Policiais atendem mulher na cena do atentado em Manhattan.
BRENDAN MCDERMID REUTERS

DO EL PAIS

Sandro Pozzi

Nova York

Manhattan passou por momentos de caos em plena festividade de Halloween depois que uma caminhonete atropelar várias pessoas que circulavam por uma ciclovia movimentada no bairro de Tribeca nesta terça-feira. Fontes das forças de segurança citadas pela imprensa norte-americana falam de ao menos oito mortos e 15 feridos. A polícia de Nova York ainda não confirmou se se trata de um ato deliberado e, assim, de um atentado terrorista. Duas fontes do Governo citadas pela Reuters afirmaram que o caso é investigado como terrorismo e que o FBI foi envolvido.

O incidente aconteceu na interseção das ruas West e Chambers após 15h locais (17h de Brasília). O número de mortos pode ser maior tendo em conta a quantidade de feridos. A polícia de Nova York também deteve mais de uma pessoa, que provavelmente seria o motorista do veículo que protagonizou o atropelamento.

“Um veículo entrou na ciclovia e na calçada e atropelou várias pessoas no caminho. Há várias vítimas mortais e numerosas pessoas feridas. O veículo continuou no caminho na direção sul até de chocar com outro veículo. O suspeito saiu do veículo com armas falsas e foi alvejado pela polícia”, explicou em vários tuítes o departamento de polícia da cidade.

O que é bom dura muito. Confira!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Gilmar fora de jurisdição

No dia em que assinou e divulgou a decisão de não transferir Sérgio Cabral para o presídio federal de Campo Grande, Gilmar Mendes não estará na sessão de hoje do TSE.

Ele está em Lisboa, em Portugal, onde participa de um evento para discutir as leis trabalhistas no Brasil.

O encontro é promovido, entre outras entidades, pelo IDP, a escola de direito de Gilmar em Brasília.

Também compõem a mesa de debate Rodrigo Maia, Ronaldo Nogueira (ministro do Trabalho) e Ives Gandra Martins Filho (presidente do TST).


Em 2016, ainda como ministro, Geddel Vieira Lima faz reunião com deputados Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

DEU NO ESTADÃO

Geddel Vieira Lima era crítico ao ‘zelo pela fortuna’

Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2017

BRASÍLIA – Nos idos de 1981, o então formando em Administração Geddel Vieira Lima proferiu um discurso que poderia enquadrar e constranger o atual ex-ministro e cacique do PMDB, apontado como líder de organização criminosa e encarcerado na Papuda após a Polícia Federal ter apreendido R$ 51 milhões atribuídos a ele.

O Estado leu o único livro escrito por Geddel, Visão Contemporânea da Sociedade. A obra registra a fala do peemedebista no dia de sua colação de grau na Universidade de Brasília (UnB). Orador da turma, Geddel criticou governantes zelosos com a própria fortuna ao discorrer sobre as “tormentas” da “exasperante” crise brasileira na época, última fase da ditadura militar e ano do atentado do Riocentro.

“Quase sempre é a organização política, social e econômica, implantada à revelia da vontade popular, com o desprezo dos mais comezinhos princípios democráticos, ensejadora do surgimento de ditadores que se arvoram em juízes dos destinos do povo, quando na verdade não passam de advogados de grupos e oligarquias, que integram e representam, e zelam pelas suas fortunas, esquecendo-se de cuidar do bem-estar da vida na terra”, disse na cerimônia que reuniu também os bacharéis em Ciências Contábeis.

Passados 36 anos, Geddel é acusado de receber propinas milionárias no cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, que ocupou no governo Dilma Rousseff. Está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, suspeito de obstruir a Justiça e ser o guardião do que a Polícia Federal batizou como um “tesouro perdido”, a maior apreensão da história. Os peritos encontraram fragmentos de digitais de Geddel na fortuna de R$ 51 milhões, ocultada em malas e caixas num apartamento usado pelo ex-ministro em Salvador.


Livro escrito por Geddel, ‘Visão Contemporânea da Sociedade’ Foto: Felipe Frazão/Estadão

O título Visão Contemporânea da Sociedade sugere mais profundidade analítica do que as 10 páginas da obra literária de Geddel guardam. Sem editora conhecida, o livreto é raro. Um dos exemplares jaz esquecido na Biblioteca Pedro Aleixo, da Câmara dos Deputados. Divide a prateleira com livros de autores que traçam análises sociológicas bem mais complexas, como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. O livro de Geddel nunca despertou muito interesse. Foi emprestado a um único leitor, em julho de 1998, pelo que se depreende do registro de devolução na última página.

No livro-discurso, Geddel fala sobre a redemocratização, quando o general João Baptista Figueiredo reestabeleceu o pluripartidarismo, globalização, escassez e sobre a destruição de recursos naturais, os riscos da expansão demográfica “que em uma década tornaria incontrolável a demanda por alimentos, serviços, transportes e espaços”.

“A anarquia e o desespero ameaçam o futuro da humanidade”, refletiu. “É chegado o momento da afirmação democrática… Urge restaurar a nossa democracia (…) efetivá-la e realizá-la, purificando-a e extirpando do seu seio a incompreensão, a violência, o arbítrio e a intolerância que não a vivificam nem a fecundam, porém a negam e sepultam”, escreveu.

Por mais de uma vez, Geddel, então com 22 anos, aborda com desconfiança os interesses das classes dominantes. Hoje, o ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer e da Integração Nacional de Luiz Inácio Lula da Silva possui patrimônio de R$ 6 milhões declarados à Justiça Eleitoral, entre fazendas, cabeças de gado, imóveis de luxo, incorporadora, posto de gasolina, restaurante e um título do Iate Clube soteropolitano.

Derrocada. Notabilizado pela instabilidade emocional, Geddel é considerado um dos últimos riscos judiciais ao amigo Temer, pela possibilidade de formalizar uma delação premiada. A derrocada dele começou depois de perder o cargo, acusado por outro ministro de Temer de advogar por interesses pessoais no governo, tentando liberar a construção de um prédio de luxo em Salvador.

Aos colegas de UnB, Geddel afirma que os formandos tinham dever de “administrar conflitos” e a “responsabilidade de auxiliar na administração dos países”. Por fim, ainda elogia a escolha do paraninfo da turma, que se tornaria seu maior adversário político, o ex-governador da Bahia e ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Nas palavras de Geddel, ACM era “aquele que inspirará pela vida afora”. “A sua vida é um exemplo de dedicação à atividade política, um perfil de sabedoria administrativa.”

Anos mais tarde, ACM acusaria Geddel de se eleger com dinheiro de caixa 2 e divulgaria a fita Geddel Vai às Compras, em que acusa o peemedebista e familiares de enriquecimento ilícito por comprarem fazendas e apartamentos “sem ter recursos”. O ex-ministro, por sua vez, disse ter sido vítima de grampo ilegal, entre centenas de alvos, por ordem do ex-governador, morto em 2007. Mais tarde, depois de romper alianças com o PT, Geddel se reaproximaria do Carlismo por meio do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

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Grande Aracy, o que seria do semba se esta intérprete magistral? Imenso Ary Barroso, de eterna saudade. Vamos recordar dos dois.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO G1/O GLOBO

Por Renan Ramalho, G1, Brasília

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado nesta segunda-feira (30) para analisar pedido do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral para permanecer preso na cadeia de Benfica, na zona norte da capital fluminense.

A defesa quer derrubar decisão do juiz federal Marcelo Bretas que determinou a transferência dele para o presídio federal de Campo Grande (MS).

Na semana passada, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), já havia negado pedido semelhante.

A ação foi encaminhada a Gilmar Mendes porque ele já havia sido sorteado anteriormente, como relator de um pedido de liberdade de Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, de 48 anos, preso em novembro na Operação Calicute, que também tem Cabral como alvo.

Sócio de Cabral, Carlos Miranda já foi condenado junto com o governador em dois processos, decorrentes da Lava Jato e da Calicute, que investigou esquemas de corrupção em obras do Consórcio Terraplanagem Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e contratos do governo estadual com empreiteiras.

Em junho deste ano, Gilmar Mendes negou pedido de liberdade de Miranda apresentado ao STF. Segundo apurou o G1, a decisão sobre Cabral não deve sair nesta segunda (30).

Bretas determinou a transferência de Cabral para Campo Grande depois de, em depoimento, o ex-governador ter mencionado que o magistrado tem familiares que trabalham no ramo de bijuterias. A defesa negou ameaça na situação, dizendo que Cabral falava em sua “autodefesa”.

“Se as declarações feitas pelo beneficiário desta ordem podem ser tidas como ácidas ou polêmicas, não se pode tomá-las como desrespeitosas ou ameaçadoras, como se tem entendido, e muito menos como ensejadoras de uma condição carcerária mais gravosa para o paciente, que precisa continuar no Rio de Janeiro, como dito, para melhor se defender dos 15 processos que por lá tramitam em seu desfavor”, argumentaram os advogados.

A defesa também anexou reportagem informando que estão presos em Campo Grande 10 presos “perigosos” do Rio, um deles líder do Comado Vermelho.

Cabral

Sérgio Cabral está preso desde novembro do ano passado, acusado de chefiar uma organização criminosa que, segundo a Justiça, fraudava contratos públicos e lavava dinheiro, entre outros crimes. De acordo com a investigação, o esquema se intensificou após ele assumir o governo do Rio, em 2007.

Cabral responde a 16 processo na Lava Jato e já foi condenado em primeira instância em três ações, tendo pena somada de 72 anos de prisão.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Associação de jornalismo rebate Alexandre de Moraes

A Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, divulgou hoje nota em que rebate declarações de Alexandre de Moraes em entrevista a O Globo.

Na entrevista, publicada pelo jornal carioca no domingo, o ministro do STF afirmou que um jornalista que divulgue informação sigilosa está cometendo crime.

“A violação de sigilo judicial só é considerada quando cometida por pessoas que têm acesso legal ao conteúdo protegido e dever funcional de preservá-lo, caso de funcionários públicos e advogados. A partir do momento em que um jornalista tem acesso à informação, ela se torna pública. Não há menção na lei brasileira a qualquer tipo de restrição ao trabalho de um repórter e ao seu dever de informar”, registra a nota da Abraji.

out
31
Posted on 31-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-10-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)


O presidente Mauricio Macri apresenta seu plano de reformas
em Buenos Aires. Reuters


DO EL PAÍS

Carlos E. Cué

Buenos Aires

Mauricio Macri começa quase de imediato a utilizar o grande capital político acumulado nas últimas eleições legislativas, em que obteve mais de 40% dos votos em todo o país e derrotou Cristina Fernández de Kirchner na província de Buenos Aires. O presidente argentino anunciou nesta segunda-feira um grande pacote de reformas para tentar fazer da Argentina “um país organizado”. Macri apontou mudanças relevantes nas áreas de tributos, pensões, legislação trabalhista, competição empresarial, barreiras protecionistas, Justiça e redução do déficit fiscal e da inflação, além da diminuição dos custos da política. O presidente emergiu das eleições com muita força, mas continua longe da maioria absoluta no Congresso. Por isso, procura o apoio dos peronistas moderados, sobretudo dos governadores provinciais, muitos deles presentes no Centro Cultural Kirchner, onde Macri fez seu pronunciamento, num gesto político que isola ainda mais o kirchnerismo e sinaliza um período de reformas que ele pretende obter por consenso.

Macri deixou claro, desde o primeiro momento, que a Argentina não é o Brasil. Não haverá um ajuste forte, nem reformas impopulares impostas rapidamente com potencial de criar protestos multitudinários nas ruas, como acontece no país vizinho com Michel Temer, que amarga uma baixa popularidade enquanto ainda tenta reformar o sistema de pensões e espera a entrada em vigor de novas normas trabalhistas. Macri tem muito mais apoio político que seu homólogo brasileiro, mas não pretende perdê-lo com reformas drásticas. Prefere selar um pacto com o peronismo moderado e avançar aos poucos. Tudo indica que tem tempo. Na Argentina, depois das últimas eleições, instalou-se a ideia de que será fácil para Macri se reeleger em 2019 enquanto o peronismo se recompõe. Essa confiança num segundo mandato é tão forte que Marcos Peña, braço direito do presidente, explicou logo após o discurso de Macri que a reforma mais profunda, a da Previdência, será realizada ao longo de três anos, com longas discussões entre especialistas, enquanto são tomadas decisões específicas “na transição”. O mandatário afirmou que o sistema atual “esconde sérias desigualdades e não é sustentável”.

O grande eixo do discurso de Macri é que a Argentina não pode seguir como agora, pois é um dos países mais fechados e menos competitivos do mundo. Com a exceção do campo, que aplica a tecnologia mais avançada e exporta toda a produção, a Argentina quase não consegue vender nada ao mundo porque tem custos de produção altíssimos – os preços de Buenos Aires são mais altos que os europeus – e mercados fechados. Macri tem dois anos até as próximas eleições para acelerar as reformas. Para isso, contudo, precisa começar a mexer em setores-chave. “Todos temos que começar a ceder um pouco”, disse ele aos governadores, senadores, sindicalistas e alguns dos principais empresários do país. Pequenos grupos de organizações sociais estavam na porta com seus tambores, recordando que toda reforma na Argentina, por menor que seja, gera protestos e custos políticos.

“Se não houver consensos básicos sobre o rumo de nosso país, não haverá sustentabilidade, nem uma verdadeira saída para a pobreza e a desigualdade”, disse o presidente. “Trata-se de ceder para crescer. Há olhares reacionários e conservadores que defendem privilégios.” E prosseguiu: “É mentira que haja algo ou alguém que queira nos prejudicar.” Não é uma frase casual. Na Argentina, existem inclusive espetáculos de humor que brincam com o mito arraigado de que os problemas do país decorrem da decisão de potências estrangeiras para impedir seu desenvolvimento. Macri garante que é o contrário: são os argentinos que afundaram o país. “O que nos complica é nossa tendência de criar obstáculos para nós mesmos. Durante anos, vivemos nos queixando de nossos erros. Foi difícil construir um rumo compartilhado; olhamos para nosso umbigo de forma permanente. Temos uma cultura que premia a esperteza. Mas nós amadurecemos, entendemos que todos os problemas têm solução e que depende de nós”, declarou, num discurso muito otimista baseado em seu espetacular resultado nas urnas.

A primeira reforma, que será apresentada amanhã, será a tributária, com a intenção de baixar impostos. Depois virão muitas outras. Sem dúvida, a mais difícil será a trabalhista, que mexe com os interesses dos poderosos sindicatos argentinos. O presidente deu alguns dados que mostram a enorme tarefa para ordenar um país cheio de pequenos centros de poder, onde ninguém se atreve a entrar, e que ele qualifica abertamente de máfias. “A máfias dos processos trabalhistas é um dos obstáculos para criar emprego”, disse abertamente. “Devemos fazer com que os ganhadores não sejam os que obtiveram privilégios com subornos. Seremos implacáveis na defesa da competição. Não podemos continuar sendo um dos países mais fechados do mundo”, afirmou.

Macri quer combater outra ideia arraigada. A de que os cidadãos não estão preocupados com a corrupção enquanto os governos fazem obras. “Queremos erradicar a cultura do ‘rouba mais faz’. A sociedade já não admite a impunidade”, disse. E quando forneceu exemplos concretos, houve olhares cúmplices dos presentes. “A biblioteca do Congresso tem 1.700 funcionários. É um roubo. A do Congresso do Chile tem 250. Há legisladores provinciais que têm mais de 80 empregados cada um. No Conselho da Magistratura [órgão que controla a atividade dos juízes], há funcionários que servem café e ganham mais de 100.000 pesos (20.000 reais) por mês. E ainda podem tirar dois meses de licença recebendo salário. Nas universidades, o número de professores aumentou 30% em 10 anos; o de alunos, só 13%. Temos 2.800 sindicatos na Argentina, mas apenas 600 fecham ‘paritárias’ [acordos salariais anuais].”

“Se não houver consensos básicos sobre o rumo de nosso país, não haverá sustentabilidade, nem uma verdadeira saída para a pobreza e a desigualdade”

Macri convidou os peronistas moderados a participar da construção de uma Argentina moderna e capaz de competir no mundo. Que deixe de viver do mercado interno deste país de imensos recursos, como aconteceu nos últimos anos. O presidente, que pertence justamente a esse empresariado que viveu dessa Argentina fechada e obscura – seu pai é um dos máximos expoentes da chamada “pátria contratista”, ou seja, grandes empresários que viveram do Estado – parece convencido de que chegou o momento de mudar. “É agora ou nunca”, anunciou o presidente. Agora vem a parte mais difícil: passar das palavras às decisões.