CRÔNICA

Vida no mato!

Arthur Andrade

Depois de uma semana as células começam a se adaptar ao mato. Elas me dizem isso. Imagine um ano, dois…

Tenho vivido mais no mato que na city nesses dois anos. E é punk. Começa pelo horário biológico. O da cidade não bate com o do mato. No mato, o corpo encerra expediente às 8h da noite, encardido, suado, exausto. Na cidade, às 11, meia-noite, duas da manhã…whatever, limpinho, molhado, cheiroso. No mato, começa às 5h, às 6h. Na cidade, nem sei mais.

Por mais que os românticos façam poesias com sonhos de viver na natureza, eles nem imaginam o que os espera. Mosquitos, muriçocas, besouros na parede branca, um grito da ave que reverbera no palco de arrepiar os penteio. Afff! Salve a rotina?! Nada! Na vida selvagem, a rotina é jogada pro alto. Não existe dia igual ao outro do nascer ao por. Quando percebi isso, lembrei das redações dos jornais. Pra quem passou por elas sabe que não existe dia igual ao outro naquela selvageria dos infernos das pautas aos fechamentos.

Ai meti a mão no tanque de água de chuva e uma cobra espanou brrrrr. João, tem cobra no tanque, gritei pro auxiliar. Rapá, rapá…Então pegou uma forquilha e tirou a malha de sapo, veneno daqueles. Nada de matar a dona moça. Lançou no mato. O mesmo mato.

Cuido de projetos, quase todos malucos. Plantar um milhão de árvores. João conserta: 100 já tá de boa!! Acabo mesmo é lavando pratos, fazendo o rango, varrendo casa, limpando a varanda daquele calango que Dona Flor, a gata, levou de presente. Sim, gatos querem agradar. Lá são três: Dona Flor, Dindin e Ganesha. Todos disputam o melhor presente. Ratos selvagens, cobras, lagartos, calangos, preás…. Arrancam a cabeça e deixam o resto no caminho – limpinho minutos antes. Depois deitam nas cadeiras e nas mesas lambendo os beiço. Puta que pariu Dona Flor, vá deitar na casa da zorra!!

Sim, porque na vida selvagem tudo é carma. Carma. Calma, que seja. De tanto as células se adaptarem, aprendi o idioma correto. As madêra, os fio, as mulé, mata atrante, os bicho que avôa, esses muricegos dendecasa…xôoo… Um dia meditei pra eles sumirem das telhas do meu quarto. Botei o terceiro olho apontado pro alto…e fui espanado pelo mijo de uns dois. Tava lá outros dois fornicando na porta da sala, agarrados perto da maçaneta. Joããão, tem muricego trepano na sala! Um facão rasgou o ar…adeus muricegos. Vida selvagem.

E quem disse que a natureza é silenciosa nunca viu uma de verdade. Natureza silenciosa é dos filmes. A de verdade é do barulho. Aponte o ouvido pro breu e vai ouvir zilhões de grilos, sapos, urutaus, corujas, pios estranhos, criaturas sombrias… lobisomens, sacis, ETs… E quem disse que no breu as estrelas somem do céu? Nada! Nasce é mais é estrela a cada noite nesse breu de vida selvagem. Elas fornicam de dia e dão luz no escurinho, escancaradas. Marré tanta estrela que nem dá ideia do tanto. E aquela zorra da lua cheia que até confunde o relógio biológico – será dia?, perguntam as células.

Tive que sair desse inferno por dois dias. Peguei estrada e cheguei na cidade, via BR 324, Acesso Norte, Iguatemi, às 8h da manhã. Aquele cenário, monte de ferro quente junto sortano gasolina pelos buraco…Aí minhas células gritaram lá dos confins: vc quer mesmo é fuuu… fornicar com a gente, né, seu…seu coiso ruim…Dá pra vortar logo?

Arthur Andrade é jornalista, ex-editor da coluna Bahia com H, do extinto diário Bahia Hoje, colaborador de raiz do Bahia em Pauta.

BOM DIA

DO G1/ O GLOBO

Os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes protagonizaram nesta quinta-feira (26) uma tensa discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

A discussão começou quando Gilmar criticou a forma como o Rio de Janeiro – estado de origem de Barroso e em grave crise fiscal – vinha utilizando dinheiro de terceiros depositados na Justiça para pagar dívidas que tinha com pessoas e empresas.

Na sessão, estava em julgamento outro assunto: uma ação para validar a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará. No momento, Gilmar Mendes votava e falava sobre a gestão de recursos públicos.

Incomodado com a crítica ao Rio de Janeiro, Barroso citou Mato Grosso, estado de Gilmar Mendes, “onde está todo mundo preso”.

Gilmar Mendes então treplicou lembrando da atuação de Barroso no mensalão: afirmou que ele soltou o ex-ministro José Dirceu. Relator da execução penal do petista, Barroso respondeu que tomou a decisão com base em decreto da ex-presidente Dilma Rousseff de conceder indulto (perdão da pena) a condenados.

“Não transfira para mim essa parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade de colarinho branco”, disse Barroso ao final da discussão a Gilmar Mendes, que apenas respondeu: “Hehehe, imagine”.

Durante a discussão, Gilmar disse que Barroso foi responsável por soltar o ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão. Barroso explicou que apenas tinha cumprido a lei, disse que o colega mentia e fez críticas à atuação dele na Corte.

“Vossa Excelência devia ouvir a última música do Chico Buarque: a raiva é filha do medo e mãe da covardia. Vossa excelência fica destilando ódio o tempo inteiro. Não julga, não fala coisas racionais, articuladas, sempre fala coisa contra alguém, está sempre com ódio de alguém, está sempre com raiva de alguém. Use um argumento”, falou.

Em um momento seguinte, Gilmar respondeu:

“Quanto ao meu compromisso com o crime de colarinho branco, eu tenho compromisso com os direitos fundamentais. Fui o presidente do STF que foi inicialmente que liderou todo o mutirão carcerário. São 22 mil presos libertados e era gente que não tinha sequer advogado. Não sou advogado de bandidos internacionais”, provocou.

Barroso ainda replicou: “Vossa excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é estado de direito, é estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário”, disse.
Ministros Barroso e Gilmar Mendes trocam acusações durante sessão do STF

Ministros Barroso e Gilmar Mendes trocam acusações durante sessão do STF

A discussão

Leia abaixo a transcrição da discussão entre os dois ministros:

Gilmar Mendes: Nós declaramos inconstitucional uma emenda, mas os estados estavam pagando, era obrigatório. Tinha até requisição obrigatória para isso. Mas nós declaramos inconstitucional uma emenda, duas semanas depois disse ela fica em vigor. Ficou em vigor e obviamente já não valeu mais nada a decisão. Aí viemos e modulamos os efeitos. Dissemos os estados que não davam conta de pagar em 15 deveriam pagar em 5. O último movimento desse episódio, e aí nós tivemos até um debate em plenário, em que se disse por exemplo que a gente devia seguir a fórmula do Rio de Janeiro. Vossa Excelência deve se lembrar disso. Que usavam os depósitos judiciais para pagar. Veja que não estou fazendo nenhuma ironia. Não sei para que hoje o Rio de Janeiro é modelo, mas à época se disse, devíamos seguir o modelo do Rio de Janeiro. Eu mesmo sou relator de um processo contra os depósitos judiciais e mandei sustar a transferência para o Rio de Janeiro. Mas se disse a prova de que falta credibilidade ao administrador é o caso do Rio de Janeiro. Gente, citar o Rio de Janeiro como exemplo
Luís Roberto Barroso: Eles devem achar que é Mato Grosso.
Gilmar Mendes: Não, é o Rio de Janeiro mesmo.
Luís Roberto Barroso: Onde tá todo mundo preso.
Gilmar Mendes: Ah não, no Rio não estão.
Luís Roberto Barroso: Aliás, nós prendemos, tem gente que solta.
Gilmar Mendes: Veja o caso… Solta cumprindo a Constituição. Quem gosta de prender? Vossa excelência quando chegou aqui soltou o José Dirceu.
Luís Roberto Barroso: Ele recebeu indulto do presidente da República.
Gilmar Mendes: Não, não. Vossa excelência julgou os embargos infringentes.
Luís Roberto Barroso: Absolutamente, é mentira.
Gilmar Mendes: Vossa excelência, dizia que o mensalão…
Luís Roberto Barroso: Aliás, vossa excelência normalmente não trabalha com a verdade.
Gilmar Mendes: Não, não.
Luís Roberto Barroso: Então gostaria de dizer que José Dirceu foi solto por indulto da presidente da República e vossa excelência está fazendo um comício que não tem nada que ver com extinção de tribunal de contas no Ceará. Vossa excelência está queixoso porque perdeu o caso dos precatórios e está ocupando tempo do plenário com assunto que não é pertinente para destilar esse ódio constante que vossa excelência tem e agora eu diria contra o Rio de Janeiro. Vossa excelência devia ouvir a última música do Chico Buarque: a raiva é filha do medo e mãe da covardia. Vossa excelência fica destilando ódio o tempo inteiro. Não julga, não fala coisas racionais, articuladas, sempre fala coisa contra alguém, está sempre com ódio de alguém, está sempre com raiva de alguém. Use um argumento.
Cármen Lúcia: Ministro, eu pediria que a gente voltasse para o julgamento do caso por favor.
Gilmar Mendes: Vou voltar. Eu só queria lembrar que os embargos infringentes do José Dirceu foram decididos aqui com… E se dizia que mensalão era caso fora da curva.
Luís Roberto Barroso: José Dirceu permaneceu preso, sob minha jurisdição, sob minha jurisdição, inclusive revoguei a prisão domiciliar que achei imprópria e concedi a ele indulto com base no decreto aprovado pela presidente da República, porque ninguém é melhor nem pior que ninguém, portanto apliquei a ele a lei que vale para todo mundo. Quem decidiu aliás foi o Supremo e não fui eu. Porque o Supremo tem 11 ministros, e, portanto, a maioria entendeu que não havia o crime. E depois ele cumpriu a pena e só foi solto por indulto e mesmo assim permaneceu preso porque estava preso por determinação da 13ª Vara Federal de Curitiba e agora só está solto porque a Segunda Turma determinou que ele fosse solto. Portanto não transfira para mim essa parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade de colarinho branco.
Gilmar Mendes: Hehehe, imagine.

Alguns minutos depois. eles retomaram a discussão:

Gilmar Mendes: E chamo atenção, presidente para o próprio decreto constitucional aqui adotado que simplesmente não faz nenhuma clausula de transição. Quanto ao meu compromisso com o crime de colarinho branco, presidente, eu tenho compromisso com os direitos fundamentais. Fui o presidente do STF que foi inicialmente que liderou todo o mutirão carcerário. São 22 mil presos libertados e era gente que não tinha sequer advogado. Não sou advogado de bandidos internacionais.
Luís Roberto Barroso: Vossa excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é estado de direito, é estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário.
Cármen Lúcia: peço por favor, estamos no plenário do Supremo
Gilmar Mendes: Então, tenho esse histórico e realmente na segunda turma que eu sempre integrei nós temos uma jurisprudencia responsável, libertária e não fazemos populismo com prisões.
Carmen Lúcia: Ninguém faz, ministro, o Supremo faz julgamentos
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DO Blog de Andréia Sadi

Temer irá a São Paulo nesta sexta-feira

O presidente Michel Temer irá a São Paulo nesta sexta-feira (27).

Nesta quarta, o presidente foi internado no Hospital do Exército e diagnosticado com uma obstrução urológica, enquanto os deputados federais discutiam o destino da segunda denúncia contra ele – que foi barrada posteriormente.

Segundo o Blog apurou, o presidente tem sido aconselhado desde então a viajar para a capital paulista pelo seu médico, Roberto Kalil, para realizar novos exames.

De acordo com a a assessoria do Planalto, Temer vai se submeter a novos exames no sábado, em São Paulo.

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Posted on 27-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

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Posted on 27-10-2017
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Associação de procuradores rebate ataque de Gilmar a Janot

A Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou nota de repúdio às “críticas pessoais” de Gilmar Mendes ao ex-PGR Rodrigo Janot.

Leia abaixo a íntegra da nota assinada por José Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR:

“A ANPR vem a público, mais uma vez, repudiar as críticas pessoais recorrentes lançadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes contra o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o procurador regional da República Eduardo Pelella. É lamentável sob todo e qualquer aspecto que um Ministro do STF use a sua posição, de forma reiterada, para desferir ataques pessoais e desenvolver o que a esta altura é claramente uma agenda particular, sem qualquer relação com suas funções ou com o interesse público. Ao assim agir, o ministro Gilmar Mendes compromete o trabalho desenvolvido pela própria Suprema Corte do país.

Chamar de delinquentes pessoas que sequer respondem por qualquer investigação é indevido e irresponsável. Críticas pessoais e sem base e ataques a honra de cidadãos e agentes públicos são absolutamente descabidos.

Repita-se: nenhuma investigação há sobre os Membros do MPF citados pelo ministro do Supremo, porquanto é gratuita, descabida e leviana a comparação dos mesmos a delinquentes.

No caso, ao dedicarem-se por 4 anos ao exercício de suas atribuições constitucionais, Rodrigo Janot e Eduardo Pelella prestaram grande serviço ao país no que se refere ao combate à corrupção e têm o apoio dos procuradores da República.

José Robalinho Cavalcanti”


Beatriz Fernandes.

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

A apresentadora da Televisão Pública de Angola (TPA) Beatriz Fernandes foi hoje encontrada morta, em Luanda, depois de ter sido sequestrada juntamente com os filhos, notícia que foi transmitida em direto por uma jornalista do canal.

Em lágrimas, a colega da apresentadora, que estava desaparecida depois de ter sido levada à força na capital, na noite de quarta-feira, no carro em que seguia com os filhos, anunciou ao final da tarde de hoje que o corpo de Beatriz Fernandes foi encontrado pelo Serviço de Investigação Criminal angolano, a cerca de 30 quilômetros do centro de Luanda.

De acordo com um familiar da apresentadora, Beatriz Fernandes foi sequestrada na chegada a uma unidade hospitalar de Luanda e os dois filhos menores foram entregues, em pânico, numa delegacia da capital.

Nas últimas semanas há registro de um aumento de casos conhecidos de sequestros em Luanda, seguido de homicídio, vitimando essencialmente mulheres, normalmente obrigadas a fazerem levantamentos de dinheiro nas caixas ATM.

A Polícia Nacional não forneceu mais pormenores sobre este caso.