DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Placar final da votação na Câmara

Terminou na Câmara a votação que enterrou a segunda denúncia da PGR contra Michel Temer. Foram 251 votos favoráveis ao presidente, 233 contra, 25 ausentes e 2 abstenções.

Foi um placar mais apertado do que no arquivamento da primeira denúncia, quando Temer teve 263 votos a favor e 227 contra, com 19 ausentes e 2 abstenções.

Vale a pena ler de novo (ou ler pela primeira vez): Crônica publicada neste site blog em 2010. Como ensina o baião de Luiz Gonzaga: “Saudade inté que assim é bom”. (Vitor Hugo Soares)

CRÔNICA

DETALHES

Maria Aparecida Torneros

Como profetizou o Rei Roberto, o tempo pode até transformar todo o amor em quase nada, mas um dia , muitos anos depois, você acorda e não é que lembra dele, por um detalhe, um movimento qualquer do dia-a-dia que faz com que sua lembrança volte, de repente, mesmo que o sentimento tenha se escafedido, o cara reaparece por uma frase que alguém disse, ressuscitado pela magia da memória que devolve o encanto por algum milésimo de segundo. E você se pergunta: onde ficou aquela criatura que me despertou a tal paixão avassaladora daqueles dias da minha mocidade?

Aliás, em tempos de tanto botox, tanta cirurgia plástica, tanta academia, haja “curves”, para conter o avanço da velhice sobre a juventude que se torna objeto de cultivo raro… por seu bom humor e inconsequencia, muito mais do que por sua contaminação de beleza, leveza, soltura de gestos, falta de dores musculares, ou coisa que o valha, pensemos, em contrição e com certa compaixão por nossa caminhada em mundo tão visual, onde parece até que ter peitos e coxas, bundas e faces, etc, etc, conservados em formol, daria a chave para abrir as portas do paraíso…

Como não se curvar diante daquele pequeno detalhe que alguém nos legou para florescer, exatamente, 20, 30, 40 anos depois, como se fora um feitiço virando contra o enfeitiçado? Aí, o som daquela voz antiga volta como num filme, o brilho de certo olhar insistente e pedinte ressurge das cinzas, o desenho de uma boca, de um nariz e até o contorno dos dedos dos pés podem oferecer registro póstumo para um amor que já morreu, uma daqueles transformado em “quase nada”, que, como diz a própria canção , o próprio “quase também é mais um detalhe…

Aí, melhor embarcar na sucessão de “quases”, deixar-se levar pela emoção revivida, anunciar ao velho coração que “tá tudo bem”, que pode se permitir reviver, rememorar, talvez o gosto de um velho beijo, quem sabe o calor de um abraço que virou nada, até a sensação da presença de alguém que a vida já levou para o outro lado, e a gargalhada, seu eco, sua marca, suas piadas, a luz da sua passagem em nossas vidas, pode ser de gente que está viva, nos deu momentos sublimes, e saiu por aí, casando e descasando, como todos nós, buscando pares novos para velhos desejos de sermos felizes…

E estar feliz é exatamente isso, é ter boas recordações, viver intensos encontros, continuar na luta em função de armazenar detalhes tão pequenos que um dia, ora, pode ser hoje e agora, nos tornam pessoas grandes, profundas, maduras, agradecidas por termos lembrancinhas de amores passados, pérolas de brilhos rejuvenescidos, tesouros interiores.

São tantas coisinhas miúdas, patrimônio nosso de cada dia, como o “pão nosso”, como o detalhe nosso, aquele que deixamos marcado em gente que nos ama ou já amou, nos recorda, e até nos reaparece numa manhã de terça-feira, como um presente que o correio deixou de entregar, levou anos na prateleira, e lá vem ele, exatamente no instante em que a gente descobre que estar vivo para reviver, é uma chance única, só nos resta agradecer…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher necessária

Formidable Paris!!!. Formidável Trenet!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
25
Posted on 25-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“O ‘novo DEM’ vai acabar se unindo ao PSDB”

Tucanos de cabeça preta e de cabeça branca apostam que, quando a campanha ao Planalto começar para valer em 2018, o tal do ‘novo DEM’ vai se aproximar do PSDB, sem constrangimento.

“Se o PSDB é meio Michel Temer, o DEM é totalmente Michel Temer. E o eleitorado de hoje está esperto. Não vai querer votar em ninguém de um partido que seja totalmente Michel Temer. O ‘novo DEM’ vai acabar se unindo ao PSDB”, afirmou a O Antagonista um tucano da velha guarda.

Meio, totalmente, cabeça preta, cabeça branca, mula sem cabeça: todos são parte da mesma gororoba.


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

A Câmara dos Deputados caminha nesta quarta-feira para barrar, pela segunda vez consecutiva, a abertura de um processo criminal contra o presidente Michel Temer (PMDB). Acusado pelo Ministério Público pelos crimes de obstrução de Justiça e formação de organização criminosa, Temer deverá ter ao menos 240 votos pela rejeição da denúncia. Para vetá-la, são necessários 172 votos. O placar da votação deverá sinalizar qual é o tamanho efetivo de sua base, poderá interferir na composição de seus ministérios e sinalizar quais projetos de lei devem ser encampados pelo Governo. Se o apoio for pequeno, dificilmente propostas de emenda constitucional deverão ser bancadas pela gestão do peemedebista.

Michel Temer é acusado ao lado de dois de seus principais ministros, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), de comporem o “quadrilhão do PMDB”, grupo que se beneficiou de desvios que atingem os 587 milhões de reais de contratos públicos. No mesmo processo, os parlamentar dirão se estão de acordo com o relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) que pede o arquivamento da investigação das três autoridades.

Até agora, os aliados mais otimistas de Temer calculam que o apoio a ele pode chegar aos 270 votos. Em qualquer cenário desenhado tanto pela oposição quanto pela situação, o presidente deverá se safar das apurações até o fim de 2018, quando encerra o mandato dele. Para evitar que os deputados autorizem que o Supremo Tribunal Federal julgue a denúncia, o apoio ao peemedebista tem de ser dado por pelo menos 172 dos 513 deputados. Ou seja, para que a apuração prospere, são necessários 342 votos. Caso consigam esse número e o Supremo Tribunal Federal aceite a abertura da investigação, o presidente é afasto do cargo e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, assume o mandato até a conclusão das investigações.
A oposição a Temer buscar prorrogar a sessão até a próxima semana

“Já temos maioria, mas ainda não os 342 votos necessários”, afirmou o deputado oposicionista Henrique Fontana (PT-RS). Segundo ele, uma das estratégias será a de esvaziar a sessão de votação e tentar prorrogá-la para a próxima semana. Seu cálculo é de que nesses sete dias a mais, outros deputados vão aderir ao grupo que defende a investigação contra o chefe do Poder Executivo. Nas contas de outro oposicionista, Júlio Delgado (PSB-MG), já há 247 parlamentares favoráveis à investigação, quase cem a menos do que o necessário para autorizar a abertura. Caso consigam chegar aos 342 votos, Temer

Do outro lado, a estratégia do Governo é tentar ampliar o número de apoios que obteve em agosto, quando a Câmara julgou a primeira denúncia. Na ocasião o placar acabou com 263 deputados votando contra a investigação e 227, a favor. “Estamos conversando com uma série de parlamentares e queremos ter a base de apoio do Governo ampliada nessa segunda denúncia e podermos passar a votar o que interessa ao Brasil”, disse o deputado Beto Mansur, vice-líder do Governo na Câmara.

12 billhões dos cofres públicos para manter a Temer

O custo de Temer para se livrar da acusação é alto. Um levantamento do jornal O Globo mostrou que a salvação do presidente custou cerca de 12 bilhões de reais aos cofres públicos. A conta foi a seguinte: 881 milhões de reais em emendas parlamentares pagas desde o início de setembro; abdicou de receber 2,8 bilhões de reais em multas ambientais; enfrentou a frustração da receita de 2,4 bilhões de reais com o programa de refinanciamento de dívidas (Refis); e desistiu de privatizar o aeroporto de Congonhas, que renderia cerca de 6 bilhões de reais.

Além da liberação de emendas, o presidente teve de prometer a alguns de seus aliados do centrão novos cargos em ministérios. O grupo está de olho na Secretaria de Governo, a responsável por fazer a articulação política que atualmente está sob a responsabilidade de Antônio Imbassahy (PSDB-BA). Este ministro, ao lado de outros dez que são deputados federais licenciados, retornarão à Câmara nesta quarta-feira apenas para votar favoravelmente a Temer.

out
25
Posted on 25-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

out
25
Posted on 25-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2017


O presidente chinês Xi Jinping nesta terça-feira
Lintao Zhang Getty


DO EL PAÍS

Macarena Vidal Liy

Pequim

O presidente Xi Jinping conseguiu. Já é, oficialmente, o homem mais poderoso da China nas últimas décadas. Seu nome e sua filosofia foram inscritos na Constituição do Partido Comunista (PC), alcançando o mesmo patamar que Mao Tsé-Tung (morto em 1976).

O secretário-geral do Partido, presidente da Comissão Central Militar e chefe de Estado encabeçou nesta terça-feira o encerramento do 19.o Congresso do Partido Comunista no Grande Palácio do Povo de Pequim.

O oficialmente denominado Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para Uma Nova Era passará a ser estudado nas escolas e integrará os “guias de ação” que todo bom comunista chinês deve seguir. Ou todo aquele que quiser chegar a algum lugar na nova grande potência.

Um “pensamento” que se resume no “grande sonho chinês de rejuvenescimento da nação”: o retorno da China ao papel de líder mundial, seja no campo econômico, político ou militar.

Até agora, somente os dois grandes dirigentes da República Popular da China, Mao Tsé-Tung e Deng Xiaoping, morto em 1997, haviam recebido a honra de que seus nomes figurassem no documento. Mas só Mao a desfrutou em vida. E somente ele viu reconhecida sua filosofia como “pensamento”; as ideias de Deng foram catalogadas apenas como “teoria”. Agora Xi iguala a façanha do Grande Timoneiro, deixando muito para trás dois antecessores vivos: Jiang Zemin e Hu Jintao. Embora os dois tenham conseguido incluir seus próprios preceitos, isso não aconteceu com seus nomes.

Uma prioridade desta terça para os 2.300 delegados foi nomear um novo Comitê Central para o partido que, na China, é o mais importante que o próprio Estado. Outra foi aprovar os trabalhos da Comissão Central para a Inspeção da Disciplina, o órgão encarregado da luta contra a corrupção.

Uma terceira tarefa foi aprovar as emendas constitucionais. Além de seu próprio nome, Xi conseguiu que fossem incluídos no documento base do partido a sua campanha contra a corrupção e a sua Nova Rota da Seda – o plano de conexão da China com a Europa e a África através de redes de infraestrutura.

“Há alguma objeção?”, perguntou Xi Jinping. “Mei You!” (Não há!), responderam, em cada ocasião, sete vozes – as dos grandes dirigentes do Partido. O último “Não há” foi o seu.
Participantes do Congresso do PC escutam a ‘Internacional’
Participantes do Congresso do PC escutam a ‘Internacional’ GREG BAKER AFP

“Hoje foi anunciado o início da era Xi”, afirma o historiador e analista político Zhang Lifan. “É a única pessoa, além de Mao, que conseguiu introduzir sua filosofia nos estatutos do partido em vida. Também devemos levar em conta o nome da teoria, 16 ideogramas em mandarim. Jiang Zemin e Hu Jintao já mencionaram uma ‘nova era’. ‘Socialismo com características chinesas’ é uma ideia de Deng Xiaoping. ‘Pensamento’ nos remete a Mao. Xi reúne tudo isso numa filosofia que tem o seu nome.”

Os analistas dizem que, com todo esse poder consolidado de forma definitiva, o chefe de Estado, de 64 anos, certamente continuará à frente do país além de 2022 – quando, segundo as normas tácitas do regime, ele deveria se aposentar por idade. No entanto, uma vez equiparado a Mao, é irrelevante o fato de que conserve seus títulos. Seja quem for que ocupar o cargo, sempre será ele, com seu status de grande imperador moderno, que terá a última palavra. Isso já aconteceu com Deng, o grande poder nas sombras até morrer, ainda que seu único título oficial na época fosse o de presidente honorário da Federação Chinesa de Bridge.

“[Xi] será o novo Grande Timoneiro, o grande arquiteto que levará a China a ser uma ‘forte potência socialista’ em 2050 ou mesmo antes. A essa altura, a China também será uma superpotência capaz de desafiar os Estados Unidos”, diz Willy Lam, da Universidade Chinesa de Hong Kong. “Mas, de um ponto de vista mais amplo, isso marca um grande retrocesso para a política chinesa: um grande passo de volta aos dias obscuros de governo de apenas um homem sob a ditadura de Mao Tsé-Tung.”

A sessão também designou os novos membros do Comitê Central do Partido, o terceiro nível da hierarquia comunista. São 376 pessoas – 204 fixas e 176 suplentes –, que amanhã, quarta-feira, nomearão os 25 integrantes do Politburo – o segundo nível – e os do Comitê Permanente, o máximo órgão de direção, com uma estrutura que oscila entre cinco e nove membros. Atualmente, são sete.

A grande incógnita é sobre as pessoas que acompanharão Xi no Comitê Permanente. Durante seu primeiro mandato, o secretário-geral do PC esteve rodeado dos assessores que selecionaram seus antecessores no cargo. Agora, ele tem a oportunidade de se rodear de seus fiéis.

Certo é que Li Keqiang continuará no cargo de primeiro-ministro. E já não há mais dúvida sobre uma questão proposta por alguns analistas: Wang Qishan, antigo braço direito de Xi e responsável pela Comissão Central para a Investigação da Disciplina (CCID), não seguirá no primeiro pelotão da política. Embora Qishan devesse se aposentar por idade, havia a hipótese de que continuasse no cargo, talvez administrando a economia chinesa. Mas seu nome não aparece entre os membros do novo Comitê Central.

Quem figura em todas as apostas é Zhao Leji, um dos homens de maior confiança de Xi e até agora diretor do Departamento de Organização do Partido, um cargo fundamental, encarregado das nomeações nos diversos organismos. Zhao foi incluído nesta terça entre os novos membros da CCID, indicando que será o novo líder dessa organização na “Nova Era”.

As mulheres, contudo, continuarão de fora do Comitê Permanente. O Partido nunca contou com uma figura feminina em seu nível mais alto de poder, e não parece agora abrir espaço às que “sustentam a metade do céu”, como dizia Mao. Ao contrário. As mulheres só conseguiram entrar no terceiro círculo de poder, o Comitê Central, de 376 membros, com o mesmo número que em 2012: apenas 10.

out
25
Posted on 25-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2017


Recepcionistas chinesas na praça Tiananmen
NICOLAS ASFOURI AFP

DO EL PAÍS

Macarena Vidal Liy
Pequim

Aplaudir o presidente Xi Jinping até arrebentar. Este é o objetivo do aplicativo que a Tencent, a gigante da tecnologia chinesa, projetou para os telefones dos cidadãos que quiserem demonstrar seu entusiasmo pelo homem mais poderoso da China, e que muitos conhecem simplesmente como Xi Dada (Tio Xi).

O funcionamento é simples: o aplicativo mostra mãos sobrepostas ao anfiteatro do Grande Palácio do Povo, onde Xi pronunciou na semana passada o discurso de inauguração do Congresso do partido, que durou três horas e meia. Pode-se escutar um trecho de 19 segundos do discurso e pressionar várias vezes sobre as mãos, que começam a aplaudir. Um contador mede o nível de profusão do aplauso.

De acordo com o site What’s on Weibo, que analisa as tendências do Twitter chinês, no primeiro dia de lançamento os cidadãos já brincaram mais de 400 milhões de vezes com esse aplicativo.

É mais uma amostra da adulação, ou do entusiasmo sincero, que cerca Xi. Um homem que, ao contrário de seu antecessor imediato, Hu Jintao – uma pessoa distante e de pouco carisma –, cultivou desde o primeiro momento uma imagem de homem afável e de gostos populares. Um homem que, mediante sua campanha contra a corrupção e a defesa do papel protagonista da China no mundo, conquistou uma grande popularidade entre a população.

“Eu me alegro muito que seu pensamento tenha sido incluído na Constituição do partido. Depois de cinco anos de sucesso é um modo de reconhecer suas conquistas”, afirmava nesta quarta-feira (horário na China), Li Wanjun, um delegado ao Congresso pela província de Jilin e funcionário de uma fábrica de trens de alta velocidade. “Não somente nós, os chineses, apoiamos que seu pensamento seja incluído, mas os povos de todo o mundo que foram favorecidos pela ajuda da China.”

Esta popularidade vem reforçada por declarações públicas de lealdade para com o presidente e o partido, praticamente desaparecidas durante o mandato de Hu, mas cada vez mais frequentes na era de Xi. Enquanto o presidente pronunciava o discurso na semana passada, as redes sociais chinesas se enchiam de imagens de hospitais, presídios ou até creches em que todos – doentes, presos ou crianças – acompanhavam absortos pela televisão a apresentação de Xi sobre o “Pensamento sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”.

Todas as redes de televisão chinesas, nacionais e provinciais, estavam então sintonizadas no Grande Palácio do Povo. A única exceção, a televisão da cidade de Xiamen, na costa.

Durante esses dias, as ruas foram cobertas de cartazes e faixas com a imagem de Xi e lemas como Continuar conquistando os sucessos do socialismo… com o camarada Xi Jinping como núcleo.

Os louvores a Xi são especialmente visíveis na exposição Cinco Anos de Conquistas, instalada em um enorme complexo construído nos anos de amizade soviética, no oeste de Pequim, e inaugurada como parte dos preparativos para o Congresso.

Sala após sala, a exposição passa em revista os avanços da China nos últimos anos – o trem de alta velocidade mais rápido do mundo, o maior telescópio, um submarino de águas profundas – para deixar claro que são êxitos resultantes da liderança de Xi. A sala dedicada à remodelação do Exército – que inclui uma área de simulação de lançamento de lança-granadas – abrange nada menos que nove fotografias em grande tamanho do presidente, que prometeu transformar as forças armadas em um instrumento capaz de ganhar guerras. No vestíbulo, uma enorme estante exibe as obras completas do presidente.

A exposição também deixa clara uma tendência na propaganda sobre Xi. Se nos primeiros anos se inclinava a apresentar uma imagem mais humana do líder, agora a ênfase está em expor os benefícios que gerou à nação e descrevê-lo como um homem de Estado.

No entanto, quase desapareceram dos mercados de rua os artigos de lembranças – pingentes, copos – com a imagem de Xi, só ou acompanhado da esposa, a cantora clássica Peng Liyuan. Aparentemente, o partido não viu com agrado que se começasse a falar em um culto à personalidade semelhante ao de Mao, e as quinquilharias desapareceram com a mesma rapidez com que haviam chegado.

Os elogios desmedidos, porém, ainda estão muito longe dos tempos de Mao e da Revolução Cultural. Aqueles tempos em que Mao dava de presente uma caixa de mangas a uma fábrica e a manga se transformava em um objeto de culto a ser conservado em formol, reproduzida em cera ou plástico ou até venerada em altares.