CRÔNICA
Lava Jato no ritmo do boi bumbá

Janio Ferreira Soares

No ótimo Baby Driver, filme que está em cartaz sob o infeliz título de Em Ritmo de Fuga, o jovem ator Ansel Elgort (de A Culpa é das Estrelas) é um hábil e carismático motorista que dirige um carro cheio de assaltantes da pesada, sempre com fones de ouvido tocando canções pinçadas da sua coleção de vinis, cuja levada funciona como um GPS ritmado a lhe guiar por caminhos quase intransponíveis.

Pois bem, após esperar subir o letreiro para desfazer pequenas dúvidas sobre algumas músicas que tocavam no som da velha Brasília enquanto trilhava os caminhos que separam Paulo Afonso de Salvador, saio do cinema e passo por uma rodinha de senhores falando sobre a Lava Jato, e aí me ocorreu de imaginar quais seriam as canções que esses golpistas da vida real escolheriam ouvir em seus fones ao saírem com a grana repassada por seus mantenedores, todos, diga-se, munidos da certeza de que a impunidade estaria eternamente se bronzeando em iates a deslizar no macio azul do mar, onde antes só navegava o velho barquinho de Menescal e Bôscoli, magistralmente guiado pelas vozes de Maísa e Nara Leão.

Como os envolvidos são muitos, falarei apenas do vídeo em que o ex-deputado Rocha Loures sai nervosamente de um restaurante com meio milhão de reais numa mala. Numa análise estritamente rítmica de seu trote, percebe-se que ele jamais ouviria um velho rock’n roll ou uma balada de Simon e Garfunkel, sons que, a exemplo do que acontece no filme, lhe possibilitaria um certo relaxamento e uma maior segurança na hora da fuga, o que certamente disfarçaria qualquer suspeita de propina derivada dos filés e vitelas da JBS.

Mas voltando à música que deveria estar no fone de Rocha Loures, não tenho dúvida de que seria Boi Bumbá, um delicioso forró gravado por Luiz Gonzaga, onde no final ele direciona partes do boi para seus amigos (“e o filé mignon? É pra doutor Calmon!”). Adaptada à turma da boquinha, ela poderia ficar assim: “de quem é o osso da pá? É do senador Jucá!”; “e o contrafilé da costela? Esse é de José Serra!”; “e de quem é o patinho? É do nosso Aecinho!”; “e a carne da nuca? É do presidente Lula!”; “e o miolo da paleta? Separa pra Eunício Oliveira!”; “e a vassoura do rabo? É de Jader Barbalho!”; “e o avantajado traseiro? É do doutor Renan Calheiros!”; “e a nobre picanha? Vai pra Benito Gama!”; “e o peito? É do senador Fernando Coelho!”; “e a macia alcatra? É de Rodrigo Maia!”; “quem fica com o lagarto? O deputado Bolsonaro!”; “e o delicioso cupim? É do amigo Esperidião Amim!”; “e essa divina chuleta? É da senadora Fátima Bezerra!”; “e o resto do animal? É do insaciável Sérgio Cabral!”. No final, alguém grita: “ainda têm aqui o cunhão e as tripas!”. Requião disfarça e Dilma se faz de desentendida.

Janio Ferreira Soares, ceonista, é secretário de Cultura da Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

E por falar em saudade…

BOM DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)


João Doria e Tasso Jereissati em Fortaleza. André Lima

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Está declarada uma guerra interna no PSDB que pode resultar na perda do ministério das Cidades e na troca do comando partidário nas próximas semanas. Rachado desde a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados, o partido terá a difícil missão de se reunificar antes do fim do ano, quando a convenção nacional da legenda elegerá sua nova direção. O estopim que gerou a nova crise foi o programa partidário divulgado na noite de quinta-feira (assista aqui) no qual uma das principais mensagens foi a de que o Brasil vive um regime de “presidencialismo de cooptação”. O recado foi claro à gestão Temer, assim como a seus antecessores, que governaram trocando cargos e recursos públicos por apoio no Congresso.

Ao tratar desse assunto, a direção tucana mexeu com os brios de ao menos três dos quatro ministros peessedebistas, além de outros vários representantes que defendem a manutenção do apoio ao impopular Governo Temer. O programa foi ao ar semanas depois que o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) foi oficializado como o presidente da transição da legenda, em substituição ao presidente afastado Aécio Neves (PSDB-MG). O termo que incomodou parte da base tucana – presidencialismo de cooptação – foi sugerido pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. É Tasso, contudo, quem assumiu toda a responsabilidade pelo teor da propaganda partidária. “Não me arrependo de nada. Tenho responsabilidade total pelo programa”, afirmou a jornalistas após participar de uma palestra, em Fortaleza, ao lado do prefeito tucano paulistano, João Doria, em mais uma viagem de prospecção de campanha com mira em 2018.
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Apesar dos claros ataques entre deputados, ministros e militantes, Tasso nega que a legenda esteja rachada. “Todos os partidos estão rachados no sentido que têm posições divergentes. Não tem pensamento único. Pensamento único só há no Partido Comunista”, disse. Não é o que pensam os ministros do partido. “Em vez de fortalecer o partido e apresentar contribuições ao país, preferiu-se expor, em rede nacional, uma divisão interna que, a meu ver, já havia sido superados”, afirmou em nota o ministro Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo.

Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, foi além. Disse que o PSDB desferiu um tiro no próprio pé. Reclamou da generalização do termo de que políticos são cooptados pelo presidente. Culpou os governos do PT pela crise econômica e pela desorganização administrativa. E ainda disse que nunca pediu dinheiro ou recebeu vantagens para apoiar agendas nas quais ele acredita. O longo desabafo foi publicado em sua página no Facebook. “O programa partidário do PSDB é um monumento à inépcia publicitária, e a expressão de uma confusão política digna de figurar numa antologia do gênero”, analisou Nunes.

Já o ministro das Cidades, Bruno Araújo, afirmou que o programa não o representava e cobrou que Tasso Jereissati submetesse as decisões à Executiva Nacional da legenda. Com essas queixas dos tucanos, cresceu no Palácio do Planalto o movimento para distribuir parte dos ministérios comandados pelo PSDB para partidos do centrão. O cargo mais cobiçado é exatamente o ocupado hoje por Araújo. Partidos como PSC, PR, PP, PRB e PSD cobram que o presidente deveria privilegiar algum de seus representantes no ministério das Cidades porque entendem que eles atuaram mais em defesa de seu mandato do que os tucanos.

Nos bastidores do PSDB já há deputados e senadores articulando a troca de Tasso Jereissati por outro nome que não esteja na linha de frente da oposição à gestão federal. Aécio Neves, que se afastou do comando partidário para se defender do escândalo de corrupção no qual se envolveu, foi instado a destituir Tasso, mas ainda não o fez. Quer ouvir outros correligionários antes de tomar qualquer decisão.
Autocrítica e parlamentarismo

Um dos líderes do movimento que defende o rompimento com a gestão Temer, o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE) elogiou a propaganda partidária. Avalia que agora, no entanto, é preciso pacificar a legenda, antes mesmo da convenção nacional no fim do ano. “Os dois lados têm de baixar a guarda e sentar para conversar. Sem isso, ficaremos sem rumo. Não pode a ala governista fincar o pé no Governo e não podemos nós sermos intransigentes com eles”, ponderou.

Quem analisa o cenário com maior distanciamento entende que a propaganda partidária foi acertada, ao menos em parte. O cientista político Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, diz que ao fazer uma autocrítica o PSDB se aproxima da população. “Os partidos políticos têm 5% de apoio da população Como eles vão mudar sem admitir que erraram. O PSDB faz uma coisa que o PT não faz, o de admitir que errou”, disse o especialista.

Os tucanos ainda terão de administrar um contrassenso que é o de criticar a gestão Temer, mas seguir a apoiando com quatro ministérios. “O PSDB está desorientado. Sabe que há um custo eleitoral muito grande por ter sustentado o Governo Temer. E essa incongruência eles vão ter de resolver”, afirmou.

Enquanto a Câmara discute mudanças eleitorais já para a eleição de 2018, o programa do PSDB também decidiu tornar pública em rede nacional uma defesa do parlamentarismo, ainda que uma ação que vai decidir se o Congresso pode ou não debater o assunto esteja parada no Supremo Tribunal Federal. O vídeo diz que a proposta do parlamentarismo está na legenda desde 1988 e é “uma bandeira histórica”.


DO CORREIO24HORAS
Vitor Villar

O Vitória teve uma atuação gigante neste sábado (19), em pleno Itaquerão. Jogando de maneira inteligente e aguerrida, o Leão destronou fora de casa o único invicto e líder isolado da Série A. Eram 34 partidas sem perder do Corinthians. Eram… O placar de 1×0 foi merecido, principalmente pelo empenho dos rubro-negros.

Tréllez foi o autor do único gol do jogo, ainda aos 11 minutos do 1º tempo. Por conta disso, o que se viu nos 79 minutos finais foi uma pressão total do Corinthians, que chegou a ter 85% de posse de bola.

Mas o que se viu também no Itaquerão foi uma atuação defensiva impecável do rubro-negro. Especialmente de Wallace e Fernando Miguel. O Leão ainda teve mais chances na etapa final, mas tropeçou nos próprios erros e teve um gol mal anulado.

O próximo compromisso do Vitória é na segunda-feira (28), contra o Coritiba, às 20h, no Couto Pereira.

O jogo

Desde os minutos iniciais, o Vitória não teve vergonha de mostrar a sua proposta de jogo: fechar-se com todos os jogadores no campo de defesa e partir para o contra-ataque na velocidade de Neilton e David. Simplesmente entregou a bola para o clube paulista e esperou o momento certo de dar o bote.

Talvez o Leão não esperasse que o momento chegasse tão cedo. Foi logo aos 11 minutos. Numa jogada rápida pela esquerda, David tocou para Neilton no meio, que acertou um belíssimo passe entre dois defensores para deixar Tréllez na cara de Cássio. O colombiano ainda contou com um desvio da zaga para abrir o placar.

Com o gol tão cedo, o duelo seguiu com o Timão pressionado e pressionando. Por volta dos 35 minutos, chegou a ter 85% de posse de bola e ocupava o campo de ataque com todos os homens de linha. Apesar disso, a equipe só chegava rifando bolas para a área.

Foi aí que a defesa do Leão, liderada por Wallace, brilhou, e muito. O zagueiro aplicou uma verdadeira ‘lei do ex’ às avessas: em vez de marcar gol contra seu ex-time, evitou várias chances do Corinthians.

Muito por conta dele, a primeira chance contundente do Timão foi apenas aos 40 minutos. Fágner cruzou da direita e Balbuena apareceu de surpresa para cabecear para fora. Aos 43, outro momento difícil. Romero desviou cruzamento e Fernando Miguel fez uma lindíssima defesa.

Podia ter mais

A verdade é que o Vitória podia ter feito um jogo até tranquilo se não tivesse errado tanto. Na etapa inicial, foram pelo menos cinco chances de contragolpe que morreram em passes equivocados. No segundo tempo, a contagem cresceu.

Outro golpe foi um gol do Vitória mal anulado aos quatro minutos. Caíque cobrou falta na direção da área, a bola passou por todo mundo e Kanu cabeceou para o gol. O zagueiro estava em posição legal, mas o bandeirinha marcou impedimento.

A chance mais contundente do Corinthians na etapa final veio aos 21, em outro chuveirinho. Jô cabeceou no canto e Fernando Miguel operou outro milagre.

As oportunidades do Vitória foram muito mais claras. Aos 25, um gol perdido de maneira inacreditável. Neilton recebeu dentro da área e tentou chutar colocado no canto esquerdo de Cássio, mas a bola saiu fraca e o goleiro defendeu.

A atuação gigante do Leão ainda não foi suficiente para tirar o time da zona de rebaixamento. Em compensação, com 22 pontos, o rubro-negro já igualou o 16º colocado, o São Paulo, que joga fora de casa neste domingo (20), às 16h, contra o Avaí.

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Posted on 20-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-08-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

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Posted on 20-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-08-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Há um entendimento de que nós podemos melhorar”

Assim como Tasso Jereissati e Geraldo Alckmin, João Doria negou que a propaganda do PSDB na TV contra o “presidencialismo de cooptação” tenha mirado o governo de Michel Temer.

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“A crítica é sempre construtiva, a crítica não é separatista. Aliás, o senador Tasso Jereissati fez essa observação. Ele não fez uma crítica direta ao presidente Michel Temer nem ao governo Michel Temer. Ele fez essa ressalva. Não há ruptura. Há um entendimento de que nós podemos melhorar, aperfeiçoar, mas sempre com serenidade e equilíbrio”, disse o prefeito de São Paulo ao G1.

O PSDB terá de melhorar muito para ter alguma chance em 2018.