DO G1

Por Bárbara Carvalho, GloboNews

O ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro), Rogério Onofre, se entregou no fim da manhã deste sábado (26). Ele era considerado foragido pois não havia sido localizado pela polícia após ser alvo de um novo mandado de prisão expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio.

Onofre foi levado para o presídio em Benfica, Zona Norte do Rio, e chegou ao local por volta das 13h.

Ele foi preso em julho deste ano, na Operação Ponto Final, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber R$ 44 milhões em propina no esquema de corrupção no setor de transporte do estado do Rio. A mulher de Onofre também foi presa depois da operação, deflagrada em julho.

Na noite de terça-feira (22), o casal recebeu habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Na quarta, o MPF pediu novamente a prisão. Entre os argumentos estava a acusação de que Onofre vinha ameaçando outros detidos na operação.

Neste sábado, o advogado de Rogério Onofre, Yuri Sahione, disse ao G1 que está estudando alguma medida para entrar novamente com o pedido de habeas corpus e afirmou que a defesa não concorda com essa decisão.

Ameaças

Entre as provas apresentadas pelos procuradores sobre as ameças está um áudio gravado no momento em que a operação Ponto Final ocorria. Na conversa, Onofre cobra dinheiro e faz ameaças aos empresários Nuno Coelho, conhecido como “Batman”, e Guilherme Neves Vialle, o “Robin”. Eles foram presos este mês, em Curitiba, acusados de lavar dinheiro na venda de imóveis para o casal.

Guilherme Vialle disse em depoimento à Polícia Federal que foi ameçado pessoalmente por Onofre, que teria dito que mandou pessoas acompanharem a rotina dele e da família e que antes de matar Guilherme, iria torturá-lo.

Nuno Coelho disse à polícia que Onofre avisou que sabia onde a família dele e a de Guilherme moravam e que “já investigava os dois”. As ameaças também chegavam por mensagens de áudio.

Na decisão desta sexta, o juiz Marcelo Bretas diz que as ameaças também representam uma obstrução à justiça. Para o juiz, Onofre em liberdade poderia atrapalhar a investigaçao sobre a máfia nos transportes do Rio, que movimentou pelo menos R$ 250 milhões em propina – dinheiro das empresas que faziam uma espécie caixinha da corrupção.

O Ministério Público Federal quer saber se o sistema do Bilhete Único e do vale transporte também foi usado pra pagar agentes públicos. Juntos, eles movimentam R$ 6 bilhões por ano.

Em operação nesta sexta, um diretor da federação das empresas de ônibus (Fetranpor) foi preso em flagrante por obstrução da Justiça. Ele mandou um funcionário esconder um computador dos policiais.

Onofre se tornou réu junto com outras 23 pessoas, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral, em desdobramento da Operação Lava Jato no Rio (veja todas as 14 denúncias contra Cabral).


Naufrágio do “Cavalo Marinho”:o bombeiro e a criança, no El Pais,
na foto de Xando Pereira (A Tarde) que correu o mundo…


…e Temer: condolências pelos desastres na Bahia e Pará
a avanço para privatizar CHESF, obra do tempo de Getúlio

ARTIGO DA SEMANA

Naufrágios no Pará e na Bahia: Temer, Maju, ACM e outros retratos

Vitor Hugo Soares

Editor de um site blog político e cultural na Bahia, fui dormir altas horas da madrugada, na quarta-feira, enquanto o Pará carpia e ainda contava seus mortos (mais de 20) do desastre nas águas doces do Rio Xingu. Deitei com a lembrança da imagem e da voz da moça do tempo do Jornal Nacional, Maria Júlia Coutinho (Maju) batendo em meus ouvidos. Alertava para a forte ventania, ondas gigantes de mais de dois metros, ressaca e chuvas previstas para o Recôncavo baiano, no dia seguinte, deste inverno de 2017, como nunca se viu na Bahia.

Quando consegui pegar no sono, as janelas do apartamento onde moro em Salvador, à beira da Baia de Todos os Santos, balançavam sob o impacto rude e ameaçador sopro do vento sul. Aquele mesmo que tantas preocupações provocam nos pescadores que povoam versos das canções praieiras de Dorival Caymmi. Levantei mais tarde, na quinta-feira, 24, do aniversário da morte de Getúlio Vargas (a notícia me apanhou menino em Paulo Afonso, na beira do rio da minha aldeia, às vésperas da inauguração gloriosa, pelo presidente Café Filho, da primeira usina da Companhia Hidrelétrica do São Francisco – CHESF, marco da engenharia nacional e da eletrificação do Nordeste, cuja privatização o mandatário da vez agora anuncia, como mágica tirada da cartola, para tirar o País do buraco cavado nos últimos 15 anos, pelos mesmos que prometem “salvação” do rio e do país).

“Ninguém me contou. Eu estava lá. Eu vi”. Digo como o jornalista Sebastião Nery, na apresentação do livro “Rompendo o Cerco”, sobre o histórico episódio da corajosa resistência de Ulysses Guimarães e os bravos que o acompanhavam, na Cidade da Bahia dos anos 70. Na célebre noite dos cães da PM açulados pela ditadura e seus súditos baianos contra o timoneiro das lutas democráticas de então, para impedir a realização na Praça do Campo Grande, em frente à sede do antigo MDB, de manifestação popular na noite daquele 1º de Maio para não esquecer.

Mais de 60 anos se passaram desde a notícia do suicídio de Getúlio, que ouvi transmitida pelo serviço de alto falante instalado na Vila Poty, em Paulo Afonso, naquele agosto de fogo de 1954. A recordação segue ardendo. Hoje acompanhada de boa dose de incredulidade e indignação, tantos os desmandos e enganos que correm soltos por aí, principalmente nas caravanas políticas que percorrem o Nordeste, de olhos nos votos das eleições de 2018. É duro, por exemplo, ver os abraços e juras de palanque, trocadas entre o ex-presidente Lula (PT) – condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – e o senador Renan Calheiros (PMDB) – ex-presidente do Senado e igualmente enrolado até o pescoço na Lava Jato, ao lado do governador Renan Filho. Isso na recepção à caravana do PT em Penedo, cidade histórica visitada pelo Imperador, na foz do Rio São Francisco, exangue e já sem forças para sustentar o embate de suas antes caudalosas águas na chegada ao mar.

Depois do interlúdio, retornemos aos fatos e relatos desta semana dos desastres do ano em curso. Saio da cama, vou tomar café na sala e Margarida (jornalista 24 horas por dia) me dá a notícia do segundo grande naufrágio de agosto no Brasil, que se desenrola ainda bem na minha vizinhança. Desta vez nas águas salgadas da majestosa Baia de Todos os Santos, em cujas margens o jornalista mora há décadas. Sem jamais ter registro e sem nunca ter visto desastre igual em mais de meio século de atividade profissional e de inumeráveis idas e vindas na, em geral, esplêndida travessia de barcos ou lanchas em Mar Grande (pedaço emancipado da Ilha de Itaparica).

Nos anos de fogo revolucionário da juventude, na Faculdade de Direito e na Escola de Jornalismo da UFBA, Mar Grande era o paraíso preferido dos veraneios e férias da classe média soteropolitana, que dominava a política, o governo, os negócios e a cultura na capital. Para seus filhos, era o lugar ideal “para acampar em grupos”, na antecipação da contracultura hippie que se instalaria a seguir, no auge dos Anos 70, na vila de pescadores de Arembepe, com direito a Jane Joplin e tudo. Em Mar Grande, porém, já recendia no ar o cheiro denunciador de mato queimado, os toques de violão e das canções de protesto, enquanto copos com doses generosas de cuba libre rolavam de mão em mão e de boca em boca, como era comum na época.

Para este jornalista, entretanto, Mar Grande se preserva nas lembranças das reuniões clandestinas que os grupos da “esquerda organizada” (eu no meio) lá realizavam às vésperas de grandes protestos estudantis em Salvador. E da maravilhosa travessia de lancha, na volta, com a Salvador iluminada ao fundo, acentuando o mágico desenho da Baia de todos os Santos.

Mais tarde, já chefiando a redação da sucursal do Jornal do Brasil e depois da Veja, a lembrança é de quando Antonio Carlos Magalhães era quem mandava na Bahia e Mar Grande era o seu pouso preferido nos fins de semana e para lá atravessavam políticos e homens de governo e dos negócios. E da imprensa também, principalmente, repórteres e editores de maior renome do jornalismo nacional. Desciam no Aeroporto 2 de Julho, tomavam a lancha no cais para Mar Grande, direto para a casa de ACM, de onde retornavam no domingo, levando na cabeça, no gravador ou nas anotações, a manchete política para começar a semana, nos mais importantes jornais do País. Não esqueço a vez que liguei para ele, na Ilha, em um plantão do JB, querendo checar uma informação de fato relevante que rolava no ar. ACM atendeu, e não poderia ter sido mais sintético e definitivo na resposta: “Pergunte ao seu editor. Ele acabou de estar comigo aqui na Ilha. Deve estar voando de volta para o Rio agora”.

Assim era Mar Grande! Quando acordei na quinta – feira, 24, tudo parecia revirado, fora de ordem e de lugar. A impressionante imagem congelada conseguida pelo experiente fotojornalista Xando Pereira, de A Tarde, com o soldado bombeiro carregando a criança resgatada ainda com vida (mas morreria em seguida) da lancha “Cavalo Marinho”, já percorria o Brasil e o mundo (via agências de notícias, redes de TVs e redes sociais da web). Provavelmente atravessará o tempo como retrato mais dramático e pungente deste inverno brasileiro de 2017.

“O segundo naufrágio de grandes proporções no Brasil em 35 horas”, assinala o espanhol El Pais. “Começou a chover e os passageiros foram todos para um lado, para se proteger da chuva.Veio uma onda forte e fez a lancha adernar. Os poucos botes custaram a ser jogados ao mar, os coletes salva-vidas estavam atados de tal forma que muita gente morreu sem conseguir usá-los”, registra a Tribuna da Bahia na abertura da sua manchete principal desta sexta-feira; “A Tragédia Anunciada”. O vento sul segue implacável na área da Bahia de Todos os Santos, e a chuva também. Assim como as mazelas e malfeitos dos nosso homens públicos. Resta continuar crendo que a Bahia, o Pará e o Brasil são mais fortes que tudo isso. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

“Paulo Afonso se ligarem mais um fio, você ilumina o Rio, São Paulo e toda nação”. É isto aí, saudoso Ary Lobo. E então: vão ligar o fio, ou vão cortar”?
Responda quem souber.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Thais Borges

“Não deviam permitir que a lancha saísse do jeito que está. Deveria ter uma fiscalização mais rígida”, lamentava em Salvador o estudante Roberto Junior, que já perdeu a conta de quantas vezes viajou na Cavalo Marinho I, a embarcação que naufragou na Baía de Todos-os-Santos matando ao menos 18 pessoas na quinta-feira. Enquanto a Marinha seguia os trabalhos de busca de desaparecidos no desastre nesta sexta, Junior, de 23 anos, descrevia a lancha: “A gente não se sentia muito seguro pelo tamanho e porque ela balançava bastante, principalmente com o tempo como está agora”. Nos últimos tempos, ele conta, uma fumaça preta saía do motor durante toda a viagem. “Dava náusea.”

A desconfiança do estudante não é isolada. Na própria quinta-feira, pouco antes do acidente, houve uma mostra de como o barco era preterido pelos que fazem a travessia entre Salvador e Mar Grande, na Ilha de Itaparica, percurso feito por cerca de cinco mil pessoas diariamente, entre estudantes, trabalhadores e alguns turistas. Das 129 pessoas que passaram pela catraca de entrada, 13 desistiram ao descobrir que se tratava da Cavalo Marinho I, de acordo com as autoridades. Escaparam do desastre.

Os relatos dos usuários contrastam com as declarações das autoridades responsáveis pela fiscalização, que repetiram ao EL PAÍS que a Cavalo Marinho I estava regular, com vistorias e monitoramentos feitos conforme a lei. Um inquérito policial militar foi instaurado pela Marinha para determinar as causas do acidente em até 90 dias, prorrogáveis. Além disso, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) decidiu colocar o próprio controle e fiscalização na mira. Os promotores anunciaram a constituição de uma força-tarefa para apurar as circunstâncias que levaram à tragédia. “Há desorganização e falta de fiscalização. Temos um ofício de 2014, da Capitania dos Portos da Bahia, afirmando que as embarcações foram vistoriadas. Só que o que apontamos é que não se sabe se ela (a vistoria) é satisfatória e realizada numa periodicidade adequada”, apontou a promotora Joseane Suzart, titular da 5ª Promotoria da Justiça do Consumidor, nesta sexta-feira.

Desde 2007, a Promotoria baiana questiona o serviço. Naquele ano, o órgão moveu as primeiras ações civis públicas contra as empresas que faziam a travessia devido à falta de segurança. Em 2014, outro processo questionava o aumento da tarifa e a precariedade dos barcos. O ponto de partida do último procedimento, inclusive, foi uma petição assinada por cerca de 400 usuários do transporte, entre moradores de Salvador, Itaparica e Vera Cruz. Os dois processos seguem na Justiça.

A responsabilidade de fiscalizar a qualidade do serviço da travessia é, de acordo com o MP-BA, de dois agentes: a Marinha, através da Capitania dos Portos da Bahia, e a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). Enquanto a primeira deve observar a estrutura física do barco, a segunda examina a prestação do serviço. Ao EL PAÍS, o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pêssoa, garantiu que a Cavalo Marinho I estava com o certificado de segurança de navegação em ordem. “A empresa sempre operou e o barco encontrava-se apto a navegar. Foi um acidente e não foi provocado pelo barco. Foi uma onda que bateu e todos os passageiros foram para um só lado. Com isso, o barco adernou”, afirmou, por telefone, antes de reforçar que as informações só serão confirmadas após a conclusão do inquérito policial militar. Mas ele não soube dizer de quando é esse certificado.

A Capitania dos Portos também não informou quando foi feita a última vistoria no barco, embora ele tenha passado por uma inspeção no domingo (20). “A embarcação foi abordada e estava com tudo regulado. Nessas inspeções, é observado se ela é conduzida por pessoas habilitadas e se o número de passageiros está dentro do limite. Mas existem vistorias periódicas de acordo com o cronograma. Isso tudo vai ser apurado no inquérito”, afirmou o capitão de fragata Flávio Almeida, da assessoria da Marinha.

A Associação dos Transportadores Marítimos da Bahia (Astramab) também não foi precisa quanto à última vistoria no barco. Mesmo assim, o presidente da entidade, Jacinto Chagas, diz que a Cavalo Marinho I, que teria 15 anos de uso, teria passado pela vistoria periódica anual. “Estava tudo certinho, tudo regulamentado, tudo ok. Embarcação é diferente de carro. Ela passa por várias manutenções e tem uma durabilidade maior (do que o carro)”, minimizou.

Em nota, a dona da Cavalo Marinho I, a CL Transportes Marítimos, um das duas empresas que opera regularmente o serviço, informou que a documentação da lancha tinha validade até 2021. A empresa chamou de “vistorias intermediárias” aquelas que incluem sistema elétrico e materiais de salvatagem. Segundo a CL, essas estruturas têm validade até 2018. Um dos sócios da CL é o vice-presidente da Astramab, Lívio Galvão Filho, que não foi localizado pela reportagem. Chagas informou que o colega estava internado em um hospital de Salvador. Abalado emocionalmente, ele teria sido encaminhado à unidade de saúde após o acidente.
Capacidade

A lancha teria capacidade para 160 pessoas, de acordo com uma nota divulgada pela entidade na quinta-feira. O site da empresa CL, no entanto, diz outra coisa: lá, a Cavalo Marinho I comporta 136 passageiros. No momento do acidente, eram 120 a bordo – desses, quatro eram tripulantes.

Mas quem precisa fazer o percurso todos os dias garante que a sensação é de superlotação. “É sempre muito cheio, especialmente nesses primeiros horários. E nós não temos muita escolha aqui”, conta a estudante Vitória Gonçalves usuária do serviço. De acordo com a promotora Joseane Suzarte, na ação civil de 2014, uma das reclamações frequentes dos usuários era a lotação nas embarcações. Suzarte diz que ainda não é possível determinar, contudo, quantas pessoas costumam estar nos barcos: “Mas é inadmissível não saber quantas pessoas estão embarcadas. Não podemos olvidar que os encarregados da fiscalização devem estar a par de tudo. São pessoas humildes e trabalhadores que executam suas atividades e dependem desse serviço”.
Travessia existe desde 1950

A travessia Salvador-Mar Grande existe desde a década de 1950. No início, eram apenas pequenos barcos que tinham o objetivo de transportar moradores dos dois municípios da ilha – Itaparica e Vera Cruz – até a capital. Foi só em 2012 que o governo do estado da Bahia promoveu uma licitação para escolher as futuras concessionárias – justamente após a ação civil pública.

As vencedoras foram a CL Transportes Marítimos e a Vera Cruz Transportes Marítimos. Até então, nada de novo: eram as mesmas que já ofereciam o serviço informalmente. O modelo escolhido foi uma outorga não onerosa – ou seja, o estado não recebeu nada além do valor dos impostos já incluídos nas passagens.

Obrigatoriamente, pelo menos oito embarcações fazem o percurso – quatro de cada empresa. A depender da demanda, outros barcos podem entrar no revezamento.

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Renan, Lula e Renan Filho em Penedo (AL)


DO G1

Por Mariana Oliveira e Renan Ramalho, TV Globo e G1, Brasília

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta sexta-feira (25) ao Supremo Tribunal Federal (STF) quatro senadores do PMDB, dois ex-senadores do partido e mais três pessoas no âmbito da Operação Lava Jato.

Foram denunciados (e os crimes atribuídos a eles):

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL): corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN): corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Senador Romero Jucá (PMDB-RR): corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Senador Valdir Raupp (PMDB-RO): corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Ex-senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP): corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado: corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
Luiz Fernando Nave Maramaldo, sócio da NM Engenharia: corrupção avita e lavagem de dinheiro;
Nelson Cortonesi Maramaldo, sócio da NM Engenharia: corrupção ativa e lavagem de dinheiro;
Fernando Ayres Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental: corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Todos são acusados em inquérito que apurava inicialmente se Renan Calheiros e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) receberam propina oirunda de contratos da Transpetro.

Renan Calheiros já foi denunciado na Lava Jato, mas ainda não há decisão da Corte sobre torná-lo réu; Raupp é réu na Lava Jato; e Romero Jucá foi denunciado, na semana passada, em um desdobramento da Operação Zelotes.

As investigações

As investigações apuram a ocorrência dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

A denúncia ocorre ao final da investigação, quando a PGR entende já ter indícios suficientes ou mesmo provas que indicam o cometimento de crimes pelos investigados.

Caberá, a partir de agora, ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, pedir a defesa prévia de cada um deles antes de redigir um relatório e levar o caso para análise dos outros quatro ministros da Segunda Turma: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Não há data-limite para o exame conjunto da denúncia pelo STF. Se a denúncia for recebida pelo STF, os denunciados se tornarão réus e passarão a responder a um processo penal no Supremo.

Os crimes teriam ocorrido entre 2008 e 2012 e, segundo a PGR, teriam desviado dinheiro da Transpetro para alimentar o caixa de diretórios estaduais e municipais do PMDB por meio de doações oficiais por parte das empresas contratadas pela estatal.

Em troca, diz a procuradoria, Sérgio Machado, como presidente da Transpetro, mantido no cargo pelos caciques do PMDB, promovia, autorizava e direcionava licitações em favor da NM Engenharia.

“Os parlamentares, em troca da vantagem indevida, além de apoiarem Sérgio Machado, omitiram-se quanto ao cumprimento do dever parlamentar de fiscalização da administração pública federal, viabilizando assim, indevidamente, o funcionamento de organização criminosa voltada para a prática de vários crimes”, diz a denúncia.

A lavagem de dinheiro, por sua vez, consistia na distribuição da propina em operações fracionadas, de modo a ocultar sua origem; também havia repasse em espécie, por meio de intermediários, segundo a PGR.

“O caminho do dinheiro, já apontado acima, com os valores chegando quase sempre exatamente como doados ou em montante compatíveis, mas sempre em datas próximas, igualmente mostra que, desde o início não havia dúvida de que, pelos mecanismos de ocultação e dissimulação da origem, o dinheiro chegaria aos aliados de Renan Calheiros, Garibaldi Alves, Romero Jucá, José Sarney e Valdir Raupp, perpetuando-os no poder”.

Odebrecht e Temer

Outra parte da investigação, ligada ao pagamento de propina pela Odebrecht por contratos na Transpetro, apontou que Renan Calheiros e Valdir Raupp teriam pedido doação a Fernando Reis, executivo da empresa, para o diretório nacional do PMDB.

Em 2012, Raupp pediu ajuda para a campanha de Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo, a pedido do presidente Michel Temer, à época vice de Dilma Rousseff.

O dinheiro foi repassado para diversos diretórios estaduais do PMDB, mas também para a campanha de Chalita por meio do diretório nacional.

A PGR, no entanto, não pediu investigação sobre Temer no caso porque a Constituição proíbe a que, durante o mandato, o presidente seja responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

A denúncia narra que Temer pediu ajuda a Sérgio Machado para conseguir dinheiro para a campanha de Chalita, num encontro ocorrido em setembro de 2012 na Base Aérea do Aeroporto de Brasília.

“Sérgio Machado telefonou para Temer e ambos marcaram encontro na Base Aérea de Brasília. No dia 6/9/2012, para se dirigir à reunião com o então vice-presidente da República, Sérgio Machado utilizou veículo alugado pela Transpetro na locadora Localiza. Durante o referido encontro, Michel Temer disse que enfrentava problemas no financiamento da candidatura de Gabriel Chalita e pediu ajuda a Sérgio Machado. O relato de Sérgio Machado sobre seu encontro com Michel Temer em setembro de 2012 na Base Aérea no Aeroporto de Brasília é corroborado pelo fato de que, também no dia 6/9/2012, de acordo com informação constante da agenda do então vice-presidente da República daquela data , Michel Temer esteve na Base Aérea de Brasília, onde embarcou para Londres em viagem oficial.”

Versões

Saiba abaixo o que disseram os denunciados:

Renan Calheiros: “Essa denúncia é política. Seu teor já foi criticado pela Policia Federal, que sugere a retirada dos benefícios desse réu confesso porque ele acusa sem provas. Estou certo de que todos os inquéritos gerados da denúncia desse delator mentiroso serão arquivados por falta de provas.”

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que defende Romero Jucá e José Sarney, disse que a denúncia está baseada em uma “delação desmoralizada” de Sérgio Machado. O advogado também afirmou que a denúncia é uma “demonstração de um procurador em final de carreira que quer se posicionar frente à opinião pública”.

“Quando a PF terminou o inquérito na primeira fase, relativa à questão do Sérgio Machado, a delegada do caso recomendou, expressamente, que o Sérgio Machado perdesse os benefícios [da delação]. Não existe nenhum motivo para fazer essa denúncia, tecnicamente falando. O que existe é a palavra de um delator desmoralizado. Um delator que, ele sim, talvez tenha cometido crime ao gravar ilegalmente e de forma imoral o ex-senador Sarney e o senador Jucá”, declarou.

Valdir Raupp: “O senador Valdir Raupp afirmou que jamais tratou sobre doações de campanha eleitorais junto a diretores da Transpetro ou quaisquer outras pessoas até porque não foi candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2012 e 2014. Essas citações feitas por delatores envolvendo o seu nome e a Transpetro são inverídicas e descabidas.”

Garibaldi Alves: “O senador Garibaldi Alves Filho desde logo repudia a acusação e destaca que esta mesma delação, noticiada hoje pela denúncia apresentada pelo Procurador Geral, será também usada na sua defesa para alcançar o consequente arquivamento. A própria narrativa da peça acusatória registra tratar-se de eleição municipal de 2008, na qual o senador Garibaldi não foi candidato e, portanto, não foi beneficiário de nenhuma doação. O senador Garibaldi Alves filho lamenta a generalização que ofende a sua honra e criminaliza a política brasileira.”

NM Engenharia: “Os acionistas da NM celebraram acordo de colaboração premiada com a Procuradoria da República, já homologada pelo STF e estão à disposição da justiça para quaisquer esclarecimentos adicionais.”

Os dois sócios da empresa – Nelson Maramaldo e Luiz Fernando Maramaldo –, apesar de denunciados, fizeram acordo de delação e, por isso, serão punidos somente com recolhimento domiciliar diferenciado, pelo período de 1 e 2 anos, respectivamente. Na prática, poderão trabalhar durante o dia nos mesmos cargos de direção que ocupam na empresa, mas deverão permanecer em casa à noite. Além disso, deverão devolver R$ 20 milhões pelos prejuízos causados à Transpetro.

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Posted on 26-08-2017
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Heringer, no portal de humor gráfico A Charge Online

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Concordamos com Dilma

Dilma Rousseff, no Twitter, usou a reportagem da Folha, sobre a celeridade com que o processo do triplex de Lula chegou à segunda instância, pare reclamar da lentidão do STF:

“Um retrato da Justiça brasileira. Enquanto meu recurso contra o impeachment aguarda há um ano uma posição do STF, o TRF da 4ª Região, em tempo recorde, deu início à tramitação do processo contra o presidente.”

O Antagonista também acha que o STF deveria ser mais célere. Ou entendemos errado o que Dilma quis dizer?