiros chamam de recall, é importante. O fato de que algumas pessoas já disputaram ou tem, por alguma razão, alta exposição, torna a situação um pouco mais definida. Então, eu tenho que analisar tudo isso: a situação econômica, que é o ativo, as condições políticas do momento e a minha própria disposição. Afinal, ser candidato a presidente é uma decisão que tem grandes custos – e grandes benefícios – para todos, não só para mim. Vou ter que deixar o ministério e deixar o trabalho ainda por um período de decolagem da economia e entrar em um processo que é outra história. Agora, acho que essas situações vão se definir naturalmente não só na economia como na política. Não é só meramente uma decisão do tipo ‘eu vou porque eu quero’.”

nov
03
Posted on 03-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-11-2017


Gabriel Renner, no jornal Zero Hora (RS)

nov
03


Ex-conselheiros do Governo regional chegam à Audiência Nacional para depor Álvaro García

DO EL PAÍS

A juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional (instância superior da justiça espanhola), determinou a prisão incondicional (sem direito a fiança) de oito ex-secretários da Generalitat (Governo regional da Catalunha), incluindo o vice-presidente, Oriel Junqueras, que nesta quinta-feira prestaram depoimento, acusados de crimes de rebelião, sedição e malversação de recursos públicos. Para Santiago Vila — um ex-historiador e político catalão, militante do Partido Demócrata Europeo Catalán (PDeCAT) — a prisão será evitável sob fiança de 50.000 euros (cerca de 190.000 reais).

Desse modo, o vice-presidente Oriol Junqueras e os ex-conselheiros (parlamentares que atuam como ministros do Governo regional) Jordi Turull (Presidência), Raül Romeva (Assuntos Internacionais), Josep Rull (Território), Carles Mundó (Justiça), Meritxell Borràs (Governança), Joaquim Forn (Interior) e Dolors Bassa (Trabalho) serão enviados diretamente à prisão em diversas localidades. Borràs e Bassa irão para Alcalá de Henares; Turull e Romeva, para Valdemoro; Rull para Navalcarnero; Forn e Junqueras, para Estremera; Mundó e Vila, para Aranjuez.
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Entre os argumentos para justificar sua decisão, a juíza considerou o risco de fuga relacionado ao alto poder aquisitivo dos acusados, bem como o fato de que outros indiciados viajaram ao exterior para fugir da Justiça, em clara referência ao ex-presidente Carles Puigdemont e aos ex-secretários Antoni Comín, Clara Ponsatí, Meritxell Serret e Lluís Puig, que estão em Bruxelas. “A ação dos acusados foi meditada e perfeitamente preparada e organizada, reiterando, durante mais de dois anos, o não cumprimento sistemático das resoluções do Tribunal Constitucional em favor da independência”, afirma Lamela na ordem de prisão. Para justificar o risco de fuga, o documento diz que os secretários agiram “dentro de um grupo perfeitamente organizado de pessoas, apoiados por associações independentistas com poder e capacidade para ajudá-los em sua possível fuga da Justiça”.

A juíza também considera o risco de que os acusados destruam provas, “levando em conta os cargos que ostentaram até poucos dias atrás nas principais instituições do Govern [Governo regional]”. Por último, sobre a possibilidade de que voltem a cometer crimes, Lamela enfatiza que os supostos delitos “foram planejados e realizados de forma consciente pelos acusados durante mais de dois anos”. Todos eles, prossegue a juíza, “reincidiram constantemente em ações contrárias às resoluções do [Tribunal] Constitucional.” Lamela também cita, ao analisar o risco de fuga, “as elevadas penas para os crimes de rebelião (25 anos), sedição (15 anos) e malversação de recursos públicos (de oito a 10 anos).

A magistrada afirma que, para conseguir a independência da Catalunha, os acusados “utilizaram a população incentivando atos de insurreição pública, desobediência e resistência coletiva à autoridade legítima do Estado, ocupando estradas, ruas e edifícios públicos e submetendo os agentes da autoridade a um assédio incessante.”

Para sustentar o indiciamento por malversação de recursos públicos, a juíza afirma que os acusados “tornaram possível a realização de pagamentos para realizar um ato já não contrário ao Direito, mas constitutivo de crime enquanto violador da declaração de inconstitucionalidade acordada pelo Tribunal Constitucional”.
Menção aos Mossos

A magistrada faz uma menção específica à atuação dos Mossos (polícia regional catalã) durante a jornada do referendo. “Na grande maioria dos casos, a atitude mostrada pelos Mossos d’Esquadra foi passiva, mantendo-se à margem de qualquer ação realizada pela Guarda Civil, evitando intervir inclusive nos casos em que os membros da Guarda Civil eram agredidos”. A juíza ressalta que, em alguns casos, os agentes da polícia regional “chegaram a responder com dureza ou inclusive a enfrentar agentes da Guarda Civil que estavam no lugar exercendo as suas funções.”

Lamela assume as teses, e inclusive os termos, da acusação do Ministério Público quando afirma que a declaração de independência “incluía a assunção integral do comando sobre os Mossos, corpo policial formado por mais de 17.000 homens armados, com o potencial efeito de intimidação” que estes representavam. E recorda que os acusados estudaram a possibilidade de conferir à polícia regional funções de segurança externa e/ou de defesa.

Os agentes sob o comando do destituído Josep Lluís Trapero “chegaram a espionar as ações da Guarda Civil e da Polícia Nacional, alertando os congregados nos colégios [eleitorais] que as mencionadas forças de segurança se dirigiam a determinados lugares”.
“Serenidade” dos acusados

Jaume Alonso-Cuevillas, advogado de parte dos ex-membros do Governo regional, afirmou que seus clientes reagiram com “serenidade” à decisão da juíza. “Meus clientes estão muito serenos e fazem um chamado à calma, [para] que não ocorra nenhum episódio violento”, declarou, ao sair da Audiência.

No texto, a juíza menciona tanto o referendo irregular do último dia 1 de outubro quanto a declaração de independência feita pelo Parlamento catalão no dia 27, embora considere, também, que a sequência de fatos remonta a 2015, quando foi aprovada a resolução que deu início ao processo independentista. Nesse aspecto, a magistrada destaca a importância do documento denominado EnfoCATs, que foi apreendido no departamento de Economia da Generalitat, cujo responsável máximo era Junqueras. “Esse documento, na prática, coincide com todos os passos dados pelo Governo da Generalitat durante os mais de dois anos transcorridos desde então, inclusive a declaração unilateral de independência (DUI)”.

O documento EnfoCATs, uma espécie de plano de voo pela soberania, segundo a magistrada, “contemplava (…) uma única e exclusiva alternativa para a Catalunha: sua independência e configuração como um Estado próprio separado da Espanha”, sendo “a realização de um referendo, independente da validade do mesmo”, um elemento “necessário” para sua execução.

O documento destaca o papel fundamental das organizações independentistas, a Assembleia Nacional Catalã e a Òmnium Cultural. A juíza recorda que alguns dos secretários são membros dessas associações. Concretamente, os ex-secretários Ponsatí (Educação) e Forn (Interior) são sócios da ANC, enquanto Romeva (Relações Exteriores), Turull (Presidência) e Bassa (Trabalho) pertencem ao Òmnium.

A Procuradoria da Audiência Nacional havia pedido a prisão incondicional de oito dos nove membros do Governo regional denunciados. Vila, que renunciou antes de o Parlamento aprovar a declaração de independência, foi o único ex-secretário do Governo catalão a ter prestado depoimento à juíza a partir de perguntas de todas as partes envolvidas e o único para quem a procuradoria não pediu prisão incondicional.

Os ex-secretários denunciados por rebelião na Audiência Nacional se negaram a responder às perguntas dos procuradores Miguel Ángel Carballo e Pedro Rubira, segundo fontes que presenciaram a sessão. O único a responder para o Ministério Público foi o ex-secretário e possível candidato do PDeCAT Santiago Vila, que depôs durante cerca de 45 minutos.

Depois das 9h50 (horário local), tiveram início os depoimentos diante da juíza Carmen Lamela. O primeiro a fazê-lo foi o ex-secretário da Presidência, Jordi Turull; em seguida foi o ex-secretário de Território Josep Rull e, depois dele, Santi Vila (Empresa), Meritxell Borràs (Governo), Joaquim Forn (Interior), o ex-vice-presidente Oriol Junqueras e os ex-secretários Raül Romeva (Relações Internacionais), Carles Mundó (Justiça) e Dolors Bassa (Trabalho).

Não compareceram perante a Audiência Nacional o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, e quatro de seus ex-secretários: Lluís Puig (ex-responsável pela Cultura), Antoni Comín (Saúde), Meritxell Serret (Pecuária, Pesca e Alimentação) e Clara Ponsatí (Educação). Todos eles haviam anunciado na noite desta quarta-feira que permaneceriam na Bélgica e não retornariam à Espanha para comparecer diante dos tribunais.

O não comparecimento de Puigdemont e de quatro ex-secretários se deve, como apontado na noite passada em um comunicado assinado pelo “governo legítimo da Catalunha”, ao fato de que consideram ambos os processos penais um julgamento político “feito segundo os ditames do Governo do Estado espanhol”. Acrescentaram que alguns dos ex-secretários prestariam depoimento à juíza Carmen Lamela “como denúncia da falta de garantias do sistema judicial espanhol e sua vontade de perseguir ideias políticas”, enquanto o resto permanecerá em Bruxelas para levar sua queixa às instituições europeias.

O advogado de Serret e de Comín, Gonzalo Boyé, compareceu à Audiência Nacional para solicitar estar presente aos depoimentos, que são feitos sob sigilo, mas foi informado de que, em qualquer caso, deve fazê-lo por escrito. O Ministério Público também apresentou uma acusação contra todos os membros do Governo regional, todos despedidos, pelos crimes de rebelião, sedição e malversação de fundos públicos relacionados ao desenvolvimento do chamado “procés” e à declaração unilateral de independência da Catalunha.