Geddel desembarca em Brasília: de volta a Papuda…


…e com Afrisio Vieira Lima, o pai, em Salvador.

ARTIGO DA SEMANA

Geddel preso, tesouro perdido, e a sombra do patriarca

Vitor Hugo Soares

Ao comunicar a morte do pai, Afrísio Vieira Lima – personalidade tão esquentada, polêmica e folclórica, no passado, quanto o seu sanguíneo e enrascado filho dileto, no presente da política e do poder na Bahia e no País – Geddel Vieira Lima escreveu em seu endereço nas redes sociais, em 11 de janeiro do ano passado: “Uma dor sem fim. Perdi o parceiro de toda uma vida. Não sei o que vai ser daqui pra frente da minha vida. Vai em Paz meu amor, vai em Paz meu PAI”.

Nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, 8, a incógnita da pergunta sobre o futuro do ex-ministro dos governos Lula, Dilma e Temer – manda-chuva de estratégica e rica diretoria da Caixa Econômica Federal na era Dilma -, voltou a ganhar atualidade, sentido e interesse público, para além dos sentimentos do afeto filial, da espiritualidade ou da retórica de “político garganteiro”, para usar o linguajar soteropolitano.

Sob testemunho de um vendedor ambulante que estava desde as primeiras horas da manhã, no bairro de graúdos, em busca do suado minguado ganha pão de cada dia, além de um funcionário do prédio, por solicitação de agentes da Polícia Federal, Geddel foi retirado do luxuoso apartamento onde mora e cumpria prisão domiciliar, sem tornozeleira eletrônica (que a Bahia ainda não dispõe dessas coisas!), e levado ao aeroporto da capital, para embarcar na viagem de volta à Brasília, onde deverá ocupar cela de um de seus mais recentes e desonrosos endereços: o complexo penitenciário da Papuda.

Outra vez a sombra e sinal da poderosa e influente presença do velho falecido patriarca dos Vieira Lima, nascido em Remanso (na beira do São Francisco, o rio da minha aldeia), circulam no ar carregado de eletricidade, tensão e pitadas de melodrama. Assim como quase sempre, ao longo das últimas cinco décadas, marcaram como ferro em fogo, o temperamento, palavras, ações do ex-ministro. A partir deste dia seguinte do feriado da Independência do Brasil, tudo indica, acompanharão também o nevoento e incerto destino do também, – pelos evidentes e graves sinais criminais já descobertos pela PF no meio das malas e caixas com R$51 milhões em dinheiro vivo, do tesouro perdido encontrado encoberto por lençóis no apartamento da Graça, a menos de um quilômetro de onde acaba de ser preso – aparentemente irrecuperável filho dileto do velho Afrísio.

Há menos de três meses, em prantos diante do juiz Vallisney Souza de Oliveira, um irreconhecível Geddel dizia estar arrependido e que tinha aprendido a lição. Implorava pela saída da Papuda, reivindicando recolhimento a prisão domiciliar em Salvador, sem tornozeleira eletrônica, pois isso, segundo justificou, representaria “uma desonra insuportável à memória de meu querido pai, recentemente falecido”. O episódio, pelo que tenho lido, visto e sentido nos noticiários, análises e reações indignadas de muita gente, nesta semana incrível, ainda permanece fresquinha na memória não raramente amnésica da sociedade e de sua imprensa, da qual faço parte. “E não me excluo ”, para usar a expressão do ex-ministro Antônio Palocci (figura referencial do PT e dos governos Lula e Dilma), no arrasador depoimento da última quarta-feira, diante do juiz condutor da Lava Jato Sérgio Moro, em Curitiba, onde o interrogado está preso. Mas esta é outra história. Ou seria a mesma, vista por outro prisma e com alguns diferentes personagens? Responda quem souber.

Ainda assim, em face dos impressionantes fatos da semana, não custa contar de novo. Até por força da indispensável necessidade de contextualização, dos fatos, como recomendava sempre o mestre de teoria e da prática jornalística, Juarez Bahia, saudoso chefe na Editoria Nacional do Jornal do Brasil, quando o autor deste artigo chefiava a redação da sucursal baiana do JB, e Antonio Carlos Magalhães, que mandava no pedaço, rompia histórica ligação política e amizade pessoal com Afrísio (ex-deputado, ex-secretário de Segurança Pública, ex-diretor das Docas de Salvador e muita coisa mais antes de morrer aos 84 anos de muitas brigas, denúncias e encrencas) e toda descendência dos Vieira Lima, a começar por Geddel.

Começava aí uma explosiva era de insultos, denúncias mútuas de malfeitos e desvios, chutes nas canelas, agarrões no pescoço e até um horroroso quase estrangulamento, durante uma briga dentro do Palácio de Ondina, do pai do ex-ministro de Lula e de Temer.

Para ser exato, até o herdeiro de Afrísio se ver embrulhado no olho do furacão dos fatos criminais, jurídicos e pessoais decorrentes do rumoroso escândalo do jogo de influência explícita e de interesses submersos para viabilizar a construção irregular (atropelando determinações do IPHAN-MINc) do majestoso edifício residencial “La Vue” em área histórica tombada no Porto da Barra, na orla da capital.

Impulsivo, vaidoso, pavio curto e quase sempre olhado com desconfiança pelos que o rodeavam, desde a juventude, segundo histórico e polêmico depoimento do reverenciado cantor e compositor Renato Russo – na verdade multifacetado artista completo cuja memória está sendo celebrada neste mês dos 20 anos da partida do visionário criador e líder da Legião Urbana, com magnífica exposição em São Paulo – colega de turma de Geddel no Colégio Marista do DF e contemporâneo na UNB. Ainda assim, choca e causa indignação sem tamanho as imagens em movimento transmitidas pela TV, na cobertura da operação Tesouro Perdido, na manhã de terça-feira na capital da Bahia. Ou a foto congelada da montanha de dinheiro da corrupção, publicada nos sites da imprensa e importantes blogs nacionais, espalhada pela agência internacional AP, pelos jornais do mundo. 51 milhões de reais, vale repetir.

Tudo dentro das malas e caixas onde, segundo afirma o empresário que “cedeu” o imóvel ao “amigo” ex-ministro, deveriam estar documentos e objetos para preservação da memória do patriarca Afrísio. Nem mesmo Garcia Marquez, em seus mais incríveis romances do realismo fantástico teria sido capaz de imaginar algo assim. E a terra dos maiores e mais inimagináveis absurdos, está no topo e nas manchetes outra vez.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
09
Posted on 09-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-09-2017


Jarbas, no Diário de Pernambuco

DO G1/ O GLOBO

Por G1, Brasília

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu nesta sexta-feira (8) ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma ação cautelar, as prisões do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, de Ricardo Saud, executivo da empresa, e do ex-procurador da República Marcelo Miller.

O pedido está sob sigilo – nem a Procuradoria-Geral da República (PGR) nem o Supremo confirmam que foi enviado. A decisão sobre o pedido será tomada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF.

Se Fachin autorizar as prisões, o acordo de delação premiada firmado entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República deve ser rescindido. O termo de delação prevê que o acordo perderá efeito se, por exemplo, o colaborador mentiu ou omitiu, se sonegou ou destruiu provas. Sobre a validade das provas apresentadas, mesmo se os termos da delação forem suspensos, continuarão valendo – provas, depoimentos e documentos. Esse é o entendimento de pelo menos três ministros do Supremo: a rescisão do acordo não anula as provas.

Na segunda-feira (4), a PGR informou que novos áudios entregues pelos delatores da JBS indicam que o ex-procurador da República Marcello Miller atuou na “confecção de propostas de colaboração” do acordo que viria a ser fechado entre os colaboradores e o Ministério Público Federal (MPF). A PGR também suspeita que os delatores podem ter omitido informações.

Nas novas gravações, entregues pelos próprios delatores à Procuradoria, Joesley e o executivo Ricardo Saud falam sobre a intenção de usar Miller para se aproximar de Janot. Joesley admitiu que se encontrou com Miller ainda em fevereiro, mas ele teria dito que já tinha pedido exoneração do Ministério Público.

Na quinta (7), Joesley, Saud e Francisco Assis, executivo do grupo J&F (controlador da JBS) prestaram novos depoimentos ao Ministério Público Federal, em Brasília. Nesta sexta, depôs Marcelo Miller, no Rio de Janeiro.

O vento é forte, mas é preciso enfrentar o Irma e tocar a vida em frente.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
09
Posted on 09-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-09-2017


Moradores de Miami se abastecem em um supermercado antes da chegada do Irma. AP


DO EL PAÍS

Nicolás Alonso

Miami

Em Miami Beach na quinta-feira escuta-se música clássica. Faz sol, 32 graus Celsius e alguns poucos turistas passeiam pela praia acompanhados de suas malas. Enquanto alguns tomam goles do último café com vista para ondas tranquilas, dezenas de trabalhadores instalam contra o relógio tábuas de madeira e de metal nas janelas e portas de hotéis e restaurantes na rua Ocean Drive. Esses contrastes marcam as horas antes da chegada na Flórida do pior furacão já registrado no Oceano Atlântico – Irma, de categoria cinco – que já causou danos sem precedentes em vários países do Caribe e provocou a morte de pelo menos 13 pessoas.

No início da manhã, a polícia já coordena o trânsito dos últimos carros que fugiam desta área paradisíaca de Miami, e a esperada zona zero depois que o olho do furacão, com ventos de quase 300 quilômetros por hora, devastar os edifícios baixos de estilo Art Déco deste condado perto do centro. No News Café, às nove da manhã, os garçons serviam o último café da manhã antes de finalizar sua curta jornada. “Estamos nos preparando. Fechamos ao meio-dia e não sabemos quando vamos reabrir. Em uma tempestade, há alguns anos, demoramos duas semanas para reabrir. Isso é um furacão”, lembra um funcionário. O som das furadeiras apertando parafusos e instalando proteções se alterna com a melodia dos alto-falantes do restaurante.

A maioria vai embora. Mas alguns vão ficar. Embora as autoridades tenham ordenado a evacuação obrigatória deste condado, o mais vulnerável por sua baixa altitude acima do nível do mar, aqueles que quiserem podem ficar em suas casas; assim é interpretada a liberdade individual nos EUA.

É o caso de Andrés Asión, um corretor de imóveis de 42 anos que vive em um arranha-céu na ponta sul do passeio marítimo. Vai passar as horas mais críticas em seu apartamento, com vista para o oceano e no primeiro ponto de contato da cidade com o Irma. Allen Kordich, de 37 anos, também vai ficar. Os dois passaram o dia enchendo sacos de areia para colocar nas portas de lojas e evitar – com pouca chance de sucesso – que a água inunde os locais. “Não tenho medo, vai se dissipar, (o Irma) será de categoria dois ou três quando chegar”, diz Kordich confiante, com traje de banho e sem camiseta, enquanto enfia sua pá na areia.

Mas a maioria prefere não confiar na sorte. Andrea Ratkovic, turista de Oklahoma que os ajuda antes de voltar para casa, não é tão otimista. “Devemos nos preparar e o resto deixar nas mãos de Deus. É a mãe natureza, não temos como discutir com ela. Vem para cá”, diz.

Andrés González, um argentino de 36 anos, carrega seu Fiat Punto branco com lentilhas, macarrão, proteína em pó, bebidas e outros pertences. González e sua esposa, que são músicos, dizem que estão levando tudo que é necessário para reconstruir a vida em outro lugar: “Levamos amplificadores, guitarras e o teclado”. O plano deles é dirigir por umas dez horas até Atlanta, algo que não será tarefa fácil pelos quilométricos congestionamentos e as dificuldades para encontrar gasolina que já afetam aqueles que tentam fugir por terra.
A polêmica alta nos preços dos bilhetes aéreos

Ante a possível catástrofe que espreita Miami, milhares de pessoas buscam sair da área metropolitana da cidade. Nas estradas, desde quarta-feira, os engarrafamentos não garantem que quem optou por esta via de fuga consigam evitar o furacão. O avião é a opção mais segura, mas uma que se converteu em quase impossível por conta da polêmica alta dos preços praticados por muitas linhas aéreas.

A Delta Airlines aumentou o preço de um bilhete de Miami a Phoenix de 457 dólares para 3.200 dólares em questão de minutos. Pela United, voar para Denver custava nesta quarta-feira mais de 6.500 dólares. E pela American Airlines custa cerca de 1.500 dólares para chegar a San Diego. Todos eles incluíam ao menos duas escalas e mais de oito horas ao todo de viagem.

A chuva de críticas nas redes sociais fez com que algumas linhas aéreas como JetBlue decidissem nesta quinta-feira fixar um topo nos preços de voos com ponto de partida nas zonas que estarão afetadas por Irma.


Miller, um barnabé

Marcelo Miller pediu exoneração do cargo de procurador da República em 23 de fevereiro de 2017, quase um mês antes do primeiro contato oficial de Joesley Batista com a PGR.

No requerimento de exoneração, porém, pediu que os efeitos se produzissem a partir de 5 de abril, para que pudesse gozar parte das férias vencidas a que tinha direito.

Fruiu férias de 6 a 25 de março e tirou licença médica nos dias 26 e 27.

Ou seja, embolsou o salário do MPF sem precisar trabalhar, emendando Carnaval, férias e licença, enquanto abria uma nova “frente” de trabalho como advogado da JBS.

Malandro é malandro, mané é mané, mas barnabé é sempre barnabé.