DO G1/ CORREIO DA BAHIA

Por G1 BA

Patrulheiros vigilantes da Polícia Rodoviária Federal de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, apreenderam R$ 700 mil em dinheiro dentro de mala levada em ônibus. A mala estava no bagageiro de um ônibus que passava pela cidade baiana, na tarde deste domingo (24), durante o trajeto de transporte do montante entre São Paulo (SP) e Recife (PE).

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que realizava uma abordagem de rotina no coletivo, os agentes descobriram a quantia que estava disfarçada dentro de uma caixa de papelão no interior de uma mala fechada com cadeado no bagageiro externo do veículo. O destino e o destinatário do exatos do dinheiro ainda são desconhecidos e permanecem sob investigação.

Por meio do ticket anexado à bagagem foi possível identificar o proprietário dentro do ônibus. Questionado pela polícia a respeito da origem do dinheiro, o homem de 47 anos disse que pegou a quantia em São Paulo e estava levando para o Recife. No entanto, não revelou se é o dono do dinheiro ou se estaria transportando a mando de alguém. O dinheiro ficou apreendido e o homem foi encaminhado para a Polícia Federal em Vitória da Conquista.

Aos agentes, o homem contou apenas que atua como taxista no Recife, e havia saído de sua cidade para participar de um evento em Brasília. De lá, foi de avião até São Paulo, se hospedou em um hotel, onde pegou a quantia para levar de ônibus até o Recife.

A PRF detalha que, inicialmente, durante a abordagem, o passageiro afirmou aos agentes estar levando R$ 350 mil dentro da mala. No entanto, durante a contagem, os policiais rodoviários constataram que se tratava de uma quantia que chegou a R$ 700 mil. Depois da descoberta do real valor, o homem preferiu ficar calado.

O flagrante ocorreu por volta das 14h deste domingo. O ônibus abordado saiu de São Paulo e tinha como destino final a cidade de Natal (RN).


De o Globo, reproduzido pela autora teatral Aninha Franco em sua página no Facebook.

Artigo/Opinião

Primavera no Rio

Artur Xexeo

Acordei na última sexta-feira meio preguiçoso. Estava na Zona Oeste, tinha que ir para a Zona Sul a trabalho. Antes de chegar ao estúdio da GloboNews, precisaria passar no apartamento de Copacabana para trocar de roupa. E planejava uma ida ao barbeiro para não aparecer com a cara amassada no vídeo. Quer dizer, eu já nasci com a cara amassada, mas, com a barba feita, dá para disfarçar. Me arrumava com calma quando li a mensagem de uma amiga numa rede social. “Tiroteio na Rocinha.” Mais um, imaginei. E continuei me arrumando, preguiçosamente. Em outra rede social, a mensagem era mais dramática: “Trânsito interrompido na Estrada Lagoa-Barra.” Será que, desta vez, o tiroteio é mais sério? Liguei o rádio. A guerra na Rocinha continuava fazendo tanto barulho quanto no domingo passado. Liguei a TV. Os telejornais transmitiam direto da Via Ápia. A guerra no Rio assistia a um de seus mais agitados combates. Que fazer? Vou pelo caminho de sempre e pego o desvio para a Avenida Niemeyer, fugindo dos túneis que estavam fechados, ou opto pela Linha Amarela, longe do tiroteio, mas que eu tenho evitado por causa dos frequentes arrastões. Enquanto me decidia qual caminho seria mais seguro, chorei. Como é que a cidade, a minha cidade, foi transformada nisso? A escolha de um caminho mais seguro. E os moradores da Rocinha, que nem têm essa opção? Ou ficam em casa, ameaçados pela batalha que os cerca. Ou se arriscam a serem atingidos por uma bala perdida ao saírem em busca de um lugar mais seguro. Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. À população, só resta chorar. Chorar por uma cidade, que já foi maravilhosa, e que a cada dia se torna mais feia. Choro por ti, Rio de Janeiro, cidade transformada por sucessivas administrações corruptas e incompetentes. Eu choro.

Na sexta-feira, eu queria comemorar o começo da primavera. Ela chegaria exatamente às 17h02min. Mas, nesse horário, estava distraído, acompanhando pela televisão as Forças Armadas iniciarem o cerco à Rocinha. E isso lá é hora de se pensar na primavera? Já houve tempo em que o dia 22 de setembro era festejado com uma música de João de Barro lançada por Carmen Miranda em 1939:

“O Rio amanheceu cantando

Toda a cidade amanheceu em flor

E os namorados vêm pra rua em bando

Porque a primavera é a estação do amor”

Pobre Carmen Miranda! Se ela ainda estivesse por aí cantando “Primavera no Rio”, seria criticada por associar o Rio a namorados. Hoje, o que vem pelas ruas em bando são traficantes armados de fuzis (ou travestis portando facas na mira de turistas, mas aí não é em qualquer rua, só no calçadão de Copacabana). E o Rio deixou há muito tempo de amanhecer cantando. Atualmente, amanhece ouvindo os tiros que se espalham pelas favelas da cidade.

Vinte e quatro anos depois da gravação de Carmen Miranda, a poesia de João de Barro ainda valia. Tanto que Emilinha Borba regravou a canção em 1958:

“Rio, lindo sonho de fadas

Noites sempre estreladas

E praias azuis

Rio, dos meus sonhos dourados

Berço dos namorados

Cidade da luz!”

Cidade da luz? O Rio vive um período de trevas. A gravação de Emilinha expirou seu prazo de validade. Seguindo pela televisão as contradições nas declarações do ministro da Defesa, Raul Jugmann, do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e do secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, chega a dar saudades dos filmes dos Três Patetas. Não vejo lindo sonho de fadas, por isso choro pelas crianças que precisam aprender na escola a se jogar no chão quando ouvirem tiros. Enquanto escrevo, ouço Emilinha na vitrola:

“Rio, das manhãs prateadas

Das morenas queimadas

Ao brilho do Sol

Rio, és cidade-desejo

Tens ardência de um beijo

Em cada arrebol”

Mentira. Vitrola seria um objeto mais adequado para o período no qual “Primavera no Rio” foi composta. Mas não tem vitrola alguma. Emilinha canta no YouTube, que às vezes me dá a impressão de abrigar todas as canções do mundo. E eu choro pelo Rio que não combina mais com a poesia de João de Barro. Não tem mais manhãs prateadas, as morenas não se queimam mais (olha os efeitos do filtro solar!) e o arrebol… não dá pra prestar atenção em nenhum arrebol quando é preciso olhar para todos os lados ao mesmo tempo buscando algum elemento suspeito. Cidade-desejo? Só se for desejo de ir embora.

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O ministro tenta se justificar, o secretário tenta se explicar (se fosse técnico de futebol, já teria sido mandado embora depois de tantas derrotas), o governador dá entrevistas e o prefeito… gente, onde é que se meteu o prefeito?

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A cidade está abandonada.

BAHIA EM PAUTA!!!

set
25
Posted on 25-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2017


DO EL PAÍS

Ana Carbajosa
Berlim

Mais quatro anos de Angela Merkel. O partido da chanceler alemã venceu as eleições pela quarta vez consecutiva e por uma folgada maioria, segundo as primeiras pesquisas após o fechamento das urnas. A União Cristã-Democrata (CDU) teria obtido 32,9% dos votos, segundo os dados preliminares publicados pela rede de televisão pública ARD, seguido pelo partido social democrata (SPD), que teria conseguido 20,8% dos votos, uma derrocada histórica com pior resultado desde 1949. “Esperávamos um resultado melhor”, reconheceu Merkel, que lembrou a todos que seu partido ainda é o mais forte e que não pode haver coalisão de Governo sem eles. Mas não é segredo que a CDU que terá dificuldade em buscar um sócio para formar uma coalizão com maioria suficiente para poder governar.

Os resultados extra-oficiais confirmam, também, uma notícia que já era temida: um partido de extrema-direita entrará no Parlamento pela primeira vez com uma representação muito acima dos 5% necessários para chegar ao parlamento alemão, o Bundestag. Com um discurso xenófobo e contrário ao Euro, o Alternativa pela Alemanha (Afd) teria conquistado 13,1% dos votos.

O nervosismo diante da perspectiva do desembarque do Afd em Bundestag é patente entre a classe política alemã. “Seu voto conta. Quem não vota deixa que os outros decidam por eles o futuro do país. Talvez nunca tenha sido tão claro como agora estas eleições também tratam do futuro da democracia”, pedia nesta manhã o presidente alemão Frank Walter Steinmeier, na edição oficial do diário Bild.

Radicalismos à parte, os alemães votaram pelo continuísmo e pela estabilidade representados na visão de muitos pela chanceler, Angela Merkel, que já acumula 12 anos à frente do Governo do país. Para grande parte da população, ela significa a estabilidade, em um mundo convulsionado ocupado por Trump, Erdogan e Kim Jong-un. Também representa a assertividade e a firmeza necessárias para fazer frente às ameaças internacionais. Além disso, Merkel é, para seus eleitores, a artífice de um período econômico que, apesar da enorme desigualdade existente no país e dos prejuízos causados no exterior por sua política comercial, promoveu níveis elevados de bem-estar para milhões de cidadãos alemães.

Na manhã deste domingo, Volker Kraftczyk, um engenheiro aeronáutico de 47 anos, resumia bem esse sentimento depois de votar em um bairro do norte de Berlim. “É uma mulher forte que nos representa bem diante do restante do mundo, e aqui dentro. A Alemanha é um dos países mais ricos do mundo. Não podemos nos queixar, não é?”. O discurso do candidato do SPD, Martin Schulz, focado na justiça social, não para de se esvaziar. Os números iniciais indicam uma grande derrota socialdemocrata. O SPD teria obtido o seu pior resultado da história da Alemanha moderna, com cerca de 20%. Houve momentos, no início do ano, em que Schulz apareceu como uma esperança clara da socialdemocracia alemã, mas ficou claro, hoje, que não se trata disso.

Die Linke, o partido da extrema esquerda, teria conquistado cerca de 9%, os Verdes, 9,5% e os liberais, 10,5%. Essas forças voltarão a ter lugar no Parlamento depois de anos de ostracismo. Sua ascensão foi mais uma das novidades trazidas por estas eleições. Elas voltam com força renovada pelas mãos de Christian Lindner, um candidato jovem e dinâmico que poderá dar muitas dores de cabeça para Merkel. O FDP não vê com bons olhos os planos da chanceler para reformar a zona do euro e criar um orçamento para ela, além de nomear um ministro das finanças para a moeda única.

Até hoje, quatro partidos – cinco se for contado o CSU, a ala bávara do partido de Merkel, que concorre nas eleições fazendo bloco com a CDU— tinham cadeiras no Parlamento. A partir de agora, esse total sobe para seis. A previsão é de que essa fragmentação tornará mais complicada a formação do novo Governo. À luz dos resultados preliminares, as duas opções mais viáveis para formar uma coalizão seriam a reedição da chamada Grande Coalizão – CDU/CSU e socialdemocracia—e a chamada coalizão Jamaica, assim chamada por causa das cores da bandeira da ilha caribenha – CDU, liberais e Verdes.

Mas os eleitores mostram pouco interesse em repetir a grande coalizão, como indicam os dados preliminares sobre a queda dos dois grandes partidos. Os especialistas concordam que o Governo conjunto contribuiu para o ressurgimento da AfD, um partido que explora o discurso de que todos os políticos são iguais e que seus membros são os únicos que se atrevem a dizer os que as forças do establishment não dizem.

Nas ruas, muitos eleitores mostravam um certo cansaço após quatro anos da nova grande coalizão. “Vim aqui votar, mas não sei para quê, pois afinal é tudo a mesma coisa na grande coalizão”, dizia uma eleitora, que se declarou ecologista de esquerda após depositar seu voto em Berlim. A coalizão Jamaica seria uma novidade, pois nunca foi testada no âmbito estatal. Além da imprevisibilidade, existem também as contradições e as linhas vermelhas de três partidos muito diferentes, que estariam condenados a se entender sob um mesmo arcabouço político. Refugiados, mudança climática e, sobretudo, a reforma da zona do euro que Merkel prometeu realizar em conjunto com Paris são alguns dos assuntos que complicariam a formação de uma coalizão Jamaica.

A aritmética indica que a extrema-direita do AfD terá, segundo as cifras preliminares, mais de meia centena de cadeiras no Parlamento. Também sugerem que, caso seja formada a grande coalizão, esse partido lideraria a oposição com um potencial inédito para marcar a agenda política e o debate nacional. É certo que o populismo de extrema-direita cresceu nos últimos anos em quase todos os países europeus, com porcentagens de voto bastante mais altas que as do AfD. França, Holanda e Áustria talvez sejam os exemplos mais significativos. Mas também é verdade que a Alemanha é um caso único, por evidentes razões históricas. Devido ao seu passado nazista, a possibilidade de que fosse concebido um partido de extrema-direita era muito remota. Até agora.

A Alemanha é também um caso extraordinário porque a ascensão da extrema-direita ocorre num contexto de bonança com poucos precedentes históricos. No caso do AfD, o protesto nasce principalmente da rejeição identitária a uma sociedade que se tornou culturalmente menos homogênea. Seus eleitores repetem que não querem que a Alemanha deixe de ser o que era, com suas tradições e sua cultura.

A chegada de 1,3 milhão de refugiados nos últimos dois anos foi o grande cavalo de batalha do AfD nesta campanha. O partido se orgulhou de vincular a criminalidade com a imigração e o asilo, exacerbando o sentimento de identidade nacional. A decisão de abrir as portas aos refugiados corresponde unicamente a Merkel, em quem a maioria dos alemães, contudo, voltou a depositar sua confiança depois do endurecimento de suas políticas e retórica migratórias nos últimos meses.

A partir desta noite, começa o complexo baile de alianças que pode se prolongar durante semanas, ou até meses, e que deve levar à formação de uma coalizão para governar a primeira economia da Europa.

set
25
Posted on 25-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

DEU NO BLOG O ANAGONISTA

Cadeia é cultura

Não é só Nem da Rocinha que recorre a cursos na prisão para reduzir sua pena.

Os presos da Lava Jato no Complexo Médico Penal de Curitiba, também.

Eis a escolinha, segundo O Globo:

– Eduardo Cunha faz curso de espanhol à distância;

– O ex-diretor da Petrobras Renato Duque aposta nas lições de inglês;

– O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto matriculou-se no curso de Higiene de Alimentos.

Nunca é tarde para aprender, pessoal.