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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Gilmar provoca Fachin, que responde: “Alma em paz”

Há pouco, durante sessão da Segunda Turma do STF, Gilmar Mendes disse, referindo-se ao caso JBS:

“Os casos que agora estão sobre a mesa são altamente constrangedores. O que está saindo na imprensa e o que sairá nos próximos dias, meses, certamente vão corar frade de pedra. Já se fala abertamente que a delação de Delcídio foi escrita por Marcello Miller. É um agente que atuava. Agora já se sabe que ele atuou na Procuradoria da República. Sabe-se lá o que ele fez aqui também. Portanto nós estamos numa situação delicadíssima. O STF está enfrentando um quadro de vexame institucional.”

Gilmar continuou, dirigindo-se a Edson Fachin, que deu o aval para as delações da JBS e é relator da Lava Jato:

“Nesse caso, imagino seu drama pessoal. Ter sido ludibridado por Miller ‘et caterva’ deve impor um constrangimento pessoal muito grande (…) Não invejo seus dramas pessoais, porque certamente poucas pessoas ao longo da história do STF se viram confrontadas com desafios tão imensos, grandiosos. E tão poucas pessoas na história do STF correm o risco de ver os eu nome e o da própria Corte conspurcado por decisões que depois vão se revelar equivocadas”, disse o ministro.”

Fachin respondeu, ainda na sessão, segundo registro do G1:

“Eu reitero o voto que proferi com base naquilo que entendo que é a prova dos autos. E por isso agradeço a preocupação de vossa excelência, mas parece-me que, pelo menos ao meu ver, julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger a ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte. Também agradeço a preocupação de vossa excelência e digo que a minha alma está em paz.”

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CRÔNICA

Paixão pelo Cinema:Tuna Espinheira na Sala Alexandre Robatto

Lucia Jacobina

Na Sala Alexandre Robatto, situada na Biblioteca Central dos Barris, no último dia 06 de setembro, uma seleta plateia de convidados foi assistir a exibição de dois documentários do criador e realizador baiano Tuna Espinheira intitulados “O Cisne também Morre”, de 1982, e“A Mulher Marginalizada”, de 1989,ambos rodados em 16 mm. Além de constituírem dois dos mais importantes curtas-metragens de sua autoria, o primeiro representa a estreia do diretor no universo da ficção e o segundo pela temática contundente lhe valeu inclusive uma premiação internacional, esses filmes ainda não estão digitalizados e foram exibidos justamente para que suas imagens sejam captadas e integrem um documentário em homenagem ao cineasta que está sendo rodado por Marcília Cavalcante Barros, vencedora da seleção feita pelo Projeto Arte em Toda Parte, patrocinado pela Fundação Gregório de Matos e a Prefeitura de Salvador.
Entre o público presente lá estava uma parte remanescente do elenco e da produção, amigos e parentes,jovens e veteranos ligados à sétima arte. Do elenco, na tela e na plateia destacavam-se Angelo Roberto,protagonista de “O Cisne também Morre”, numa belíssima e surpreendente interpretação do grande representante das artes plásticas, que comprovou sua formação teatral no palco das “Jogralescas” e também na “Hora da Criança”. Aparição especial de Yara Espinheira, produtora cultural e diretora de produção de todos os filmes, exemplo de parceria de uma vida inteira de um casal que se amava e admirava mutuamente na vida em comum e no labor cinematográfico,ela que é para mim uma das pessoas mais inteligentes, sensíveis e bem-humoradas do meio artístico baiano, em torno da qual gravitam até hoje uma plêiade de artistas da velha geração, galvanizada por sua solidariedade e seu carisma, além dos jovens amigos da filha Rosa Espinheira, que também escolheu a carreira artística. E ainda as participações marcantes de outros tantos talentos já desaparecidos, a exemplo do cineasta Agnaldo Azevedo Siri,do poeta Fred de Souza Castro e do jornalista Fernando Rocha, além de André Setaro, meu colega da Faculdade de Direito da Ufba, famoso jornalista, professor e crítico de cinema, com obra publicada. O próprio cineasta também aparece fazendo uma ponta, ainda jovem com basta cabeleira preta e sua inseparável boina. A voz de Carlos Anísio Melhor dizendo seus poemas pontua todo o filme que é feito em homenagem ao poeta tragado pelo vórtice do talento e da sensibilidade em tamanha proporção que seria impossível domar, tendo conseguido apenas viver alternando lucidez e loucura, expressando-se em versos e nutrindo-se no álcool. A exortação anisíaca “Fica-te aí, parada na memória” que inicia o primoroso soneto “Tempo e Memória”, na minha concepção, tem a mesma força do emblemático verso de John Keats “A thingofbeautyis a joyforever”, o primeiro verso do poema “Endimion”. Aengenhosidade do jovem cineasta Tuna Espinheira vagou com sua câmera e seus companheiros de equipe pelas ruelas e becos da velha cidade de Salvador e pelo antigo sanatório Juliano Moreira, buscando reconstituir os locais onde vivia e morria o inspirado poeta.
Em “A Mulher Marginalizada”, o importante e premiado documentário realizado em 1989, o cineasta expõe sua sensibilidade a serviço de seu credo político ao trazer para a tela o cotidiano da prostituição e divulgar o trabalho desenvolvido por dom José Rodrigues, criador da Pastoral da Mulher Marginalizada em Juazeiro,bispo perseguido e preso pelo regime militar justamente por sua atuação em benefício da comunidade carente. Esse documentário foi amplamente prestigiado, tendo recebido os Prêmios de Melhor Direção e Melhor Filme no VI Rio Cine Festival e o Troféu do Ofício Católico Internacional de Cinema, OCIC.
A ocasião funcionou como uma espécie de sessão nostalgia, ao trazer de volta o velho projetor que atualmente alguns chamariam de “jurássico”, mas que para o universo cinematográfico representa um exemplar especialíssimo e foi por meio dele que muitas películas dos primórdios do cinema baiano foram apresentadas. Nas salas de exibição daquela época além das imagens projetadas na tela, dos diálogos e do fundo musical, um som peculiar era emitido por esseequipamento enquanto rodava as bobinas do filme, e que poderíamos dizer fazia parte integrante da trilha sonora. Esses ruídos característicos me são tão caros ao ouvido como também à memória, pois me remetem a minha meninice em Mundo Novo e a companhia de minha mãe, também uma amante da sétima arte, a quem devo minha iniciação e minha paixão pelo cinema.
Coincidentemente essa sessão especial ocorreu nos Barris, tradicional bairro do centro da capital que pode ser considerado como reduto e berço do cinema em Salvador. Era lá que se situava a pensão de Dona Lúcia, mãe de Glauber Rocha, o idealizador do “cinema novo”, movimento tão importante em nosso país e na história do cinema brasileiro como é o neorrealismo italiano e a nouvelle vague francesa para seus países de origem e da própria história do cinema mundial. Lá também está localizada a sede da Biblioteca Pública Central, com a cinemateca e as salas de projeção Walter da Silveira e Alexandre Robatto, dois nomes proeminentes da cinematografia local.
Segundo informações da própria diretora, as homenagens ao cineasta falecido em 2015 ocorrerão em Salvador, nos dias 13, 20 e 27 de outubro, em locais a serem posteriormente divulgados.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.


Rui Costa em foto de Luciano da Mata (A Tarde)

DO JORNAL A TARDE

Patrícia França

Ao comentar, nesta segunda-feira, 11, pela primeira vez, sobre o impacto que as revelações feitas pelo ex-ministro Antonio Pallocci teria sobre a candidatura à Presidência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, o governador Rui Costa (PT) disse não ver prejuízos. “Não me parece crível, não apresentou prova nenhuma”.

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que está conduzindo na Justiça a Operação Lava Jato, Pallocci acusou Lua ter recebido propina e vantagens da Odebrecht. Para Rui, o ex-ministro não apresentou nada que comprove suas acusações. “O dia que for [provado algo], eu serei o primeiro a lamentar”, afirmou o petista, durante inauguração de mais quatro estações de metrô em Salvador.

Rui disse que falta consistência nas denunciais: “A delação é ‘o Lula me contou que teve uma reunião’. Aí perguntam: ‘Você participou dessa reunião?’. ‘Não’. ‘Como é que você soube?’. ‘No outro dia, o Lula me contou’. (…). Então, ele, na verdade, dá um depoimento como se ele fosse o grande confidente de Lula”, ironizou.

O governador defendeu, por outro lado, a continuidade das investigações e disse que a aprovação da reforma política é um passo importante no combate à corrupção.

“É preciso que o financiamento seja transparente e não através da ilegalidade ou do crime organizado, do tráfico de drogas, nem do jogo do bicho, nem de empréstimo de agiota ou de malas”, defendeu Rui, que é favorável ao financiamento público das campanhas.

Sobre os R$ 51 milhões apreendidos pela Polícia Federal e que seriam do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o governador classificou como “inacreditável” as imagens veiculadas na TV.

“Se alguém dissesse isso há meses atrás, eu não acreditaria. Isso revolta demais a população e com razão. Espero que isso não aconteça mais”, afirmou.

Grande Erasmo, valeu !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

Rodrigo Janot vive uma estranha corrida na sua última semana à frente da Procuradoria-Geral da República, em meio ao fogo cruzado entre ele e os inimigos que reuniu ao longo do seu mandato. Janot tem somente cinco dias para salvar sua imagem, atacada por várias frentes -sobretudo a frente política, mas também a de algumas pessoas do judiciário- após as irregularidades descobertas na delação da JBS. O procurador tentará demonstrar que não está enfraquecido e ainda quer apresentar as últimas denúncias, dentre elas a que deve ter como alvo de novo a pessoa que virou seu grande inimigo, o presidente da República, Michel Temer

A última semana de Janot será marcada por ao menos duas ações: a limpeza das gavetas dos casos da operação Lava Jato e a tentativa de amenizar as críticas feitas por conta das omissões da JBS em seu acordo de delação premiada. Desde que passou a denunciar políticos com foro privilegiado, Janot entregou uma média de 1,3 denúncia por mês. Só na última semana esse número já aumentou, foram duas denúncias e um pedido de arquivamento contra políticos do PT e do PMDB. Ao total, foram 34 denúncias entre agosto de 2015 e setembro de 2017. A expectativa é que até a próxima sexta-feira, último dia útil de seu mandato, mais uma ou duas sejam apresentadas.

Os próximos alvos de Janot podem ser o presidente Michel Temer (PMDB), que está sendo investigado por obstrução à Justiça, além do empresário Joesley Batista, preso em Brasília desde esta segunda-feira justamente por esconder informações do Ministério Público Federal.

Enquanto junta as últimas peças dos intrincados quebra-cabeças da corrupção brasileira, o procurador-geral lida com uma complicada transição para Raquel Dodge e com as tentativas de adversários de sujar sua imagem. No fim de semana, ele foi fotografado sentado na mesa de uma distribuidora de bebidas com o advogado Pierpaolo Bottini, um dos defensores de Joesley no Supremo Tribunal Federal. A imagem, publicada pelo site O Antagonista, só elevou a onda de boatos em Brasília e colaborou para a tentativa de manchar a imagem do procurador na reta final de sua carreira. Oficialmente, ambos disseram que não trataram de nenhum processo judicial específico e só trataram de amenidades.

Antes dessa foto, o advogado de Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, já havia pedido a suspeição do procurador nos casos envolvendo o presidente. O pedido foi negado em uma primeira análise do STF. Mas Mariz recorreu e pode ser reanalisado nesta quarta-feira, quando a Corte julgará se as provas levadas pela JBS no seu acordo de delação premiada serão válidas ou não. Se a resposta for negativa, Janot terminará de uma forma melancólica seus quatro anos de mandato. Se for positiva, lhe dará um alívio.

“Apesar de querer aparentar que está tranquilo com todo o processo, ele está um poço de ansiedade e quer demonstrar que, até o último minuto, trabalhou de maneira correta. Ele foi traído”, afirmou um procurador que trabalha com Janot. A traição, na visão dos colegas do procurador-geral, ocorreu quando Marcelo Miller, um antigo membro da força-tarefa da Lava Jato, ajudou os executivos da JBS a negociarem um acordo de leniência com a Justiça Federal. Toda negociação teria sido feita enquanto ele ainda era procurador. Mais tarde, quando deixou a procuradoria, Miller se associou ao escritório que firmou o acordo judicial. Nesta segunda-feira, no entanto, a leniência foi temporariamente suspensa. O juiz que havia a acatado entendeu que era prudente o STF julgue a validade da delação da JBS antes de dar andamento ao pagamento da multa, estipulada em 10,3 bilhões de reais.

Se já não bastassem as batalhas jurídicas, a artilharia contra Janot também já está preparada no Congresso Nacional. Nesta terça-feira, deputados e senadores participam da segunda sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS, criada especialmente para analisar os acordos de delação da Lava Jato e os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Um dos que devem ser convocados a depor é Janot. Na lista também estão os irmãos Batista e o ex-procurador Marcelo Miller.

Marcado por ser um procurador que pouco lidava com ações criminais até chegar à chefia do Ministério Público, Janot tentará deixar outras marcas. Nas últimas denúncias criminais que apresentou ele costumava enviar recados aos potenciais réus, conforme destacou o site Jota. Citou desde o pacifista Mahatma Gandhi (ao dizer que “tiranos sempre caem”) até o poeta e jornalista brasileiro Millôr Fernandes (ao lembrar que “toda farsa tem dois gumes”). Resta saber qual será a citação que estará no último capítulo da sua biografia profissional.

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Posted on 12-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2017


Amarildo, no diário A Gazeta (ES)

DO BLOG O ANTAGONISTA

Aliado de Geddel disse que veio buscar dinheiro em SP

Gustavo Ferraz admitiu em depoimento à Polícia Federal ter vindo buscar dinheiro em espécie em São Paulo, a mando de Geddel Vieira Lima, relata O Globo.

“Fontes com acesso ao depoimento de Gustavo afirmam que a admissão foi feita à PF no sábado”, escreve o jornal.

O dinheiro, recebido pelo assessor em um hotel da capital paulista, teria sido entregue por um emissário de Eduardo Cunha em 2012. Na ocasião, Geddel era vice-presidente da Caixa no governo de Dilma Rousseff.

O MPF acredita que o aliado de Geddel deu “auxílio direto e essencial” para a acomodação dos R$ 51 milhões achados no bunker de Salvador, na semana passada, com as digitais dos dois.