DEU NO JORNAL A TARDE

Morreu na manhã deste sábado, 7, aos 86 anos, dona Arlette Maron de Magalhães. Ela é viúva do ex-senador Antônio Carlos Magalhães e avó do prefeito de Salvador ACM Neto. O sepultamento dela será neste sábado, 7, às 17h, no cemitério Campo Santo, na Federação, no mausoléu da família. No mesmo local, haverá uma missa de despedida às 16h.

A ex-primeira dama estava internada no Hospital Cardio Pulmonar, na avenida Garibaldi, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Dona Arlette, que nasceu em Itabuna em 1930, e ACM tiveram quatro filhos: Antonio Carlos Júnior (pai de ACM Neto), Teresa, Ana Lúcia (falecida em 1986) e Luís Eduardo (morto em 21 de abril de 1998) .

Em nota, ACM Neto lamentou a morte da avó: “É um momento de dor para toda a família e para aqueles que conviviam com dona Arlette. Perdi uma avó dedicada, uma amiga e grande conselheira”.

O governador da Bahia, Rui Costa, também mostrou consternação pelo falecimento de dona Arlette por meio de uma rede social. “Meus sentimentos aos familiares e amigos da ex-primeira-dama do Estado.

Deu na VEJA

Geddel Vieira Lima chegou ao limite. O ex-ministro deixou claro para colegas de prisão seu desespero: “Não sei mais o que fazer para sair daqui”.

O ex-ministro foi preso há quase um mês após o cumprimento de mandado de busca e apreensão no “bunker” onde foram encontrados mais de 51 milhões de reais em espécie.


Busto de Rui Barbosa no Senado:
no foco dos discursos de Renan e
Jucá em defesa de Aécio.


Hotéis Malalay Bay e Luxor (Pirâmide):
na zona do massacre em Las Vegas.

RTIGO DA SEMANA

De Brasília a Las Vegas: desolações de outubro

Vitor Hugo Soares

O Planalto Central do Brasil anda descompensado. É verdade que os donos do poder, habitantes daquelas bandas, nunca foram lá muito certos e coerentes, mas o fato é que a situação, ultimamente, anda de assustar: de dar calafrios neste começo de outubro, mês cujo signo é Libra, o da balança que sugere equilíbrio, diálogo, diplomacia e coisas do tipo que o jornalista imaginava conhecer bem, por ter nascido sob sua regência. Um Balança – leio ao acaso em um horóscopo das redes sociais – “gosta de agradar toda gente, o que os coloca frequentemente em sarilhos”. Sendo isso mesmo, que o glorioso Santo Antonio proteja o ateu que acredita em milagres, autor deste artigo de informação e opinião.

Em Brasília, repito, anda tudo revirado. A começar pelo palácio presidencial onde, o mandatário da vez, Michel Temer recebe filas de deputados em deslavada algaravia de feira na hora da xepa: pregões, promessas, tapinhas nas costas, salamaleques, cobranças de dívidas passadas, novas promessas de favores e o diabo a quatro mais que for preciso. O canavial da sogra empenhado (como dizia o mestre Hugo Araújo, na Faculdade de Direito da UFBA, nos anos 60), em troca de votos parlamentares que, de novo, impeçam que graves denúncias de malfeitos presidenciais (e de outros figurões do palácio maior da República), sejam devida e cabalmente investigadas.

Uma ofensiva na base do jogo bruto (a canelada substituindo a canetada, se preciso) para impedir a autorização necessária ao prosseguimento, no Supremo Tribunal Federal, das apurações de acusações apresentadas pela PGR, por práticas de organização criminosa e obstrução da justiça. Na Câmara, um ainda jovem presidente da Casa, Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, e o combalido, mas emplumado tucano Bonifácio de Andrada, recrutado a dedo nas hostes do PSDB, para relator da denúncia na CCJ – mesmo de camisa trocada na quinta-feira com o notório topa – tudo, Marcos Feliciano, do PSC -, tocam a confusão adiante. Jogo de aparências e cumplicidades no congresso brasileiro. Mesmo aos noventa anos, Andrada ainda enxerga longe e conhece bem o terreno onde pisa. Parece seguro do seu papel na encenação. Parlamentar eleito por Minas Gerais, com muitos mandatos no currículo e pinta de bacharel do Império, ele dá shows diários, pois conhece a obra do conterrâneo Guimarães Rosa, e deve imaginar que, a exemplo da novela de Augusto Matraga, esta é a sua hora e a sua vez. O carioca nascido no Chile, Rodrigo Maia, também. A conferir.

No Senado, alguns se encarregam de tocar o medo, com voos rasteiros, na base dos ruídos retóricos de morcegos de quartéis ou de sacristias de antigas igrejas fechadas e abandonadas. Um deles, Renan Calheiros, personagem metido em praticamente todas as últimas grandes crises políticas e morais do Brasil – desde o governo Collor – , sugere o fechamento da casa política, onde ele representa Alagoas pelo PMDB, se a maioria de seus pares acatar a decisão do Supremo, de manter o senador Aécio Neves – outro apanhado com a mão na botija em deslavada e ofensiva conversa telefônica com o ex – presidente da JBS/Friboi, Joesley Batista – , afastado da atuação parlamentar e em obrigatório recolhimento noturno em seu apartamento.

O outro, Romero Jucá, do mesmo partido de Renan, entupido de antibióticos para curar uma crise braba de diverticulite que o atacou em Cuiabá, defende, pelos mesmos motivos explícitos (e outros mais, inconfessáveis), a retirada do busto do referencial parlamentar e homem público de saber e honra, Rui Barbosa, entronizado na histórica casa do Congresso brasileiro. ironicamente (ou não?), a mesma figura exemplar da política e da justiça no Brasil, nascida na Bahia, que um dia proclamou, em visionário e memorável discurso no senado, quando este ainda funcionava no Rio de Janeiro, então capital do país: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” Na mosca! Nunca é demais reproduzir frase tão verdadeira e tão atual.

O que mais dói, no entanto, é que olhando para além dos horizontes do Planalto Central, quase nada ou lugar nenhum parece mais agradável, equilibrado ou seguro. Basta ver, por exemplo, os Estados Unidos, do governo de Donald Trump, desastrado, falastrão, perfomático, aparentando sempre estar a um passo de acender o pavio curto da carga de explosivo que carrega consigo para todo lugar onde vai e em qualquer situação. Inclusive neste pavoroso caso do massacre de Las Vegas, o maior atentado a tiros da história americana de tantos e tão desvairados atentados: 59 mortos, mais de 500 feridos e ainda cercado de dúvidas por investigar e esclarecer, a começar pelas escolhas e motivações do atirador, um contador aposentado de mais de 64 anos, cheio de grana, jogador de pocker inveterado, com a casa onde morava e o quarto do hotel onde se hospedava, cheio de devastadoras armas automáticas e balas a granel. Com janelas de vista privilegiada para o amplo espaço que acolhia mais de 20 mil pessoas, participantes de pacífico e tradicional festival de música country.

Estive em Las Vegas em julho de 2013. Fiquei hospedado num hotel (da mesma cadeia Luxor) cassino temático em forma de monumental pirâmide egípcia, – fantástica construção, um dos cartões postais de Vegas, a incrível cidade erguida no meio do deserto de Nevada,- a poucos metros, do Mandalay Bay, hotel de cuja janela o contador aposentado americano, promoveu o massacre. Na época, escrevi sobre a viagem neste espaço. Não repetirei o que disse então, mas considero relevante reproduzir um registro que fiz, quando Obama (que nos visitou esta semana) era quem mandava nos EUA.

“E no hotel (já no apartamento do Luxor) , a descoberta desconcertante: uma carta padrão com carimbos oficiais, dentro da mala de uma das acompanhantes na viagem (cadeado de proteção retirado), notificando que a mala (de Margarida, minha mulher) havia sido aberta e revistada (depois fechada, arrumada, fora das vistas do dono), para inspeção.”Para sua proteção e dos demais passageiros”, dizia o cartão com pedido de desculpas em nome da Convenant Aviation Security (CAS) pelo “serviço” realizado pela empresa contratada Transportation Security Administration (TSA). Simples assim.”

O difícil e complicado, agora, é entender os caminhos abertos e as facilidades todas que Stephen Paddock, “este estranho sujeito”, como definiu o diretor interino do FBI, encontrou para montar o seu mortífero arsenal para, sozinho, do quarto do Mandalay Bay, promover a tragédia de Las Vegas? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta.E-mail: vitor_soares1@terre.com.br.

Porque hoje é sábado, dálho Paulinho!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


O condomínio onde Temer comprou dois terrenos, que somam 4700 metros quadrados. A compra foi concluída um dia depois de pagamento de propina da JBS Divulgação

DO EL PAÍS

Daniel Haidar

São Paulo

O condomínio onde Temer comprou dois terrenos, que somam 4700 metros quadrados. A compra foi concluída um dia depois de pagamento de propina da JBS
O condomínio onde Temer comprou dois terrenos, que somam 4700 metros quadrados. A compra foi concluída um dia depois de pagamento de propina da JBS

Um dia depois que a JBS diz ter entregue um volume de dinheiro destinado a Michel Temer, o então vice-presidente concluiu a compra de dois terrenos que somam 4.700 metros quadrados em um condomínio de luxo em Itu, no interior de São Paulo. A área fica no condomínio Terras de São José II, que possui 20 quadras de tênis, dois campos de futebol, academia de golfe, centro hípico e heliponto.

Seria só uma compra típica de um milionário, mas o momento da aquisição chama a atenção pela coincidência de datas. Temer foi, de acordo com depoimentos de delatores à Operação Lava Jato, o destinatário de cerca de 2 milhões de reais em pagamentos de propina da Odebrecht e da JBS entre o fim de agosto e o começo de setembro de 2014. No dia 2 de setembro de 2014, a JBS diz ter entregue 1 milhão de reais em espécie ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente e considerado pela Operação Lava Jato o mais antigo operador de propinas de Temer. De acordo com depoimentos e documentos dos delatores do frigorífico, esse pagamento era destinado a Temer e fazia parte de um acerto de R$ 15 milhões para o presidente. O caminho da suposta propina ainda é investigado.

Um dia depois da entrega de dinheiro relatada pela JBS, em 3 de setembro daquele ano, a Tabapuã Investimentos e Participações, uma empresa criada e controlada por Temer, concluiu em cartório a aquisição, por R$ 334 mil, do lote 11, da quadra 24, do condomínio Terras de São José II. Só essa propriedade imobiliária ocupa 2.604 metros quadrados. Temer também usou a Tabapuã para concluir a compra do lote 12, da quadra 24, do mesmo condomínio, com área equivalente a 2.092 metros quadrados, por R$ 380 mil. Ao contrário da prática comum em escrituras do gênero, não foram discriminados nos registros como foram feitos os pagamentos pelos imóveis.
Um dia propina delatada pela JBS, Temer concluiu compra de terreno. Presidente diz que compra foi com recursos próprios e nega ter recebido propina.
Um dia propina delatada pela JBS, Temer concluiu compra de terreno. Presidente diz que compra foi com recursos próprios e nega ter recebido propina. Reprodução

Procurado pelo EL PAÍS, Temer se limitou a informar que as aquisições dos terrenos em Itu foram financiadas com recursos próprios e declaradas em Imposto de Renda. O presidente nega ter recebido valores da JBS ou da Odebrecht como propina e acusa os delatores de inventar os depoimentos em troca de benesses legais.

As propriedades no condomínio de luxo em Itu são as últimas joias do portentoso conjunto imobiliário de Temer. Ele possui 20 imóveis, alguns herdados da família. Duas salas comerciais e a casa onde mora em São Paulo foram transferidos para o filho Michelzinho, mas Temer continua usufrutuário até que o herdeiro complete 30 anos. Esse patrimônio passou a chamar atenção dos investigadores depois que o doleiro Lúcio Funaro, considerado operador de propinas do PMDB, afirmou em acordo de delação premiada que Temer adquiriu imóveis para lavar dinheiro e esconder a origem ilícita de repasses de propina. Funaro chegou a afirmar que Temer tinha o andar inteiro de um prédio comercial na Avenida Faria Lima, o endereço mais caro para propriedades comerciais na capital paulista.

O EL PAÍS apurou que Temer é dono de um andar inteiro no edifício Spazio Faria Lima, que rende pouco mais de R$ 1 milhão de aluguel ao ano para o presidente. O andar foi vendido pela incorporadora Yuny, uma empresa controlada pela família do advogado José Yunes, velho amigo de Temer, ex-assessor especial dele no Palácio do Planalto e também considerado um operador de propinas para o presidente pela Operação Lava Jato. Embora a escritura do imóvel não especifique a forma de pagamento de Temer, o presidente também diz que pagou com recursos próprios em 2003.

O andar inteiro na Faria Lima não foi a única transação entre Temer e Yunes. O presidente comprou do advogado duas salas comerciais na Rua Tabapuã, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo, onde fica seu escritório atualmente. Documentos cartoriais atestam que Temer pagou ao amigo R$ 190 mil por cada sala em 2000. Temer também pagou R$ 830 mil a Yunes em 2011 por um imóvel no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, segundo informaram os dois em cartório.

As transações de Temer com Yunes levantaram suspeitas porque, de acordo com depoimento de um executivo da Odebrecht, o amigo do presidente recebeu para Temer uma entrega de um milhão em espécie do departamento de propinas da construtora em uma data não especificada entre o fim de agosto e o começo de setembro de 2014. Yunes disse ao Ministério Público que apenas recebeu um “pacote” a pedido do ministro-chefe da Casa Civil e também aliado de Temer, Eliseu Padilha. Funaro corroborou a versão do executivo da Odebrecht e disse em acordo de delação premiada que pegou esse “pacote” com R$ 1 milhão no escritório de Yunes e que soube pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, outro aliado de Temer, que o dinheiro saiu da Odebrecht. O destino final desse repasse ainda é investigado.
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Procuração para movimentação de contas bancárias

Tanto pelo depoimento de Yunes quanto pela delação de Funaro investigadores constataram que Yunes operava como um intermediário de recursos para Temer. Só que essa intermediação de dinheiro não se limitou a uma simples ocasião. Uma procuração, obtida pelo EL PAÍS, mostra que Temer delegou a Yunes a movimentação e o controle de contas bancárias da Tabapuã Investimentos, que possui as salas comerciais na Faria Lima e os terrenos em Itu, por três anos, a partir de 6 de dezembro de 2013. Durante a compra dos terrenos em Itu e as entregas de dinheiro da Odebrecht e da JBS, Yunes tinha total autorização para “celebrar quaisquer contratos, depositar e retirar dinheiro, endossar e assinar cheques, autorizar transferências eletrônicas e pagamentos, tomar saques e reconhecer saldos” de contas bancárias de Temer. Questionado pelo EL PAÍS, Temer informou que Yunes recebeu a autorização para fazer movimentações bancárias em seu nome porque o advogado administrou as salas comerciais na Faria Lima.


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Tucano contra tucano, a série
Brasil 06.10.17 18:49 ? ? ? ?

Em Belém para o Círio de Nazaré, João Doria disse que “dispensa” as recomendações de Arthur Virgílio sobre viagens em dias úteis.

O prefeito de Manaus, que se declarou pré-candidato à Presidência, afirmou que se dedicará às prévias tucanas apenas aos finais de semana. Doria viaja frequentemente em dias úteis.

“O prefeito Arthur Virgílio é uma pessoa de bem e merece todo o respeito. Mas, assim como não emito opiniões sobre a gestão dele à frente da Prefeitura de Manaus, entendo que dispenso as suas recomendações em relação à minha gestão”, rebateu o prefeito paulistano.

out
07
Posted on 07-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-10-2017


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

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07


“Armas e Munição”, escrito em um cartaz na entrada da loja.
Ethan Miller AFP

DO EL PAÍS

Las Vegas

São 14h30 no Centennial Parkway, norte de Las Vegas. Vários adolescentes saíram da escola e andam para suas casas. Passam, sem se alterar, na frente da New Frontier Armory, a loja de armas em que Stephen Paddock, o autor da matança de Las Vegas, comprou parte de seu arsenal. Os comércios de armas fazem parte da paisagem dos Estados Unidos. Assim como os grandes tiroteios.

Mas existem dados que marcam de maneira especial a matança de domingo perpetrada por Paddock, um aposentado de 64 anos que disparou contra o público de um festival de música de um quarto de hotel que ocupava há vários dias. Não só por ser o mais mortífero tiroteio da história do país: 58 mortos – com exceção do atirador, que se suicidou –, mas porque o autor utilizou muitas armas – tinha 23 no hotel e 19 em sua casa –, e modificou algumas delas para torná-las mais letais e lançar rajadas de disparos contra as vítimas. E, também, porque seu motivo ainda é um mistério.

A loja confirmou que Paddock comprou legalmente várias armas no começo do ano. “Não estavam capacitadas para fazer, sem modificação, o que vimos”, afirma em um comunicado David Famiglietti, responsável pela loja. O proprietário, que não quis ser entrevistado, explicou à rede de televisão NBC que o assassinou adquiriu um rifle, que não era automático, e uma escopeta que não estava preparada para atingir alvos à tanta distância.

De acordo com os investigadores, o aposentado comprou o restante de seu arsenal em vários Estados e em Nevada, que tem uma das leis mais flexíveis para se comprar armamento. Por exemplo, não exige uma permissão e registro do número de armas.
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“Armas e Munição”, reza um cartaz na entrada da loja Ethan Miller AFP

“Meus funcionários seguiram todos os procedimentos e as leis. Obviamente, não vendemos essas armas com a intenção de que ele as usasse para machucar”, alega o proprietário, que afirma ter recebido ameaças de morte após o ataque de domingo. “Seria a mesma coisa que culpar o Mandalay Bay por reservar-lhe o quarto de hotel”.
A “América livre”

Na loja New Frontier Armory, uma dezena de pessoas olhava e comprava armas na quarta-feira por volta de meio-dia. Homens e mulheres, idosos e jovens. “É um formulário muito simples”, dizia um funcionário a uma mulher que preenchia o documento de antecedentes para poder comprar uma pistola.

A loja vende todo o tipo de armas: revólveres por 400 dólares (1.270 reais), rifles semiautomáticos por 800 (2.535 reais), e todo o tipo de acessórios. Além disso, existem camisetas reivindicativas. “Segunda emenda: Deus, armas e coragem tornaram a América livre”, diz a estampa de uma camisa sobre o direito de se possuir armas, garantido pela Constituição.

Um dos clientes é Mike Godina, de 34 anos. Acaba de comprar uma pistola de 500 dólares (1.585 reais). Sempre carrega um revólver e tem outras seis ou sete armas em sua casa. Não se lembra do número exato. Godina, que trabalha como empreiteiro para o Governo e serviu no Exército, combina uma sensação de horror pela matança com outra de resignação pela epidemia de violência armada nos EUA, onde por dia morrem dezenas de pessoas por disparos. “Algo precisa ser feito, mas simplesmente não sei exatamente o quê, porque o diabo está aí fora”, afirma.

O medo atroz a esse diabo é o que leva ele e muitos outros a armarem-se até os dentes. O ex-militar nunca usou sua arma como civil, mas não confia: “Espero que nunca precise usá-la, mas prefiro tê-la e não usá-la do que o contrário”. Os EUA, calcula-se, têm uma proporção de nove armas de fogo para cada dez pessoas. É a mais alta do mundo.

“Se querem uma arma vão consegui-la, simples assim. Não há muito o que fazer, simplesmente confiar que existem mais homens bons com armas do que ruins”, argumenta. Sua mulher, Nicole, que tem duas pistolas, afirma que aprendeu uma lição clara com o tiroteio de domingo: “É por isso mesmo que você sempre precisa de sua própria proteção”.