DO EL PAÍS

Madri / Barcelona / São Paulo

Um atentado terrorista em Barcelona levou pânico à Espanha após uma van atropelar vários pedestres em La Rambla (extenso calçadão conhecido como Las Ramblas pelos turistas), uma importante via no centro da capital da Catalunha. Ao menos 13 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. O atropelamento foi no final da tarde desta quinta-feira, 17 de agosto. Um suspeito foi preso horas depois. O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque terrorista com a van.

La Rambla é um dos principais polos turísticos de Barcelona e recebe milhões de visitantes todos os anos. O ataque terrorista foi condenado pelos principais líderes mundiais, entre eles o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e o papa Francisco. O Governo brasileiro negou que há brasileiros entre as vítimas. Este já é o oitavo ataque terrorista em um ano feito por meio de atropelamento de pedestres na Europa.

Telefone do plantão do Consulado-Geral do Brasil em Barcelona: +34 659 078 057.


A ALMA

Gilson Nogueira

A esquina, local sagrado dos encontros da turma, continua la. Infelizmente, vazia, sem personalidade. Os rapazes que lhe davam vida envelheceram, sem perder a juventude. Aquela esquina, agora, chora o silencio da turma. Passei por lá, outro dia, e a (ou)vi. De uma hora para outra, sem aviso prévio, foram-se todos, sem deixar substitutos, pareceu-me dizer a esquina solitária dividida entre o ontem e o hoje. Pois é, naquele cotovelo de pedras portuguesas, no caminho do Jardim de Nazaré, personagens de um tempo mágico, plantaram raízes de uma grande amizade, que perdura até hoje. Caíram no mundo, cumprindo o roteiro dos seus destinos. O futuro já os tinha em sua companhia. E este não se arrependeu. Na atualidade, quase todos na quadra dos setenta anos, de cabelos charmosamente coloridos, pela natureza, em preto, branco e dourado, encontram-se, de vez em quando, em comes e bebes esporádicos. Diariamente, porem, em casa, veem-se na lembrança de cada um, batem ponto no travesseiro da saudade, recordando instantes maravilhosos vividos entre eles e fatos que viraram noticia na imprensa soteropolitana da época, como, por exemplo, a chegada do homem à lua. Eu ,por exemplo, estava lá, decolando na profissão. Em uma emissora de rádio de Salvador, fiz a ponte com uma rádio do sul maravilha flagrando o instante em que a lua deixava de ser apenas dos poetas e dos namorados.Às 17h17m, horário de Brasília, do dia 20 de julho de 1969, a base da NASA recebeu o primeiro contato dos dois astronautas que primeiramente pisaram na Lua: Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Está no Google. Na tarde de 16 de julho de 1969, a nave Apollo 11, que foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), levou à órbita da Lua os astronautas Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins. Quatro dias depois, Armstrong entrou para a história como o primeiro ser humano a pisar na superfície lunar.

A Turma de Nazaré preserva sua memória. Diferentemente da Salvador dos dias que correm, onde a alma da cidade parece ter ido para o espaço sideral.

Gilson Nogueira é jornalista. Colaborador da primeira hora do BP.

BOM DIA!!!

ago
17


O deputado Lúcio Vieira Lima e Vicente Cândido (PT), relator da reforma política. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), jogou para a próxima semana a votação do primeiro dos quatro projetos que tratam da reforma política e tramitam a toque de caixa no Legislativo. A decisão de postergar a votação de temas como distritão e a criação de um fundo público para financiar eleições, segundo Maia, foi “falta de segurança” em votar uma proposta de emenda constitucional com um quórum de aproximadamente 430 parlamentares. Para ser aprovada, uma PEC precisa dos votos de ao menos 308 dos 513 deputados.
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“[Quórum de] 430 para votar uma PEC dessa importância eu achei baixo. A decisão foi minha e vamos deixar para a próxima semana. Foi até bom porque a gente ganha tempo para continuar debatendo temas que estão construindo convergência nessa matéria”, disse Maia após encerrar abruptamente a sessão.

As mudanças nas regras que estavam sendo discutidas nesta quarta-feira constam da PEC 77. Devido à forte resistência da oposição ao Governo Michel Temer (PMDB), a tendência é que o distritão, sistema no qual são eleitos para a Câmara os deputados mais votados, seja completamente alterado. Segundo lideranças partidárias, cerca de 240 parlamentares são contra essa proposta e querem que seja mantido o atual sistema eleitoral, no qual são eleitos os deputados que tiverem seus votos diretos somados aos dados às suas legendas ou coligações.

O principal argumento dos opositores ao “distritão” é que ele enfraquece os partidos e acaba com a atual proporcionalidade ao decidir que a eleição para deputado será transformada em uma eleição majoritária – assim como já ocorre na escolha dos senadores. “Para acabar com o impasse, foi criada uma tese de que poderia haver um tipo de distritão diferente, no qual seria possível votar em partidos, como há hoje, e isso acabar influenciando no resultado da eleição. Ela só não está clara de que maneira seria”, afirmou o relator da PEC 77, o deputado Vicente Cândido (PT-SP). A nova tese em discussão já foi batizada de “distritão light” ou “semidistritão”. Seu principal defensor é o presidente da Câmara.

Essa nova proposta foi o principal ponto que travou a discussão na noite desta quarta-feira. “Esse debate da reforma política gera muitas emoções. Daqui a pouco vão dizer que o sistema atual, que é o responsável por grande parte da crise que nós vivemos, da falta de legitimidade que passamos, que ele é maravilhoso”, avaliou Maia.

Da maneira como foi aprovada em uma comissão especial e será debatida em plenário, a PEC prevê que, a partir de 2020 as eleições para as Câmaras (de deputados e vereadores), além das Assembleias Legislativas, ocorreriam no modelo distrital misto. Nesse sistema, cada eleitor daria dois votos. Um nominal a um candidato e outro em um partido político. Assim, metade dos parlamentares seria escolhida por meio de votos diretos. A outra metade, por meio de uma lista previamente apresentada pelos partidos e votada pelos eleitores.

Se o texto for aprovado, ele ainda tem de ser analisado em segundo turno na Câmara e, em duas votações no Senado. A pressa dos parlamentares é que toda modificação em lei eleitoral deve ocorrer a pelo menos um ano antes da eleição para que tenha validade já no próximo pleito. Caso contrário, só passaria a valer a partir de 2020.
Fundão indefinido

Movidos pela forte repercussão negativa entre a opinião pública, diante do momento de cortes de despesas e, principalmente, sobre a impossibilidade de que essa votação interferisse em suas reeleições, os deputados entraram em um acordo e decidiram não delimitar um valor prévio para o fundo de financiamento de campanhas.

No relatório de Vicente Cândido, havia a definição de um percentual de 0,5% da receita corrente líquida da União destinado especificamente para campanhas eleitorais. Para o próximo ano, esse valor chegaria aos 3,6 bilhões de reais. Apenas para efeito de comparação, a eleição de 2014, quando era permitida a doação empresarial, custou 5 bilhões de reais.

Após as discussões desta quarta-feira, esse fundo público deverá ser aprovado e as doações de pessoas físicas seguem permitidas. Contudo, quem vai definir o valor destinado aos partidos para que eles patrocinem os seus candidatos será a Comissão Mista do Orçamento. Esse colegiado, formado por senadores e deputados, analisa a peça orçamentária enviada pela União e define no fim do ano quanto o Governo está autorizado a investir em cada área.

Os outros três projetos de lei que fazem parte do pacote de reforma política tratam ainda do fim das coligações, do limite de gastos das campanhas e da participação feminina no Legislativo. Todos deverão ser votados até o fim de setembro nas duas casas do Congresso.

O mais polêmico deles é a lei ordinária que também está sendo relatada por Cândido e apresenta os limites de doações e despesas para os políticos. Um dos pontos em discussão é o que prevê que os nomes de todos os doadores se mantenham sob sigilo para o público em geral. Só quem teria acesso a esses dados seriam os órgãos de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União ou os tribunais eleitorais.

Uma das entidades que está pressionando pelo veto à essa falta de transparência é a Ordem dos Advogados do Brasil. A entidade diz que recorrerá ao Judiciário alegando que a medida é inconstitucional. “Em sendo aprovada, é um verdadeiro retrocesso no contexto eleitoral. A sociedade tem que ter o direito e o eleitor mais ainda de poder conhecer quem são os doadores desse ou daquele candidato”, afirmou o presidente da instituição, Claudio Lamachia.
Fim das coligações e participação feminina

Os outros três projetos de lei que fazem parte do pacote de reforma política tratam ainda do fim das coligações, do limite de gastos das campanhas e da participação feminina no Legislativo. Todos deverão ser votados até o fim de setembro nas duas casas do Congresso.

O mais polêmico deles é a lei ordinária que também está sendo relatada por Cândido e apresenta os limites de doações e despesas para os políticos. Um dos pontos em discussão é o que prevê que os nomes de todos os doadores se mantenham sob sigilo para o público em geral. Só quem teria acesso a esses dados seriam os órgãos de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União ou os tribunais eleitorais.

Uma das entidades que está pressionando pelo veto à essa falta de transparência é a Ordem dos Advogados do Brasil. A entidade diz que recorrerá ao Judiciário alegando que a medida é inconstitucional. “Em sendo aprovada, é um verdadeiro retrocesso no contexto eleitoral. A sociedade tem que ter o direito e o eleitor mais ainda de poder conhecer quem são os doadores desse ou daquele candidato”, afirmou o presidente da instituição, Claudio Lamachia.

ago
17
Posted on 17-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-08-2017


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Aldo Rebelo fora do PCdoB

Segundo Rosângela Bittar, do Valor, o ex-presidente da Câmara desligou-se nesta segunda (14) do partido a que foi filiado por 39 anos.

O texto do jornal fala em vagas “divergências em torno da agenda” do PCdoB.

Especula-se que o ex-ministro pode levar toda a sua modernidade de stalinista para o PSB.

ago
17
Posted on 17-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-08-2017


Sinovaldo, no jornal NH (RS)


Willian Pina Botelho entre os detidos em 2016: série de reportagens sobre o militar infiltrado entre manifestantes concorre ao prêmio SIP.
El País


DO EL PAÍS

O EL PAÍS Brasil é finalista em duas importantes premiações jornalísticas: uma internacional, o prêmio SIP Excelência Jornalística 2017, organizado pela Sociedade Interamericana de Imprensa; e outra nacional, o prêmio Comunique-se 2017, cuja final é definida por meio de votação popular —é possível votar nos profissionais finalistas até 10 de setembro, pelo site da premiação (clique aqui).

Concorrem ao prêmio latino-americano a repórter Marina Rossi, autora de uma série de reportagens que revelou detalhes sobre como o capitão do Exército Willian Pina Botelho usou o aplicativo de relacionamentos Tinder para se aproximar de jovens de esquerda usando o codinome Balta Nunes. Os textos, publicados após a prisão de um grupo de manifestantes pela Polícia Militar antes de um protesto contra Michel Temer em São Paulo, em setembro de 2016, disputam na categoria Cobertura Noticiosa na Internet.

Já a colunista Eliane Brum disputa o mesmo prêmio, mas na categoria Opinião, com o artigo O golpe e os golpeados, publicado em junho do ano passado, sobre o genocídio de jovens negros no Brasil, especialmente a morte do jovem Carlos Eduardo, numa favela do Rio de Janeiro, e sobre a violência contra os indígenas Guarani Kaiowá.

A Sociedade Internamericana de Imprensa recebeu mais de 1.000 inscrições em suas 12 categorias. Ao todo, 12 trabalhos produzidos por jornalistas brasileiros estão entre os finalistas desta edição. Os ganhadores serão revelados durante a 73ª Assembleia Geral da SIP, que acontece entre os dias 27 e 30 de outubro nos Estados Unidos. No ano passado, o EL PAÍS Brasil conquistou dois prêmios SIP de Excelência Jornalística.

A votação do Prêmio Comunique-se 2017 pode ser realizada até dia 10 de setembro pelo site do evento
Prêmio Comunique-se

Eliane Brum também é finalista em duas categorias do Prêmio Comunique-se 2017: Escrita Nacional e Opinião. Nesta edição, cujo tema é “Monstros Sagrados do Jornalismo”, a jornalista gaúcha faz par com outro colunista do EL PAÍS, o espanhol Juan Arias, radicado no Rio de Janeiro, que concorre como Correspondente Internacional no Brasil.

Juan Arias, de 85 anos, é um dos profissionais mais respeitados do grupo: está no jornal espanhol desde praticamente sua fundação, há 40 anos, dos quais boa parte foram dedicados à cobertura do Vaticano (foi correspondente em Roma e cobriu várias viagens internacionais do papa João Paulo II) e à cobertura de temas sobre o Brasil, onde vive desde 1999.
Juan Arias em Saquarema.
Juan Arias em Saquarema. Arquivo pessoal

Ao escrever sobre as quatro décadas de existência do EL PAÍS na Espanha, em 2016, Juan Arias falou sobre a percepção que os brasileiros têm dele: “Muitos dos meus leitores me acusam, às vezes, de ver o Brasil através dos olhos europeus. Outros me agradecem por ter sabido, às vezes, ler a complexidade, as pulsações e os desejos de superação dessa sociedade melhor do que muitos brasileiros. Ou será que já me fiz, sem saber, um brasileiro mais, com seus defeitos e virtudes e por isso começo a entender e amar até suas fraquezas?.”

Em 2016, a correspondente do EL PAÍS no Rio, María Martín, venceu o Prêmio Comunique-se na categoria correspondente estrangeiro. A premiação, criada pelo grupo de comunicação em 2003, tem três etapas: indicação de jornalistas por seus pares e votações abertas online para as fases semifinal, que escolhe três jornalistas, e a final. A votação popular é online e, neste ano, pode ser realizada até 10 de setembro por meio do site do Comunique-se. Os vencedores serão conhecidos em uma cerimônia em 26 do mesmo mês.