DO G1/O GLOBO

Por Camila Bomfim*, TV Globo e TV Bahia, Brasília e Salvador

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado) na manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 51 milhões em um imóvel supostamente utilizado pelo peemedebista.

A prisão foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal. No governo Dilma Rousseff, Geddel ocupou a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica do banco público, indicado pelo PMDB.

As investigações da Cui Bono apontam que o peemedebista, valendo-se de seu cargo na Caixa, “agia internamente, de forma orquestrada”, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua diretoria e fornecia informações privilegiadas para os outros integrantes “da quadrilha que integrava”, entre eles o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O pedido de prisão cumprido nesta sexta-feira foi apresentado pela PF e, posteriormente, acabou endossado pelo Ministério Público Federal (MPF), com base na apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento que havia sido emprestado a Geddel por um amigo do ex-ministro.

O argumento dos investigadores para solicitar que o ex-ministro retorne para a cadeia é o eventual risco de “destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos”. Além disso, a PF identificou risco de fuga depois da divulgação da apreensão do dinheiro.

A assessoria do MPF informou ainda que a nova fase da Cui Bono busca apreender provas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Além de Geddel, a PF cumpre mandado de prisão preventiva contra o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz – que, segundo as investigações, é ligado ao ex-ministro. Investigadores dizem que Gustavo Ferraz já foi indicado por Geddel para buscar, em 2012, valores ilícitos remetidos por Altair Alves, emissário de Eduardo Cunha.

O juiz federal de Brasília também expediu outros três mandados de busca e apreensão, todos na capital baiana. A Justiça autorizou as buscas alegando que a PF suspeita que ainda exista mais dinheiro de origem ilícita escondido pelo ex-ministro.

Os mandados de busca foram cumpridos no apartamento de Geddel e também nas residências de Gustavo Ferraz e da mãe dele.

O G1 tentou contato com a defesa de Geddel, mas até a última atualização desta reportagem não havia obtido resposta.

O G1 também tentou ligar para o celular de Gustavo Ferraz, mas estava desligado. A assessoria da prefeitura de Salvador não se manifestou sobre a prisão do diretor da Defesa Civil.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso pela Polícia Federal

Sete agentes e dois carros da PF entraram no condomínio em que Geddel mora com a família, em Salvador, às 6h desta sexta-feira. Segundo a TV Bahia (afiliada da Rede Globo), um vendedor ambulante, que estava na região, foi levado para dentro do condomínio, possivelmente para servir de testemunha.

Geddel deixou o prédio pouco depois das 7h, no banco de trás de uma viatura da PF. Cerca de meia hora depois, o comboio policial chegou ao aeroporto Luiz Eduardo Magalhães. O ex-ministro será conduzido para Brasília (veja no vídeo acima o momento em que Geddel deixa o prédio).

Ex-articulador político do presidente Michel Temer, Geddel já tinha sido preso preventivamente pela Polícia Federal, em julho, mas recebeu autorização do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para cumprir prisão domiciliar.

Embora a decisão judicial determinasse que Geddel fosse monitorado por tornozeleira eletrônica, isso não vinha acontecendo, pois o governo da Bahia não tem o equipamento.

O ex-ministro virou réu em agosto na Justiça Federal em Brasília acusado de obstrução de Justiça. Ele é acusado de tentar atrapalhar as investigações da Cui Bono.

Em nota divulgada após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel rechaçou as acusações, a aque chamou de “fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório”.

Fortuna em outro imóvel

Na terça-feira (5), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria utilizado por Geddel em Salvador. Dono do imóvel, Silvio Pereira afirmou à PF que havia emprestado o imóvel ao ex-ministro para que ele guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado.

Na decisão que autorizou a nova fase da Operação Cui Bono, o juiz de Brasília informou que a Polícia Federal identificou impressões digitais de Geddel e de Gustavo Ferraz nas cédulas de dinheiro encontradas na última terça-feira no apartamento do amigo do ex-ministro.

Além de o próprio dono do apartamento ter dito que emprestou o imóvel a Geddel para que o ex-ministro, supostamente, guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado, a administradora do condomi?nio, Patrícia dos Santos, confirmou que o apartamento tinha sido cedido ao peemedebista.

No despacho que autorizou a detenção do ex-ministro, o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília relatou que, segundo a PF, há “fortes indi?cios” de que os R$ 51 milhões apreendidos na última terça “pertence realmente” a Geddel, “uma vez que, no local, foi encontrada uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, funcionária do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irma?o do ex-ministro.

A defesa de Geddel Vieira Lima não se manifestou sobre os R$ 51 milhões.

Ex-ministro de Lula e Temer

Geddel Vieira Lima deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo em novembro de 2016. Na ocasião, ele havia sido acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador.

O peemedebista era o responsável pela articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no primeiro escalão de Temer por apenas seis meses.

Depois de ter sido um crítico ferrenho de Lula no primeiro mandato do ex-presidente, Geddel baixou as armas quando o petista foi reeleito e assumiu o comando do Ministério da Integração Nacional entre 2007 e 2010. Na pasta, encampou a transposição do Rio São Francisco.

Entre 2011 e 2013, ele se tornou vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa na cota de cargos de Michel Temer. Ele se desligou do banco público pedindo exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff.

Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador, onde foi assessor da Casa Civil da prefeitura da capital baiana entre 1988 e 1989. Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual foi eleito cinco vezes deputado federal.

DO G1/ JORNAL NACIONAL

Novos indícios reforçam a ligação entre o ex-ministro de Temer, Geddel Viera Lima, do PMDB, com a fortuna escondida em um apartamento localizado no bairro da Graça, em Salvador. Segundo o Jornal O Globo, a Polícia Federal reuniu quatro provas novas.

As impressões digitais de Geddel foram encontradas no próprio dinheiro, uma outra testemunha confirmou que o espaço tinha sido cedido ao ex-ministro, e uma segunda pessoa é suspeita de ajudar Geddel na destinação das caixas e das malas de dinheiro. Além disso, a PF identificou risco de fuga, depois da divulgação da apreensão do dinheiro.

O G1 tentou falar com a defesa do ex-ministro, mas, até a publicação desta reportagem não conseguiu contato.

Na quarta-feira (6), a Polícia Federal informou que o dono do apartamento onde a fortuna foi encontrada se apresentou à PF e, em depoimento, afirmou que havia emprestado o imóvel a Geddel para que o ex-ministro guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado.

Fortuna

A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 51 milhões em um apartamento em uma área nobre da capital baiana que seria usado com “Bunker”, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima. A PF usou sete máquinas e levou o dia inteiro para fazer a contagem da quantia, considerada a maior apreensão de dinheiro vivo já feita pelo órgão. Um vídeo divulgado pela PF mostra a contagem das cédulas.

A ação de busca e apreensão, chamada de Tesouro Perdido, é um desdobramento das investigações sobre fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, a operação Cui Bono. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013, durante o governo de Dilma Rousseff. No governo Temer, ele foi ministro da Secretaria de Governo (veja perfil completo mais abaixo).

Geddel cumpre prisão domiciliar há quase dois meses no apartamento dele, em Salvador, sem monitoramento eletrônico. A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap) não dispõe de tornozeleiras.

Réu

A Justiça Federal em Brasília aceitou, no final de agosto, denúncia da Procuradoria da República no Distrito Federal e transformou em réu o ex-ministro Geddel Vieira Lima por obstrução de justiça. Geddel foi denunciado após a Operação Cui Bono, por tentativa de atrapalhar as investigações sobre desvios no FI-FGTS, o fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

De acordo com o MPF, entre 2011 e 2013, Geddel agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que integrava. A denúncia foi aceita pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

Em nota divulgada após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel afirmou que: “Rechaça com veemência as fantasiosas acusações contidas na denúncia, fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório. Tão logo notificado pelo juízo da 10ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, será apresentada a peça de defesa, oportunidade que demonstrará a inocorrência de qualquer ilícito e a necessidade de rejeição da inepta e inverídica acusação.”

set
08
Posted on 08-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-09-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Mais provas contra Geddel

O Globo listou mais provas que a Polícia Federal teria contra Geddel Vieira Lima, além das digitais no apartamento onde ficavam guardados os R$ 51 milhões:

1) Uma segunda testemunha confirmou que o imóvel fora cedido a Geddel.

2) Outra pessoa é suspeita de ajudar o ex-ministro de Lula e Temer na acomodação das malas de dinheiro.

3) A PF teria identificado risco de fuga.

Geddel, como já reportamos, continua em prisão domiciliar e sem tornozeleira. E a origem da bolada ainda não foi esclarecida.

set
08
Posted on 08-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-09-2017


Bruno Aziz, no jornal A Tarde (BA)

Atenção, todo cuidado é pouco!. Sexta-feira sujeita a furacão: no Caribe, nos Estados Unidos, em Brasília e na Bahia. Peotejam-se!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

O presidente norte-americano, Donald Trump, manifestou a sua “viva inquietação” com a aproximação do furacão Irma, de uma intensidade inédita, que está deixando um rastro de destruição e morte na sua passagem pelo Caribe.

“Estamos muito inquietos, estamos a dar o máximo” na preparação para a chegada do Irma, afirmou o chefe de estado norte-americano, citado pela agência France-Presse, em declarações na Sala Oval da Casa Branca.

“A Florida está o melhor preparada possível, agora resta esperar para se saber o que vai acontecer”, acrescentou o presidente.

“Pensamos estar tão bem preparados quanto possível”, reiterou Donald Trump. “Estamos solidários com os habitantes da Florida”, acrescentou o presidente, que há menos de uma semana se deslocou ao estado do Texas para verificar pessoalmente a destruição deixada pelo furacão Harvey.

O Irma deverá chegar à Florida este fim de semana, mas cerca de 1,2 milhões de pessoas foram já afetadas pelo furacão ao longo da sua passagem nas Caribe, um número que poderá alcançar os 26 milhões de pessoas, de acordo uma previsão divulgada ontem pela Cruz Vermelha Internacional.

A ameaça de estarem prestes e enfrentar o mais intenso furacão de sempre levou os habitantes da Florida a correr para se abastecerem de três elementos básicos para estas situações: água, gasolina e material para protegerem as casas dos ventos ciclônicos.

Durante toda a semana, desde que começaram a receber os avisos da chegada iminente do furacão, os supermercados vivem enchentes constantes, ainda que muitas pessoas regressem a casa com os carros vazios devido às rupturas de produtos como água, pão, bolachas e alimentos enlatados.

São também constantes as filas intermináveis nos armazéns de bricolage, nas quais os habitantes de Miami esperaram horas debaixo de um sol abrasador para comprar pranchas de madeira e materiais diversos para proteger janelas e portas.

Na vizinha Geórgia, o governador local deu hoje ordem de evacuação obrigatória das zonas costeiras deste estado do sudeste dos Estados Unidos a partir de sábado.

Todo o condado de Chatham, ou seja, perto de 300 mil pessoas cuja maior parte vive na cidade turística de Savanah, assim como o resto da zona costeira, está abrangido por esta ordem obrigatória de evacuação a partir de sábado, como forma de proteção contra as experadas marés tempestuosas e os ciclones, indicou o governador, Nathan Deal, anunciando a mobilização de 5 mil membros da guarda nacional para a zona abrangida pela ordem.


O diretor explica cena aos atores. Ique Esteves/Divulgação


DO EL PAÍS

Flávia Marreiro

Polícia Federal – A Lei é Para Todos mostra, já desde o título, qual a perspectiva escolhida pelo filme que almeja ser um blockbuster sobre os primórdios da Operação Lava Jato. Os heróis são da PF – e o epíteto vale até para o infame agente “japonês” que mesmo condenado pela Justiça ganhou espaço na tela. Dito isso, é pouco razoável cobrar que a obra reflita a fundo sobre as contradições da investigação como também ingênuo esperar que ela consiga ser analisada isoladamente. Um problema incontornável do filme é justamente esse, a justaposição com a tragicomédia real que o nocauteia de partida. Enquanto vemos o primeiro capítulo da saga – a fita vai até março de 2016, ou seja, estamos ainda no Governo Dilma e Lula é o vilão do filme que tenta fugir da cadeia se tornando ministro – , do lado de fora do cinema a trama segue a toda, com novos e turbinados vilões enganando os mocinhos em tempo real, dinheiro em bunker, dinheiro caindo do bolso de paletó…

A direção de Marcelo Antunez não ignora a questão e tenta explicitar ao máximo o to be continued – os produtores prometem filmar uma sequência em breve. Há a inserção de um teaser e de trechos reais dos vídeos das delações. É um bom truque, mas que não deixa de reforçar o contraste da ficção com a alta potência dramatúrgica dos relatos reais de corrupção explícita. Planta-se também, na boca de um dos melhores personagens da trama, o delegado da PF vivido pelo ótimo Antonio Calloni, algumas dúvidas sobre “interesses ocultos” e consequências políticas da Lava Jato, uma alfinetada aqui e ali no Supremo Tribunal Federal. É outro bom truque que, vide as reviravoltas da operação, soa menos como contraponto do que como uma espécie de precaução.

Mas as boas sacadas param por aí. Mesmo com a carência de filmes de ação no cinema nacional – um filão a explorar de forma competente, como já mostrou Cidade de Deus e Tropa de Elite –, o roteiro abandona rápido demais o lado mais dinâmico de seus heróis da PF, com perseguições bem executadas e boas apostas como o doleiro malandro Alberto Yousseff, para logo entrar numa espécie de modo Jornal Nacional editado sobre a Lava Jato. Num momento a tela se enche com uma sequência de manchetes de jornais com escândalos do passado. Noutro entra até uma animação solta sobre os desmandos no tempo da colônia. Tudo isso é para mostrar, em meio à perigosa pregação contra “todos os políticos bandidos” e sempre foi assim, que Lula não é o vilão isolado? Mesmo com a narração frisando que o mensalão foi o maior escândalo de todos? Não funcionou.

O trecho final do filme é dedicado a falar das acusações contra o petista – só ele e os empresários tem os nomes reais usados no filme. Duvido que os não consumidores intensos do noticiário entendam tudo. Mais grave do que isso: há sínteses e raciocínios que parecem até passíveis de contestação legal por parte da defesa do ex-presidente, já que ele ainda não foi condenado judicialmente por elas. Ainda assim, e já descontando a polêmica sobre patrocinadores ocultos e uso político em 2018 (as fake news fazem muito melhor trabalho e com muito menos dinheiro que uma produção cinematográfica, diga-se), isso não é o pior do filme. Nem mesmo os espantosos ternos brilhosos de Sérgio Moro reproduzidos no figurino de Marcelo Serrado são o pior. O ponto mais baixo do filme, sem dúvida, é a escolha de Ary Fontoura, com déficit de carisma e vigor, para interpretar Lula. A metade do país que ama odiar o petista – e deve gostar filme – merecia um ator mais crível para a tarefa.