O lindo bolero vai dedicado a três aniversariantes desta data ,19 de outubro, nascidos em anos diferentes, mas sob o mesmo signo de Libra: as amigas do coração, Marcia e Juliana, e deste inveterado romântico (sonhador, na definição de muita gente próxima e distante) editor do Bahia em Pauta. Sem outras palavra, porque tudo mais esta dito nos versos da canção que a espanhola Rocio Durcal interpreta como ninguém.

Parabéns a Macita e Júli e sejamos todos felizes. Aniversariantes e leitores do BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAIS

O presidente Michel Temer (PMDB) se salvou mais uma vez em votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Por 39 a 26, a CCJ, dominada por aliados do presidente, avaliou que não são graves o suficiente as acusações de que Temer atuou para obstruir as investigações da Operação Lava Jato e de que ele lidera uma organização criminosa com outros nomes do PSDB. Apesar da vitória do Planalto, a decisão ainda precisa ser confirmada pelo plenário da Câmara, onde também é esperada uma vitória do presidente, que tem intensificado os trabalhos para manter os votos dos deputados, com agenda intensa e distribuição de emendas.

Nesta segunda denúncia contra Temer – a primeira foi arquivada –, o relator foi o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), que fez relatório favorável ao arquivamento da denúncia. Opositores afirmaram que o relatório favorável de Andrada fez parte de um acerto para também salvar o senador Aécio Neves (PSDB) em votação no Senado na terça-feira, que rejeitou medida do Supremo Tribunal Federal e permitiu que Aécio reassuma funções parlamentares.


DO EL PAIS

Felipe Betim

São Paulo

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a apresentar nesta quarta-feira a farinata, uma espécie de farinha composta por alimentos próximos de sua data de validade ou que não seguem os padrões de comercialização, como carro-chefe de um programa municipal. Dessa vez, o prefeito afirma que ela será incluída na merenda das crianças em escolas e creches públicas e nas refeições dos centros de acolhida de moradores em situação de rua. O objetivo, segundo explicou, é evitar o desperdício de alimentos que ainda são próprios para o consumo e complementar — e não substituir — os alimentos in natura.

O prefeito já havia divulgado, no último dia 8 de outubro, uma espécie de biscoito feito de farinata que seria usado em um programa para erradicar a fome em São Paulo e distribuído para famílias de baixa renda. O produto ficou então conhecido como “ração humana”, foi alvo de críticas de diversos especialistas e nutricionistas e, devido à discussão gerada, ajudou a viralizar nas redes sociais um vídeo do prefeito gravado em 2007, época em que ele apresentava o programa de TV O aprendiz. Nele, Doria afirma que “gente humilde” não possui “hábito alimentar” e “tem que dizer graças a Deus” caso possa comer.

Presente na entrevista coletiva, o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, buscou amenizar as palavras do prefeito: “Pobre tem fome. Hábito alimentar é para quem tem disponibilidade de alimento e quem pode se dar ao luxo de ter uma alimentação regular, refeições regulares, alimentos selecionados. O pobre não tem isso (…). Quem se arrasta no chão por fome, eu vou deixar de atender a fome dele porque ele não está podendo sentar numa mesa bem posta? A necessidade é socorrer primeiramente a fome do pobre”. Doria disse não se lembrar do vídeo, mas corroborou a afirmação de Scherer e voltou a dizer: “Pobre não tem hábito alimentar, pobre tem fome”. A Prefeitura não apresentou qualquer dado sobre quantas pessoas de fato se encontraram nesta situação na cidade ou quais são as metas de seu programa de erradicação da fome.

Proprietária da Plataforma Sinergia, que detém a patente da farinata, Rosana Perrotti esclareceu durante entrevista que seu produto pode ser usado não apenas no polêmico biscoito, mas também na fabricação de bolos e pães ou para reforçar sopas. A ideia é que seja utilizada na cozinha de centros de acolhida e escolas para a fabricação de alimentos. Doria garante que a distribuição na rede de ensino começará ainda em outubro.

Entretanto, a secretária municipal de Direitos Humanos, Eloisa Arruda, admitiu que ainda precisa fazer estudos sobre as demandas nutricionais dos alunos e a forma que seria distribuído. “Teremos um diagnóstico das carências nutricionais da população. Isso será feito de forma paulatina, quem vai fazer isso é o Observatório de Políticas para o Desenvolvimento Social, que está alocado na secretaria de Desenvolvimento Social. Quando o prefeito fala das creches, é possível que alimentos que hoje são fornecidos, como bolacha ou macarrão, sejam substituídos pela farinata já disponível. Ao lado dessa introdução na merenda nós desenvolveremos um estudo sobre as carências nutricionais da população em São Paulo”, disse.

Perrotti garante que todos os nutrientes dos alimentos são preservados — uma afirmação que vem sendo contestada por diversos nutricionistas — e que sua vida útil pode ser prolongada por mais dois anos. Isso ocorre após a comida passar por processos como o de liofilização, ou desidratação, considerado caro e demorado pela indústria. Mas a proprietária da Sinergia, ligada à Igreja Católica, não soube explicar os custos envolvidos para a fabricação da farinata. Limitou-se a explicar que o programa seria custeado pelas próprias empresas — supermercados, produtores, entre outros —, que hoje gastam muito mais com o descarte de alimentos e custos de logística. “O processo de descarte custa 750 bilhões de dólares para a economia global. Nós vamos reduzir esses custos ao operacionalizar a farinata”, explicou. “Vamos colocar tecnologias em cima de carretas, como já fizemos, para poder processar dentro da indústria, do armazém, ou fundo de supermercado. E isso vai ser bancado pela própria empresa, que vai diminuir os custos com logística”, acrescentou. Também disse: “Como vamos conseguir produzir em escala para acabar com a fome? Somente através de políticas públicas, somente através de lei. A gente não pode abrir essa tecnologia para uma, duas, três toneladas. A gente está falando aqui de muito volume de alimento”.

Apesar de não estar claro os custos de todo o processo — não apenas de produção, mas também de armazenagem e distribuição, por exemplo —, tanto Doria como Perrotti asseguraram que a Prefeitura não desembolsará recursos próprios e que a farinata será repassada de graça para a administração pública. No entanto, uma lei recentemente sancionada por Doria prevê isenção de impostos para as empresas que doem seus alimentos prestes a vencer. Questionado, o prefeito frisou que se trata de uma recomendação e que sua gestão não abrirá mão do dinheiro arrecadado via impostos para apoiar as companhias que participem do programa.

out
19
Posted on 19-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-10-2017


Gabriel Renner, no jornal Zero Hora (RS)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Rodrigo Maia reclama, e Planalto ‘se corrige’

Como previsto, Rodrigo Maia divulgou nota negando que sua ida ao Palácio do Planalto tenha sido para conversar com Michel Temer sobre o rito de votação da segunda denúncia.

“Essa versão é falsa, e quem a divulgou deve vir a público dizer por que o fez e com qual intenção. O presidente da Câmara atendeu a convite do presidente da República, que o chamou ao palácio para esclarecer episódios recentes que deram margem a incompreensões”, diz a nota do presidente da Câmara.

Maia acrescentou que não havia “sentido algum” em o presidente da Câmara tratar do rito da votação da denúncia contra o presidente da República, “muito menos quando é um deles que está sendo processado e julgado junto com seus ministros”.

Mais tarde, a Secretaria de Comunicação do Planalto enviou nota dizendo que concordava com a versão de Rodrigo Maia para o encontro.

out
18
Posted on 18-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-10-2017

Aécio Neves observa a movimentação da rua da janela de casa, no Lago Sul, logo após o resultado da votação que o beneficiou no Senado.
Foto: Correio Braziliense.

out
18

DO G1/BLOG ANDREIA SADI

A operação que salvou Aécio Neves no Senado nesta terça-feira (17) foi coordenada pessoalmente pelo presidente Michel Temer.

Desde a semana passada, Temer havia entrado em campo para garantir que Aécio não fosse afastado do mandato.

A interlocução de Temer foi com os comandos dos PMDB e do PSDB, além de pedir ajuda ao presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE).

Segundo o blog apurou, Temer pediu por Aécio Neves a Eunicio durante conversa na noite desta segunda-feira.

Como o blog revelou, Temer procurou o presidente do Senado na véspera da votação.

Eunicio, oficialmente, negou à reportagem que Aécio tenha sido assunto da conversa.

Mas fontes relataram ao blog que o caso do senador tucano foi um dos temas da conversa.

A interlocutores, Eunicio disse que não contassem com ele para fazer “manobras”.

E afirmou que a votação ocorreria se houvesse quórum – o que aconteceu.

Também na noite de desta segunda-feira (16), passou pela casa de Eunicio o senador Antonio Anastasia – tucano e principal aliado de Aécio no Senado.

O principal motivo do empenho do presidente: os votos do PSDB na Câmara para barrar a denúncia contra ele.

Para articular apoio a Aécio, com quem Temer mantém conversas por telefone desde que o STF havia decidido pelo recolhimento noturno do tucano, o presidente mandou chamar na sexta-feira passada o líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira.

Lira foi ao Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial. Ele negou ao blog na semana passada que tenha tratado do caso Aécio.

Interlocutores do presidente, no entanto, relataram que Temer contava com o PMDB para garantir votos a Aecio no plenário, além de blindagem no Conselho de Ética. O conselho é comandado pelo PMDB.

Na sessão desta terça, Lira encaminhou o voto da bancada do PMDB a favor de Aécio.

No PMDB, Temer contou principalmente com o líder do governo no Senado, Romero Jucá.

Ele foi escalado para costurar o apoio do PMDB e do PSDB a Aécio nesta terça-feira.


“E um cego canta até arrebentar: o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”

Dá-lhe, Beto Guedes. Maravilhosamente!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
18


O prefeito João Doria (PSDB), em evento de lançamento do programa
Alimento para Todos. Divulgação


DO EL PAÍS

Patrícia Figueiredo (Agência Pública)

“Aqui você tem alimentos que estariam sendo jogados no lixo e que são reaproveitados com toda a segurança alimentar. São liofilizados e transformados em um alimento completo. Tem proteína, vitamina e sais minerais.” – João Doria (PSDB-SP), prefeito de São Paulo, em evento de lançamento do programa Alimento para Todos, em 8 de outubro.

A Prefeitura de São Paulo lançou, no início de outubro, o programa Alimento para Todos. Criado em parceria com a ONG Plataforma Sinergia, a iniciativa institui o reaproveitamento de alimentos para a produção de um produto chamado Allimento. Segundo o comunicado oficial, o projeto prevê a destinação de “alimentos de boa qualidade e dentro do vencimento” para a produção do composto, definido pela Prefeitura como “um granulado nutritivo que será entregue às populações que enfrentam carências nutricionais no município”.

Durante o evento realizado no Auditório do Ibirapuera, Doria experimentou um biscoito feito a partir do Allimento e falou sobre as propriedades nutricionais do composto fabricado pela Sinergia. “Aqui você tem alimentos que estariam sendo jogados no lixo e que são reaproveitados com toda a segurança alimentar. São liofilizados e transformados em um alimento completo. Tem proteína, vitamina e sais minerais”, disse. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – analisou a afirmação feita pelo prefeito e classificou a frase como falsa.

O Projeto de Lei 550/2016, sancionado pelo prefeito durante o evento de lançamento do programa, estabelece diretrizes para a Política Municipal de Erradicação da Fome. Segundo o artigo 9º desta lei, empresas doadoras de insumos podem receber da prefeitura isenção de impostos e outros incentivos fiscais. Doria afirmou, na ocasião, que o Allimento passará a ser distribuído a entidades como igrejas e templos ainda este mês, além da prefeitura. Cerca de 50 toneladas do produto já estão em estoque e devem ser incluídas nas cestas básicas distribuídas pelos Centros de Referência de Assistência (Cras) para famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, segundo o comunicado da prefeitura.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Especial de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, solicitando a fonte das informações usadas por Doria. Por e-mail, a pasta respondeu que “a fonte dos dados é a Plataforma Sinergia, que desenvolve esse trabalho”. A prefeitura recusou-se a responder às perguntas da reportagem sobre a composição e o modo de fabricação do Allimento, que pretende distribuir.

Questionada, a Plataforma Sinergia limitou-se a dizer que o produto é “absolutamente seguro e nutritivo” e que não será vendido, apenas doado. Em relação à composição, a ONG disse que são utilizados alimentos perto da data do vencimento ou fora do padrão de comercialização desde que “apresentem qualidade nutricional para o consumo humano”. Não foram fornecidos detalhes sobre os ingredientes usados na produção do composto nem sobre a origem dos alimentos reaproveitados.

A proprietária da Sinergia, Rosana Perrotti, não atendeu aos pedidos de entrevista do Truco. Em entrevista à rádio CBN, ela explicou que o produto não tem uma tabela nutricional única e que suas propriedades nutritivas dependem da base de processamento. Ao portal G1, Rosana disse ainda que o produto pode ter suas características nutricionais adaptadas, mas não revelou detalhes das possíveis composições. “Teremos um estoque de carboidratos e um estoque de fibra. Se o público for de crianças, produziremos um alimento final que seja apetitoso e nutritivo a elas”, afirmou ao site.

Ao chamar o produto de “completo”, Doria deu uma informação falsa. Não é possível classificar um alimento dessa maneira sem saber detalhes sobre a sua composição nutricional. “A gente tem que pensar antes no que é uma dieta completa para poder classificar um alimento como completo. Hoje, consideramos que uma dieta ideal é composta de 50% a 65% de carboidratos, 25% a 35% de gorduras e 10% a 15% de proteínas”, diz a nutricionista Vânia Barberan, conselheira do Conselho Regional de Nutrição (CRN) da 4ª Região – Rio de Janeiro/Espírito Santo. “Não temos indícios de que a composição nutricional do produto reflita essas porcentagens.”

A nutricionista preocupa-se com a falta de informações sobre os ingredientes. “Se ele é feito com excedentes, a composição vai variar de acordo com o que está disponível. Como ela não é padronizada, a empresa tem que declarar quais são os ingredientes para que a gente possa saber, por exemplo, quais são as indicações do produto e qual deve ser a porção ideal para idosos, gestantes ou crianças, que têm necessidades diferentes”, avalia Barberan.

A padronização do Allimento também é questionada por Mariana Garcia, nutricionista e pesquisadora em alimentos do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Isso ainda é uma dúvida, porque os excedentes da indústria não são sempre os mesmos. O produto terá a mesma composição nutricional, tida como completa, em todos os lotes? Nada disso ficou claro até o momento”, observa.
Ultraprocessados x in natura

O programa Alimento para Todos de Doria também contraria as diretrizes propostas pelo Guia Alimentar da População Brasileira. Considerado o documento de referência do Ministério da Saúde desde 2014, o manual aborda os conceitos e recomendações de uma alimentação saudável. “Hoje o que a gente tem como orientação é que o alimento seja o mais próximo possível de como ele é encontrado na natureza. O produto que é divulgado pela prefeitura é, na verdade, um alimento ultraprocessado, o tipo de comida que o guia determina que deve ser evitada”, explica Garcia, do Idec.

Uma dieta completa deve ser composta majoritariamente de alimentos não industrializados. “O ultraprocessado deve ser utilizado em larga escala apenas em situações extremas, como catástrofes naturais ou guerras. Nesses casos, você trabalha com enlatados, liofilizados e outros produtos industrializados, até pelas dificuldades que o contexto impõe”, exemplifica nutricionista Vânia Barberan.

A primeira diretriz do Guia Alimentar da População Brasileira trata justamente da relação entre a ingestão de nutrientes e os produtos consumidos na alimentação. Segundo o documento, a suplementação não tem os mesmos efeitos que o consumo de produtos in natura. “Vários estudos mostram, por exemplo, que a proteção que o consumo de frutas ou de legumes e verduras confere contra doenças do coração e certos tipos de câncer não se repete com intervenções baseadas no fornecimento de medicamentos ou suplementos que contêm os nutrientes individuais presentes naqueles alimentos”, diz o guia. “Esses estudos indicam que o efeito benéfico sobre a prevenção de doenças advém do alimento em si e das combinações de nutrientes e outros compostos químicos que fazem parte da matriz do alimento, mais do que de nutrientes isolados.”

Ainda que sejam nutritivos, os alimentos ultraprocessados também não podem ser igualados aos alimentos in natura. “O que a gente sabe é que é muito diferente você consumir a vitamina C em uma laranja do que em uma cápsula, por exemplo. Apesar de a gente ter a mesma quantidade de vitamina na laranja ou na cápsula, o organismo absorve os nutrientes de outra maneira”, explica a pesquisadora Mariana Garcia.

Um dos estudos citados pelo guia do Ministério da Saúde é um comentário publicado por dois pesquisadores da Universidade Harvard na revista da Associação Médica Americana. A publicação descreve as limitações de analisar a relação alimentação-saúde com base apenas na composição nutricional dos alimentos. “[O estudo norte-americano] destaca os efeitos protetores da alimentação que dependem da estrutura intacta dos alimentos e de interações entre nutrientes, explica por que a suplementação medicamentosa de nutrientes não reproduz os mesmos benefícios da alimentação”, atesta o documento.
Repúdio de especialistas

A iniciativa da prefeitura foi objeto de notas de repúdio de diversas entidades. Em nota oficial, o Conselho Regional de Nutrição (CRN) da 3ª Região – São Paulo/Mato Grosso do Sul condenou a iniciativa. “O CRN-3 se manifesta contrário à proposta, pois ela contraria os princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), bem como do Guia Alimentar da População Brasileira, em total desrespeito aos avanços obtidos nas últimas décadas no campo da segurança alimentar e no que tange às políticas públicas sobre as ações de combate à fome e desnutrição”, afirma o comunicado.

A nutricionista Vivian Zollar, conselheira do CRN-3, justificou ao Truco o posicionamento da entidade. “Todas as políticas públicas hoje são focadas no acesso da população à comida de verdade, porque comer vai muito além de nutrir. Este programa está indo na contramão de tudo que está sendo instituído em âmbito nacional”, disse. Ela destaca ainda que o programa foi criado sem fundamentação em pesquisas e estudos municipais. “Para desenvolver esse tipo de iniciativa é preciso conhecer as necessidades nutricionais da população paulistana. Hoje o Brasil já saiu de uma situação de baixo peso para uma prevalência de sobrepeso e obesidade. Seria necessário localizar em quais regiões do município há demanda para um complemento alimentar e quais seriam as deficiências específicas, se seria, por exemplo, falta de ferro ou de vitamina C, antes de conceber o produto.”

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) da Presidência da República solicitou, em nota, que a Prefeitura de São Paulo enviasse “documentos oficiais e técnicos sobre este programa”. No documento, o Consea convocou a população a analisar “o atendimento aos princípios da dignidade humana e realização do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e da Segurança Alimentar e Nutricional nesta ação”.

De acordo com o Consea, o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) abrange a “adequação, acessibilidade e estabilidade do acesso a alimentos produzidos e consumidos de forma soberana, sustentável, digna e emancipatória”. Esse direito está previsto nos artigos 6º e 227 da Constituição Federal, definido pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (nº 11.346/2006), bem como no artigo 11 do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

Para os nutricionistas ouvidos pelo Truco, o composto produzido pela Plataforma Sinergia não atende aos critérios de dignidade alimentar. “Alimento não é só comida. Ele envolve uma questão cultural e social muito expressiva. Quando você oferece a uma pessoa que já está em condição de vulnerabilidade um alimento assim, a pessoa se sente ainda menos cidadã”, avalia Barberan, do CRN-4. Mariana Garcia, do Idec, acredita que o produto não é adequado sequer para utilização como complemento nutricional. “Em nenhum tipo de apresentação ele seria ideal. Trata-se de um alimento ultraprocessado, quando a proposta deveria ser fornecer todos os nutrientes necessários apenas com comida de verdade.”

Diante da repercussão negativa, Doria voltou atrás nas suas declarações e agora a Prefeitura diz não saber se vai distribuir o Allimento. O post sobre o projeto também foi alterado – a versão original enfatizava a parceria com a Plataforma Sinergia. Informada sobre a classificação da fala como falsa, a Secretaria Especial de Comunicação evitou comentar a frase selecionada pelo Truco e enviou a seguinte resposta:

“A Prefeitura reitera que os alimentos naturais NÃO serão removidos da rede municipal. Pelo contrário, no âmbito da Lei aprovada, a ideia é ampliar a sua distribuição por meio de parcerias como, por exemplo, o instituto Mesa Brasil – uma rede nacional de banco de alimentos.

A Agência Pública avalia apenas o vídeo de um minuto publicado em rede social, sem considerar o contexto, as informações apresentadas durante coletiva de imprensa, além do material disponível no site da Prefeitura de São Paulo.

Tanto na coletiva quanto no material entregue à imprensa foi informado que não haverá distribuição generalizada do produto, que será um complemento nutricional, e trata-se apenas de uma das ações que serão implementadas no âmbito da Política Municipal de Combate ao Desperdício de Alimentos e Erradicação da Fome, cuja criação foi determinada por lei aprovada recentemente pela Câmara Municipal de São Paulo.

De acordo com a plataforma Sinergia, responsável pelo desenvolvimento, a farinha dá durabilidade aos nutrientes presentes em alimentos de qualidade, mas que seriam descartados por estarem fora dos padrões de comercialização. O objetivo é adicioná-la no preparo de alimentos in natura, para aumentar o teor alimentar do produto final.”

out
18
Posted on 18-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-10-2017


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online