Pessoas removem escombros de prédio que desmoronou
ALFREDO ESTRELLA AFP


DO EL PAÍS

Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu nesta terça-feira o centro do México, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos, que indicou que o tremor ocorreu a 51 quilômetros de profundidade. O Serviço Sismológico Nacional informou, através do Twitter, sobre um abalo de magnitude 7,1 ao fazer a atualização de seu primeiro relatório, no qual determinou que a escala era de 6,8. O sismo provocou numerosos danos em vários edifícios da capital mexicana, além de cortes no fornecimento de energia e no serviço de telefonia. Até agora, já foram registradas ao menos 40 mortes.

Na Cidade do México ocorreram cortes no serviço elétrico e de telefonia. Funcionários da proteção civil advertem a população que as tubulações de gás estão vazando. “Não fumem! Há vazamento de gás”, gritam os socorristas enquanto correm pelas ruas da região norte da capital. Ao menos uma dezena de edifícios ruíram em diferentes zonas da capital. Os voos estão suspensos no aeroporto. O poderoso terremoto foi sentido fortemente na capital do país, onde se viveram cenas de pânico apenas duas horas após a população ter saído às ruas de todo o país numa simulação em recordação ao violento terremoto de 1985, que devastou a capital e deixou dezenas de milhares de mortos.
registrado às 13h14 (15h14 em Brasília), situou-se 12 quilômetros a sudeste de Axochiapan, no estado de Morelos, região central do país, a uma profundidade de 57 quilômetros, segundo o Serviço Sismológico Nacional. A imprensa local mostra imagens de edifícios parcialmente destruídos nas comunidades de la Condesa, la Roma e del Valle, assim como vazamentos de gás em várias zonas da capital. No estado de Puebla, também no centro, as torres da Igreja de Cholula desmoronaram, segundo a agência Efe. No estado de Morelos também houve prejuízos, e o governador Graco Ramírez anunciou a ativação dos serviços de emergência.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, informou pelo Twitter que convocou Comitê Nacional de Emergências para avaliar a situação e coordenar as medidas.

O terremoto desta terça ocorre apenas 10 dias depois de outro forte tremor provocar dezenas de mortes na mesma zona. O sismo foi sentido com mais força que o de 7 de setembro, de magnitude 8,2, já que seu epicentro foi menos profundo.

O último abalo de 7 de setembro, o mais poderoso desde 1932 no México, deixou 98 mortos no sul do país: 78 em Oaxaca, 16 em Chiapas e quatro em Tabasco.

set
19


Michel Temer e Raquel Dodge, na posse dela na PGR.
EVARISTO SA AFP


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

Raquel Dodge assume a Procuradoria-Geral da República em um momento de divisão da principal instituição responsável por investigar a corrupção da cúpula política do Brasil. A cerimônia de posse da nova procuradora-geral nesta segunda-feira, testemunhada por dezenas de parlamentares e pelo presidente e investigado Michel Temer (PMDB), deixou ainda mais claro esse racha. Seu antecessor no cargo, Rodrigo Janot, e alguns de seus assessores não compareceram ao evento, algo incomum nesse tipo de solenidade no Ministério Público Federal. Ele alegou não ter sido convidado. Ao que ela diz que o cerimonial o chamou, sim.

O discurso de Raquel Dodge

Seu primeiro desafio será tentar unificar os procuradores e blindar sua equipe da influência de Janot, de quem ela é adversária política. Alguns dos aliados dela dizem que Raquel Dodge até poderia abrir uma apuração interna para apurar a conduta de seu antecessor. Janot ficou marcado no fim do mandato por apresentar duas denúncias criminais contra o presidente Temer, por ter revogado um dos mais bombásticos acordos de delação premiada (o feito pelos executivos da JBS) e por também ter agido contra um procurador, Ângelo Goulart Vilela, e um ex-procurador, Marcelo Miller. Ambos já foram do grupo mais próximo do ex-chefe do Ministério Público. Vilela chegou a ser preso sob a suspeita de receber propina da JBS para repassar informações sobre apurações – o que ele nega. Já Miller, pediu exoneração do Ministério Público e é investigado por ter orientado os executivos da mesma empresa a gravarem autoridades para assinarem a delação premiada.

Um sinal de mudança de rumo foi dado antes mesmo de Dodge assumir a função. Assim que foi escolhida por Temer para a função, ela anunciou que previa alterar o organograma da instituição, criando quatro novas secretarias e trocar ao menos dois procuradores membros da Lava Jato: Rodrigo Telles de Souza e Fernando Alves de Oliveira Júnior. Outros três, com experiência em operações como Zelotes, Mensalão e Greenfield, ocuparão funções em seu gabinete. Sua escolha, foi vista por analistas políticos como uma resposta de Temer aos avanços da operação Lava Jato. Cabe ao presidente nomear o procurador-geral e, geralmente, o escolhido é o mais votado na eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República. Dodge foi a segunda colocada.

Em carta de despedida enviada aos colegas, Janot desejou sorte à sua sucessora e afirmou que não estaria na posse por questões protocolares, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo. Sem citar nomes, o ex-procurador-geral afirmou que escroques ainda ocupam cargos no país e que é necessário acreditar que o combate à corrupção sirva como inspiração para todas as gerações. “Precisamos acreditar nessa ideia e trabalhar incessantemente para retomar os rumos deste país, colocando-o a serviço de todos os brasileiros, e não apenas da parcela de larápios egoístas e escroques ousados que, infelizmente, ainda ocupam vistosos cargos em nossa República.
Além da corrupção

No seu discurso, a nova procuradora-geral reforçou a necessidade do combate à corrupção, mas disse que outras atribuições constitucionais também devem ser levadas em conta pelo Ministério Público. Citou especificamente a defesa da democracia, dos direitos dos índios, das minorias, da sociedade, do meio ambiente e de zelar pelo respeito aos poderes públicos. Defendeu ainda a existência de harmonia entre os poderes.

“O Ministério Público, como defensor constitucional do interesse público, posta-se ao lado dos cidadãos para cumprir o que lhe incumbe claramente a Constituição de modo a assegurar que todos são iguais e todos são livres, que o processo legal é um direito e que a harmonia entre os poderes é um requisito para a estabilidade da nação”.

A fala dela agradou a Temer. Que disse que a procuradora deu uma “aula”. Ele ainda defendeu a preservação da “dignidade humana”. Emparedado pelas acusações, o presidente reclama constantemente que tem sido investigado sem ter sido ouvido. Sua versão dos fatos, dizem ele e seus advogados, não são levadas em conta pelos procuradores.

Na cerimônia de sua posse, Raquel Dodge também pediu que o Congresso Nacional e o Poder Executivo deem o “apoio indispensável ao aprimoramento das leis e das instituições republicanas”. Desde que a Lava Jato atingiu o núcleo político, com 66 acusações contra pessoas com foro privilegiado, os congressistas têm sugerido leis que possam enfraquecer o poder dos investigadores. A principal proposta é a lei de abuso de autoridade, em tramitação no Senado.

Joyce Moreno e o Mestre Donato, beleza pura!

Confira!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


O general Hamilton Mourão. Reprodução YouTube

DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

O polêmico general Antônio Hamilton Mourão voltou ao centro das atenções no final da semana passada ao defender um golpe militar no Brasil por conta da crise política enfrentada pelas instituições. Diante do possível cometimento de um crime militar, ao, em tese, incitar seus subordinados a transgredirem a ordem constitucional, nem o Ministério da Defesa, nem o Exército abriram até a noite desta segunda-feira qualquer investigação formal para apurar a conduta do militar. Em nota, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que convocou o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, “para esclarecer os fatos relativos a pronunciamento de oficial general da Força e quanto às medidas cabíveis a serem tomadas”.

No documento, Jungmann também afirmou que “há um clima de absoluta tranquilidade e observância aos princípios de disciplina e hierarquia constitutivos das Forças Armadas”. Questionada, a Procuradoria Geral da Justiça Militar informou que analisou a fala de Mourão e não encontrou “nenhum ilícito penal previsto no Código Penal Militar”.

Especialistas divergem dessa avaliação. “O militar que apoiar, divulgar ou incitar o povo para participar de um golpe, afronta as leis constitucionais e infraconstitucionais, e fere de morte a hierarquia e disciplina militar, bases fundamentais do militarismo”, afirmou o advogado Almir Pereira da Silva, que atua na área de direito militar em São Paulo.

A fala de Mourão ocorreu quando ele respondia a perguntas após proferir uma palestra em uma loja maçônica de Brasília. Um dos questionamentos foi se ele concordava de que, com poderes cheios de corruptos (incluindo um presidente da República denunciado criminalmente duas vezes), não seria o momento de se ter uma “intervenção militar”. Eis um trecho da resposta do general Mourão: “Na minha visão, que coincide com a dos companheiros que estão no alto comando do Exército, estamos numa situação que poderíamos lembrar da tábua de logaritmo, de aproximações sucessivas. Até chegar ao momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou, então, nós teremos que impor isso”.

Histórico

O histórico do general é marcado por seu posicionamento favorável ao fim do regime democrático. Em outubro de 2015, ainda no Governo Dilma Rousseff (PT), Mourão foi exonerado do Comando Militar do Sul. A principal razão foi por ele dizer, também em uma palestra, que era necessário um “despertar para a luta patriótica”. Criticou a gestão federal e reclamou dos seguidos escândalos de corrupção. Na época, a petista vivia uma intensa crise política que resultou menos de um ano depois em seu impeachment. Sua “punição” foi se tornar secretário de Economia e Finanças do Exército. É um dos responsáveis pelas contas da Força Militar. Desde que perdeu o comando da região Sul do país, contudo, Mourão se tornou uma espécie de ícone dos que defendem um golpe militar.

No período, pré-impeachment, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, era comum ver durante os protestos contra Dilma, o gigantesco boneco inflável do general Mourão. Com 12 metros de altura, vestido com uniforme militar, batendo continência e usando uma faixa presidencial no peito, o boneco foi criado por manifestantes favoráveis ao fim do regime democrático e costumava ficar ao lado de um caixão com figuras de Dilma e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

A faixa presidencial que antes estampava apenas esse boneco, aparentemente, tornou-se um sonho para os apoiadores do general. Como ele vai se aposentar (ou entrar para a reserva no jargão militar) em março do ano que vem, já há sondagens para que se candidate à presidência da república. Oficialmente, ele ainda não se manifestou sobre suas pretensões políticas.

Uma das poucas entidades que se manifestou contrária à fala do general foi o Fórum Brasileiro de Segurança. Em nota oficial, essa ONG afirmou que as declarações do general causam “estranheza e preocupação” no mesmo momento em que as Forças Armadas suspendem suas atividades extras no Rio de Janeiro por conta da falta de recursos financeiros. “Esta declaração é muito grave e ganha conotação oficial na medida em que o general estava fardado e, por isso, representando formalmente o Comando da força terrestre”.

Procurado, o general não foi localizado pela reportagem. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no domingo, ele alegou que não estava “insuflando nada” ou “pregando intervenção militar”. Também disse que falava em seu nome, não no do Exército.

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Posted on 19-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-09-2017


Son Salvador, no Diário de Minas (Belo Horizonte)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

‘Ideia fixa contra Janot’

Em seu blog, Andréia Sadi conta que Michel Temer está se dedicando a “articulações para retaliar Rodrigo Janot na CPI da JBS”.

Segundo deputados da base aliada, diz a repórter, o presidente está incentivando parlamentares a aprovar requerimentos da CPI para constranger o ex-procurador-geral da República.

De acordo com um parlamentar, Temer quer transformar a denúncia contra ele e outros peemedebistas em briga “pessoal” com o ex-titular da PGR. “Ele está com ideia fixa contra Janot”, disse um integrante da base do governo.