Orlando Silva (PC do B):elogios a Fufuca e pau na imprensa.

CRÔNICA
Cada região tem seus fufucas e manias

Janio Ferreira Soares

Janio Ferreira Soares

Declaro aqui minha total ignorância sobre o assunto e me penitencio num autoflagelo praticado com um chicote de lascas de babaçu por nunca ter ouvido falar da existência do nobre deputado André Fufuca, esse simpático e jovem maranhense com um penteado estilo Chitãozinho (ou Chororó, nunca os sei ao certo), que esta semana assumiu provisoriamente a presidência da Câmara dos Deputados e tem no sobrenome um peculiar vocábulo que me despertou imensa curiosidade. Assim, fui correndo ao Google e, talqualmente um Odorico Paraguaçu diante da falta de defunto para inaugurar seu cemitério, fiquei deverasmente decepcionado com o que li, já que na minha poluída imaginação a fonética da palavra remetia (minha querida professora Nilda vai me matar) a um verbo que, se nunca foi conjugado nas zonas dos baixos meretrícios ao som de um bolero de Waldick (do tipo: “esta noite eu quero fufucar com minha amada, por toda a madrugada, até o sol raiar”), foi por um descuido dos deuses do Tabariz ou dos frequentadores do saudoso Roda Viva, nome do lupanar que minha amiga Dulce colocou em seu estabelecimento numa homenagem à canção de Chico Buarque, que, a propósito, está com um novo e excelente CD na praça e tem tudo a ver com este assunto. Explico.

Nosso velho Brasil, com sua gigantesca dimensão continental, abriga em cada região particularidades e manias tanto no sotaque, quanto na gastronomia, na música e por aí vai. Nos apelidos, é claro, não poderia ser diferente e aí, talvez para pegar carona no inexplicável Bill que nomeia nossos severinos, os maranhenses resolveram chamar Francisco de Fufuca, nome que, convenhamos, soa bastante estranho à primeira audição, além de expor seu portador a certas brincadeiras de mau gosto, a exemplo do que faz agora este despudorado e politicamente incorreto escriba. Em frente.

Numa boa, ainda bem que essa derivação de Francisco ficou restrita apenas a terras maranhenses. Caso contrário, não iria soar nada bem quando, por exemplo, nosso Cid Moreira encerrasse o Jornal Nacional com aquela voz de apocalipse, anunciando: “e agora, fiquem com o próximo capítulo da novela Selva de Pedra, estrelada por Regina Duarte e Fufuca Cuoco”. Ou então uma chamada do Globo Repórter, com Sérgio Chapelin dizendo: “não perca; você vai viajar nas aventuras do jornalista Fufuca José percorrendo as belezas do Rio São Fufuca, da nascente até Paulo Afonso”. Ou ainda: “vocês acabaram de ouvir, na voz de Fufuca Buarque de Holanda, Olhos nos Olhos”.

Me desculpem Alcione e Zeca Baleiro, mas prefiro continuar imaginando-o verbo – eu fufuco, tu fufucas, ele fufuca. O diabo é que, como diria um amigo gago, com esse Congresso, mais Gilmar, Temer e afins, estamos todos é fufufufu…., calma, gaguinho!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

Ivan Lins, de janeiro a dezembro, o brilho de um artista incomum!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

EM TEMPO:

A belíssima canção setembrina vai especialmente dedicada a Cida Torneros, feliz aniversariante deste 2 de setembro, colabora da primeira hora e amiga do deste site blog baiano, antenado no mundo e um foco todo especial ao Rio de Janeiro, onde a aniversariante mora na Vila famosa de Noel e Martinho. Parabéns! Viva! Tim Tim!!!

(Vitor Hugo Soares, pessoalmente e pelo BP)


Xi Jinping e Temer: encontro e promessas em Pequim…


…e Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo:”em nenhum
país do mundo Temer teria permanecido no cargo”.

ARTIGO DA SEMANA

Que país!: Temer e Rui Costa na China, Maia e Fufuca em Brasília

Vitor Hugo Soares

É fato que o absurdo tem sido um parceiro sempre presente na vida brasileira (os maiores de todos que você seja capaz de imaginar, quando se trata da Bahia, segundo Otávio Mangabeira). Mas é preciso reconhecer também: raras vezes, na sua história recente, a terra descoberta por Cabral (o lusitano das caravelas Pedro Alvares, e não o carioca Sérgio, ex-governador do Rio, (recolhido ao complexo penitenciário de Bangu, cuja ficha criminal cresce a cada novo desdobramento da Lava Jato) se viu diante de tão grave e acabrunhante dilema moral de identidade, quanto o que se apresentou nesta semana da transição agosto-setembro deste incrível ano de 2017. Quem jamais, no mais arrepiante de seus pesadelos, teria sido capaz de imaginar situação tão patética e tão surreal, quanto esta que explodiu diante dos olhos da nação nesta quadra temerária que atravessamos?

Às vésperas da anunciada nova denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para cobrar investigação do mandatário, por malfeitos criminais em pleno exercício do mandato – evidenciados na escandalosa conversa com o empresário Joesley Batista (gravada e entregue pelo dono da JBS/Friboi à PGR, em sua delação premiada) o presidente Michel Temer (“que em nenhum país do mundo teria permanecido no cargo depois de denúncias tão graves”, segundo o ex-ministro presidente do Supremo, Joaquim Barbosa afirmou nesta sexta-feira) pegou o avião e embarcou em viagem para a outra banda do planeta. Com parada para reabastecimento (e sentimental) em Portugal, o novo mimo e modelo europeu de enfrentamento de crise econômica, convivência humana e turismo.

Na quinta-feira, com sua caravana de 11 ministros e farto recheio de parlamentares, o ocupante da vez do Palácio de Planalto desembarcou na China, sempre imperial e cheia de sí, mesmo quando mal dissimulada sob a fachada de República Popular, fundada a ferro e fogo pelo finado presidente Mao Tsé-tung, vulto ainda de forte presença simbólica, que vai muito além do retrato na praça monumental em frente ao histórico e cinematográfico palácio dos antigos imperadores. Périplo e fuga estratégica ao mesmo tempo. De múltiplos e arrevesados objetivos. Em boa parte, traçados de improviso e em cima do laço, uma marca de gestão cada vez mais evidente da errática e oportunista simbiose PMDB-PSDB, com a turma gulosa do Centrão no meio para embananar tudo ainda mais.

Primeiro, o propósito oficial de marcar presença na cúpula anual dos BRICs – que o regime da terra de Mao sedia e capitaneia. Conjunto desnivelado de economias entre as quais o Brasil aparece como minguante apêndice mergulhado em crises sucessivas, sem voz altiva, sem cacife, sem liderança que mereça o nome. Praticamente “um pedinte”, para usar a expressão do magnífico poema de Fernando Pessoa .

Neste ponto se encaixa a segunda, mais submersa e indefinida, finalidade da caravana de Temer: a busca, no país asiático, de uma bússola ou, mais propriamente de uma boia salvadora para um náufrago em sério risco de naufrágio, tal qual a lancha “Cavalo Marinho” na trágica travessia da Baia de Todos os Santos, semana passada. Tentativas incertas e de duvidosos resultados práticos, com a rapidez e eficácia da quase emergência da atual crise brasileira. Promessas de acordos e de novos negócios na nebulosa, poluída e sempre insondável China. Neste ponto a agenda é pródiga.

Enquanto escrevo este artigo, na sexta-feira, 1 de setembro, fala-se que Temer e seu colega chinês, Xi Jinping farão anúncios comerciais que vão de futebol a aviões, passando por coisas de cinema, vistos de viagens internacionais de turismo e intercâmbios culturais, usina hidrelétrica Belo Monte, comércio eletrônico e de bugingangas, investimentos em infraestrutura. Em resumo, “o escambau”, no linguajar da gente soteropolitana.

Se não bastasse salada de tantas misturas, Temer e sua alentada caravana visitam Pequim e redondezas asiáticas, ao mesmo tempo em que transitam pela terra do presidente Mao, o petista governador da Bahia, Rui Costa, acompanhado do atual secretário de desenvolvimento do estado, Jaques Wagner. Ex-todo poderoso ministro do Governo Dilma (também enrolado nas malhas da Lava Jato). Na verdade, uma espécie de grupo baiano do PT, desgarrado da caravana eleitoral e de defesa do já condenado ex-presidente Lula, que peregrina pelo Nordeste.

Na manhã desta sexta-feira, trombetas locais comunicavam que o atual ocupante do Palácio de Ondina (já em campanha para ficar mais quaro anos por lá), tinha como principal compromisso da agende de “sua missão internacional”, a assinatura, em Pequim, de um memorando de entendimento com cinco empresas chinesas e a Bahia Mineração (Bamin) para financiamento do projeto Porto Sul (em Ilhéus), parte crucial para continuação de outro plano, tão trombeteado, em períodos pré-eleitorais, quanto jogado depois para as calendas: a Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), de quase tantos enganos e desvios quanto a faraônica obra de transposição das águas do cada dia mais desidratado São Francisco, o rio da minha aldeia. “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, repito à moda dos irônicos franceses, observando toda a encenação desses bailados da China à distância, às margens da Baia de Tod os as Santos, onde continuam as buscas a um desaparecido (19 mortos), da tragédia durante a travessia Mar Grande-Salvador, ainda sem causas esclarecidas devidamente, nem punição de responsáveis.

É isso o que temos, infelizmente, para começar setembro. Na hora das últimas flechadas (jurídica e moralmente falando), na despedida de Janot, no instante do vamos ver das reformas políticas e eleitorais e da Previdência (mesmo que de faz de conta), o peemedebista, dono do poder da vez, passa o comando do país para o oscilante presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) – (sempre dando a impressão de uma bola que está a uma alfinetada para pipocar), leva o vice na bagagem, e deixa a casa do Congresso,- responsável pela votação das medidas cruciais, – nas mãos de um parlamentar de primeira viagem, com 28 anos de idade, apelidado de Fufuca. E voa para China, no outro lado do mundo.

Durma-se com um furdunço destes.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. email: vitor_sooares1@terra.com.br

BOM DIA!!!


Cartaz da campanha do tumblr #MeuCorpoNãoÉPúblico
Paula Fernandes


DO EL PAÍS

Beatriz Sanz
São Paulo

Cíntia Souza viajava de ônibus na Avenida Paulista, no coração de São Paulo, quando recebeu um jato de esperma no pescoço. Aconteceu no dia 29 e o agressor, Diego Ferreira de Novais, foi detido em flagrante pelo motorista e pelo cobrador do ônibus que ouviram os gritos da vítima e o impediram de fugir e também de ser linchado pelos outros passageiros do ônibus. Menos de 24 horas depois, Novais, que tem 17 passagens na polícia por condutas semelhantes, foi libertado pela Justiça, provocando indignação com a decisão e um debate sobre as dificuldades do sistema brasileiro em punir os crimes sexuais e proteger efetivamente as mulheres de novos abusos. A discussão passa, de acordo com especialistas, tanto por ajustar a tipificação de estupro como por combater o machismo no Judiciário e defender monitoramentos e atenção especializada para criminosos sexuais.

Na terça-feira, o suspeito foi levado para a delegacia, onde foi feito o Boletim de Ocorrência. No dia seguinte, em uma audiência custódia, ele foi liberado. O juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, que assinou a decisão, entendeu que não houve “constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus surpreendida pela ejaculação do indiciado”. O magistrado também descaracterizou o ato como crime de estupro. Segundo seu entendimento, que seguiu a linha do promotor do caso, o que houve foi importunação ofensiva ao pudor, que não é considerado um crime e sim uma contravenção penal, cuja pena é o pagamento de uma multa. Em entrevista à rádio Jovem Pan, a vítima se indigna. “Como é possível uma lei de 1941 proteger mulheres do nosso século?”, questiona Cíntia.

A professora associada de direito penal e criminologia da UFRJ, Luciana Boiteux explica que existe uma lacuna legal na lei de estupro que respalda a decisão tomada pelo juiz. “Não há como acusá-lo de estupro de acordo com a lei penal em vigor. Contudo, houve, sim, constrangimento e essa atitude dele [o suspeito] é inaceitável”, afirma a advogada ao EL PAÍS. O termo constrangimento é utilizado judicialmente para indicar que a relação foi forçada, não consentida.

Em 2009, a lei de estupro brasileira passou por uma alteração. Tornou-se um crime hediondo e foi unificada com a lei de atentado violento ao pudor, aumentando sua abrangência. Mas por prever uma pena mais dura, juízes geralmente optam por enquadrar alguns altos como contravenção penal, que foi o que aconteceu com Novais. Para Boiteux, o problema é que não existe um delito intermediário: ou o acusado é julgado por estupro, com uma pena muito alta, ou apenas paga uma multa e é posto em liberdade. Silvia Chakian, promotora de Justiça do Estado de São Paulo ouvida pela Agência Pública, concorda: “Essa decisão demonstra uma dificuldade que nós temos, justamente porque não há uma graduação entre um crime muito grave, o de estupro, e outro que tem uma pena ínfima, que é a contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor”, diz.

Junto com a discussão legal sobre a tipificação do crime, está o debate sobre a reincidência do suspeito e possibilidade de aplicação da prisão preventiva, já que ele tinha várias passagens pela polícia por condutas similares. Se não poderia ter determinado que a detenção continuasse, o juiz Souza Neto tampouco encaminhou o acusado a algum tipo de monitoramento ou atenção especializada, apesar de afirmar na decisão que ele necessitava de tratamento psiquiátrico. Depois que foi solto, Novais não retornou para a casa e, segundo familiares, ele teria viajado para a Bahia. O pai do suspeito disso ao canal SBT que o filho tinha ainda histórico de violência.

Os especialistas consultados pelo EL PAÍS também veem no episódio reflexo de características machistas no sistema de Justiça brasileiro e defendem programas de educação e não apenas a solução da prisão como uma resposta efetiva. “É muito difícil tentar convencer a vítima de um crime sexual que o direito penal não resolve. Ela tem todos os motivos para querer uma punição rigorosa e rápida”, ressalta André Augusto Bezerra, que é juiz e presidente da Associação Juízes para a Democracia.

“A resposta do Estado para essa pessoa, muito mais do que a punição rápida, é dar a segurança para essa vítima de que ela será ouvida pelo Estado, será ouvida pelo sistema de Justiça e se for provado o fato, a pessoa será condenada”, segue ele, lembrando que as mulheres não sentem confiança no Estado a ponto de fazer denúncias de crimes sexuais, temendo reações adversas e condutas inadequadas a começar pela própria polícia. “É imprescindível o debate de gênero nas escolas como mecanismo de prevenção contra a violência machista”, argumenta Boiteux. Os dois elogiam o curso anunciado também nesta semana pelo Ministério Público de São Paulo cujo objetivo é fazer com que homens que pratiquem atos como os sofridos por Cíntia ou encoxadas no transporte público sejam direcionados para uma espécie de curso de reciclagem, onde discutam o machismo na sociedade. A iniciativa já é aplicada em casos de violência doméstica.


DO EL PAIS

Xavier Fontdeglòria

Pequim

As autoridades chinesas respaldaram na sexta-feira o programa de privatizações realizado pelo presidente Michel Temer, com a promessa de continuarem investindo no país. A China se transformou em um parceiro essencial ao Brasil em termos de comércio, investimento e financiamento e a missão de ambas as partes durante essa visita oficial foi mostrar que tudo continuará assim, apesar dos vaivéns econômicos pelos quais o país passou nos últimos anos e uma contínua crise política que não desaparece.

Não se falou dessas últimas turbulências, ou ao menos nada transpareceu, durante a reunião de Temer com seu homólogo chinês, Xi Jinping. O mandatário chinês insistiu no aumento dos intercâmbios econômicos entre as duas nações, e indicou novos investimentos de seu país “nos setores energético, agrícola e de infraestrutura” do Brasil. São, justamente, parte das áreas que Temer quer abrir ao setor privado, acreditando que a China desempenhará um papel determinante.

Os dois países assinaram 14 acordos bilaterais, dentre os quais se destacam a aprovação de uma nova linha de crédito de 300 milhões de dólares (942 milhões de reais) ao Banco do Brasil e outro preparatório para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receba uma linha de 3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais), uma confirmação de que a China tem se tornado o grande banqueiro do Brasil. Na área da infraestrutura, a empresa chinesa State Grid assinou a licença para as obras da linha de alta tensão entre o Xingu e o Rio de Janeiro, enquanto a China Communication and Construction Company investirá 700 milhões de dólares (2,2 bilhões de reais) na construção de um terminal de uso privado no porto de São Luís. A China National Nuclear Corporation assinou também um memorando de entendimento com a Eletrobras para continuar com a construção da usina nuclear de Angra III.

“Esses acordos são um enorme passo à frente para os dois países”, afirmou Zhang Run, subdiretor para a América Latina e o Caribe no Ministério das Relações Exteriores chinês. Para o executivo, a relação entre a China e o Brasil “resistiu à prova das mudanças e circunstâncias e se manteve no caminho para um crescimento estável e maduro”. Diante do enorme crescimento dos investimentos e linhas de crédito de Pequim ao Brasil nos últimos anos – uma situação que também ocorreu na Venezuela –, Zhang evitou dizer que Brasília se transformou em um foco das empresas chinesas pela instabilidade de Caracas. “O Governo continuará incentivando as empresas chinesas a participarem ativamente na cooperação econômica e comercial com os países da América Latina, incluindo o Brasil e a Venezuela”.

É provável que seja assim pelo menos no Brasil. “Não posso comentar sobre oportunidades específicas, mas temos interesse nesse plano [de privatizações]. E vejo um impulso, um avanço no mundo corporativo chinês, de pessoas que estão tentando ir ao Brasil. Esse programa pode ser uma oportunidade para eles”, disse ao EL PAÍS Li Yinsheng, executivo-chefe da China Three Gorges Brazil, que opera duas das maiores centrais hidrelétricas do país, em Ilha Solteira e em Jupiá.

Pequim é o principal parceiro comercial do Brasil, com um comércio bilateral de 50 bilhões de dólares (157 bilhões de reais) nos primeiros sete meses desse ano, de acordo com dados das alfândegas chinesas. O gigante asiático é o primeiro mercado comprador de soja, ferro, aves de curral e carne bovina. E o Brasil se transformou no principal destino latino-americano do capital chinês, ainda que as promessas grandiosas de investimentos costumam se repetir nessas reuniões diplomáticas bilaterais e muitas vezes os anúncios acabam ficando no papel.

A grande onda de investimentos procedentes desse país começou em 2012 e desde então as operações se multiplicaram. O plano de privatização, de acordo com os especialistas, poderia acelerar a tendência porque permitiria aos parceiros chineses operarem de uma posição mais privilegiada e sem começar do zero. “Os investidores chineses chegaram tarde ao Brasil e o entorno não foi bom para suas empresas, especialmente se compararmos com outros países latino-americanos, mas com essa reforma sua entrada poderia ser facilitada através de aquisições”, explica Zhou Zhiwei, diretor do centro de Estudos do Brasil do Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Temer repetiu na sexta-feira a mensagem de que a economia brasileira está se recuperando – Pequim confirmou a tese – e voltará a dizê-lo no sábado, durante o fechamento de uma reunião empresarial da qual participarão também vários ministros de seu Governo. Depois viajará à cidade de Xiamen para participar da reunião dos BRICS. “Temer está tentando mandar uma mensagem aos investidores e ao Governo de que a conjuntura econômica e política está melhorando, mas acho que é muito cedo para se chegar a tal conclusão. A situação do presidente não está nada clara”, afirma Zhou. Para Li, que os candidatos a investir se assustem por novas turbulências políticas dependerá de seu nível de aversão ao risco e de quão familiarizados estão sobre a realidade brasileira: “Acho que alguns podem estar preocupados, porque na China a estabilidade política é vista como elemento fundamental aos negócios. Mas, por outro lado, quando conhecerem o país perceberão que no Brasil isso não é bem assim”.

set
02

DO UOL

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou que o país foi “sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos” e que em “nenhum país do mundo” Temer teria permanecido no cargo após ter sido acusado de praticar crimes graves.

“Nosso país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo um chefe de governo permaneceria um dia sequer no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer. O Brasil entrou numa fase de instabilidade crônica, da qual talvez só saia em 2018 [com as eleições]“, afirmou em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, publicada nesta sexta-feira (1º).

As declarações foram dadas no momento de expectativa quanto a uma possível nova denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia denunciado Temer por corrupção passiva, mas a Câmara dos Deputados rejeitou no começo de agosto que uma investigação fosse aberta contra ele durante o exercício do cargo. Foi a primeira vez que um presidente brasileiro em pleno exercício do poder foi acusado formalmente.

Na entrevista, Joaquim Barbosa voltou a criticar o impeachment que, há um ano, tirou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do poder. Segundo ele, o processo foi “controverso e patético”.

“Eles instauraram no Brasil a ordem jurídica deles, e não a das nossas instituições. O Brasil teve um processo de impeachment controverso e patético e o mundo inteiro assistiu. A sequência daquele impeachment é o que estamos vendo hoje. Não há parâmetro de comparação entre a gravidade dos fatos. Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência”, criticou.

Joaquim Barbosa disse ainda que essa “balbúrdia institucional que se instalou no Brasil” manchou a imagem do país internacionalmente e é a razão de o país ter sido ignorado por líderes que recentemente passaram pela América do Sul, como os primeiros-ministros alemão, canadense e israelense, Angela Merkel, Justin Trudeau e Benjamin Netanyahu, respectivamente.

“O Brasil passa por um retrocesso institucional que se reflete em sua imagem externa. É um país incontornável, mas que está impedido de exercer seu papel internacional por força da conjuntura triste pela qual passamos”, disse

O ex-ministro disse acreditar que os brasileiros já não saem às ruas para protestar porque “estão cansados” da instabilidade e das manipulações “indecentes” dos políticos. Porém, a principal razão é que eles estão muito ocupados tentando “sobreviver”.

Joaquim Barbosa declarou ser a favor das reformas propostas pelo governo Temer, mas disse ser “muito grave que estejam sendo conduzidas por um governo que não foi respaldado pelo voto”. “São reformas importantes, talvez não com essa visão ultraliberal que se quer implantar, que mexem no cerne do pacto social”, disse.

Joaquim Barbosa é o quarto colocado nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência nas eleições do ano que vem e até hoje considerado símbolo do combate a corrupção no Brasil –pela sua atuação como relator do julgamento do mensalão.

set
02
Posted on 02-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-09-2017


Nani, no portal de humor gráfico A Charge Online

DO BLOG O ANTAGONISTA

Papa e psicanalisado

Em livro a ser publicado na França, sob o título “Política e Sociedade”, o papa Francisco conta ao sociólogo Dominique Wolton que fez análise com uma psicanalista judia, quando ele tinha 42 anos. A notícia foi publicada no jornal italiano La Stampa.

“ConsulteI uma psicanalista judia. Durante seis meses fui a sua casa, uma vez por semana, para aclarar algumas coisas. Um dia, quando estava para morrer, me chamou. Não para receber os sacramentos, visto que era judia, mas para um diálogo espiritual. Era uma boa pessoa. Por seis meses me ajudou muito, quando eu tinha 42 anos.”

Como lembra o jornal, a Igreja no início repudiou a psicanálise, por seu “pansexualismo” e “ambições totalitárias”. Só a partir da década de 50, começou a aceitar, com reservas, que as pessoas recorressem à psicologia.

A Argentina tem uma forte escola psicanalítica.