Ê Minas, Ê Minas, é hora de partir, eu vou/ Vou-me embora pra bem longe…

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Cármen Lúcia: estragos no Supremo e na biografia…


…e Aécio: ao Senado cabe agora a decisão sobe ele

ARTIGO DA SEMANA

Cármen Lúcia: rendição no Supremo e o mandamento de Ulysses

Vitor Hugo Soares

“Por toda terra que passo/ Me espanta tudo o que vejo…/…O olhar que prende anda solto/ O olhar que solta anda preso./…Ê, Minas/Ê, Minas/É hora de partir/Eu vou/ Vou-me embora pra bem longe”. (Versos de “Desenredo”, canção mineira gravada pelo grupo Boca Livre)

Diante da televisão, na Cidade da Bahia (de todos os santos e de quase todos os pecados), faço duas constatações ao mesmo tempo, a partir das constrangedoras situações, que se abatem sobre o País no mesmo dia e ao mesmo tempo. É quarta-feira e o golpe abaixo da linha da cintura vem ao assistir, através do canal privado que transmite, ao vivo, a sessão de 11 de outubro, no Supremo Tribunal Federal, presidida pela ministra Cármen Lúcia. Uma data para não esquecer na história da corte maior da justiça brasileira, arrastada a momento quase supremo de humilhação, submissão e chicana.

Salta aos olhos a primeira verdade, que aprendi nas redações do Jornal do Brasil, da Veja e de A Tarde, em períodos de tensas e cruciaIs coberturas de crises políticas, econômica e socias, ou de graves tragédias humanas e desastres naturais: nada é tão ruim que não possa piorar ainda mais.

Logo se configura também a segunda (e ainda mais triste constatação), cujos sinais iniciais o jornalista já percebia há bastante tempo. Mas se deixava iludir, talvez por uma daquelas inexplicáveis quedas de simpatia pessoal, um afeto sem motivo, uma admiração sem causa, que cada um de nós tem pelo menos uma ou duas vezes na vida. Ou, quem sabe, por simplesmente não querer acreditar naquilo que os signos mostravam e os olhos (mesmo meio cansados) enxergavam.

Tudo se consolida no correr da longa e penitencial sessão de quase 13 horas de duração (somadas as suas duas partes), na véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. “Conduzida” por uma ministra presidente trôpega nas palavras, vacilante nos modos e visivelmente perdida nos labirintos de seu comportamento contraditório, tosco mesmo, a ponto de merecer explícito “pito” de desapontamento por parte do ministro relator Edson Fachin. A jurista mineira precisou até da prestimosa e providencial ajuda do decano, Celso de Mello, quando, desgraçadamente, tropeçava na exposição de seu confuso voto pela salvação do conterrâneo senador tucano, Aécio Neves, e se enredava a ponto de não conseguir alinhavar os termos finais da dec isão, no julgamento que ela presidia . Um final mais constrangedor e melancólico, impossível.

A segunda verdade a que me refiro, no começo deste artigo, cobra do autor a reprodução, mais uma vez, do enunciado do primeiro mandamento – a Coragem – do Decálogo do Estadista. Transcendente legado político e moral do ex-deputado Ulysses Guimarães (parlamentar com P maiúsculo encantado no fundo do mar). Tantas e tão repetida vezes citado, em vão, ultimamente, pela ministra presidente do STF. Com a palavra, portanto, o eterno e indomável guerreiro, artífice e defensor da Constituição de 1988, duramente agredida e ferida pelos 6 a 5 da decisão de quarta-feira:

“O pusilânime nunca será estadista”, afirma de saída, sem apelação. E prossegue com o registro da afirmativa de Churchill de que, das virtudes, a coragem é a primeira. Porque sem ela, todas as demais, a fé, a caridade, o patriotismo desaparecem na hora do perigo. “Há momentos em que o homem público (e a mulher) tem que decidir, mesmo com risco de sua vida, liberdade, impopularidade ou exílio. Sem coragem não o fará. Cesar não foi ao Rubicon para pescar, disse André Malraux. Se Pedro Primeiro fosse ao Ipiranga para beber água, suas estátuas não se ergueriam nas praças públicas do Brasil”.

No arremate brilhantemente verdadeiro de seu conceito, Ulysses proclama: “O medo tem cheiro. O cavalo e os cachorros sentem-no, por isso derrubam ou mordem os medrosos. Mesmo longe, chega ao povo o cheiro corajoso de seus líderes. A liderança é um risco, quem não o assume não merece esse nome”.

Verdade reluzente. Já citada, mais de uma vez, neste espaço semanal de informação e opinião em outros momentos igualmente graves. Citarei outras tantas, quantas vezes sejam necessárias tão sábios e necessários ensinamentos. Mesmo que seja apenas em nome da memória do criador do Decálogo do Estadista, que de tempos em tempos parece ressurgir espiritualmente das profundezas do oceano e sobrevoar Brasília e o País, para atiçar algumas consciências, acender faróis, clamar pelo não arrefecimento do combate vigilante e permanente contra os corruptos e corruptores (“pragas devastadoras da nação”), destronar vestais e apontar caminhos, sempre possíveis, de honra, coragem e (quem sabe?) de salvação.< /p>

O estrago está feito na história cheia de altos e baixos do Supremo Tribunal Federal, e na biografia da ministra Cármen Lúcia, sua atual presidente. Seguramente, a principal atingida pelos escombros do desabamento desta tristonha semana de outubro, decorrente da rendição registrada no 6 a 5 de quarta-feira, placar final de pelada de várzea. Com o voto da ministra presidente, não cabe mais ao STF a decisão final sobre a aplicação de medidas cautelares a parlamentares (mesmo quando vergonhosamente apanhados com a boca na botija). Se a cautelar atrapalhar a vida de um parlamentar (por mais corrupto que seja), ainda assim a palavra final será do poder Legislativo, que faz a lei, e não do Judiciário, a quem cabe zelar pelo cumprimento das normas da Constituição.

Entendeu, ou é preciso desenhar? A bola, redondinha, está agora nos pés (ou nas mãos) de profissionais do malabarismo parlamentar, vários deles apanhados em faltas graves, mas que ligam pouco (ou nada) para regras, a começar pelo tucano Aécio Neves, principal beneficiário da votação presidida pela conterrânea (amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas). O destino do senador por Minas Gerais será jogado, na semana que vem, por seus pares no Senado. Já começa o jogo de abafa para que tudo se resolva na base do voto fechado. Quem arrisca um resultado?
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Posted on 14-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-10-2017


Sinovaldo, no jornal NH (RS)


DO G1/JORNAL NACIONAL

Em vídeos divulgados pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’, doleiro fez acusações contra Michel Temer, Eduardo Cunha e peemedebistas. José Yunes nega e diz que vai processar Funaro.

Por Vladimir Netto, TV Globo, Brasília

Foram divulgados nesta sexta-feira (13) trechos das gravações dos depoimentos de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria Geral da República. Em um deles, o operador financeiro faz acusações sobre a existência de um suposto esquema de propina envolvendo o presidente Michel Temer, aliados dele e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os vídeos foram divulgados no site do jornal “Folha de S.Paulo”.

Neles, Funaro, apontado como operador do PMDB, conta os motivos de ter ido ao escritório do advogado José Yunes, amigo de longa data e ex-assessor do presidente Temer, para pegar R$ 1 milhão, que teriam de ser entregues ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA).

“O que eu soube, pelos fatos que vivenciei, foi que em 2014, o Geddel me ligou e me informou que tinha um dinheiro que ele precisava retirar em São Paulo, oriundo da Odebrecht. E que precisava que esse dinheiro fosse levado pra Salvador. E me perguntou se eu podia fazer esse favor pra ele. E eu respondi que podia fazer esse favor pra ele, que não teria problema nenhum”, disse o doleiro à PGR.

A história veio a público pela primeira vez, na época em que foi divulgada a delação da construtora Odebrecht, em abril. O ex-executivo da empresa Cláudio Mello Filho foi o primeiro a envolver Yunes na entrega de dinheiro ao PMDB.

Após a delação se tornar conhecida, Yunes foi exonerado do cargo de assessor especial da Presidência e prestou um depoimento voluntário sobre esse episódio, no qual disse que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, pediu a ele em 2014 para receber um “documento” em seu escritório.

“Na verdade, eu fui um ‘mula’ involuntário. Por quê? Eu contei a história que é a minha versão dos fatos e real. O Padilha em 2014 pediu se poderia uma pessoa entregar um documento no meu escritório que uma outra pessoa iria pegar. Falei: ‘sem problema nenhum’. Foi o que ocorreu. Agora, quem levou o documento, que eu não conhecia a pessoa, é o tal de Lúcio Funaro. Ele levou o documento. Eu não o conhecia. Ele deixou lá envelope e falou: ‘uma outra pessoa vai falar em nome do Lúcio e vai pegar o documento’. Uma pessoa foi no escritório e pegou o documento que era um envelope, né? Essa é a realidade dos fatos”, disse Yunes ao Ministério Público.

Funaro, porém, disse em sua delação premiada ter “certeza” de que José Uunes sabia que se tratava de uma entrega de dinheiro.

“Mas que ele tinha certeza que era dinheiro, ele sabia que era dinheiro. Tanto que ele perguntou se o meu carro estava na garagem. Porque ele não queria que eu corresse o risco de sair com a caixa pra rua. E até pelo próprio peso da caixa, né?”, afirmou.

“Para um volume de R$ 1 milhão, é uma caixa bem pesada”, complementou Funaro.

No mês passado, a TV Globo teve acesso ao depoimento de funaro em que ele também contava como pegou essa caixa de dinheiro com Yunes e a fez chegar em Salvador. Para Funaro, não há como Jose Yunes dizer que foi apenas um “mula” e que não sabia de nada.

“Agora, se ele recebeu só a parte do Geddel ou se ele recebeu mais dinheiro, eu não posso afirmar. Mas ele recebeu esse R$ 1 milhão e depois repassou esse dinheiro pra mim. E ele afirmar que foi feito de ‘mula’ pelo ministro Padilha, que ele não sabia que dentro da caixa tinha dinheiro, é impossível, porque nenhum doleiro vai entregar R$ 1 milhão no escritório de ninguém sem segurança e ninguém vai mandar entregar um dinheiro, R$ 1 milhão, sem avisar que está mandando entregar valores, porque senão a pessoa pode pegar a caixa e deixar jogada em algum lugar, ter um assalto, ter alguma coisa. O escritório dele não era em um prédio, era em casa. Então., é uma coisa que não existe, né?”, afirmou o doleiro.

Cunha

Em outro depoimento, também em vídeo, Funaro fala sobre a atuação do deputado cassado Eduardo Cunha, a quem era muito ligado. Funaro conta que o peemedebista era uma espécie de “banco” para os corruptos.

“Que eu saiba, eu, o Eduardo e Geddel. Mas como tudo que chegava no Eduardo redistribuía, o Eduardo ele funciova com se fosse um banco de corrupção e de políticos. Ou seja, todo mundo que precisava de recursos pedia pra ele e ele cedia os recursos, e em troca mandava no mandato do cara, era assim que funcionava”, afirmou.

Funaro também contou que era ele quem conseguia dinheiro vivo de empresários, como Joesley Batista, para entregar ao que chamou de “bancada do Eduardo Cunha”. E citou até o nome do presidente Michel Temer, que à época era vice-presidente da República.

“Ou era da Viscaia ou da Araguaia e ai eu pagava boletos de supermercados ou boletos de contas que um doleiro que chama Toni me mandava, e ele me cobrava um percentual e me entregava em dinheiro vivo. O dinheiro vivo chegando em minha mão, eu distribuía pra quem eu tinha que pagar. E nesse caso, era o Eduardo Cunha que fazia o repasse para quem era de direito dentro do PMDB, que eram as pessoas que apoiavam ele dentro do PMDB”, afirmou o doleiro.

Ao ser questionado sobre quem seriam essas pessoas, respondeu: ” Henrique Alves, Michel Temer, todas as pessoas, a bancada, que a gente chamava de bancada do Eduardo Cunha”.

O que disseram os citados

A assessoria do Palácio do Planalto declarou que o presidente Michel Temer não fazia parte da bancada de ninguém, e que toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa.

O advogado de José Yunes disse em nota que “Lúcio Funaro já faltou com a verdade em inúmeras oportunidades”.

“José Yunes, ao contrário de Funaro, goza de credibilidade. Tão logo esses fatos ficaram públicos procurou a PGR e prestou todos os esclarecimentos devidos. “Yunes teve seus argumentos acolhidos pelo Ministério Público tanto que jamais foi denunciado, mas sim arrolado como testemunha de acusação. É importante registrar que Funaro será processado por denunciação caluniosa pelo meu cliente”, disse a defesa de Yunes.

A defesa de Eduardo Cunha disse que, em busca de benefícios, Funaro atribui a outros a participação e cumplicidade em seus atos ilícitos.

A defesa de Geddel Vieira Lima disse que não se manifesta sobre o que não teve acesso, “sobretudo de réus delatores que são inexplicavelmente soltos quando começam a mentir”.


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Previsão de alta para Jucá

Segundo a Época, Romero Jucá, que não tinha previsão de alta, agora pode sair do Sírio-Libanês no domingo.

O peemedebista, líder do governo no Senado, está internado com diverticulite.

Como observou a revista, os senadores favoráveis à salvação de Aécio Neves aguardam ansiosamente que Jucá volte a tempo de pegar a sessão do dia 17.

Escrevi ontem, nos espaços de Regina, a mana, e de Gabee, a amada afilhada, no Facebook, ambas na Califórnia:

Vitor Hugo Soares – Pode apostar, mana. Cuide-se, proteja-se e ajude os que precisam.O fogo vai passar e a Califórnia e seu povo vencerão mais este desastre. Depois do fogo os lindos campos de Santa Rosa, Napa e Sonoma ( que me conquistaram quando aí estive com você, Gabee, Pablo, Robert e meu compadre Oscar, voltarão a florescer e os vinhos e as uvas serão ainda melhores. Mande notícias. Beijos.
(Hugo)

BOM DIA!

DO EL PAÍS

Rosa Jiménez Cano

San Francisco

Os 21 focos de incêndio ativos na Califórnia nesta quinta-feira (um a menos do que na quarta-feira) já tinham feito 31 vítimas fatais, segundo o último balanço divulgado na quinta-feira pela tarde, que informa também que 400 pessoas seguem desaparecidas. O fogo arrasou 77.000 hectares —praticamente o tamanho da cidade de Nova York—. As chamas destruíram 3.500 edificações. O foco mais grave, o que espreita a localidade de Santa Rosa, a 90 quilômetros ao norte de San Francisco, só estava controlado em cerca de 10% na quinta-feira e já queimou 14.000 hectares. Com estas cifras, esta já é considerada a série de incêndios mais mortal dentre as registradas no Estado.

Com as chamas rondando a baía, San Francisco tem cheiro de fumaça. Uma densa nuvem cobre uma cidade normalmente limpa pelas correntes de ar da baía. Recomenda-se não ventilar a casa ou fazer exercício ao ar livre. Melhor se crianças e idosos não saiam à rua. Em San José, a antiga capital de Silicon Valley, a situação é muito parecida. Embora esteja mais ao sul, a localidade está mais bem conectada pelos incêndios que atingem o norte de Califórnia e estão causando danos nas localidades de Sonoma e Napa, conhecidas por sua atividade vinícola e turística.

Segundo o último balanço, o número de desaparecidos supera 400 pessoas no condado de Sonoma, o mais afetado. O xerife do condado esclareceu que este número representa só telefonemas ou mensagens de pessoas que não encontravam alguém nos primeiros dias do incêndio. Muitas destas pessoas aparecerão, mas as autoridades apenas agora começaram a fazer buscas entre os escombros das casas, e a cifra de mortos pode subir.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, afirmou que os incêndios são os mais destrutivos até o momento. “Tivemos grandes incêndios no passado, mas este é um dos maiores, dos mais sérios. E não terminou”. Segundo os dados do Cal Fire, o Departamento de Florestas e Proteção de Incêndios, este é o incêndio que mais danos materiais provocou dentre os que se tem registro. Mais de 8.000 bombeiros trabalham. As equipes de combate contam com 73 helicópteros, 30 aviões e 550 carros de bombeiro. Cifras altas, mas não suficientes. Solicitou-se ao Governo federal mais 154 unidades e, aos Estados vizinhos, outras 170.

O incêndio mais grave na Califórnia de que se tinha registro até agora aconteceu em Alameda, em 1991: queimou 2.900 edifícios e tirou a vida de 25 pessoas. Depois deste, o incêndio de Cedar, registrado em San Diego em 2003, foi o mais grave, com um saldo de 2.800 propriedades queimadas e 15 mortos.

Durante a tarde da quarta-feira e a noite da quinta-feira, os esforços foram em impedir que as rajadas de vento —de até 96 quilômetros por hora— abram novas frentes de incêndio.“Haverá mais incêndios nos próximos dias. É uma situação imprevisível. Estamos diante de um evento sério, crítico e catastrófico”, afirmou Ken Pimlott, chefe do Cal Fire.