Cantada por Alba Liberato, acompanhada pelo coro de todos os presentes, esta belíssima marcha rancho de Paulo Soledade emocionou e arrancou lágrimas de muita gente (incluindo este editor do BP), nesta quinta-feira,28, no cemitério Jardim da Saudade, na cerimônia de despedida de Guido Araújo ( o Senhor das Jornadas de Cinema da Bahia).

Saudade, agora é cuidar bem da memória de Guido, e seu imenso legado de cultura, arte, ética e resistência.
BOM DIA!!!

Vitor Hugo Soares)


set
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DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

Com um claro espírito corporativista, quase todas as bancadas do Senado concordam em pressionar o Supremo Tribunal Federal para que ele revise a decisão de afastar Aécio Neves (PSDB-MG) da Casa. Mas, por enquanto, os senadores preferiram não aprofundar a crise institucional aberta com o Judiciário e decidiram, nesta quinta-feira, devolver ao Supremo a responsabilidade sobre o futuro do líder tucano. Por 43 votos a 8, os senadores decidiram que votarão na próxima semana a rejeição da decisão judicial que determinou o afastamento de Aécio das suas funções parlamentares e a obrigação de recolhimento noturno. Antes dessa votação, emissários do Senado tentarão convencer a presidenta do STF, Cármen Lúcia, a colocar o assunto na pauta do plenário da Corte. Eles querem que os onze ministros da analisem a ordem emitida pela Primeira Turma, o colegiado formado por cinco magistrados, que resultou na punição ao senador tucano.

A ideia inicial dos parlamentares era rejeitar já nesta quinta-feira a ordem judicial. Não se chegou a um consenso. Eles, então, buscaram uma solução intermediária. O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) apresentou um requerimento de urgência para analisar a decisão apenas na próxima semana. O pedido contou com o apoio de quase todas as bancadas, inclusive com a do PT, opositor do PSDB e de Aécio. O discurso nos corredores da Casa é que, se Aécio foi o alvo desta vez, os demais poderão ser em outras ocasiões. Só na operação Lava Jato há investigações abertas contra 24 dos 81 senadores, dos mais diversos partidos.

“Não estamos aqui fazendo nenhum tipo de defesa do senador Aécio Neves”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC). “Nós o temos como um algoz da democracia do nosso governo, parte de um esquema que fragilizou as instituições quando o Poder Legislativo interveio indevidamente no Executivo”, acrescentou, em referência ao impeachment de Dilma Rousseff (PT). No entanto, ele entendeu que a decisão foi um “assunto mal resolvido” pelo STF.

Jorge Viana foi um dos responsáveis pela “solução Renan”, no fim do ano passado. Naquele momento, o então presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), foi afastado pelo ministro do Supremo Marco Aurélio Mello das funções administrativas após ele virar réu por um suposto crime de peculato. O Legislativo se recusou a cumprir a determinação, alegando que era necessária uma decisão do plenário do STF. No fim, ela veio e foi favorável ao peemedebista.

Em nota, o PT disse que a atual decisão contra Aécio é uma “condenação esdrúxula”. “Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição”. Para amenizar críticas de seus militantes, o partido também decidiu apresentar mais uma denúncia contra Aécio no Conselho de Ética do Senado.

Apesar da constatação nos bastidores, oficialmente o discurso dos parlamentares é que qualquer decisão do Supremo envolvendo a restrição de liberdade de senadores tem de ser referendada pelo plenário do Senado. Eles citam o artigo 53 da Constituição Federal, no qual trata especificamente da prisão de parlamentares. Por outro lado, os que entendem que o recolhimento noturno é possível, citam o artigo 319 do Código de Processo Penal.

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), um dos que votou a favor do requerimento de urgência, disse que espera um posicionamento do Supremo antes do plenário do Senado se manifestar. “Uma decisão agora só interessava a dois grupos de pessoas: as que são contra a democracia e as que têm medo da Justiça”, afirmou.

Nos próximos dias, os advogados de Aécio tentarão apresentar um recurso para o STF analisar o caso. Só depois que isso ocorrer, o assunto poderá ser levado ao plenário. Até lá, o senador tucano segue afastado de suas funções e proibido de sair de casa à noite.


DO EL PAÍS

María Martín

Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma operação que tem como alvos dois filhos e duas enteadas do líder do Governo no Senado e presidente nacional do PMDB, Romero Jucá. Nove mandados de busca e apreensão e sete de condução coercitiva buscam indícios para desvendar uma organização criminosa suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público.

As investigações apontam a um suposto desvio de 32 milhões de reais dos cofres públicos com a venda superfaturada da Fazenda Recreio, em Boa Vista, que foi comprada pela Caixa Econômica Federal em 2013. Segundo o diário O Globo, tanto o filho do peemedebista, o ex-deputado Rodrigo Holanda Jucá, como as duas ex-enteadas Ana Paula Surita Macedo e Luciana Surita Macedo, filhas da ex-mulher de Jucá e prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), estão registrados como proprietários da fazenda. Após a compra, o local foi destinado à construção do empreendimento Vila Jardim, do programa Minha Casa Minha Vida.

A casa de Rodrigo, em uma área nobre de Boa Vista, foi vasculhada pelos agentes. O ex-deputado já é investigado na Operação Lava Jato. Segundo denúncia da Procuradoria Geral da República contra Romero Jucá, o delator Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, teria negociado e pago propina de 150.000 reais por meio de doação oficial a Rodrigo, quando foi candidato a vice-governador de Roraima em 2014. Melo Filho, também denunciado, esclareceu em sua delação que o pagamento foi para atender Jucá e não por interesse da empresa na candidatura do filho.

Os agentes também estiveram na casa da prefeita de Boa Vista, que não é alvo da operação. Na fazenda mora Luciana Surita, ex-enteada de Jucá, cujo marido foi preso em flagrante por posse ilícita de um fuzil de caça 7,62 e uma pistola 45, além de munições. Marina, filha do senador, e a ex-enteada Ana Paula foram levadas para depor coercitivamente na superintendência da PF em Brasília. Também são alvos de condução e buscas, segundo divulgou a Folha, Hamilton José Pereira, Elmo Teodoro Ribeiro e Francisco José de Moura Filho, ligados à CMT Engenharia.

Romero Jucá, sem relação direta com esta última operação, mas protagonista de numerosos escândalos, alertou os jornalistas que ninguém iria intimidá-lo. Pouco depois lançou uma nota na qual qualifica a operação de mais um “espalhafatoso capítulo” em relação aos acontecimentos dos últimos anos. “Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização”, disse. “Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juíza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje”, ameaçou.

A operação foi batizada de Anel de Giges, uma legenda contida em A República, de Platão. O anel permite ao seu proprietário ser invisível e garantir sua impunidade apesar dos seus crimes, o que leva ao filósofo a se questionar se os homens são bons por escolha própria ou porque temem ser descobertos e punidos.

set
29
Posted on 29-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-09-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)


DO BLOG O ANTAGONISTA

Cármen Lúcia quer definir logo regra sobre suspensão de mandatos

Cármen Lúcia disse que dará “prioridade” no STF a uma ação que discute o procedimento a adotar nos casos de afastamento de parlamentares do mandato.

É a mesma ação mencionada mais cedo por Marco Aurélio Mello –ela propõe que decisões judiciais que suspendam o mandato de parlamentares sejam submetidas ao Congresso em até 24 horas.

A questão voltou à baila, claro, com a decisão da Primeira Turma do Supremo de afastar Aécio Neves do Senado.


DO EL PAIS

C. Blanchar

J. M. Quintáns

Barcelona

Milhares de estudantes do ensino médio e universidade se concentraram na quinta-feira, dia 28 de setembro, em Barcelona e em outras cidades catalãs em favor do referendo de domingo, 1 de outubro. A marcha pelas ruas da capital catalã, a maior já vista, é o ato principal da greve estudantil que acontece desde quarta-feira na Catalunha.

A marcha em Barcelona começou com uma concentração na praça Universitat. O coletivo Universidades por la República, que convocou a paralisação e a concentração, deu início ao ato explicando aos jovens que a greve é para “fazer uma campanha que o Estado espanhol não nos deixa fazer de maneira normal”. “No domingo votaremos”, disse um porta-voz, e os manifestantes começaram a gritar em coro o já clássico “Votarem!” [Votaremos].

“Mariano mi villano favorito” [Mariano – Rajoy presidente do Governo da Espanha – meu malvado favorito] e “Cuando la dictadura es un hecho, la revolución es un derecho” [Quando a ditadura é um fato, a revolução é um direito] são alguns dos cartazes que podem ser lidos na marcha. Representantes da Arran, da Unió de Pagesos e do Sindicat d’Estudiants dels Països Catalans são algumas das vozes que participam do ato inicial da manifestação convidando a votar. A organização anunciou que serão distribuídas cédulas durante a marcha, que termina no bairro de Sants, na plaza dels Països Catalans.

Os bombeiros também marcaram presença na manifestação. Mais de uma centena deles cruzou a praça em fila, recebendo, por parte dos estudantes, gritos de “Mais bombeiro e menos polícia”. Alguns dos bombeiros, por precaução, usam o escudo da Generalitat (Governo regional da Catalunha) coberto com um adesivo.

Encapuzados picharam um escritório do banco Bankia e receberam vaias dos estudantes.