Temer-Dodge: encontro fora de agenda no Jaburu…


…sob a lente do cinegrafista e a apuração da repórter

Perdas e ganhos: Temer- Dodge na noite do Jaburu

Vitor Hugo Soares

Quem ganha, quem perde? Na base desta questão, bem ao estilo do noticiário político e das colunas de bastidores do começo dos anos 70, (quando ingressei no Jornal do Brasil, via sucursal de Salvador), giram nesta semana, de agosto de 2017, as avaliações sobre o mais recente, polêmico e surpreendente fato produzido no ninho de espantos e assombrações em que vai se transformando o palácio presidencial do Jaburu, em Brasília: o encontro na calada da noite, fora de agenda, entre o atual mandatário, Michel Temer, e a procuradora de Justiça, Raquel Dodge, escolhida para assumir, mês que vem, o comando da Procuradoria Geral da República – um dos postos mais cruciais e sensíveis no esforço para investigar, julgar e punir corruptos e corruptores no País – ;no lugar de Rodrigo Janot, que se despede entre tiros e flechadas. À favor e contra.

Anos depois, quando assumi a chefia da sucursal da VEJA para a Bahia e Sergipe, circulava na sede da mais importante revista semanal brasileira, em São Paulo, uma expressão bem própria para definir, a partir dos signos da comunicação e do poder, as perdas e danos nas biografias de personagens envolvidos em escândalos ou situações constrangedoras, decorrentes de passos em falso deste tipo, envolvendo ministros, figurões de alto coturno do serviço público, togados da justiça, parlamentares e governantes: “Subiu para baixo”.

No caso do presidente Temer – séria e profundamente enrolado, jurídica e moralmente, nos efeitos devastadores da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista nos desvãos do mesmo palácio, recentemente – as dúvidas são maiores e fica mais difícil uma avaliação mais segura de qualquer analista, as perdas e ganhos neste episódio. Salvo, evidentemente, os arautos de encomenda da corte, ou os que ainda acreditam em Papai Noel, ou pensam que “o céu é perto”, como ouvia minha saudosa mãe dizer desde a infância, nas barrancas do São Francisco, o rio da minha aldeia.

Anda tão baixo o conceito do mandatário na avaliação da sociedade (as pesquisas de opinião deixam isso cada dia mais evidente), que fica quase impossível saber quanto o encontro desta semana, na noite do Jaburu, pode ter contribuído para fazer descer ainda mais o reduzido índice de prestígio e a escassa credibilidade do principal ocupante do palácio cercado de dúvidas e suspeitas.

Quanto à harvardiana Raquel Dodge, ungida pelo mandatário para ocupar o lugar de Janot – eleito inimigo número um pelo próprio presidente apanhado em flagrante delito criminal em pleno exercício do mandato, segundo denúncia da PGR barrada temporariamente pela Câmara- , o estrago é indubitavelmente devastador. No caso desta desgraçada tentativa de demonstração de controle e poder (que se pretendia manter submersa na sombra palaciana, sabe-se lá a conselho de quem), cabe com perfeição a constatação do conceito jornalístico citado no segundo parágrafo deste artigo: a futura chefe da PGR “subiu para baixo”. A conferir.

Mas, diga-se a bem da verdade, não há apenas perdedores, a exemplo dos dois principais personagens citados, que se meteram desgraçadamente nesta historia nada exemplar para a já combalida vida republicana nos dias que correm no Brasil. Há. Igualmente, meritórios vencedores neste caso. O maior deles, a imprensa livre e democrática que felizmente ainda se pratica por estas bandas de baixo da linha do Equador. Trocando em miúdos, não se trata aqui de mera conquista conceitual ou retórica, mas envolve, igualmente, personagens de carne e osso, profissionais que merecem referência, destaque e aplausos. Prêmios também, quem sabe?

Por exemplo: o cinegrafista Wilson de Souza, da TV Globo. É dele o registro do flagrante implacável desta semana, na terça-feira, 8. A lente potente da câmera, sob seu atento e ágil comando, focalizou com notável nitidez (dá até para ver o número da placa) o estacionamento do carro oficial nas imediações do corredor arborizado (passarela?) da entrada do Jaburu. Do automóvel, desce a futura procuradora geral da República. Passos apressados, de quem parece estar fugindo de olhos curiosos ou perguntas incômodas, ela caminha para o encontro com Michel Temer, o mandatário inimigo de Janot, às 22 horas.

As imagens vistas na noite seguinte, no Jornal Nacional, são dessas de entendimento imediato e impacto fulminante. Dispensam comentários ou explicações. Principalmente aquelas, saídas apressadamente da cachola de assessores oficiais, jornalista chapa branca ou conselheiros palacianos que imaginam ser a sociedade brasileira formada por idiotas ou “abestalhados”, para usar o linguajar dos soteropolitanos. Ainda assim, tanto o Planalto quanto a procuradora afirmam, oficialmente, que o encontro noturno na residência presidencial foi só para uma conversa sobre a posse da futura chefe da PGR, marcada para daqui a quase 40 dias.

Aqui, mais uma vez, entra em campo o jornalismo preocupado com “Sua Excelência, o Fato”, no dizer de Charles de Gaulle, que Ulysses Guimarães gostava de repetir. A incansável e atenta repórter Andréia Sadi revelou, em seu blog, do G1, que houve pelo menos mais um assunto tratado no encontro: “Temer fez para Raquel Dodge um relato dos motivos que o levaram a pedir a suspeição do procurador geral Rodrigo Janot, ao Supremo, na terça, e seu embasamento jurídico”. Além disso, a jornalista conta ainda, “que o presidente quer que Raquel Dodge tome posse no Palácio do Planalto como gesto simbólico da reaproximação institucional do Executivo com o Ministério Público”. E o mandatário quer, também, a solenidade de posse realizada de manhã cedo, porque na tarde do mesmo dia ele tem viagem marcada para os Estados Unidos, onde discursará na cerimônia de abertura da Assembleia Geral anual da ONU.

Eis mais um episódio da crítica realidade da política e do exercício do poder no Brasil, a cobrir de razão os historiadores e pensadores que identificam e apontam a histórica e profunda ligação entre a pólvora e a imprensa. No caso deste estranho encontro Temer – Dodge, tem muita pólvora e fumaça no meio. Mas o mérito maior, até aqui, é do jornalismo na busca da verdade. Viva!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Posted on 12-08-2017
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Jarbas, no Diário de Pernambuco (Recife)

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DO BLOG O ANTAGONISTA

O plano A do PT na Bahia

Como temos dito, são enormes as chances de o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), se candidatar ao governo da Bahia no ano que vem para derrotar o petista Rui Costa, que tentará a reeleição.

Mas o plano A do PT no estado é outro: fazer o atual secretário de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner voltar a Brasília como senador da República.

Grande e maravilhoso Paulinho!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Nicolás Maduro antes da sessão na Constituinte
CARLOS GARCIA RAWLINS REUTERS

DO EL PAÍS

Alfredo Meza
Caracas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, compareceu pela primeira vez à Assembleia Nacional Constituinte – o novo Parlamento concebido sob medida para ele e eleito há 10 dias numa polêmica votação – para propor uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) cuja única pauta seria “a restituição das normas do respeito internacional” e “o diálogo sobre a verdade da Venezuela”.

Maduro parece ter se ressentido dos resultados da recente cúpula de chanceleres da América Latina em Lima, que ameaçou isolar a Venezuela na região. “Lá falaram em bloqueio, que ninguém empreste um só dólar à Venezuela”, denunciou. As comparações com a Cuba de Fidel Castro foram inevitáveis no discurso.

O regime venezuelano espera que uma nova reunião de cúpula marque a reunificação da América Latina e Caribe. A próxima reunião dessa instância, que ao contrário da OEA não inclui os Estados Unidos nem o Canadá, ocorrerá em outubro em El Salvador. O Governo desse país, presidido pelo esquerdista Salvador Sánchez Cerén, é um dos poucos países da região que mantêm seu apoio ao regime bolivariano, numa atitude condenada pelos países mais influentes da comunidade internacional.

“Não vejo razão para que se neguem [a participar do encontro]. Ficam o tempo todo falando da Venezuela. Querem falar da Venezuela? Falem comigo, então. Se tivermos que passar dois dias trancados falando de igual para igual, falaremos e procuraremos recompor as relações da América Latina e Caribe. Façamos uma agenda comum, com os temas que unem a região”, propôs o mandatário venezuelano durante um breve discurso transmitido em rede nacional de rádio e TV.

Maduro também pareceu dar por encerrada a mediação do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero no conflito venezuelano, porque pretende que a Celac “acompanhe a Venezuela nos caminhos do diálogo constituinte e com os fatores políticos do país”. A relação de Zapatero com o regime não terminou muito bem depois da sua última visita. As autoridades venezuelanas criticaram o comunicado em que o ex-premiê socialista exige um gesto do Governo para retomar a negociação política com a oposição.

Um a um, Maduro foi citando os presidentes que foram mais críticos com os rumos autoritários do seu Governo – Juan Manuel Santos (Colômbia), Enrique Peña Nieto (México), Pedro Pablo Kuczynski (Peru) e Mauricio Macri (Argentina) – para que aceitem seu convite. “Restituamos o respeito e a fraternidade entre os modelos políticos e econômicos”,acrescentou. Com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi ainda mais crítico, apesar de ter solicitado ao chanceler Jorge Arreaza que conseguisse uma conversa telefônica com o mandatário republicano e de ter insistido na ideia de manter relações harmônicas com Washington apesar das divergências políticas.
Lei antiescracho

Durante o ato, Maduro entregou à presidenta da ANC, Delcy Rodriguez, um projeto de lei contra o ódio, a intolerância e a violência. O governante propõe penas de 15 a 25 anos de prisão para quem “expressar ódio” durante protestos.

A proposta é uma maneira de deter os escrachos que atingem a alta hierarquia chavista nas ruas. O mais recente alvo das reclamações foi a chefe do Conselho Nacional Eleitoral, Socorro Hernández. Maduro disse que a pessoa que insultou a funcionária num supermercado está sendo procurada pela polícia.